Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados
9 Capítulo 9: Eu não quero ficar sozinho.
Notas iniciais
Primeira música: Perfect - Simple Plan
Segunda música: Crawling - Linkin Park
Vai uma música, quando chega no losângulo (♦) muda de música.
Se houver algum erro na tradução da música, culpe o Vaga-lume e o Letras Terra, pois copiei de lá.
Aconselho ler o capítulo escutando a música, pois ajuda a entrar no clima e, em minha opinião ler ouvindo a segunda é prioridade.
Aviso: o capítulo contém drama psicológico, depressão, homossexualismo (sério?)... Daí né, me encontrei na obrigação de avisar.
Segunda música: Crawling - Linkin Park
Vai uma música, quando chega no losângulo (♦) muda de música.
Se houver algum erro na tradução da música, culpe o Vaga-lume e o Letras Terra, pois copiei de lá.
Aconselho ler o capítulo escutando a música, pois ajuda a entrar no clima e, em minha opinião ler ouvindo a segunda é prioridade.
Aviso: o capítulo contém drama psicológico, depressão, homossexualismo (sério?)... Daí né, me encontrei na obrigação de avisar.
No final de uma bela manhã de sexta-feira, um dia agraciado com um belo céu azul, enfeitado por pouquíssimas nuvens brancas, quase transparentes passando por sob nossas cabeças eu vi Lucas encima de um degrau na calçada, ficando com Alex. Feliz.
Mi comi me irrita. Todas suas atitudes tem me dado nos nervos e eu tenho lhe evitado o máximo possível, mas ele não merece o que passa. Sentir um amor unilateral já é difícil – acreditem, eu sei. Pior ainda é ser enganado por alguém que você considera seu amigo. Não estou do lado de ninguém. Não confio em nenhum dos dois, mas não quero que alguém tenha de passar pelo mesmo que passei. Sexta-feira, pela tarde eu fui à casa de Luke. Sua mãe trabalha em um salão de beleza e ficou feliz em me ajudar. Pintou meu cabelo de preto e fez-me uma franja que escondia o olho esquerdo. Pintou-me com uma maquiagem de tirar o fôlego e ensinou-me a fazê-la eu mesmo. Agora entendo o porquê de Luke estar sempre tão bonito e luminoso. Falando em Luke ele também pintou o cabelo, agora um pouco mais normal. Moreno por cima e loiro claro por baixo. Prometeu que por hora não mexeria mais no cabelo, mas no caminho a galeria do shopping comentou que estava pensando em pintar a franja de alguma cor inapropriada para cabelos. Assustado, fui furar meu lábio. Sim, eu fiz um piercing no lábio inferior. Bem, acabou se tornando dois, uma argola de cada lado. Seria uma, mas não doeu tanto o primeiro furo. No segundo, as lágrimas escorreram por minha bochecha silenciosamente, tamanha a dor. Luke riu, debochou e se divertiu, mas só porque o desgraçado nunca fez um. Depois disso passeamos pelo shopping. Comprei algumas camisas de banda, dentre elas uma do Green Day e outra do Tokio Hotel. Pude comprar várias coisas, pois meu pai me mandou dinheiro por minha mãe, porém não falou comigo, não ligou e minha mãe não conversou nada demais. Não sou idiota e não vou me fazer de “orgulhoso” não aceitando o dinheiro. Ele ainda é meu pai e, se ele quer me comprar melhor para mim. Mesmo tendo dinheiro, ele sempre foi bem sovina. Pai... Ah droga, não posso deixar meus pensamentos me levarem para este caminho. Odeio pensar nele, é tão doloroso. Prefiro me concentrar em coisas de agora e tentar esquecer, pelo menos um pouco. No sábado fiquei na frente do espelho encarando minha nova aparência e me auto-ajudando. Repeti a mim mesmo que nenhum heterossexual de merda pisaria em mim. Ninguém tinha o direito de me tratar como puto e eu não seria mais enganado. Ás vezes me distraía, tocando em meu próprio rosto e me chocando que realmente fosse meu, considerando-me bonito. Outras vezes eu choraminguei baixinho e me envergonhei por um curto período de tempo, pensando no ridículo da situação. Eu estava ali, falando comigo mesmo, a única pessoa em quem posso confiar. Resolvi fazer uma pausa e ir me alimentar, pois meu estômago reclamara. Já escurecera e a casa parecia vazia. Esgueirei-me pelo corredor escuro e, quanto mais me aproximava da escada mais conseguia distinguir de murmúrios para palavras.