Embron, a historia
1 A carta
Notas iniciais
Desde o inicio dos tempos, as sereias são criaturas misteriosas e desconhecidas para os seres humanos, apesar de eles as desenharem, poucos sabem sobre a existência de nosso povo, apenas alguns humanos alegam nos terem visto.
A magia está espalhada pelo mundo, mas como as sereias foram criadas? Por que nós existimos? Por que estamos aqui? Aqui, longe de tudo e de todos, como será que é lá em cima? Fico pensando se...
– Vanessa, quer, por favor, parar de sonhar e carimbar logo esses documentos? — gritou minha mãe, do outro lado da sala.
– desculpe — murmurei, mas continuei a escrever no documento.
Minha mãe é a rainha daqui, ela me força a colocar carimbos em documentos importantes de LABORDAI, ela diz que como futura rainha (que vai demorar pra eu ser já que sou a mais nova da família real) eu devo saber como trabalhar.
– vou parar de escrever nesse documento e carimba-lo logo antes que ela volte a me xingar –falei, bem baixinho, para mim mesma e carimbei.
– pronto agora só falta o resto -suspiro- quanta coisa pra carimbar. –eu não estava brincando era muita coisa mesmo. Estávamos na sala de registros do castelo.
Numa descrição rápida, era uma sala grande, com paredes e chão na cor marfim, mas mal tinha espaço para uma escrivaninha e uma cadeira. Para todos os lados só se viam estantes que iam até a altura do teto, cheias de papeis e bilhetes, até no chão tinha coisa pra carimbar, essa é, com certeza a tarefa mais chata e entediante que sou obrigada a fazer.
A escrivaninha e a cadeira eram feitas de uma madeira muito rara e essas peças eram incrustadas com perolas brilhantes, a madeira era especial, demorava muito tempo para apodrecer, pra ter uma ideia, esses dois moveis eram do tempo da minha bisavó. E as perolas eram da mãe dela, antes eram um colar, mas depois que minha bisavó ganhou de herança da mãe, ela desfez o colar e mandou fazer escrivaninha e a cadeira, elas são praticamente uma herança familiar.
Bom, acho que agora é melhor falar de mim certo? Como minha mãe disse, cortando minha onda, meu nome é Vanessa e eu sou uma princesa, uma princesa sereia na verdade, eu tenho três irmãs, por isso serei a 4ª rainha depois de minha mãe, minha cauda é roxa com partes lilás e meus cabelos são compridos e tão negros quanto á noite, já meus olhos são azuis, um azul celeste, como o mar quando está calmo e limpo. Minha pele é pálida, sou magra e tenho uma altura normal para uma sereia adolescente.
Nesta tarde de verão, eu estava carimbando os documentos dentro dessa sala abafada, enquanto do outro lado sala, minha mãe pegava e lia mais deles, depois me dava pra carimbar, não parava de crescer a pilha, minha mãe, a rainha do reino, era bonita, olhos castanhos, cabelos cor-de-mel cortados na altura dos ombros, alta, magra, e com uma bela voz, na verdade, toda sereia tem voz linda (se bem que acho a minha muito melhor que a dela). Ela é branca também, mas não tanto quanto eu, sua cauda é da mesma cor do cabelo, ela vestia um vestido rosa-choque sem estampa, em minha opinião bem brega. Quando ela percebeu que eu a estava observando me lançou um olhar irritado então voltei minha atenção para os documentos. Ainda estava concentrada em carimbar quando, De repente, escutei um grito.
– aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Não era um grito de dor ou medo, mas sim de felicidade, na mesma hora levantei olhar, nunca vi minha mãe tão feliz, na verdade a gente quase não se fala. Não temos aquela ligação que algumas garotas têm com as mães, acabamos cortando os nossos laços devido a muitas brigas que tivemos. Logo depois ela venho na minha direção com os documentos para eu carimbar embaixo do braço e na mão tinha um papel do reino de EMBRON cujos habitantes são humanos, perguntei na hora o que era, apesar de já saber a resposta.
–é apenas mais um documento, filha.
–então deixa eu carimba-lo mãe, afinal, esse é o meu trabalho não é?-enquanto carimbava podia ler aquele papel.
–é deixe-me Vanessa, como futura rainha você deve aprender a falar direito. Você está liberada por hoje — disse ela disse acariciando o envelope com os dedos, depois disse bruscamente — some daqui menina.
Claro que saí na hora, minha mãe brava é a pior coisa do mar, também estranhei a minha mãe me liberar do serviço, ela sempre está me mandando fazer alguma coisa, Vanessa faça isso e também faça aquilo, e aquele outro, ela me deixa louca.
Pensando numa forma de ler aquilo, decidi ir até um templo antigo para pensar, aquele lugar sempre me ajuda e tenho uns amigos por lá também.
Sem falar que é o único lugar em que não tem ninguém me enchendo 24 horas por dia, lá dentro é tão bonito quanto por fora, passei 2 horas lá e depois resolvi ir pra casa.
Opa, espera, fiquei tão empolgada em contar a historia que me esqueci de descrever o lugar. Desculpem, vejamos como começar, o lugar é uma antiga ruina, um templo, acho. Era feito de um mármore branco impecável, com grandes pilares e um belo teto de vidro, ou melhor, antigamente era um teto de vidro, a pressão da água o quebrou, mas as plantas marinhas cobriram o teto do lugar.
O único móvel que tinha ali era um cofre de ferro trancado, ninguém nunca conseguiu abrir então seu conteúdo ainda é desconhecido. Algas marinhas cobriam a maioria dos pilares de dentro, junto com outras plantas marinhas exóticas. Também havia muitas flores marinhas que eu e varias outras pessoas que frequentavam o lugar levávamos vez ou outra. Dessa vez eu levei belas flores de um tom rosa forte dentro de uma grande concha que algum bichinho deve ter usado como casa. Também tinha corais coloridos lá, estrelas marinhas também viviam naquele lugar, e às vezes tínhamos a sorte de ver um cavalo marinho nadando por lá. Sem contar outros peixes que viviam por ali. Aquele lugar era ótimo pra pensar.
Inacreditavelmente, ir aquele templo secreto não me ajudou em nada, fui pra casa sem nenhum plano pra ler o documento. Que azar, às vezes parece que o universo inteiro resolveu conspirar contra mim. Da uma raiva sabe, e o que aconteceu? Por incrível que pareça, nem precisei de plano, cheguei em casa e encontrei o documento em cima da mesa de jantar, olhei em volta, ninguém por perto. Tinha quase certeza que era uma armadilha, mas a curiosidade se tornou maior que a razão.
Peguei o documento e corri me trancar no quarto, girei duas vezes a chave pra ter certeza de que a porta estava trancada, fechei as cortinas e deitei na cama pra ler, estava escrito assim:
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