Empty heart
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era um vazio. Vazio era bom, melhor que dor, melhor que raiva. O vazio era seguro, não sentir era o que mantinha Regina de pé. A morena encarou seu reflexo no espelho e quase não se reconheceu, não porque estava diferente, ainda era mesma linda mulher com um olhar perigoso, mas ainda assim não parecia com ela mesma.
O telefone tocou pela décima vez aquela manhã, Regina encarou o display que mostrava a palavra “Swan”. A morena revirou os olhos cansada da insistência de Emma. – Pelo amor de deus nem são 8h da manhã ainda e você já me ligou umas mil vezes. – Atendeu irritada.
- Só queria saber se estava bem... – A voz da xerife era vacilante, se Regina não a conhecesse diria que estava com medo.
- Eu estou bem. Te disse que ficaria bem. – Regina apertou a ponte entre os olhos, as memórias da desastrosa noite anterior vieram a sua mente como flashs. A noite em que Emma tinha feito ela perder o amor de sua vida, tal como a mãe dela tinha feito tantos anos atrás.
- Regina... eu te conheço, sei que está com raiva... com raiva de mim provavelmente, mas eu já expliquei...
- Senhorita Swan eu já te disse que entendi e que estou bem. – Regina se esforçou para manter a calma, tudo que queria era esquecer a noite anterior e Emma não a deixava fazer isso. – Não entendo toda essa preocupação.
- Eu... – Emma também não entendia muito bem, só podia atribuir sua preocupação a culpa. – só quero ter certeza de que não vai fazer nenhuma besteira. Pense no Henry, por favor.
- Se acha que eu vou arrancar o coração daquela mulher ou algo do tipo pode parar de se preocupar, eu não faço mais essas coisas.
- Não estou preocupada com ela, só com você. – A voz de Emma saiu fraca, não tinha muita certeza do que estava dizendo ate concluir a frase.
- Estou bem. – Regina repetiu. Se perguntava quantas vezes ia ter que dizer isso ate Emma acreditar.
- Podemos almoçar juntas então? Só eu você e o Henry.
- Não sei se é uma boa ideia.
- Você tem algo melhor pra fazer?
- Ainda sou a prefeita dessa cidade, lembra? Tenho coisas pra resolver.
- Até a prefeita tem que almoçar.
- Você não aceita um não como resposta não é mesmo?
- Nunca. – Emma sorriu.
- Tudo bem, esteja no Grannys com o nosso filho as 12:30.
***
- Ele está dormindo. – Emma disse assim que desceu as escadas. – Acho que ele pode ficar aqui com você por uns dias.
Regina a encarou e quase, quase, sorriu. – Você deve estar se sentindo muito culpada mesmo não é? Está deixando o Henry comigo sem nenhuma reclamação e ainda oferecendo que ele fique aqui por vários dias.
- Só quero ter certeza de que não vai fazer nenhuma besteira. Você passou por muita coisa pra chegar onde está, não quero que perca tudo em um momento de raiva. Você é uma heroína proa Henry agora e eu... gosto que ele te veja assim.
- Você não me viu arrancando corações ou lançando bolas de fogo em ninguém, viu?
Emma mordeu o lábio. – Não, mas...
- Mas o que?
- Você está calma demais, isso não pode ser bom.
- Como você disse Emma eu passei por muita coisa ate conseguir mudar, mas eu finalmente mudei.
Emma se moveu desconfortável. – Posse te perguntar uma coisa?
- Não. Mas você pode ir pra sua casa e me deixar descansar em paz. Você passou o dia grudada em mim Emma. – A morena disse frustrada. – Não preciso de uma babá.
- Só essa pergunta e eu vou embora.
Regina revirou os olhos. – Tudo bem.
Emma deu um passo em direção a Regina, o que surpreendeu a morena. – O que está fazendo? – disse exasperada.
- Sei que não vai responder a verdade pra minha pergunta então decidi ver por mim mesma. – Emma disse colocando a mão sobre o peito de Regina. A morena ficou imóvel, a proximidade em que estavam era no mínimo constrangedora para ela. O toque de Emma era delicado, sua pele era macia e quentinha, reconfortante ate, a morena pensou, mas logo afastou o pensamento. – Eu sabia que tinha feito isso! – A xerife acusou. – Você arrancou seu coração!