–Pense bem Michael, ele é seu filho. Era minha mãe conversando com meu pai ao telefone. Ei pai, olhe para mim Pense de novo e converse comigo Eu cresci de acordo com seus planos? Você acha que eu estou perdendo meu tempo fazendo as coisas que eu quero fazer? –Isso não é verdade. Bryan é um garoto quieto e independente. Não incomoda e não pede nada. Não há problema algum em morar comigo. Sentei-me no terceiro degrau da escada, de cima a baixo. Minha mãe estava de costas para mim, sentada no sofá. Ao meu lado a parede que suportava o corrimão me escondia. Abracei minhas próprias pernas com meu coração doendo.–Ele está no quarto dele. Passou o dia todo lá e não tem planos de sair amanhã. Por que não vem visitá-lo? Eu gostaria de poder ouvir a parte de meu pai da conversa. Provavelmente ele deveria estar gritando, furioso e indignado.Mas dói quando você desaprova tudo E agora eu dou duro para ser bem sucedidoEu só quero te deixar orgulhosoEu nunca vou ser bom o bastante para você Eu não posso fingir que eu estou bem E você não pode me mudar –Pára com isso Michael! Eu insisto tanto porque é importante para ele ter um pai. O garoto é quieto e não incomoda nada – houve uma pausa para o argumento de meu pai. Eu me encolhi, tentando ignorar a ardência em minha garganta. –Você acha que está sendo difícil para você? E como acha que é para ele? Saber que o próprio pai tem vergonha de quem ele é. Bryan nunca faria algo assim de propósito! Ele escondeu de você exatamente para que ficasse tudo bem. Desta vez não consegui impedir que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. Meu pai deveria ser aquele a me abraçar, dizer que estava tudo bem em ser quem e como sou. Aquele quem eu chamo de pai me rejeita e se envergonha de ter de me chamar de seu filho.Porque nós perdemos tudo que temos Nada dura pra sempre Desculpe,eu não posso ser perfeitoAgora é tarde demais, e nós não podemos voltar atrás Desculpe-meeu não posso ser perfeito –Eu sei que você pensou nele, isso é óbvio. A criança que você fez, você ajudou a criar, você ensinou a falar e caminhar... Michael, você não percebe? Você vai deixá-lo de lado só porque ele é diferente? Vai deixar de amá-lo por causa de algo assim?
Ele já deixou, mãe. Há muito tempo... Talvez desde que me decidi por um estilo diferente...–É claro que sente sua falta! Você é o pai dele e ele te ama! Não importa se brigaram tão feio assim, pois parte de ser uma família é brigar beirando a morte e depois perdoar, porque se amam. É claro que eu o amo! Eu o queria me abraçando pelo menos uma vez, dizendo que também me ama. Óbvio! Como eu poderia não amar meu pai, sendo que foi ele quem me criou e cuidou de mim?... Meu Deus, eu sou deprimente.Eu tento não pensarSobre a dor que eu sinto por dentro Você sabia que era meu herói?!Todos os dias que você passou comigo Agora parecem tão distantesE parece que você não se importa mais–Não vou entrar nessa parte do assunto novamente! Michael veja, eu quero que meu filho seja feliz. Já te liguei tantas vezes que minha conta de telefone virá quilométrica. Quando quiser vê-lo tenho certeza que Bryan ficará muito feliz. Até lá, pelo menos fale com ele por telefone. Você tem noção de como ele deve sentir sua falta? Ele só tem quinze anos... Esforcei-me ao máximo para engolir um soluço. Eu realmente sentia falta dele. Mesmo brigando constantemente eu passei maior parte de minha vida com meu pai. Por que tenho que ser tão anormal e gostar de coisas tão esquisitas?