Empty heart
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Regina... por favor... – Emma praticamente suplicava.
– Você me disse pra te contar a verdade, xerife, foi isso que aconteceu.
– Como eu vou poder te defender se você diz que tem uma parte da noite da qual você não lembra?
– Eu não estou pedindo pra você me defender.
Emma bateu na mesa frustrada. – Você parece muito satisfeita de estar sendo acusada de assassinato. Droga Regina! Você não pensa no Henry... ou em mim?
– Eu não estou dizendo que estou feliz com isso, só... que eu estava com raiva, eu não estava exatamente colhendo flores na floresta, eu estava...
– Lançando bolas de fogo pra tudo quanto é lado? – Emma tentou.
– Basicamente... mas então eu não sei como, acordei no meio da clareira algumas horas depois, não sei o que aconteceu nesse tempo...
– Isso não quer dizer que você matou aquelas pessoas.
– Mas pode ter acontecido... não seria primeira vez que eu machuco pessoas.
– É, mas você mudou.
– É o que você vive dizendo.
– É a verdade.
– Por que você acredita tanto em mim senhorita Swan? Mesmo quando ate eu estou em duvida.
Emma fitou a mesa, não conseguia encarar a morena. – Não sei porque... só sei que eu quero acreditar em você...
– Eu não aconselharia ninguém a acreditar na Evil Queen.
– Chega! – Emma estava zangada. – Você não é mais isso! E você não está presa, tenho certeza de que não fez isso. Vou pegar o responsável e provar isso pra todo mundo, inclusive pra você se for preciso.
– Gold estava certo, vocês são mesmo insistentes, você e sua família sempre adoram ajudar os casos perdidos.
– Você não é um caso perdido... – Emma soou cansada e estava mesmo, tinha sido um dia estressante. – Quero que vá pra casa e não saia de lá.
– Tem certeza?
– Confio em você.
***
Quando Regina abriu os olhos e viu Emma ajoelhada ao seu lado sabia que tinha problemas. A xerife a ajudou a se levantar, aparentemente tinha apagado novamente, dessa vez estava no meio do escritório da prefeitura. A morena olhou pela janela, estava quase amanhecendo. – O que aconteceu? – sua voz era fraca.
– Diga que se lembra de ter vindo ate aqui... – A expressão no rosto de Emma, era claramente de tristeza.
Regina não respondeu, Emma sabia a resposta. – Mais pessoas morreram não foi?
– Sim...
– Você devia ter me prendido...
– Não, eu devia ter ficado com você a noite inteira. Que idiota que eu fui... se eu estivesse com você poderia dizer que não fez nada.
– Você ainda acredita mesmo nisso?
– Sim, mas... não posso mais te deixar livre. Você é a principal suspeita, alias a única suspeita.
Regina fechou os olhos e passou a mão pelo cabelo, se sentia sem forças. – Você vai me prender. – Não foi uma pergunta, mas mesmo assim Emma respondeu.
– Vou.
Regina queria poder chorar, mas seu peito estava vazio, a mistura de emoções não lhe causava dor, não lhe causava nada, parecia mesmo ter sido uma boa ideia retirar seu coração. – Faça isso. – ergueu os pulsos para que Emma colocasse as algemas.
– Não preciso algemar você...
– Tudo bem, então vamos... – Regina começou a dar as costas pra xerife, mas esta a puxou para seus braços. A rainha ficou imóvel, surpresa pela proximidade repentina.
– Tudo vai se resolver... – Emma murmurou enquanto lhe dava um abraço apertado. A morena continuava imóvel, suas mãos pendiam ao lado do corpo, se recusando a abraçar Emma de volta.
– Sei que vai fazer o que puder, xerife.
***
– As pessoas estão com raiva Emma, acham que as outras mortes são culpa sua por ter deixado Regina ir embora no dia anterior. – David estava preocupado.
– Regina não fez isso! E eu sou a xerife, eu sei o que é melhor...
– Não quando se trata de Regina. – David sentou ao lado da filha. – Sei que acha que ela mudou, também acho que ela mudou, mas... você tem que admitir que esse apagões são suspeitos.
– Sei que são, mas devem ter alguma outra explicação. Ela não pode ter feito isso... não pode. Henry vai sofrer muito se isso for verdade.
– Você também vai, não é? Vocês ficaram... hum... muito próximas ultimamente...
– Não dá pra ficar próxima da Regina, David. Ela não deixa ninguém se aproximar de verdade, não depois de tudo que aconteceu.
– E isso te incomoda muito? Ela deixar você se aproximar.
