Lia

Quando chega a fazenda está quase anoitecendo, ela fica distante, vê certa movimentação alguns dos funcionários fantasiados e lembra o porquê, sorri ao em pensar que certas coisas não mudam.

Ela espera, e por sorte Beth não sai com as crianças, percebe que ficam apenas dois funcionários, uma moça e um homem.

Lia fica atenta e quando vê que a maioria sai de casa e vai a um ponto distante, ela aproveita a oportunidade e sorrateiramente entra na casa, muito calmamente percorre os cômodos, apesar de a anos não entrar ali, pouca coisa mudou, ela entra em um quarto e vê a menina de costas brincando com uma boneca, senta na cama, a menina leva um pequeno susto, mas não grita.

—Oi – Lia diz, mas a menina só a olha. – Você não me conhece — ela faz que não com a cabeça– Eu sou Lia, trabalhava aqui antes, cuidava do seu irmão, o Miguel, esse é o nome dele não é?

— Sim. –Lívia olha para a porta, Lia percebe.

—Não precisa ter medo, para provar olha só o nome da sua mãe é Emília, de seu pai é Bernardo, quem está aqui com você é Beth, e seu irmão Miguel tem uma mancha nas costas que ele não gosta muito porque parece uma flor, estou certa?

—Sim ele não gosta da mancha – e a menina sorri, Lia ouve passos no corredor e rápido pega Lívia.

— Tem algo no seu cabelo me deixa tirar. – para distraí-la fala — Miguel continua falando durante o sono?

— Sim – Lívia responde, mas logo pergunta — Por que não trabalha mais aqui?

— E que... – quando Lia vai responder a porta abre e Beth surge e fica parada no mesmo lugar, discretamente sem a menina ver Lia mostra uma faca e faz um sinal para ela fazer silêncio – Oi Beth.

— O que faz aqui Lia?

—Lívia é uma criança adorável. –ela continua a mexer na cabeça da menina com uma mão e com a outra segura a faca– Sabe Beth preciso que vai até aquela funcionária e ao o homem e dispensa eles, inventa uma desculpa, manda eles a festa da cidade, não sei, eu fico aqui com Lívia espero que ocorra tudo bem.– ela diz, Beth entende as ameaças não ditas, que deve dispensar os dois sem chamar a atenção se não Lívia iria pagar o preço.

Bernardo

Ele acorda com o seu telefone que toca insistentemente, o cansaço é tanto que levanta meio zonzo, por fim quando chega até ele já desistiram, não conhece o número, vai a cozinha depois sobe ao quarto, e toma um susto por não ver Emília deitada e as roupas que ela vestia jogada pelo ambiente na hora percebe algo errado, procura em vão por ela nas outras peças da casa ao mesmo tempo que com o celular dele liga para o ela, desce novamente e vai ao escritório para já ficar com as chaves do carro em mãos, quando ouve o toque do telefone dela e o vê em cima da mesa, pega o celular de Emília e desliga o seu para dar fim a ligação, quando o celular dela volta a tela onde estava ele se desespera com a foto de Miguel e Lívia amarrados, então Bernardo compreende tudo, Lia está com eles na fazenda e Emília foi atrás.

Emília

Um tempo depois quando Emília chega ao seu destino um carro já a espera, mais dez minutos ela está na fazenda. Ao chegar lá esta tudo escuro ela entra devagar, está um silêncio total, tenta o interruptor, mas parece que energia foi cortada ela chama por Miguel e Lívia, mas nada, chama por Beth só o silêncio em resposta, seu coração bate descompassado, dava pra nitidamente ouvir ele batendo, ela sente um cheiro estranho no ar, tenta se concentrar para descobrir que cheiro é, mas então do nada ela ouve passos no andar de cima e na ponta da escada lá no alto Emília vê Lia, sorriso diabólico, olhar eloquente.
—Emília há quanto tempo — Lia fala como se estivesse cumprimentado uma velha amiga, descendo uns dois degraus.
—Cadê meus filhos?– Emília pergunta subindo um degrau.
— Nem pensa em se aproximar, está sentindo esse cheirinho– Lia cheira o ar, como quem aprecia um delicioso perfume– Gasolina, a casa inteira está encharcada, tudo, tudo, todos os andares, os cômodos e. – ele mostra uma caixa de fósforos, pega um e fica admirando ele. – Sabe o estrago que um palitinho desses pode fazer?– inesperadamente ela acende um, Emília dá um grito– Calma não será agora, mas um palitinho desses faria um grande estrago, ainda mais que você não sabe onde estão os seus filhinhos, eles podem estar em qualquer lugar, aqui ou lá fora? Presos? Amarrados? Dopados? Como a mamãe naquela noite quando Malu, como saber não é mesmo se falo a verdade ou não. – ela apaga o palito e o guarda cuidadosamente para não cair no chão.
—Eu sei que foi você, seu grande amigo Marcos te entregou, contou seu grande plano. – Emília diz tentando ganhar tempo.
— Ele foi um fraco, sempre foi, tenho total certeza quando ele se apaixonou por ela.
— Onde eles estão Lia, deixe-os fora disso seu assunto é comigo– Emília olha para os lados como quem busca ajuda, Lia percebe.
— Não adianta, não há ninguém na fazenda, é noite de festa na cidade, e um ou outro que ainda restava aqui fiz a tonta da Beth dispensar– Lia ainda brinca com o palito de fósforo, senta no alto da escada, Emília as percebe que é para deixar ela mais apreensiva. –Sabe a ingenuidade de vocês é admirável, me surpreende mesmo, chega a ser bobo, mandar essas crianças para cá com a Beth.