–Sério? Oh, sim, sim! Só um pouquinho então, vou chamá-lo! Não! Merda, merda, merda! Minha mãe não pode me ver aqui, escutando a conversa e chorando!–Bryan! Bryan desça aqui! Levantei-me rapidamente, sequei o rosto com a manga do casaco preto com estrelas e subi alguns degraus de forma rápida, silenciosa e sorrateira. Ouvi minha mãe se aproximando e, sem saída comecei a bater o pé escada acima, de costas.–Bryan, tudo bem? – ela perguntou assim que viu meu rosto molhado e vermelho. Esfreguei a manga nos olhos mais uma vez.–Sim. Quando ouvi você me chamar vim correndo, acabei batendo com a perna na porta e me machuquei – menti, sorrindo falsamente. Acho que ela acreditou, ou talvez tenha fingido acreditar.–Ok. Veja, seu pai está no telefone e quer falar com você. Tente não brigar, seja gentil e convide-o para vir te ver. Concordei com um aceno de cabeça e seguimos para o lado do sofá. Ela me entregou o telefone toda sorridente. Com a mão meio trêmula levei o aparelho até minha orelha.–Oi... – pai. Terminei a frase mentalmente. Não sei se ele ainda permite que eu o chame assim. Quando brigamos pela última vez ele disse para eu nunca mais chamá-lo de pai.–Oi Bryan. Tudo bem? Senti a ardência em minha garganta novamente, mas segurei-me o máximo possível para não chorar. Funguei algumas vezes tentando evitar que o muco acumulado dentro de minhas narinas escorresse.–Tudo – respondi de forma engasgada, mordendo a língua para evitar o choro iminente.–Mesmo? – ele insistiu em saber a verdade. Senti meus olhos se enchendo d’água e, lentamente uma lágrima foi escorrendo pela minha bochecha, sendo seguida por várias outras.E agora eu dou duro para ser bem sucedidoEu só quero te deixar orgulhosoEu nunca vou ser bom o bastante para você Eu não posso suportar outra brigaE nada está bem–Desculpe – eu pedi com a voz miada, soltando arranhões de minha garganta. Agora eu estava praticamente vivendo sozinho e, mesmo tendo de me esconder quando meu pai recebia visitas eu o amava e ainda o amo. –Desculpe, desculpe, desculpe. Não me odeie, por favor. Desculpe ter te feito passar vergonha tantas vezes. Desculpe por não poder ser o filho que você quer. Eu sinto saudades, pai. Pai, pai, pai... Por favor, não me proíba de chamá-lo de pai... Eu fiquei a chorar e fungar desesperadamente, secando meus olhos com força, mas de nada adiantava. Limpei meu nariz na manga de meu casaco, pois o ranho já estava escorrendo.–Pai? Você está aí? – perguntei temeroso, tentando não pensar que talvez ele pudesse ter desligado. Quando me acalmei um pouco ouvi um suspiro do outro lado da linha e meu choro se intensificou novamente. Enquanto eu morria internamente naquele silêncio avassalador recordei-me do dia em que brigamos. Porque nós perdemos tudo que temos Nada dura pra sempre Desculpe,eu não posso ser perfeitoAgora é tarde demais, e nós não podemos voltar atrás Desculpe-meeu não posso ser perfeito .–Você não pode dizer-me como devo ser! É isso que sou e não vou mudar só para que fique feliz com o filho que eu não sou! Meu pai me empurrou, mas retornei, seguindo em sua direção. Ele era alto e forte, com um bom corpo e porte físico. Eu, pequeno e frágil como uma garotinha. Obviamente que me senti intimidado, mas não queria mais esconder.