Emily. - HIATUS

4 Cap. 03 | I better not remember the past.


III: Acho melhor não lembrarmos do passado.

P.O.V Emily.

Foram os minutos mais torturantes da minha vida. Sam dirigia olhando fixamente para pista, e aquilo estava entediando. Então resolvi futricar no porta-luvas do carro, um costume irritante que adquiri. Quando ele estava distraindo olhando para aquela pista monótona, eu resolvi agir. Abri o porta-luvas e me arrependi. Camisinhas, camisinhas e mais camisinhas. Droga.

– Não é legal mexer nas coisas dos outros, Grey. – ele falou com um sorriso no rosto, vendo minha expressão olhando aquilo.

– Que seja. – falei. – Você não tem nenhum CD legal para me emprestar? – perguntei olhando o porta-cds que eu tinha acidentalmente achado. É eu perguntei isso.

– Sério? – ele falou.

– O que?

– Você só nesse primeiro dia, me matou mentalmente varias vezes, e ainda pergunta se eu tenho um CD legal para te emprestar? – ele falou semicerrando os olhos.

– É. – disse encarando ele. – Isso é crime? Só estou tentando ser gentil.

– Você não é gentil, então não força. – disse olhando para a pista novamente. Desgraçado.

– Haha, então você que é o gentil? – falei soltando uma risada.

– Bem, estou te dando uma carona. – falou. – Isso não é ser gentil?

– Ah, cala boca. – resmunguei. Sim, ele ganhou a discussão.

— ❉ —

Ali estava eu, de toalha, parada diante do espelho admirando a minha linda nova cor de cabelo. Rosa. Já fazia tempo que eu queria pintar meu cabelo, e resolvi ser agora. E eu também estava querendo me matar por ter aceitado de ir não sei a onde com o Becker, fazer a porra do “trabalho”.

Flashback On

– É aqui pode parar. – falei apontando para o prédio que eu morava.

– Bem, você está entregue. – disse Sam.

– Beleza. – disse abrindo a porta do carro para fugir dali.

–Hey, espera. – ele falou puxando meu braço. Eu voltei, sentei, e bati furiosamente a porta do Jeep, e ele ainda continuava segurando meu braço. – Okay, sem contato físico. – disse soltando meu braço. – É o seguinte. Temos dois dias para fazer a merda daquele trabalho, então devemos de alguma maneira fazer, e você deve parar com essa coisa.

– Que coisa? – perguntei.

– De “ódio eterno ao Sam”. –falou fazendo aspas no ar. Odeio pessoas que fazem aspas no ar.

– Eu não te odeio. – disse franzindo o cenho.

– Ah não me odeia? – falou arqueando as sobrancelhas. – Tudo bem. Então as 19h te pego para irmos fazer a porra do trabalho.

– Bem, eu não vou. – perguntei.

– Não perguntei. – falou aproximando seu rosto do meu. – Foi uma informação. Então esteja pronta. Agora pode ir, você esta liberada Grey.

– Que saco. – resmunguei e sai daquela merda de carro, batendo a porta. E quando eu entrava no prédio pude escutar ele me xingando.

Flashback Off

Fazia cinco minutos que Ellie tinha gritado do andar de baixo, que o capeta tinha chegado. Que saco. Vesti a roupa que estava na cama, que Ellie tinha escolhido. Tenho que parar de deixar ela escolher. Respirei fundo, e desci as escadas.

Sam e Ellie estavam sentados no sofá, tomando café, e rindo. Que legal.

– Porque ele está tomando café na minha xícara? – perguntei para minha mãe. Sim, cada uma tinha sua própria xícara.

– Essa xícara é sua? – Sam perguntou, e quando viu meu cabelo levou um susto. – E que merda você fez no cabelo?!

– Mãe! Porque ele está tomando a porra do café na porra da minha xicara? – perguntei berrando e ignorando o Sam.

– Quanta “porra”. — ele falou tomando café e fazendo aqueles barulhos irritantes.

– Mãe! – gritei.

– Emily, cala boca. – Ellie falou calmamente e imitou Sam. Isso é uma conspiração contra a minha pessoa? – Acho melhor você tirar ela daqui logo, Sam.

– Também acho Sra. Grey. – disse Sam, se levantado e parando diante de mim. – Vamos.

– Eu te odeio Samuel. – disse baixinho olhando para ele.

– Duvido. – sussurrou.

Saímos do apartamento e fomos para o corredor, ele foi em direção ao elevador e eu em direção as escadas.

– Vamos de elevador. – ele falou apertando o botão do térreo.

– Você vai de elevador, e EU vou de escadas. – falei.

– Cara, é o 5º andar! – ele quase berrou. Ele me olhou e deu um sorriso malicioso. – Você é claustrofóbica. Que informação interessante. Pensei que você não tivesse medo de nada.

– Todo mundo tem medo de alguma coisa. – falei. É era verdade. – Então, vou de escadas.

