Emoções Perigosas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Os olhos cor de chocolate de Elena Gilbert observavam atentamente a figura alta e grisalha que estava perto da janela.
- É tudo culpa sua — disse ela irritada, os cabelos muito negros espalhados sobre o tecido claro do sofá.
- Mas o que foi que eu fiz?
-Matt
John Gilbert, suspirou, enterrando as mãos no bolso da calça, numa expressão de desgosto.
- Entendo o que quer dizer, querida — ele confessou -, mas você tem que admitir que eu me esforcei ao máximo.
- Não estou recriminando seu bom desempenho como cupido — explicou Elena com impaciência. — Refiro-me ao fato de você ser tão rico.
O aborrecimento estampado no rosto de seu pai transformou-se em malícia.
- Posso doar toda minha fortuna a uma instituição de caridade, se você preferir.
Elena ignorou a provocação.
- Nunca sei se um homem está interessado em mim ou no meu dinheiro — continuou — Matt parecia tão apaixonado e, no entanto, descobri que ele só me pedira em casamento porque tinha a pretensão de se tornar seu sócio.
O pai deu-lhe as costas e voltou a olhar pela janela.
- Que dia lindo! — exclamou — Finalmente estamos entrando na primavera.
- Não fuja do assunto, pai.
John encolheu os ombros e voltou-se para encará-la.
- Você não é exatamente uma mulher feia, minha querida.
- Também não sou uma mulher pobre. E esse é o problema!
- Matt parecia ser uma boa escolha — murmurou ele, na defensiva.
"De fato, parecia", Elena pensou.
John Gilbert estava convencido de que aos vinte e seis anos a filha já tinha amadurecido o suficiente para dedicar-se às alegrias do matrimônio. Por isso, passara o último ano arranjando-lhe pretendentes.
Matt realmente parecia ser um boa achado. Jovem executivo de uma empresa concorrente, logo ele chamara a atenção de seu pai numa conferência sobre computadores. John, então, arrastara o rapaz para dentro de casa, comportando-se como um cão de caça orgulhoso que exibe sua presa nos dentes.
O rapaz, por sua vez, se deixara levar pelas circunstâncias e cortejara Elena com grande entusiasmo. E ela acreditava no seu charme. Mas, desde o princípio, apenas sua cabeça se motivara com aquela ligação. Aliás, homem algum havia conseguido tal façanha, embora Elena tivesse certeza que havia algo forte dentro dela, que mais cedo ou mais tarde viria à tona.
Fale com o autor