–Deixe de ser nojento, garoto! Sempre foi horrível ter de passar vergonha ao seu lado na rua com toda essa maquiagem de garotinha e roupas ridículas! Pior ainda era quando tinha de lhe apresentar aos outros como meu filho! Mesmo assim eu tinha que ser um bom pai e aceitar meu lixo de filho. Agora você vem me dizer que ainda por cima é gay? – ele gritava descontrolado, apertando os punhos com força. Lembro de temer que ele me batesse.–Isso, grita mais! Conta para todos os vizinhos que tem um filho lixo-gay! Espera, eu te ajudo! EU SOU GAY! EU BEIJO OUTROS CARAS E GOSTO Q- Meu rosto ardeu. Ardeu como nunca antes. Meu pai me batera no rosto e, junto vieram várias lágrimas. Eu lembro até hoje da dor, tanto do tapa quanto de suas palavras. Ele me chamara de lixo, dentre outras coisas piores. Depois disso meu cabelo fora puxado com força, inclinando minha cabeça para trás, obrigando-me a fitá-lo de perto.–Você é um pirralho de merda! Você é um gay de merda! Nunca me importei que você fosse burro, afeminado, anti-social e um doentinho que não pratica nenhum esporte. Eu agüentei esse seu gosto ridículo e, mesmo passando vergonha eu comprei esse monte de bobagem gay para você! Agora, acima de tudo vem me dizer que também é viado? Que quer beijar homens e dar a bunda pra eles? Eu não criei isso! Eu não vou aturar esse seu comportamento! Fui sacudido de um lado para o outro até ser jogado com força no sofá. Fuzilei-o com os olhos, mas acima de tudo estava magoado. Eu queria dizer tudo que estava engasgado e que eu nunca pude dizer, mas tinha medo de sua reação. Tinha medo de que tudo piorasse de uma maneira irreversível.–Vai ver foi culpa de meu pai que não me ensinou como ser macho – impliquei, sabendo que aquela frase teria conseqüências. E claro, tivera. Outro tapa em minha bochecha.–Não criei viado porra nenhuma! E nunca mais me chame de pai! Arrume suas coisas, pois você irá morar com a sua mãe! Ele finalmente se afastou de mim, deixando-me atirado no sofá. Meu corpo inteiro tremia e meu rosto ardia tanto que era como se gritasse.–Eu te odeio! – desabafei em meu último resquício de fúria, pois sobrara somente a tristeza e a mágoa.–Você fala como se eu te amasse – ele debochou, rindo sarcasticamente. Virou-se e saiu de casa..–Pai... Eu prometo que tentarei tirar excelentes notas. Vou praticar mais esportes e agora tenho amigos no colégio! Pode perguntar pra minha mãe, um amigo meu até veio aqui em casa quarta e outro ontem. Eu vou fazer de tudo para que você não me veja mais como um lixo. Eu prometo. Não me odeie, pai... Cedi ao peso de meu corpo e cai sentado no chão, em prantos. Eu queria ouvir alguma coisa, qualquer coisa. Queria que ele dissesse que me ama, me odeia, que tentará conviver comigo. Que prefere que eu esconda minhas preferências... Mas o silêncio continuava, me desesperando. Nada vai mudar as coisas que você disse Nada vai fazer isto ficar bem de novoPor favor, não vire as costasNão consigo acreditar que é difícil só falar com você Mas você não entende–Pai! Pai! Por favor, eu imploro, fala comigo. Eu sei que não sou perfeito e nunca poderei ser, mas vou tentar ser um bom filho. Vou compensar o fato de ser... – um soluço me interrompeu. Droga, estou com medo até de pronunciar a palavra. –Vou compensar o fato de ser gay. Não vou agir afeminado, eu só quero namorar com outros garotos e... Aquele barulho. Senti-me no escuro, completamente sozinho e perdido. Tudo que havia era aquele barulho que me fez ser tomado por um desespero avassalador que sacudiu meu corpo, jogando-me na solidão.
