Eminente

3 Meu novo lar


Notas iniciais
Este capítulo está um pouco mais longo, novamente, porque minha querida-maravilhosa-amiguíssima-que-eu-ovo amiga encheu o saco.

Sem pensar, levantei da cadeira e saí correndo. Entrei no meu quarto, tranquei a porta, me atirei na cama e desabei em lágrimas. Chorei, chorei e muito. Olhei pela janela e vi que já estava escuro. Deveria sair e pedir desculpas pra minha mãe, mas precisava de um tempo para processar tudo aquilo. Ainda não acreditava. Abri meu notebook e comecei a pesquisar coisas do tipo “ordinários e eminentes”, “deuses gregos existem?” ou até “como não surtar quando você descobre que mora em um lugar onde ninguém mais sabe que existe”, todas as pesquisas em vão. Até que algo – ou alguém – surge na minha janela. Arrastei as cortinas pro lado, a fim de ter uma visão melhor sobre o que estava me “espionando”, por assim dizer. Foi aí que eles – ou elas – começaram a gritar:
– Abre aqui! Rápido, menina! Não temos a vida toda!
Não sei como nem porque, mas a minha reação foi: ir lentamente até a janela e abrí-la. Onde eu estava com a cabeça? E se fosse um serial killer tentando acabar com a minha raça? Por sorte, não era nada disso. Eram apenas – apenas — uns dez ou quinze adolescentes, um pouco mais velhos que eu, empoleirados do lado de fora da minha casa. Pense numa cena muito, mas muito esquisita. Dezenas de olhos de pessoas desconhecidas vigiando minhas ações. E eu fiquei lá, parada, de frente para aquele bando de estranhos.
– Hum, essa gata será muito bem vinda ao Quartel! – um menino de olhos claros e cabelos castanhos, e confesso, muito bonito, falou.
– Porque você não cala essa boca, Leander? – Manifestou-se uma menina que aparentava ser a líder. Pele clara, cabelos pretos, olhos verdes penetrantes. Daqueles que você não consegue desviar o olhar. Apesar da beleza, ela mantinha uma expressão séria. Então começou um festival de sussurros, murmúrios e expressões de indignação.
– Ei, vocês podem parar de discutir? Afinal, quem são vocês?!
– Ah, foi mal. A gente veio te buscar. – falou a mesma menina – Você corre muito perigo aqui. Não se preocupe, já falamos com a sua mãe e...
– Ei, ei. Não vou a lugar nenhum! Aqui é minha casa, onde eu devo ficar, e além do mais, não posso deixar minha mãe no estado em que ela está! – perdi a paciência.
– Além de linda é marrenta. Adoro esse tipo. – Leander disse. Tinha impressão de que ele me causaria alguns problemas.
– Posso entrar? Só preciso de alguns minutos... Por favor! Temos muito o que conversar. – Dalí em diante, tive certeza de que ela era a líder. Não vi problemas, eles aparentavam ser... gentis? Ao menos, sabia que ela não iria me fazer mal.
– Tudo bem. Entre. – achei que ela iria pular a janela ou algo do tipo, mas, incrivelmente, em questão de segundos ela estava na minha frente, dentro do meu quarto.
– Teletransporte. Te explico tudo depois, mas agora, preciso te contar o básico. – ela abriu um sorriso meigo. Tive a impressão de que ela não costumava sorrir muito, então retribui sem hesitar. – Primeiro: a história que a sua mãe te contou é, sim, verdade. Mas você precisa aceitar. A base de tudo é a aceitação. Você é especial e ponto final.
– Como assim, sou especial? – todos do lado de foram deram uma gargalhada, o que me fez fechar a janela e as cortinas.
– Você precisa me escutar. Regra número um: sem interrupções. Bem, como eu ia dizendo, é tudo verdade, mas realmente, o que sua mãe sabe é muito pouco. Aliás, tem apenas uma coisa errada no que ela te disse. Winter Falls não é o único lugar seguro. Existe outro: o Quartel Eminente. Se você é uma Eminente? Sim, você é. Não fique chocada: todos nós aqui somos. E o que significa? Que você é filha de um deus grego. Sua mãe é uma Mortal-Procriadora, foi escolhida pelo seu pai... que ainda vamos descobrir quem é. Talvez demore, talvez não. Mas você precisa ir pro Quartel com a gente. É pro seu próprio bem.
– Meu pai é Zeus. – eu disse, sem total confiança em minha própria palavra. – Minha mãe sempre me disse isso. Ela disse que ele recebeu esse nome em homenagem ao deus.
– Uau. Bem, já que é assim... Vamos? Não precisa levar nada, temos tudo lá. Apenas fale pra sua mãe que você está indo pro Quartel. Ela vai entender. Afinal, meu nome é Sofia. – ela sorriu.

Ela saiu por meio do teletransporte. Comecei a recolher algumas coisas que queria levar, afinal, não sabia o tempo que ficaria por lá. Abri a gaveta da minha escrivaninha e peguei um bolo de fotos, alguns post-its, uma caneta, uma caixa de chicletes e um chaveiro em forma de estrela que, de acordo com a minha mãe, meu pai teria deixado pra mim. Abri o armário em busca de uma bolsa e peguei a primeira que vi pela frente. Era roxa com strass metálicos que formavam um coração. Enfiei tudo dentro dela e caminhei em direção à sala. Minha mãe estava sentada no sofá, chorando. A televisão estava desligada, e a casa estava com cheiro de baunilha. Não tive coragem de falar com ela, então voltei pro quarto e escrevi um bilhete. Deixei-o na mesa de canto do quarto dela, fui novamente pro meu quarto e pulei a janela. Estavam todos à minha espera.

Não me juntei a eles, apenas os segui. Fiquei um pouco separada do grupo, isolada. De repente senti algo tocar as minhas costas. Me virei rapidamente, a fim de me defender.
– Desculpa! E-e-eu não queria te assustar. – Ele devia ter uns quinze anos. Pele morena, mas não muito. Cabelos castanhos. Olhos verde oliva. Sorriso encantador. Ele não era lindo como Leander, mas tinha uma beleza diferente.
– Tudo bem. Hã, meu nome é Dinartea.
– É, eu sei. Todos aqui sabem. Você tá meio que famosa por se dizer filha de Zeus. – ele me lançou um olhar indagadador. – Meu nome é Thomas, mas todo mundo me chama de Tom.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.