– O que quer dizer?
– Nada, eu só...
– Swan! – Hook entrou da delegacia apressado. – Tem uma multidão revoltada lá fora, eles exigem que você entregue Regina para que ela pague pelo que fez.
– O que? Droga, não já passamos por isso antes?! – Emma disse indo em direção a saída, seguida pelos dois homens.
Deu um trabalho enorme para conter a multidão, mas Emma conseguiu convencê-los de que não eram bárbaros, de que não fariam justiça com as próprias mãos e de que ainda não tinha certeza se Regina era realmente culpada.
***
– Vai ficar me encarando a noite toda? – Regina andava de um lado pro outro dentro de sua cela.
– É o meu trabalho. – Emma estava sentada sobre sua mesa, observando a morena. – Estava aqui pensando... se acontecer alguma coisa hoje e você estiver presa aqui, então podemos concluir que você não machucou aquelas pessoas.
– Quer que alguém morra pra que eu seja considerada inocente, Swan? – Regina disse friamente.
– Não foi isso que eu quis dizer...
– Foi isso que pareceu.
– Porque você é assim em? To aqui tentando te ajudar e você só me dá uma patada atrás da outra.
Regina sorriu, mas não estava achando graça alguma. – Preciso te lembrar que não te pedi nada, nunca. Nem antes, nem agora.
– Sei que não é do tipo que pede ajuda, por isso nem espero que peça.
– E se eu disser que eu não quero sua ajuda.
– Não vai fazer diferença.
– Você é irritantemente persistente sabia, senhorita Swan?
– E você é muito mal agradecida.
– Não posso discordar.
***
Ninguém tinha morrido noite passada, Emma tinha passado a noite inteira acordada observando Regina e desejando que o telefone tocasse com algum chamado, mas não aconteceu.
A rainha tinha fingido dormir, mas estava bem ciente do peso do olhar da xerife sobre ela a noite inteira. – Acho que podemos considerar o caso resolvido, não? – disse sem abrir os olhos. Então ouviu os passos de Emma se aproximando de sua cela e a porta sendo aberta, a morena logo sentou na cama para encará-la.
– Você acha mesmo que fez isso? Que matou essas pessoas... – Emma sentou ao lado de Regina.
– Eu... sou uma pessoa ruim Emma.
– Não foi isso que eu perguntei.
Regina deixou os ombros caírem. – Eu não sei... não lembro de nada... pode ter acontecido, quem mais faria isso? Quem mais arrancaria o coração das pessoas?
– Alguém que quer te incriminar.
– Por que continua do meu lado, Emma? Mesmo quando tudo está contra mim.
Emma sorriu, Regina quase nunca a chamava pelo primeiro nome. – Já te disse isso algumas vezes Regina, eu te conheço bem, melhor do que você possa imaginar... e você é importante pra mim, eu não desisto das pessoas com que me importo.
– Por que eu importo? Eu nunca fiz nada de bom pra você. Tudo que eu fiz foi tentar destruir sua felicidade.
– Acho que você ta esquecendo de algumas coisas, você salvou minha vida varias vezes Regina. E o mais importante, você cuidou do meu filho quando eu não pude... por isso eu nunca vou poder agradecer o suficiente.
Regina encarou os olhos verdes a sua frente, uma lágrima lhe escapou e correu o seu rosto. – Eu não quero... não quero ter feito isso...
Emma a puxou para seus braços pela segunda vez, dessa vez Regina não se surpreendeu. – Você não fez, confie em mim. Você confia em mim?
– Sim... – A resposta foi só um sussurro, mas era exatamente o que Emma queria ouvir.
– Você está chorando... mesmo sem um coração.
– Eu ainda posso sentir, só é um pouco diferente... é difícil de explicar.
– Você sente, mas não com a intensidade que deveria?
– Mais ou menos isso. – Regina se virou pra encara Emma, que ainda a envolvia em seus braços. Estavam tão próximas, a morena se pegou analisando cada traço do rosto da xerife. Aqueles olhos verdes pareciam conseguir ver através da sua alma, os lábios rosados formavam um leve sorriso reconfortante.
– O que foi? – Emma perguntou depois de um tempo que Regina ficou a encarando em silencio.
– Nada, só não sei como deixar alguém cuidar de mim... é estranho.
O sorriso de Emma se alargou. – Mas você vai deixar que eu cuide de você?
– Vou.
A loira se inclinou e plantou um leve beijo sobre a testa da morena e prometeu a si mesma que não deixaria nada de ruim acontecer a Regina, nunca mais.
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