—Você não cansa desse seu jogo, você não ganha nada com isso.
Como um reflexo Emília viu um vulto, foi rápido, mas ela teve a certeza que era Miguel, ela teve que usar de todo o sangue frio que tinha e se manteve como se nada tivesse visto.
—Na verdade eu cansei de você, sempre se dando bem, sempre se safando das coisas, teve o Bernardo, um filho, até Miguel te aceita como mãe, a mim ele nem reconheceu, nem mesmo na escola, sabe eu trabalhava lá...
— Você o quê?– Emília tenta ao máximo não se exaltar, mas é quase impossível a ela quando ouve Lia dizer que todo esse tempo estava bem perto de Miguel e se quisesse tinha feito algo a ele.
— Eu não conseguia ficar longe dele muito tempo, deixei baixar bem a poeira, modifiquei um pouco a aparência, descobri que Bernardo tinha trocado o garoto de escola e comecei a trabalhar na nova escola dele, mas quando ele me viu nem lembrava quem eu era, talvez pela aparência, ou por ter me bloqueado de sua cabeça, mas me entristecia vê-lo e ele nem saber quem eu era, ainda mais depois da sua volta. –Lia desatou a falar mais algumas coisas sem sentido durante um tempo.

Lia
Pensa em como foi forte ouvir Miguel pedir que ela não fizesse nada com a mãe dele.
Eles estavam no quarto do menino, ela já tem Lívia e Beth amarradas, ela quer amarrar ele também, mas ele não para de falar e de falar mal dela, isso a desconcerta pois ela tinha um pingo de esperança de ele ainda gostar dela, então do nada, mesmo amarrada Beth avança pra cima dela.
—Vai Miguel tira Lívia daqui, corre– ela consegue gritar, antes de Lia acertar ela com a faca e conseguir pegar Lívia.
—Se você fizer algo eu a corto também. – Lívia grita e Miguel fica parado no mesmo lugar sem reação nenhuma.

Lia termina de amarrar Beth que ficou desacordada após a facada, amarra Lívia junto a Miguel, coloca uma mordaça na boca dos três, tira a foto das crianças com o celular de Beth mesmo e manda para Emília, desce, desliga a luz geral da casa, pega a gasolina que eles tem reserva ali, para os tratores, e espalha em toda a casa, termina bem a tempo que ver pela janela Emília chegar e dispensar o carro que a trouxe.

Bernardo

Sabe que a forma mais rápido de ir é de helicóptero, e descobre que Emília também usou o serviço, pede urgência que prontamente é atendido, no caminho ele informa a Jéssica de toda a situação.

Em vão ele liga para a fazenda, ninguém atende, não pode deixar de se perguntar porque Emília não o chamou, mas pelo menos dessa vez ela deixou pistas, espera chegar a tempo.

Emília

O cheiro da gasolina está muito forte começa a deixá tonta, ela não tem muito tempo tenta agir com cautela, tem que distrair Lia o máximo que pode novamente, mais uma vez ela vê um vulto só que desta vez é menor, é Lívia quem está ali ela tem certeza, Miguel se faz mais presente e faz um sinal que Lia tem que sair dali para eles descerem, ela ainda fala coisas incoerentes, Emília dá um passo como quem vai para a cozinha, Lia sai de seu momento de loucura e desce as escadas.

— Onde eles estão Lia me diga, cansei de seu jogo.

—Eu não vou dizer, não vou sabe por que Emília de uma vez por todas vou acabar com vocês... – esbraveja Lia indo atrás de Emília, que percebe esta já uma boa distância da escada, se vira e olha para Lia.

— Até mesmo com Miguel o menino que diz amar, que diz sentir como seu filho...

— Ele me esqueceu, também me trocou por você, sabe o que ele me disse “Não machuque a minha mãe”, mãe ele chama você de mãe, ele não é mais o meu menino, ele...

Quando ela está no meio dessa frase, Emília arregalou os olhos pela situação que se desenvolve eles aparecem, Beth parece estar ferida, Miguel apoia ela em seu frágil corpo, quando eles vão passar pela porta Lívia tropeça e cai esparramada no chão dando um grito, Miguel por estar com Beth não consegue voltar, Emília dá um empurrão em Lia, que cai no chão ao mesmo tempo que se joga e puxa a perna de Emília.

—Lívia levanta e corre, corre– ela grita para a filha.

—Eu não consigo mamãe. – a menina fala chorando, ainda caída no chão.

—Por favor, bonequinha tenta, por favor. – Ao mesmo tempo em que diz isso, Emília tenta se desvencilhar de Lia que a segura com toda a força possível a puxando para trás, Emília a chuta, Lia prende com mais força.

Por fim Lívia consegue levantar e sair correndo para fora

—Lívia para o mais longe possível – Emília grita antes de a menina desaparecer pela porta.

Emília ouve barulhos de carros, ao mesmo tempo em que Lia que para de puxar ela, antes mesmo de Emília levantar, Lia consegue pegar a caixa de fósforos e acendeu um palito e mais um, e assim vai fazendo, o fogo se alastra rapidamente, Emília levanta rápido mas Lia se joga para cima dela de novo, mas mesmo assim ela vai como pode em sentindo a porta, o fogo está cada vez maior, a fumaça é intensa, com dificuldade e toda a força que ela pode, conseguiu acertar um chute em Lia, que por segundos sai de cima dela, e a chance que Emília tem ela se jogou porta afora, anda poucos metros, ela inalou muita fumaça, o ar parece lhe faltar então ela cai, alguém a pega no colo a tira dali correndo então há uma explosão e uma imensa bola de fogo, ela pensa que enfim tudo acabou e de fato tudo acabou.