Empty heart
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Como você consegue não consegue fazer isso? – Regina disse frustrada. – Você tem tanta mágica quanto eu tenho. E acender uma lareira não é tão difícil assim.
– É difícil sim! – Emma protestou. – Uma vela é fácil, mas uma lareira é bem mais complicado. E por que queremos acender a lareira mesmo?
– Por que está frio. – Regina afirmou o obvio.
– Você não tem um aquecedor?
– Claro que tenho, mas nada se compara ao calor do fogo de verdade. – Disse erguendo a sobrancelha, como se desafiasse Emma a contestá-la.
– O que estão fazendo? – Henry disse entrando no escritório.
– Sua mãe está me torturando. – Emma disse se jogando no sofá.
– Só estou ensinando magia.
– Posso aprender também?
– Não! – Emma e Regina disseram juntas.
– Talvez quando for mais velho. — Regina completou e Emma lhe deu uma olhar de reprovação que a morena ignorou totalmente.
– Alem disso você tem dever de casa pra fazer. – Emma disse expulsando o garoto do escritório.
– Que historia é essa de que vamos ensinar Henry magia quando ele for mais velho? – disse se virando pra Regina.
– Eu não disse que nós vamos, eu disse que eu vou, você não consegue aprender quanto mais ensinar.
– Não quero Henry metido com magia.
– Ele já nasceu metido com magia, Emma. Faz parte de quem ele é. – Regina disse calmamente, enquanto preparava uma bebida para elas. – Faz parte de quem você é também, por mais que se recuse. – Regina andou ate a xerife e entregou a bebida para ela. – Em Neverland você acendeu aquela fogueira, pode muito bem fazer de novo a única coisa que te impede é você mesma.
Emma encarou a lareira e se concentrou no calor, mas não do jeito que Regina estava tentando ensinar, queria mostrar a rainha que podia muito bem aprender magia. Sua mão começou a se aquecer e acumular calor, a pequena bola de fogo logo tomou forma. Regina ficou surpresa, mas não disse nada.
A loira encarou a rainha com um ar de desafio. – Lance ela na lareira. – Regina incentivou e foi o que Emma fez. A bola de fogo fez a lenha queimar rapidamente, Emma pareceu satisfeita mas só ate se dar conta de que outra bola de fogo estava em sua mão. – Como eu faço pra apagar?
– Você descobriu como fazer ela sozinha vai descobrir como apagá-la sozinha também. – Regina disse se sentando no canto do sofá mais afastado.
Emma deixou os ombros caírem e tentou se concentrar em apagar o fogo, mas nada aconteceu. E quanto mais ela ficava desesperada mais a bola de fogo crescia. – Regina... – Disse com alarde, já usava as duas mãos pra segurar a bola de fogo.
Regina depositou o drink sobre a mesa calmamente andou até ela. – Você não toma jeito mesmo não é senhorita Swan? – A morena colocou as mãos sobre a bola de fogo que foi diminuindo pouco a pouco, ate que desapareceu e as palmas das mãos das duas se encontraram.
– Obrigada. – Emma disse fazendo Regina alcançar o seu olhar.
– Bolas de fogo são uma magia avançada, não brinque com isso ate que eu diga que está pronta. – A rainha a repreendeu.
– Eu não vou. – Emma franziu o lábio. Só então se deu conta de que suas mãos ainda estavam juntas as de Regina, mas mesmo assim não as afastou. – Ainda bem que tenho você pra me ensinar.
– E eu tenho alguma escolha? – Regina disse se afastando bruscamente. – Você passa o dia inteiro no meu pé, então temos que passar o tempo fazendo alguma coisa. – deu um gole em sua bebida. – Alias você não devia passar algum tempo com o seu namorado?
– Hook não é meu namorado, ele é só...
– O cara que você beija eventualmente quando não está aqui enchendo meu saco?
Emma sorriu. – Eu te incomodo tanto assim?
– Só de vez em sempre. Você passa tanto tempo aqui que eu estou prestes a te oferecer um quarto. – Regina brincou.
– Isso seria legal.
– Ta se oferecendo pra morar comigo senhorita Swan?
– Não... eu só... seria bom ficar aqui quando Henry ficasse.
– Não confia em mim pra cuidar dele?
– Não foi isso que eu disse. O que eu quero dizer é que... eu não me importaria de ficar se você não se importasse.
Regina deu de ombros. – Tem um monte de quartos aqui, se quer um é só pegar.
