Eminente

2 Descubro a verdade... Ou parte dela


Notas iniciais
Resolvi postar antes porque minha querida amiga Mieko me encheu o saco. Beijos -q

– Winter Falls... Vamos ver. – Ela abriu o mapa. Meu coração disparou e as palavras da minha mãe me vieram à cabeça. Nunca, jamais, em hipótese alguma, fale o nosso endereço. – Onde está... Vejamos... Hum... Nada de Winter Falls no mapa, querida.

– Hã, Sra. Newell, acho que o mapa é antigo. O bairro é novo aqui em Nova York, eu moro lá desde que nasci e acho que...

– Sem problemas, querida. – Ela me interrompeu – Outro dia poderemos pesquisar na sala de computadores. Agora, organizem a sala porque o sinal já vai tocar.

Senti um alívio, e ao mesmo tempo, fiquei muito curiosa. Eu sabia que algo estava fora do lugar, e sabia também que o mapa não era antigo. A aula finalmente acabou. Peguei minha mochila e me direcionei ao corredor principal. Fui correndo pra casa, onde minha mãe me esperava com muffins recém-preparados e com um latte preparado por ela. Meu estômago embrulhou. Minha mãe me deu um beijo na bochecha e começou a cantarolar, enquanto colocava a mesa para tomarmos o café da tarde. Enfim, ela disse:

– Como foi a aula, Dini? Muitos meninos bonitos? Fez amigas novas? Como é a professora? Ela te tratou bem? – já estava me sentindo sufocada com tantas perguntas quando ela se deu conta de que estava exagerando. – Desculpe, acho que estou mais empolgada do que você!

– Não estou empolgada, mãe.

– Bem, estou mais empolgada do que você deveria estar... Mas enfim, me conta, como foi?

– Ah, hã, o nome da nossa professora regente é Sra. Newell. Não fiz amizades, não. Só sei o nome de duas pessoas. Trevor e Jess. Eles sentaram do meu lado na roda... É, foi isso.

– Mais alguma coisa?

– Hã, sim. Ela nos fez falar o nome, idade, nome dos pais, onde mora, qual escola frequentava...

– Onde mora?! Você não disse, não é? Lembrou-se do que eu te falei, não foi?

– É... Bem... Eu meio que falei.

– Meio que falou? Como assim meio que falou? VOCÊ FAZ IDEIA DA BESTEIRA QUE FEZ?

– Besteira?! Você me fala coisas sem sentido, não me explica nada, e sou eu quem faz a besteira? – Meus olhos se encheram de lágrimas. Não acredito que estava chorando na frente da minha mãe.

– Tudo bem – disse ela, com calma. – Acho que a hora chegou. Vou te contar tudo o que sei, o que não é muito. Antes de seu pai morrer, quando ele soube que eu estava grávida, ele disse que corria grande risco. Que nós corríamos grande risco. E disse que assim que você nascesse, se ele não estivesse mais vivo, era pra nós nos mudarmos para Winter Falls, em Nova York. Mas parece que este lugar não está em nenhum mapa, e que ninguém sabe que ele existe. Bem, quando você completou três anos ele morreu, então nos mudamos pra cá. Mas ele havia dito pra nunca, jamais falar o nosso endereço para quem quer que seja, porque de acordo com ele, o mundo está cheio de Ordinários, pessoas que absorvem o mal de tudo aquilo que tocam e veem. Disse também que há seres chamados Eminentes, e estas pessoas combatem os Ordinários e mantêm o mundo, por um curto período, livre desses monstros. E aqui, em Winter Falls, é o único lugar em que os Ordinários não podem entrar. Aqui, temos uma espécie de bolha, onde estamos invulneráveis a tudo e a todos. Mas não tenho certeza se estamos realmente a salvo, tampouco se isto é real.