– Não, você vai de elevador! – falou pegando meu braço e me jogando dentro do elevador. Quando eu ia tentar fugir, as portas se fecharam. – Bem, acho que é agora que você entra em pânico.

– Vá se ferrar. – falei. Sentei no chão, segurei meus joelhos, fechei meus olhos e respirei fundo. Inspirei o ar, e soltei lentamente.

Aquilo não estava resolvendo, eu estava começando a suar frio. Se eu morrer, a culpa é dele. Repeti o mesmo processo, inspirar o ar, que parecia que estava acabando, e soltar. Fiz isso 30 vezes, quando estava chegando ao trigésimo primeiro, tínhamos chegado ao terro.

– Viu, menos de 3 minutos. E você ainda continua viva. – Sam falou quando as portas do elevador se abriam. – Você vem ou vai ficar ai? – perguntou.

– Que saco. – resmunguei levantando e seguindo ele.

Quando saímos do prédio, pude notar seu Jeep Commander estacionado. Ah, como eu queria um daquele.

– Você não precisava ter se arrumado tanto e tomado banho de perfume só para mim. – Sam falou enquanto entravamos no carro.

– Não me arrumei por causa de você, babaca. – disse batendo a porta do carro. – E eu gosto de andar perfumada.

– Ahan, tá. – disse ligando o carro. – A propósito, se vamos ser “amiguinhos”, você tem que parar de bater a porta do meu lindo Jeep. Se você tiver algum problema comigo, desconte em mim e não nele. – falou em tom desafiador.

– Se você diz. – falei e dei um soco no braço dele.

– Ai, que droga Grey. – resmungou levando a mão ao braço.

– Que triste. – disse sorrindo. Que babaca.

— ❉ —

A viagem foi silenciosa e duraram exatos 15 minutos, que eu ansiosamente contei no relógio do celular. Ele dirigiu até o estacionamento da Savory Meals, e parou.

– A comida daqui é horrível. – falei tirando o cinto. – E porque temos que fazer a merda do trabalho aqui?

– Primeiro, a comida daqui é gostosa. E eu só trabalho a base de comida. – falou.

Caminhamos até a entrada da lanchonete e entramos. Aquele lugar assustava. Tinha várias mesas no centro e nas laterais, garçonetes com uniformes vermelho e branco, pessoas aglomeradas nas mesas comendo e rindo e uma jukebox de 1971 que tocava Heroes do David Bowie. Escolhemos uma mesa que ficava mais no fundo, sentamos e depois de alguns minutos uma garçonete sexy apareceu. Sam pediu um hambúrguer e Coca-Cola, e eu pedi café. Ela anotou tudo em bloco branco e em menos de 5 minutos trouxe o pedido.

Sam abocanhou metade do hambúrguer, pegou sua mochila e tirou de lá dois livros de Biologia, dois cadernos e um estojo.

– Como eu previ você não trouxe caderno e muito menos o livro. – falou tomando um gole da coca.

– Hum. – disse e bebi o meu café, que estava do jeito que eu gosto, quente e amargo.

– Você é viciada em cafeína desde dos 13 anos. Isso é doentio, sabia. – falou jogando um livro e um caderno para mim. – Lembro quando eu implorei pro meu pai me dar dinheiro, para levar você ao uma cafetaria que tinha sido recém-inaugurada. Você bebeu cinco cafés. – disse soltando uma risada.

– Os cafés de lá era uma maravilha. – falei sorrindo. E simultaneamente nós nos olhamos e ficamos sérios. Lembrar o passado não era uma coisa agradável. Não mesmo. – Okay, vamos começar. – disse abrindo o livro.

– Certo. – falou.

Estar ali, sentando com Sam, estudando, naquela horrível lanchonete, não era tão ruim. Não, era logico que era ruim, porque eu bem que poderia estar na minha cama, dormindo.

É verdade que tínhamos deixado muitas coisas mal resolvidas entre nós, mas era obvio que nem um dos dois queria lembrar o passado. Não mesmo. Um toque chato me despertou do meu devaneio. E era o celular dele.

– Droga. – falou enquanto procurava o celular dentro da mochila. – É a Becca. – disse vendo o identificador. Becca? Que fofo. – Já volto. – Sam falou e fui para fora.

Fiquei ali tomando meu lindo café, e desenhando uma linda coruja na capa do livro. Tinha quase certeza que ele me deixaria ali e fugiria para encontrar a cobra. Depois de alguns minutos ele já estava de volta.

– Então... — começou. – Tenho que ir. Becca está me esperando para um jantar com os pais delas.

– Tudo bem. – falei acrescentando pequenos detalhes na minha coruja.

– Você quer que te leve? – perguntou jogando suas coisas dentro da mochila.

– Não. Eu ligo pro Nick. – falei tomando meu ultimo gole de café.

– Certo, amanhã terminamos, tudo bem? – perguntou novamente e eu assenti com a cabeça, ele sorriu e foi embora. Que droga, eu acabei de me lembrar, que não tenho o numero do Nicholas.