O telefone estava mudo. Minha mãe me abraçou, consolando-me. Não era a mesma coisa e nunca seria. Meu pai me criou e eu só estava vivendo com ela agora por falta de opção. Ele fora quem dedicara seu tempo para que minha vida continuasse. Ele me ensinava enquanto minha mãe estava ocupada e não tinha condições de me criar. Eu mal sei em que ela trabalha atualmente! E eu estou sozinho. Sem amigos e sem família.Porque nós perdemos tudo que temos Nada dura pra sempre Desculpe,eu não posso ser perfeitoAgora é tarde demais, e nós não podemos voltar atrás Desculpe-meeu não posso ser perfeito♦ Rastejando em minha peleEssas feridas que não irão se curar Medo é o que me derrubaConfundindo o que é real São 2:23 da manhã. Não consigo me acalmar. Ao lado de minha cama, abraçado em minhas próprias pernas eu me embalo para frente e para trás, compulsivamente. A firmeza abandonou-me por completo, restando apenas o tremor de meu queixo batendo com força meus dentes e de minhas mãos inquietas que insistem em passear por minhas pernas, do joelho ao tornozelo, subindo e descendo, subindo e descendo...Há algo dentro de mimQue me puxa para baixo da superfícieConsumindo, confundindoTemo que esta falta de auto-controle nunca acabeControlando, parece que eu não consigo Minha mãe foi embora. Ligaram para ela e, depois de me entregar o remédio ela perguntou se eu ficaria bem... Eu ficarei bem. Eu sempre fico bem. Eu sempre sobrevivo a todos os tormentos pelos quais passo! Eu sempre agonizo sozinho... Eternamente deixado e sempre sobrevivo... Sempre sem ninguém... A inquietação aumentou, obrigando minhas mãos a aumentarem a velocidade de seus movimentos. Era frenético e descontrolado. Sinto-me perdendo o controle... Minha mãe errou no remédio. Só pode. Não me sinto melhor, pelo contrário, sinto-me a ponto de enlouquecer... Todos me deixaram. Meu pai me odeia. Minha mãe me coloca de lado. Minhas opções de amigos são um garoto horrível com quem tive minha primeira vez, um falso, nojento e grudento que se finge de bonzinho, outro fofoqueiro, um insensível e um nerd rejeitado que só está na minha volta por pena e falta de opção. Para piorar, acho que estou apaixonado por um hétero homofóbico que declarou verbalmente sentir nojo e vergonha de mim.Me encontrar novamenteMinhas paredes estão se fechando(Sem um senso de confiançaEstou convencidoDe que há muita pressão para eu agüentar)Eu me senti desse jeito antes, tão inseguro Comecei a tremer com maior intensidade. Emaranhei meus dedos em meu próprio cabelo, respirando desesperadamente. Eu gostaria de arrancar um pedaço de mim, qualquer parte, contando que usasse de extrema força. Mas, quer saber o que me proporcionaria uma imensa paz de espírito e acabaria com todos os meus problemas? Ver meu velório. Quando as pessoas morrem, é como se virassem Santas. Sei que tenho meus defeitos, mas se eu morresse ninguém os veria. Meu pai diria a todos que eu era um excelente filho e não se importaria mais se eu era emo ou gay. Ia se arrepender de não ter passado mais tempo comigo e sentiria saudades... Minha mãe diria que se arrepende de não ter estado comigo para me ver crescer. Que sente minha falta mais que tudo no mundo e que daria todo seu tempo para poder passar mais um dia comigo. Matheus ficaria feliz em ter sido meu primeiro e não ficaria com nenhum outro garoto por um bom tempo. Muito menos Alex... Mi comi mostraria sua verdadeira face. E Pedro? Pedro, mesmo que nem fosse apaixonado por mim diria que era, pois eu era um garoto incrível... E eu estaria ali, ao lado de meu corpo gélido e sem vida, observando... Todos estariam chorando por mim, sentindo minha falta. Seria perfeito, não? Eu encontraria minha paz de espírito e não teria mais que sofrer... É ruim sentir paz em pensar em si mesmo morto? Se eu morresse me amariam, que alternativa tenho para ter o amor de alguém? Enquanto eu não morrer meu pai continuará a me odiar. Mas eu me sinto péssimo em desejar minha própria morte. Rastejando em minha peleEssas feridas que não irão se curarMedo é o que me derrubaConfundindo o