- E daí?
- E daí que você não pode tirar seu coração toda vez que estiver sofrendo Regina! As pessoas precisam sentir, mesmo que seja algo ruim. Sentir é o que nos torna humanos!
- Estou bem não sendo humana então. – Regina disse com claro sarcasmo.
- Onde ele está? Onde está seu coração?
- O que te faz pensar que eu vou te confiar a localização do meu coração?
- Você tem que por ele de volta!
- Eu não sinto nada que vale a pena ser sentido pelo meu coração agora, você não entende?
- E o seu amor por Henry?
- Posso amar Henry com ou sem meu coração, meu amor por ele é uma constante. Eu o amo com toda minha alma.
- Então seu amor por Robin não era assim? – Emma disse pra surpresa de Regina e pra dela mesma. Era uma resolução perigosa de se fazer. – Porque se você consegue parar de sofrer por ele apenas tirando o seu coração, então...
- Saia daqui! – Regina disse com uma fúria repentina. – Saia já da minha casa! Quem você pensa que é pra questionar o que eu sinto ou deixo de sentir?!
- A verdade dói não é? – Emma não queria soar irônica, não queria irritar Regina, mas acabou fazendo todas essas coisas.
- Cala a boca, Emma!
Emma pensou em protestar, mas não queria criar uma confusão desnecessária. – Tudo bem, eu vou embora. Mas... pelo menos pense em por seu coração de volta.
***
- Você só pode estar de brincadeira. – Regina franziu a testa. – Você não tem um namorado senhorita Swan? Ou vida própria? Porque está aqui?
- É que eu percebi que você não tem muitos amigos.
Regina sorriu com desprezo. – Quer dizer mais alguma coisa obvia?
- Então eu decidi que vou ser sua amiga. – Emma continuou, ignorando o comentário da morena.
- Ontem mesmo eu não te expulsei da minha casa?
- Amigos brigam. – Emma deu um sorrisinho.
- Não quero ser sua amiga, não quero que se preocupe comigo, a única coisa que quero de você é que leve Henry pra minha casa nos dias combinados.
- Querer não é poder senhora prefeita. Henry e eu somos um pacote e você vai nos ter em sua vida pra sempre.
Regina massageou a têmpora, impaciente. – Por que está fazendo isso Emma? Não pode ser só culpa. Se me der uma boa explicação talvez eu aceite.
Emma abriu a boca pra falar, mas nada veio a sua mente. Culpa era a única justificativa que vinha dando para o fato de se preocupar tanto com Regina. – Eu não sei...
- Estamos em um impasse então. Você não sabe porque quer ser minha amiga e eu não quero que você seja minha amiga.
- Por que não?
- Porque eu não gosto de você. – Regina disse friamente. – Você é irritante e desde que chegou só causou confusão na minha vida, nem preciso mencionar a ultima, não é?
Emma fez uma careta, dessas que crianças fazem quando são repreendidas. – Acho que já sei porque estou fazendo isso...
- Lá vamos nós. – Regina resmungou.
- Porque eu gosto de você... – Emma disse antes que se arrependesse.
- O que? – Regina disse completamente descrente. – Você só pode estar brincando.
- Não estou... eu te odiava, não tenha duvida disso, mas em algum ponto, não sei quando, acho que me acostumei a ter você na minha vida... comecei a me importar com você... – Emma dizia cada frase devagar, como se estivesse ponderando suas palavras e se surpreendendo com elas. – Você não é minha pessoa preferida Regina, mas é alguém importante o suficiente para que eu me importe.
Regina analisou cada parte daquela declaração, era realmente estranho ter alguém se importando, não se acostumava com isso facilmente, na maioria do tempo estava sozinha. – Acho... que é uma explicação plausível.
- É isso que você vai dizer? Essa não é a parte que você diz que também não me odeia mais? – Emma brincou.
- Ate parece que não me conhece senhorita Swan. – Regina não conseguiu se impedir de dar um sorrisinho.
- Amigas então? – Emma estendeu a mão pra Regina.
A morena encarou a mão a sua frente como se fosse uma armadilha, talvez fosse, então a apertou. – Amigas.
Emma deu um sorrisinho triunfante.
- Ta sorrindo do que idiota?
- Eu ganhei.
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