Emoções Perigosas
2 Capítulo 2
Notas iniciais
No momento, porém, ainda não tinha se recuperado do golpe que sofrera com o rompimento do noivado, apesar de haver passado duas semanas maravilhosas na Riviera Francesa. Voltara com um belo bronzeado, mas ressentida com o pai.
– Quero ser amada por mim mesma — resmungou.
John a olhou com carinho.
– Eu amo você, minha filha.
– Então prove — ela o desafiou. — Pare de me arranjar pretendentes!
– Mas tudo o que eu quero são alguns netos.
– Adote-os então!
O velho Gilbert balançou a cabeça.
– É uma vergonha você ficar reclamando por ser tão rica, quando milhares de mulheres dariam tudo para estar no seu lugar.
– Pois eu gostaria de ser pobre, para variar — ela rebateu, levantando-se do sofá. — Talvez, assim, tivesse uma chance de ser amada por mim mesma.
– Então tente, — ele provocou, apertando os olhos com ar irônico. — Se pensa que é tão maravilhoso ser pobre, vá em frente. Vamos ver como se sente sem os seus milhões, por... digamos... um mês.
Os olhos de John tinham agora um brilho quase que diabólico ao encarar a filha.
– Viva sem o meu dinheiro. Trabalhe para ser manter. Se puder fazer isso sem dizer a ninguém quem você é, juro nunca mais bancar o cupido — ele propôs.
Elena sentiu-se tentada.
– Um mês?
– Um mês.
Ela ficou em silêncio por algum tempo, depois falou pensativa, mais para si mesma do que para o pai.
– Vou ter de encontrar algum trabalho no qual eu posso usar meu diploma de História....
– Acho que sei como ajudá-la — ele a interrompeu.
Elena encarou o pai desconfiada.
– Não comece a...
– Nada de homens — ele prometeu — Apena uma adorável dama que escreve romances históricos.
– E o que eu faria para ela?
– A ajudaria nas pesquisar para seu próximo livro. Jack Thomas, estava falando sobre isso ontem mesmo na reunião da diretoria. Ele conhece Damon Salvatore, o banqueiro de Charleston. A escritora é a mãe dele, mas vive sozinha à beira do lago Lanier, em Gainerville.
A proposta soava cada vez melhor. Elena conhecia bem aquela região, pois tinha um amigo, Tyler Lockwood, que possuía uma grande casa na margem do lago e estivera lá algumas vezes.
– Não conheço nenhuma escritora com esse nome — comentou. — Ela edita suas obras com o nome verdadeiro?
– Não — John respondeu. — Ela senhora de chama Edna Salvatore, mas usa o pseudônimo de Copper O'Mara.
Elena arregalou os olhos, maravilhada.
– Copper O'Mara é um dos meus autores favoritos! — ela exclamou. — Não sabia que era uma mulher.
– Então, quer que eu fale com Jack e pergunta o telefone dela? Não se preocupe, querida, não vou estragar o seu disfarce. Direi apenas que tenho uma conhecida qualificada para o trabalho, que tal?
– Ótimo — ela concordou. — Vou provar a você que não sou uma inútil.
John estudou orgulhoso a figura delgada e elegante da filha.
– Você tem classe. Como sua mãe.
– Mas mamãe era mais bonita do que eu.
Ele sorriu um pouco triste.
– Era a criatura mais bonita do mundo — murmurou. — Sinto tanta falta dela...
Suspirando, John deu as costas à filha e pegou o telefone.
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