que é realLevei meu pulso a meus lábios trêmulos, lambendo, primeiramente de leve, mas o gosto que mentalmente me perturbava instigou-me a aumentar o movimento, tornando a lambida insaciável quase como um beijo de língua. Senti a parte saliente de minha pele, em riscos horizontais. Eu não posso me matar. Não posso! Eu vou sobreviver, sou obrigado a. As coisas irão melhorar, eu só preciso ter pensamentos positivos, pensamentos positivos, pensamentos positivos! Como ser positivo quando tudo dá errado?! Eu não quero viver, mas tenho que. Mordisquei levemente meu pulso, sem deixar marcas, raspando os dentes de novo e de novo. Minha respiração descompassada falha, ora curta, ora longa, sempre pesada e difícil, com meu peito subindo e descendo com tanta rapidez que doía. Eu não quero estar sozinho. Eu odeio estar sozinho. Por que é tão difícil encontrar somente uma pessoa que não me deixe sozinho? Uma única pessoa que realmente goste de mim como sou e que não seja falsa e não me deixe sozinho! Porque eu transei com um garoto falso. No dia seguinte ele deve ter rido da minha cara, espalhando a todos que fui péssimo e ridículo. Melhor Pedro, que mesmo tendo me beijado e não gostado ele não contou a ninguém, pois tem vergonha. A não ser que tenha contado a uma garota, daí fode com tudo, mais do que já estou com a vida fudida. Já está tudo uma merda mesmo, ele ter contado não irá ser de suma importância. Meu choro se intensificou. Eram tantas lágrimas e tantos soluços que brigavam para sair por minha garganta, pois eram muitos e não podiam sair ao mesmo tempo. Eu sou tão idiota! Sempre usado! Matheus deve ter contado a Alex e rido de mim. Minha primeira vez foi com um garoto horrível... Eu gostaria de poder contar aos outros quando perguntassem que fora incrível. E teria sido, se Matheus fosse mesmo aquele doce de pessoa. Poderia ter dito que ele me tratou com um carinho imenso e considerou-me o tempo todo, mas foi tudo mentira. Cada beijo, cada toque... Ele estava rindo internamente por eu ser tão idiota e ter me entregado tão facilmente, mesmo ele não tendo me prometido nada. Deve ter rido mais ainda quando eu disse que confiava nele. Devo até mesmo ter contraído alguma doença... Independente de que forma, eu o amei. Mesmo que fosse como um amigo, eu o amei verdadeiramente. Eu estava feliz em ter uma noite de carinhos em que minha cama não parecia tão vazia. Eu me senti bem em ver alguém se importando comigo e minha vida dando certo. Ele disse que me achava bonito, mas era mentira. Cada sorriso com que me encantei estavam repletos de falsidade, repletos de segundas intenções. Ele ria e ria, debochando de mim, achando graça no modo como me entregava tão facilmente. Cada vez que eu pensava em seu nome era um aperto mais intenso em meu peito e um soluço que rasgava minha garganta. Meu corpo todo treme cada vez que um arrepio gélido atravessa meu peito. E Pedro? O que será que ele dissera de mim aos seus amigos? Que andou comigo por sentir pena, mas que assim que eu demonstrei ser homossexual ele me deixou de lado, com nojo. É tão triste pensar em tudo isso! Eu fui rejeitado, usado e largado. Motivo de deboche, nojo e repulsa. Por que essa tem que ser logo a minha vida? Com tantas pessoas para serem infelizes, com tantos garotos no mundo, logo eu tive de ser doentio e sentir atração por pessoas do mesmo sexo! Logo eu tive de achar bonito e me “encontrar” no estilo emo. Mas eu não tenho problemas, só levo minhas emoções ao extremo, é isso que ser emo é. E a beleza do estilo. Gosto de ser um garoto e gosto de ser emo, das roupas e aparência. Gosto de ver outros garotos, observá-los, prestar atenção em suas roupas, cabelo, sorriso, corpo, atitudes... É de meu agrado ver um garoto jogando futebol, conversando descontraidamente, brincando, dando pouca importância para suas próprias atitudes... Isso é tão errado e tão problemático! Eu sei que tenho problemas em ser assim. Não é certo. Eu sinto por garotos exatamente o que deveria sentir por garotas. Sou anormal. O desconforto eterno se apossou de