– Legal. – Emma sentou ao lado de Regina e deu um gole em sua bebida. – Isso é forte.
– Você que é uma fracote pra bebidas.
***
– Oh Regina sua cama é tão macia.
Regina franziu o cenho. – Exatamente MINHA cama. Quer fazer o favor de sair dela? Droga Emma, você tomou só umas três taças, não pode estar tão bêbada assim.
– Eu não to bêbada. – A loira tinha um sorriso bobo no rosto. – Só com sono. – disse se aconchegando no lado direito da cama.
– Então vá pra sua casa dormir.
– Você disse que eu podia ter um quarto aqui.
– Não o meu!
– Ta bom. – Emma disse resmungando e levantando da cama. Adorava deixar Regina irritadinha, isso era um fato.
– Se quer ficar pode usar o quarto do lado do quarto do Henry.
– Talvez outro dia. – Emma disse encarando o celular com varias chamadas perdidas. Talvez não tenha sido uma boa ideia ensinar Hook a usar o celular.
– Namorado?
– Ele não é... ah deixa pra lá. Você pode pegar o Henry na escola amanhã?
– Claro.
– Certo. – Emma se virou pra sair.
– Nós vamos almoçar no Grannys? – Regina disse com um pouco de receio, não sabia bem porque estava perguntando isso.
– Esta me convidando pra almoçar senhora prefeita? Porque seria a primeira vez, eu sempre tenho que praticamente te obrigar a almoçar comigo.
– Eu só presumi que você fosse me obrigar mesmo.
Emma sorriu. – Tudo bem, amanhã você está livre do seu calvário, vou almoçar com Hook. Vamos fazer um piquenique.
Os lábios de Regina formaram uma linha reta e ela teve que se esforçar para manter o rosto impassível. Não queria parecer desapontada, nem sabia porque estava desapontada. – Nossa parece que finalmente alguém vai largar do meu pé.
– Nem pense que vai ser fácil assim. Se cuida e não faça nada que eu não faria. – Emma disse saindo do quarto.
***
Regina tinha que admitir que ter Emma por perto afastava dela todos os pensamentos sombrios que a rondavam. Sempre que a loira estava longe sua mente ia ate os piores lugares de sua alma, lugares onde sua raiva estava bem encolhida, mas ainda assim forte como sempre.
A morena sentou em seu escritório e encarou a tela do celular, uma foto dela com Robin aparecia no plano de fundo. Ela se torturava mantendo aquilo lá, mas um lado seu gostava daquele sofrimento, uma parte sua achava que merecia aquilo, tinha sido tão ruim pra tanta gente por tanto tempo, talvez esse fosse seu castigo, nunca encontrar o amor novamente, ou no caso encontrar e perder novamente. Talvez estivesse fadada a nunca ficar com a pessoa que amava. É claro que achar que talvez merecesse isso não a impedia de pensar em como seria propício se Marian desaparecesse magicamente.
A prefeita andou ate o armário, o abriu e dele tirou o livro de magia que Rumple havia dado a ela tanto tempo atrás. Ela sentou e depositou o livro em seu colo e começou a folhea-lo. Eram tantas as opções que chegava ate a ser fácil demais, se livrar de Marin seria simples, as consequências é que seriam catastróficas. Obviamente se algo acontecesse aquela mulher Regina seria a primeira suspeita. Estava de mão atadas. – Droga! – Resmungou fechando o livro com força. Nunca esteve mais frustrada, não podia extravasar sua raiva em nada. – Isso é tudo sua culpa Swan! – disse pra sala vazia. Mas se era tudo culpa de Emma, por que ela queria tanto que a xerife estivesse ali naquele momento? Tudo era tão tão frustrante. Era uma rainha sem poderes agora.
***
– Como esse negocio de ser bom está funcionando pra você?
– Regina... você sabe que eu estou em lua de mel, não sabe?
– Atender uma ligação não vai atrapalhar o seu dia perfeito, Gold, tenho certeza que Belle não vai se incomodar.
Rumple respirou cansado. – Está funcionando bem, eu tenho tudo que eu sempre quis... exceto pelo meu filho claro, mas não há nada que eu possa fazer quanto a isso. Tem alguns momentos na vida Regina, em que você simplesmente não pode fazer nada, por mais que queira com cada grama do seu ser.
– Acho que é mais fácil pra você, pelo menos tem a Belle... já eu perdi tudo... como sempre.
