Emilia & Bernardo.. Nova história
110 Um Pouco Mais...
Notas iniciais
—Mãe me deixa ver ele– Lívia pede
Emília está em sua cama sentada tentando pentear os cabelos da filha, Lívia há poucos dias fez sete anos.
—Minha filha ele é muito pequeno ainda. – Emília termina de pentear o cabelo dela que sai correndo, mas volta poucos segundos depois com um papel na mão.
— Mostra mamãe – é o ultrassom que ela fez dois dias.
Lívia sobe no colo da mãe, enquanto a barriga não se faz tão presente.
—Bom bonequinha, está vendo esse pontinho aqui. – ela aponta um pequeno ponto no papel, a filha faz que sim – Então esse é ele...
— Mas é menino ou menina?
— Ainda não sabemos, só daqui um ou dois meses.
— Tudo isso mamãe?
—Sim minha bonequinha, tudo isso...
— Lívia vamos – Beth a chama e a menina lhe dá um beijo, beija a sua barriga e desce correndo.
Emília encosta um pouco sobre os travesseiros, e pensa em como tudo mudou nesse um ano e meio, estavam vivendo na casa que era do pai dela, onde ela sempre viveu, era uma casa enorme e não fazia sentido deixá-la fechada, tinham vindo para cá poucas semanas depois do incêndio na fazenda.
Lembrar disso ainda doía e não falava da cicatriz que ficou na pernapelos arranhões que Lia lhe deu e no momento não sentiu, falava de algo mais profundo como as inúmeras vezes em que Lívia acordou na madrugada e mesmo dormindo junto com os pais e tendo Miguel no colchão ao lado, ainda sim ela tinha pesadelos com a mulher de faca na mão, Miguel foi o mais corajoso dando força para a irmã, mas Emília algumas vezes o pegou assustado e sempre dava o máximo de carinho que podia, aquelas primeiras semanas foram difíceis, ela e Bernardo resolveram mudar e só quando fizeram isso de irem para a casa do pai, foi que tudo melhorou, pareciam que de fato estavam dando um novo rumo em suas vidas, construindo tudo de novo, a fazenda Bernardo vendeu, não tinha nenhuma condição de eles voltarem até lá e não falava do incêndio que destruiu tudo, as lembranças daquela noite que quase os matou, os impediam de voltarem para lá.
Devagar Emília foi serenamente dormindo pensando que quando acordou no hospital mais tarde naquele mesmo dia e sentiu o toque da mão de Bernardo sobre a sua, e olhar para o lado e ver os filhos bem, foi a melhor sensação do mundo, que todo o horror tinha ficado para trás.
Algum tempo depois ela não está totalmente dormindo, quando senti alguém se deitar ao seu lado e de leve colocar a cabeça sobre seu ventre, ela nem precisa abrir os olhos para saber quem é, ela fica quietinha para não assustar ele, mantém os olhos fechado e lembra da manhã em que passou mal, e mesmo protestando Bernardo a levou ao médico, pois já à alguns dias ela vinha se sentindo mal, fizeram uma bateria de exames, ele afirmava ser algo relacionado ao incêndio, mesmo que já tivesse passado mais de um ano, Bernardo ficou todo impaciente na sala de espera enquanto aguardavam os resultados, quando o médico chamou por ela Bernardo quase a arrastou.
—Bom o que Emília tem não é nada preocupante.
—Falei a você meu amor. – ela disse segurando a mão dele.
— Mas o que é então?Sei que tem algo errado.
— Dentro de oito meses tudo se ajeita. – médico diz olhando para Emília, que pensa um pouco e se dá conto do que o médico quer dizer, ela leva as mãos a boca para abafar um gritinho de emoção, Bernardo fica confuso olhar do médico para a esposa. – Senhor Bernardo, Emília…
—Dr. deixa que eu mesmo conto, vamos para casa Bernardo.
—Não quero saber o que está acontecendo. –Bernardo levanta bruscamente da cadeira. – Por favor, se for algo ruim pode falar doutor.
Emília vendo que ele não está nervoso mas sim assustado achando que ela está gravemente doente, levanta e fica ao lado dele.
— O médico quis dizer que daqui a oito meses tudo vai se resolver… – Emília olha para ele com lágrimas no olhos, ele fica mais confuso ainda, então ela segura a mão dele, levando em direção a sua barriga. – Que logo Lívia e Miguel terão um irmão ou irmã. – ela sorri entre lágrimas, Bernardo a olha como quem pergunta “Mais um filho, verdade?”, Emília
confirma com a cabeça ele a abraça, forte demais, e chora mais que ela.
Contar para os filhos a chegada de mais um membro para a família foi um momento maravilhoso, os dois aceitaram bem a ideia, Lívia cheia de perguntas e Miguel como o pai cheio de cuidados para com ela.
Emília abre os olhos e delicadamente colocou a mão naquela cabeleira negra faz um carinho delicado, ele pega a mão dela e leva aos lábios e beija.
— Te acordei– Bernardo perguntou, colocando a mão dela novamente em sua cabeça para continuar recebendo carinho.
— Não estava dormindo – ele ri como quem diz “sei bem”– Verdade estava só descansando os olhos.
— Tem feito isso muito isso de descansar os olhos.– ele dá uma risada gostosa que a contagiou.– Estou machucando a sua barriga.
— Não– ela responde ainda fazendo carinho nele, mas Bernardo beija seu ventre, fala algo baixinho que ela não chega a escutar,mas desconfia do que ele tenha dito. Ele senta na cama a olhar nos seus olhos.
— Você não sabe o quanto eu te amo, e o quanto sou o homem mais feliz desse mundo.– Bernardo vai aproximando o rosto do dela beijando de leve os seus lábios, e Emília quem a puxa para um beijo mais intenso.
FIM
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