mimDistraindo, reagindoEu fico contra minha vontade ao lado do meu próprio reflexoÉ assustador Parece que não consigo Eu quero que as coisas dêem certo pelo menos um pouco. Estou tão cansado de estar sozinho e de não ter ninguém. Estou cansado de sofrer, eu não quero mais me sentir triste, mas não consigo controlar. Meu corpo tombou para o lado esquerdo, ainda encolhido. Meu quarto está escuro, pintado em tons de cinza escuro e preto. Estou sozinho em casa. Será que algum espírito ruim está perambulando pela minha casa? Será que entrará em meu quarto para apossar-se de meu corpo e alimentar-se de minha tristeza? Minha tia costumava falar sobre essas coisas e o escuro não ajuda. Sinto como se visse vultos passando dentro de meu quarto a todo o momento. Que remédio eu tomei? Ou melhor, que mistura de remédios minha mãe fez? É como se o nada se mexesse. Estou tão assustado e coberto pelo medo. Para quem eu vou correr se algo me atacar? Por quem eu vou gritar? E se algo tocar meu ombro? E se a porta se abrir sozinha? E se algo sair de baixo de minha cama? Na verdade, estou olhando para baixo de minha cama, temendo que um espírito com a face desfigurada saia dali e puxe meu pé, arrastando-me para o breu total. Senti como se um bicho subisse por minha perna, desesperei-me e meu corpo se debateu, tentando afastar qualquer coisa. Não quero que nada me toque. Não quero que nada surja perante meu olhar. Pensando assim, fechei os olhos, recusando-me a abri-los. Eu só quero alguém que acabe com tudo isso. Eu quero meu pai, quero que ele me aceite como sou. Quero voltar a ter aquela velha visão dos garotos de meu colégio. Quando Mi comi parecia menos falso, quando Matheus era doce e meigo e quando Pedro não sentia repulsa por mim.Me encontrar novamenteMinhas paredes estão se fechando(Sem um senso de confiançaEstou convencidoDe que há muita pressão para eu agüentar)Eu me senti desse jeito antes, tão inseguro A morte é uma saída fácil. A saída dos covardes, dissera-me um amigo, certa vez. Sou covarde, nunca neguei. Quando tentei me matar minha psicóloga conversou com meu pai. Era para que eu tivesse sido internado, mas meu pai não permitiu. Ele conversou comigo e se importou. Perguntou sobre todos meus amigos, o que eu sentia pela vida... Mas em nenhum momento ele conversou com relação ao nosso relacionamento. Eu sei que um dos principais motivos que me levou a tentar cometer suicídio fora pela falta de sua atenção admite. Se eu cortasse meus pulsos, mesmo que superficialmente, sem a intenção de morrer meu pai deixaria tudo de lado para me ver. Este foi um de meus pensamentos que me levaram a me mutilar, porém, naquela época a ideia era morrer mesmo. Não quero abrir os olhos. Tenho medo que uma face demoníaca esteja me encarando com um sorriso sádico no rosto, que seus olhos repletos de ódio e malícia estejam prestes a devorar-me, lenta e dolorosamente. É um tanto irônico dizer que tenho medo de ser devorado por um espírito demoníaco, mas desejo cometer suicídio.Rastejando em minha peleEssas feridas que não irão se curarMedo é o que me derrubaConfundindo o que é real Sem pensar muito, abri os olhos. Esfreguei a mão para conseguir enxergar direito, pois as lágrimas se acumularam. Trouxe meu pulso para próximo de meus olhos. Me encolhi mais ainda, aproximando meus joelhos de meu peito. Aquelas marquinhas seriam tão fáceis de abrir novamente... Passei a unha suavemente, sem marcar. Não devo me machucar mais ainda. Não posso ceder. Não sou uma pessoa ruim. Tenho que esperar para que coisas boas venham até mim. Aproximei meus lábios e lambi, seguido de um beijo lento. Segui com beijos por meu antebraço, amando minha própria carne. Estou um pouco mais calmo. Melhor aproveitar isso para tomar meu remédio para dormir. Ergui-me trêmulo, agarrando a cama. Sem tentar pensar tateei pelo quarto até o interruptor, acedendo a luz. Segui pelo corredor e novamente liguei a luz. Assim fui, recusando-me a ficar no escuro. Se eu fizesse isso quando morava com meu pai ele me mataria, declarando que não sou eu quem paga a conta de luz.
