Encanto Árabe
26 Proposta surpreendente
Notas iniciais
Povs Bella...
Meu chefe franziu o cenho como se tivesse estranhado o meu pedido e com razão, pois nem eu entendia essa necessidade que ainda tinha de querer ver o príncipe.
– O que ainda tem pra falar com o árabe? Não vai me dizer que vocês... Bella! Eu avisei que ele era um sedutor... Ele tentou algo ou...
Sacudi a mão na sua frente, e resolvi mentir.
– Não! De onde tirou isso? A verdade é que foi muito gentil comigo e nem pude lhe agradecer direito. É um homem tão ocupado. Só queria dizer que estou muito grata por tudo que fez por nós, só isso.
– Bom... Então está bem. Te dou alguns minutos, ok! Acho justo já que foi você que conseguiu o contrato. Eu espero aqui.
Quando caminhei até a sala onde estava o príncipe, respirei fundo. Dizendo a mim mesma que só quero entender sua atitude em relação a mim, e que sem dúvida essa é a última vez que vamos nós ver. Senti uma leve opressão no peito com o último pensamento, mas decidi ignorar. Assim que abri a porta o encontrei de costas, olhando pela janela. Ele usava um terno preto impecável. O sol se infiltrada por ela e banhava sua silhueta forte, e imponente.
O meu coração disparou, as pernas tremeram, e as mãos ficavam frias, algo que sempre acontecia quando ele estava perto de mim. Aliás, o príncipe me despertava sentimentos e emoções demais... Era como se tivesse um poder que ninguém mais tinha... O poder de me afetar... De me enfraquecer, de me consumir num fogo de desejo insano... Avassalador. Ele falou comigo, me confundiu com o meu chefe. Porém, quando disse que era eu... O príncipe apertou as mãos e falou num tom frio, sem ao menos se virar.
– O que quer aqui, Swan?
Swan? Até poucos dias atrás ele falaria elogios doces em árabes, ou tentaria me seduzir de algum modo. Sua indiferença deveria me tranquilizar, todavia... Me deixou mais irritada do que antes.
– Tentando entender, Sheik... Por que me deixou ir?
– Deixei bem claro da última vez, agora chame seu chefe. Meu tempo é curto. Tenho que pegar um avião ainda hoje.
Por um momento quis perguntar onde iria, mas não era da minha conta. Pra quem me desejava a bem pouco tempo, agora agia como se quisesse estar em qualquer lugar. Menos aqui, comigo.
– Gostaria... Que olhasse pra mim quando fala, pelo menos.
– Ninguém dá ordens a príncipe do Catar. Sou um homem prepotente, tenho o mundo aos meus pés, não me importo com os outros. Não é o que sempre diz?
Tudo bem... Talvez tenha sido injusta com ele em alguns aspectos, mas isso não encobre seus erros, nem diminui a sua culpa.
– O que teria feito no meu lugar, alteza? Aceitado um destino que eu não escolhi apenas por que você queria?
– Mas, agora dei tudo que me pediu. A trouxe de volta, estou em seu país lhe dando a oportunidade de me processar, vou assinar o contrato com sua empresa falida. Desfiz o meu "terrivel plano." Não é mais minha, aliás... Nunca foi. Deveria estar terrivelmente feliz, Swan.
Sim... É verdade, ele me deu tudo que pedi. Então porque cada palavra dura que dizia doía em mim como "uma facada"? Me calei sem saber mais o que dizer, sem conseguir dar um sentido real pra termos essa conversa, quando nesse momento deveria estar usando a lei américana contra ele agora, por sequestro e cárcere privado.
A sala pareceu tão abafada de repente, tão quente... Só queria que me puxasse pros seus braços e me beijasse até que perdessemos o fôlego e que me jogasse contra a mesa que havia ali e me penetrasse furiosamente até que o meu desejo ardente e furioso se aplacasse.
Todavia, ele fez a última coisa que esperava que fizesse... Ele gritou tão enfurecido que pensei que as paredes cairiam.
– Saia daqui! Saia agora!
Oh... Sim! Eu saí como uma "lebre assustada", sem me importar com quem estava no caminho e pudesse ver o meu desespero. Sua reação me causou choque e tristeza... Aquele não parecia o homem sexy e doce que me sequestrou exigindo que fosse sua rainha. Ele parecia outro... Talvez fosse sua real face. Entrei no banheiro feminino dando vazão ao choro que tentava segurar antes me dando conta da terrivel verdade. Me apaixonei por ele... Pelo homem que me sequestrou, que me salvou no deserto, que me deixou ir... Céus!
Levei as mãos ao rosto, tentando conter os meus soluços... Ele me odeia agora... Odeia! Talvez fosse só um desejo passageiro, talvez tenha até colocado outra rainha no meu lugar. É isso! Me devolveu por saber que nunca seria capaz de ser uma árabe. Seth entrou no banheiro feminino em seguida. Sua presença me surpreendeu. Ainda sim perguntei esfregando o nariz vermelho pelo choro.
– Ele não falou Árabe comigo, Seth... Nenhuma vez. O que isso quer dizer?
Ele franziu o cenho estranhando a minha pergunta. Em seguida respondeu.
– Bom... sayidati. (minha senhora) Só me lembro do príncipe esquecer de sua língua natal uma vez, foi quando perdeu um tio querido.
Voltei a chorar ainda mais. Ele então tirou um lenço do seu bolso e me deu.
– Obrigada, Seth.
– Matah... (disponha) Perdoe minha indiscrição. A vi saindo da sala onde o príncipe estava. Presumo que se apaixonou por ele.
Dei um riso amargo, enquanto secava as lágrimas com o lenço.
– Não é irônico? Me apaixonei pelo inimigo, quando na verdade deveria fazer tudo que está ao meu alcance pra destruí — lo.
Ele sorriu levemente.
– Estava certo que aconteceria. O sheik também está apaixonado. O conheço o bastante pra saber. Ele mudou desde que a deixou ir. E mesmo não concordando com essa história no começo... É a rainha que meu senhor precisa, 'ana muta'akkid. (tenho certeza)
– Não, Seth. Não sou. Ele gritou comigo, me encurraçou da sala. Está enganado.
– Madha ttwqe? (o que esperava) O sheik nunca foi recusado por nenhuma mulher antes. E nunca teve que fazer esforço algum pra ter uma em sua cama. O orgulho dele está ferido... waqalbak 'ayda. (e seu coração, também) Imagina como foi pra ele fazer tudo o que estava em seu alcance pra conquista — la e não conseguir.
Mesmo que Seth estivesse certo... Somos de mundos diferentes, nunca daria certo.
– Eu... Nós... Jamais funcionaria.
– Bialttabe. (claro que sim) O sheik vai passar o próximo mês no palácio Real no Catar. Está devendo isso aos seus pais.
– Por que está me contando esse fato?
– Quero saber até que ponto ama o príncipe pra aceitar ir comigo até lá... e reconquistá — lo, sayidati. (minha senhora)
Sua proposta me surpreendeu tanto que empaledeci... ficando sem palavras.
Continua...
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