– Você tem o Henry. E por mais que ache que não, você tem o time Charming, eles são família, sempre vão ser, por mais que eu e você neguemos isso. Eles sempre vão estar lá, mesmo quando você não pedir, ou achar que precisa, faz parte da natureza deles assim como faz da nossa fingir que não precisamos de ninguém.
– É cansativo fingir isso...
– Eu sei. Mas você me ligou não foi? Já é alguma coisa... não que eu possa ajudar muito. Tenho certeza que deve ter alguém melhor que eu para que você possa pedir ajuda.
– É, deve ter... tenha uma boa lua de mel, Gold... e obrigada.
***
– Droga... – Henry resmungou assim que viu Robin, Marian e o garotinho entrarem no Granny’s. Regina logo se deu conta da presença deles também. Ela e o filho estavam terminando o jantar em uma das mesas mais ao fundo do restaurante. – Podemos ir embora... – O garoto começou.
– Não... tudo bem... eu sabia que isso aconteceria uma hora ou outra.
– Você não precisa ver isso, não precisa provar nada... sei que é forte, mãe.
– Eles são uma bela família, não é? – Regina disse mais para ela mesma do que para o filho.
– Mãe... vamos embora. – Henry disse apreensivo. Não via aquele tipo de olhar na mãe há muito tempo.
– Tudo bem... – Regina não questionou mais e acompanhou o filho ate a saída, mas não sem que seu olhar se cruzasse com o de Robin. A prefeita podia sentir que ele queria falar com ela, mas apenas desviou o seu olha. Ele não a pertencia mais, não tinha porque lutar por ele em uma guerra perdita, ele estava com a família agora e era onde deveria ficar.
***
Henry acordou no meu da noite com um barulho na porta de entrada, ele se apressou ate as escadas e viu a mãe entrando em casa, seu olhar foi direto pra parede onde havia um relógio, eram 3h da manhã. Que hora Regina tinha saído? Pra onde ela tinha ido? O garoto se perguntou, mas achou que a rainha não queria ser importunada. Voltou pra cama como se nada tivesse acontecido.
***
A cidade estava um caos. Emma se perguntava se nunca as coisas seriam apenas normais em Storybrooke. Ela entrou na delegacia apressada ainda com o seu café na mão. Hook e David já estavam a sua espera. – Temos vários chamados...
– É, eu percebi a movimentação estranha na rua, o que aconteceu?
– Algumas pessoas morreram, Emma.
– Como? Como elas morreram?
– O coração delas foi arrancado. – Foi Hook que respondeu. – Acho que sabemos quem na cidade gosta de arrancar corações.
– Você não está insinuando que Regina... – Emma disse muito chocada para terminar a frase.
– É o meu melhor palpite. – O pirata concluiu.
– Mas Regina mudou, ela não é mais assim. Não faria isso agora que está tudo bem. – David disse para o alivio de Emma. Alguem mais acreditava na inocência da prefeita.
– Pelo que eu sei a rainha foi contrariada. – Hook apontou. – E vocês a conhecem bem, ela não gosta de ser contrariada.
A cabeça de Emma fervilhava com mil pensamentos. Regina não podia ter feito isso. Regina estava bem, ela mesma tinha se certificado disso. Todo aquele tempo ao lado da prefeita tinha lhe mostrado que esta não era tão assustadora assim como as pessoas achavam. – Eu vou falar com ela... – E com isso saiu da delegacia, sem nem mesmo se importa com Hook querendo acompanhá-la.
***
– Só me diga que estava aqui com Henry noite passada e tudo vai ficar bem. – Emma disse aflita.
Henry e Regina se encararam, logo a rainha soube que o filho tinha conhecimento de que ela não tinha passado a noite inteira em casa. – El estava aqui. – O garoto garantiu. – Passou a noite comigo.
– Henry... – Regina disse em um tom que era uma mistura de agradecimento, mas também de repreensão. – sabe que eu não passei a noite inteira em casa. – Disse para o desespero de Emma.
– Onde? Onde você foi? – A voz de Emma era fraca e tremula. Estava com medo da resposta.
– Eu estava na floresta... estava com raiva... precisava extravasar.
– Você sabe que estar sozinha na floresta não é um álibi, não sabe?
– Sei. E como eu sou a suspeita numero 1, acho que você vai ter que me levar para um interrogatório.
– Sinto muito...
– Não sinta, faça o que tem que fazer. É o que eu sempre faço.
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