Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados
2 Capítulo 2: Companhias demais, inclusive mi comi.
-Solta ele! – Pedro impôs irritado, tentando desgrudar o emo loiro de meu braço; em vão.
-Que você quer enchendo o saco? Ele tem nosso estilo, obvio que ele quer andar com pessoas como ele, né?
O garoto sorriu para mim, enquanto eu continuei atônito, sem saber o que responder. Estavam mesmo brigando pela minha presença? Gritando assim, como se nem estivéssemos no intervalo em meio a muitos alunos.
-O que você quer com ele? Por acaso tá afim, é? – perguntou o loirinho, debochado. Tanto eu quanto Pedro nos assustamos com aquilo. Eu não queria deixar da presença dele tão cedo.
-É claro que não! Não sou gay!
-Pois emos são.
Que droga! Seu emo de merda boca grande! Custava me deixar ser feliz por mais alguns dias?
O primeiro garoto que conheci nesse novo colégio, o mais popular daqui é também o garoto que nunca mais irá falar comigo, cultivando ódio e nojo, raiva e repulsa. Simples assim.
Deixei-me ser levado para longe por aquela criança. Não adiantaria de nada discutir, pois para isso teria de mentir. Pedro se afastou, sumindo de meu campo de vista e eu suspirei. Não há o que eu possa fazer ou dizer, porque não quero mentir. O que posso fazer agora é andar com meus semelhantes.
-Você é realmente muito bonito! Qual seu nome? O meu é Lucas, mas me chamam de Lu.
Ele saltitou até a minha frente, posicionando ambas as mãos atrás do corpo e sorrindo como criança de sete anos. Ficou frente a frente comigo e andou de costas.
-Bryan.
-Bryan, por que você estava andando com aquele garoto? Aliás, você é novo aqui, certo?
-Ele foi quem começou a falar comigo e querer minha atenção.
-Sério? Aquele lindo garoto popular?
-É. Que não falará mais comigo por sua causa.
-Ohhh, desculpe!
Paramos de andar e mais uma vez ele se pendurou em meu pescoço, abraçando-me apertado. Quando Lucas me soltou percebi que haviam vários emos a nossa volta. Um deles em especial me chamou a atenção. Ele era alto e possuía uma franja daquelas que tapa somente um olho. O cabelo era bagunçado e havia um piercing no canto esquerdo da boca. Ele sorriu sedutoramente para mim e meu coração acelerou drasticamente.
-Garotos, este é o Bryan. É novo aqui. Não é lindo? – por que ele insiste em dizer tantas vezes que sou lindo? Nem sou bonito nada.
Continuei mirando aquele mesmo garoto que me chamara à atenção. Ainda sorrindo ele se aproximou de mim, envolveu minha cintura com um de seus braços e meu coração se desmanchou. Ele aproximou seu rosto de minha orelha.
-É lindo mesmo.
Entendi suas intenções. Ele queria ficar comigo. Isso me deixou feliz, pois além dele ser lindo estou na seca a uns três ou quatro meses. Assim, depositei meus braços em torno de seu pescoço, aceitando de bom grado que ele deslizasse uma de suas mãos até minha bunda, apertando-a. Ele aproximou seus lábios dos meus e eu fechei os olhos, aguardando. Encostou sua boca na minha e logo adentrou com sua língua pela minha boca, beijando-me de forma selvagem. Ele puxou meus cabelos, excitando-me. Passamos tanto tempo nos beijando que, quando nos separamos me senti tonto.
-Você beija bem – ele sussurrou antes de se afastar. Meus olhos estavam abertos, mas eu estava tão distraído que nem vi nada a minha frente.
Não sei nem ao menos seu nome ou o que mais ele pode querer de mim. Não conheço ninguém aqui e acabei de beijar um garoto na frente de todo o colégio, para quem quisesse ver. Acho que agi de forma um pouco irresponsável, mas não estou nem aí.
-Não vai nos apresentar, Lucas? – questionou um dos garotos do grupo, mas não vi quem. Minha mente continuava desconectada e, aos poucos eu fui retornando a realidade.
-Ah, agora temos pouco tempo, então vou mostrar o colégio para ele. Na hora da saída nos conhecemos melhores. Vem – é incrível como esse loirinho consegue ter uma voz tão irritante, aguda e de amplitude tão forte.