Pensar nisso fez meu corpo ceder, caindo sentado no chão da sala. Eu chorei compulsivamente sem nem precisar pensar em algo. Sou tão idiota e ridículo! Preciso tomar logo o remédio antes que enlouqueça. Vou começar a ver coisas onde não deveria. Mas me sinto fraco para me levantar. Usando de minhas pernas, arrastei meu corpo até bater com as costas na parede ao lado de uma mesinha com vaso de plantas. A minha frente, a mesa com o telefone. Chorei, sem nem ao menos pensar em algo. Mantive minha mente no vácuo. Aos poucos, vozes foram surgindo. Minha chamando meu nome, meu pai perguntando se tudo bem, Matheus comentando algo sobre pizza, Mi comi perguntando algo com relação a poder ir junto a algum lugar... Estou acostumado as vozes de meus conhecidos em frases irregulares, normalmente antes de ir dormir. É como um descarrego mental, porém agora estão muito mais vívidas, não somente em minha cabeça, mas como se estivesse no lugar... Há algo dentro de mimQue me puxa para baixo da superfícieConsumindo, confundindoTemo que esta falta de auto-controle nunca acabeControlando, confundindo o que é real Em um máximo esforço me levantei e vaguei até a cozinha. Sentei no chão na frente da porta branca de um dos balcões e abri, encontrando minha caixinha de remédios, junto a outras caixas de remédios em geral. Escolhi um comprimido branco, acho que era branco meu remédio de dormir... E se eu tomar o errado? Foda-se. Vou tomar em grande quantidade para não correr o risco de continuar acordado. Dois, três, quatro, cinco... Que diferença faz? Quanto mais, melhor... Deitei no chão gélido, observando a palma de minha mão e meu pulso com cicatrizes que atravessavam as veias, sentindo meu rosto úmido. Parece ridículo pensar em mim aqui, mas isto é real. Meus sentimentos foram destruídos e tiraram todo o amor que eu sentia pelas pessoas. Machucaram-me e me fizeram chorar. O choro é algo destrutivo, que dói e queima, só entendemos quando choramos. Parece bobo vendo outra pessoa, mas quando sentimos na pele é horrível. Funguei repetidas vezes, secando meu rosto com a manga. Minha mente já estava se desligando e meus olhos começando a pesar. Dói pensar que estou sozinho, mas esta é a realidade. Eu sinto a dor de cada uma das pequenas gotas de água salgada ou doce – nunca soube disser – e saborosas que mancham meu rosto. Eu penso no ódio que meu pai sente por mim somente porque sinto atração por garotos. Tanto ódio para mim, tantos sorrisos falsos, tantos “vai ficar tudo bem” quando nada está bem e a pessoa quem diz nunca se importa. Você sentiria vontade de chorar em me ver atirado no chão da cozinha, trêmulo, soluçante e sozinho? Você sabe o que é não ter absolutamente ninguém que se importe e, quando dói algo você não pode contar a ninguém? Sabe o que é sentir amor pelas pessoas que te desprezam? Sempre disse a mim mesmo que não quero que ninguém sinta pena de mim, mas a verdade é que eu gostaria que algumas pessoas me vissem assim. Se isso trouxesse o calor de um corpo para ao meu redor, então estaria tudo bem.
Notas finais
Não mordo, mesmo! Podem criticar. Sei que me arrisquei em colocar duas músicas em um mesmo capítulo e abordar por inteiro uma temática dramática.
Eu estava quase terminando a primeira parte (antes do ♦) e escrevi a parte q o Bryan fala sobre ser perfeito... Pai, perfeito... Eu já ouvi isso antes... KK'
Daí eu disse que estava quase pronto, e estava! Mas era a parte da ligação e, depois do ♦ eu mudei várias vezes para o que partiria. Tem um monte de pedaço no meu pc que, alguns são inúteis. Escrevi muuuuuito!
O capítulo vai principalmente a Hinataina que sempre destaca o quanto gosta de Simple Plan e a Momo-chan que declarou gostar de decepções, choradeira, matança... kkkkk
Próximo capítulo mais feliz ^^ (depois desse capítulo, qualquer um seria feliz)
Beijos, beijos.
Eu estava quase terminando a primeira parte (antes do ♦) e escrevi a parte q o Bryan fala sobre ser perfeito... Pai, perfeito... Eu já ouvi isso antes... KK'
Daí eu disse que estava quase pronto, e estava! Mas era a parte da ligação e, depois do ♦ eu mudei várias vezes para o que partiria. Tem um monte de pedaço no meu pc que, alguns são inúteis. Escrevi muuuuuito!
O capítulo vai principalmente a Hinataina que sempre destaca o quanto gosta de Simple Plan e a Momo-chan que declarou gostar de decepções, choradeira, matança... kkkkk
Próximo capítulo mais feliz ^^ (depois desse capítulo, qualquer um seria feliz)
Beijos, beijos.
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