Encanto
7 Capítulo 6
Notas iniciais
- Gente, desculpem! Não sei o que há com meu computador que está trocando de lugar alguns parágrafos (Sim, acreditem, é verdade ><''). Já consertei. Desculpem aí!
Uma porta se abriu no andar de cima. Estiquei o pescoço para alcançar o patamar das escadas, mas não havia nada lá. Por Deus, o que era aquilo? Um monstro? Não. Devia ser minha imaginação. Eu estava tendo um pesadelo. Era isso, um horrível pesadelo surreal. E como se alguém tivesse escutado meu pensamento, a porta de casa se escancarou rangendo alto, o vento invadiu os cômodos, ricocheteando contra as paredes e o mobiliado, frio e implacável, antes de dar passagem a uma figura mórbida, envolta em sombras, que adentrou pelo portal. As órbitas vazias se destacavam em seu rosto cadavérico, o vestido arrastando pelo soalho, enquanto sua voz se largava no ar, cortante e sussurrada.
— Eu sou Abadah e reivindico agora o meu tributo.
Tributo. Aquela era a palavra que pairava no fundo de meu cérebro e que eu tanto teimara em esquecer. Como numa retrospectiva em câmera lenta, os últimos acontecimentos me vieram à mente em imagens sem voz e me vi num velho depósito sujo e cheirando a mofo, com uma grande esfera de vidro no alto da cabeça. Eu a atirei no chão e ela se estilhaçou diante de meus olhos. Ali, naquele breve momento eu condenei minha própria vida.
— Não, me deixe em paz! — Eu gritei, escapulindo das mãos esqueléticas que se esticavam para mim, engatinhando para além da porta escancarada. Corri para a rua, ouvindo o lamento arrepiante da mulher em minha casa. Não, não era uma mulher. Era um espectro, uma coisa sem forma definida, coberta por sombras e que me injetara um medo gelado e desorientador.
A chuva recomeçara a desabar sobre a cidade que dormia, alheia à menina de rosto pálido e cabelos negros que corria a esmo, desconcertada, sozinha. Mesmo diante do que presenciara, ela ainda não conseguia processar mentalmente os últimos acontecimentos. Na verdade, seu cérebro recusava-se a funcionar direito, como um fusível que acaba de entrar em curto circuito.
Um raio cortou o céu tempestuoso e me encolhi, parando, finalmente. Puxei o ar com força, expelindo pela boca aberta. Apoiei as mãos nos joelhos, cansada, resfolegante. Mal tinha percebido o quanto havia corrido. As lojas do centro, fechadas àquela hora, entraram em meu campo de visão. A cidade jazia mergulhada em silêncio e na penumbra dos postes de luz mais adiante, na calçada.
Senti uma rajada de vento movimentar meu cabelo, depois percorrer todo meu corpo deixando-me completamente arrepiada. Havia uma presença estranha, meus sentidos estavam em alerta, o ar parecia pesado, difícil de respirar, gotas de chuvas corriam em cascata por meu rosto. Tentei afastar alguns fios de cabelo e me deparei novamente com o ser do qual tanto tentei fugir. Ela me espiava por detrás da névoa negra que a envolvia, as órbitas vazias, o rosto seco e cadavérico.
— Achou mesmo que poderia escapar, querida? — Sua voz soou ameaçadora, me invadindo e percorrendo cada membro, cada osso, gelando o sangue que corria em minhas veias.
Fui cercada pelo medo. Estava fixada ao chão, e no fundo eu sabia que qualquer tentativa de fuga seria inútil. Eu estava literalmente perdida. Eu estava morta.
— O que você quer? — Consegui gaguejar, o ar preso nos pulmões.
— Você me invocou, não se lembra? Queria ter de volta o seu namoradinho... — Seus lábios se estiraram num sorriso furtivo. Estalando os dedos e abrindo as mãos brancas, deixou à mostra as unhas enormes. Eu me arrepiei e recuei alguns passos num movimento involuntário.
— Sua alma — Ela se aproximou, tocando minha pele. Imediatamente meu sangue virou água gelada nas veias. Eu suspirei, mortificada, e meus sentidos se desligaram.
Uma sucessão de acontecimentos que eu mal pude assimilar veio depois. Eu estava com frio, congelando de dentro para fora. Meu corpo solavancava com ferocidade, eu não podia controlá-lo. Na verdade, era como se eu nem estivesse lá. Era uma simples espectadora, vendo-me convulsionar no meio da rua, jogada ao chão, indefesa, horrorizada. Sozinha. A presença dentro de mim me sufocava, dominava minha mente e meus movimentos. E pouco a pouco, no ritmo enfraquecido de meu coração, me deixei ir apagando lentamente, me desligando da vida, como se aquela fosse a solução certa para tudo.
Notas finais
Seja legal. Não copie.
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