Em poucos segundos meu braço já estava sendo puxado para longe, fazendo-me tropeçar em várias pedras e felizmente não cair. Continuei sendo afastado dos outros emos sem entender o porquê. Quando paramos em um corredor qualquer meu entorpecimento por conta do beijo de anteriormente já houvera se dissipado e eu estava consciente.
-Qual seu problema? – eu questionei desconfiado, não caindo naquela lábia de que ele queria somente mostrar o colégio.
-Vou te mostrar o colégio, claro!
Estreitei os olhos em sua direção e apertei os lábios, tentando entendê-lo. Algo estava errado, tanto dentro daquela cabeça afetada pela água oxigenada dos cabelos quanto nas atitudes estranhas de motivos ocultos.
-Qual o seu problema? – repeti, desta vez mais sério.
Desistindo de esconder a verdade, ele cruzou os braços e fez cara de emburrado, formando com os lábios cheios de batom um biquinho.
-Alex é meu, tá? Pode ir tratando de deixar esses seus lábios bem longes dele!
Não precisei pensar muito para chegar a conclusão de que Alex era o nome daquele garoto o qual eu beijara anteriormente. Suprimi uma risada de deboche e uma resposta afiada tal como “Tem seu nome nele?” ou “Vai fingir que ele te beijou ao invés de mim?”.
-Vocês não parecem ser namorados – respondi sério, escondendo minha verdadeira intenção de arrancar um pouco mais da verdade sobre o relacionamento deles. Era óbvio que não eram namorados.
-Não somos, mas eu fico com ele de vez em quando – ele respondeu de um jeito infantil, descruzando os braços e entreabrindo a boca levemente. –E eu gosto muito dele, ‘okey?
-Já transaram? – eu perguntei direto. Até veria as bochechas dele mudarem de cor, porém o excesso de blush não permitiu.
-Esse é o problema! – ele disse numa amplitude forte, exaltando-se, usando das mãos para dar ênfase a suas palavras. –Eu nunca fiz isso antes, sabe. E ele... Alex não consegue viver sem isso! É o único probleminha entre nós... – ele disse juntando ambas as mãos na frente do corpo e esticando os braços, balançando-se para frente e para trás.
-Eu diria que é um problemão.
-Eu sei! – e mais uma vez ele exaltou-se, movendo as mãos para cima e irritando meus ouvidos.
-Garoto, juro que sinto como se sua voz chegasse aos máximos 20 mil hertz que um ser humano normal consegue ouvir e agüentar – comentei esfregando o dedo pelo lado de fora da minha orelha, tentando parar com aquele zumbido que permanecia ali, irritando-me.
-Tipo, eu quero que nosso relacionamento avance, mas não posso chegar pra ele e pedir “me come”.
De repente, surgiu uma risada. Veio tão de surpresa que ela saiu arranhando minha garganta, em seguida passando por entre minha língua e o céu da minha boca.
-Que foi?
-Você está tão desesperado que seu apelido deveria ser “mi comi” – respondi rindo mais abertamente, intensificando a risada quanto vi a expressão de incredulidade estampada na face dele.
-Como você é mau!
Senti alguns leves socos em meu peito, nada de muito forte. Ele era um pouco mais baixo que eu e, por conta do excesso de maquiagem e as ações parecia uma criancinha frágil.
-Insensível! – ele choramingou com a voz embriagada pelo choro iminente.
-Pára mi comi! Afinal, que idade você tem?
Ele se afastou de mim e fitou-me de um modo inocente, olhando de baixo.
-Quatorze. E meu nome é Lucas.
-Sou Bryan. Prazer – debochei, porque sua intenção ao dizer-me seu nome era para que eu parasse de chamá-lo de mi comi, mas não adiantaria.
-Bryan, vou te mostrar o colégio para que os garotos não desconfiem! – ele disse, animando-se em segundos e já me puxando pela mão e saltitando.
-Principalmente o Alex, não é mi comi? – debochei, vendo a vergonha estampada no rosto dele.
-Pára de me chamar assim!
Eu ri, ouvindo ele xingar-me de várias ofensas leves, como se fosse mesmo uma criança. Não disse a ele, mas realmente eu estava decepcionado em ter de deixar Alex para ele. Alex beijava tão bem e era tão lindo... Ainda estou em dúvida se vou desistir de ficar com ele fácil assim.
Notas finais
Poucos reviews = menos história.
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