Notas iniciais
a historia continua gente

Peguei o documento e corri me trancar no quarto, girei duas vezes a chave pra ter certeza de que a porta estava trancada, fechei as cortinas e deitei na cama pra ler, estava escrito assim:

Caros rei e rainha de Labordai

Eu, como um bom cidadão tenho uma proposta para seu povo, sou da realeza e, por isso, tenho muita influencia no país, já vi seu povo e, por isso, peço a mão de sua filha mais nova em casamento, em troca disso, não revelarei as FOTOS que possuo do seu povo, caso não aceitem, além de revelar sua existência irei caça-los até a extinção, espero uma resposta imediata de suas majestades rei e rainha de Labordai, agradeço a atenção de vossas majestades.

Assinado: Eduardo Del Rei

Escrito por Lark.

PS: A 1ª criança de sua filha será enviada para sua casa, assim terá um herdeiro para o seu trono.

Eu não podia acreditar, eu nem o conhecia e ele já pensava em fazer sexo comigo, e, por que tinha que ser eu? Por que não Marina ou Aquata que são as gêmeas mais velhas ou ainda aquela loura idiota da Sirina que é a do meio.

O cabelo de Marina é naturalmente castanho, mas ela pintou de roxo, a mesma cor de sua cauda. Aquata tem uma cauda lilás e o cabelo castanho e curto. Já Sirina, bem.

A Sirina é loira, magra e alta, mas também é muito chata e metida à rica, mas ainda prefiro que seja ela do que eu, como toda sereia, ela tem condições de mudar o penteado e ajeitar a cauda, mas está sempre com a mesma cauda cheia de joias e o mesmo cabelo, ela se acha muito superior aos outros, principalmente a mim.

Destranquei a porta e coloquei o envelope no mesmo lugar, deixei um bilhete dizendo que ia sair com minhas melhores amigas, Amanda, Fantasy e Mary. Nós três tínhamos um pacto de amizade eterna, e tínhamos permissão umas das outras para nos estrangular se arrumássemos amigos melhores.

Liguei pra elas e marcamos de nos encontrar no templo antigo que mencionei antes.

Fui a primeira a chegar, mas elas não demoraram, (caudas são rápidas mesmo). Fantasy era a mais velha de nós e tinha uma filha chamada Ana que estava com o pai enquanto conversávamos.

Contei a elas o que aconteceu, Mary gostou da ideia de unir os dois mundos.

–você só gosta porque não é com você, fala sério eu nem o conheço — falei

– você sabe que eu sempre fui fascinada pelos humanos, andei espionando eles esses dias, esse cara não me pareceu malvado. Mas o pai dele sim – retrucou Mary

– se você fosse se casar com ele e tivesse um filho ou filha que não poderia nem cuidar o que faria então?

– você está tendo uma visão muito errada dos humanos, Vanessa. –disse Amanda.

– você também Amanda? Porque nenhuma de vocês pensa que eu vou... – fiquei muda por um estante- vou...

– vai o que? –pergunto Fantasy

– vou ser forçada a...

– a? — perguntaram as três juntas, me interrompendo.

– transar com um completo estranho que eu nunca vi na vida e que está ameaçando meu povo – gritei irritada, por sorte éramos as únicas que estávamos lá então ninguém me escutou. Provavelmente o lugar estava vazio porque já era quase noite.

– quem disse que é com o homem que escreveu a carta que você vai casar? – perguntou Fantasy

– o que quer dizer Fanty?– perguntei sem entender o que ela queria dizer com aquilo.

– Eu trabalho no palácio lembra? Eu achei o envelope do documento e abri pra... bem, pra ver se podia tacar fora – ela disse com uma cara de divertimento -E eu li no verso da carta que não era com ele que você se casaria, ele é o rei, você vai se casar com o filho dele, o príncipe de EMBRON. –disse Fanty sorrindo.

– eu estava vendo os humanos outro dia –disse Mary- e vi o homem com quem você vai..., vai... Acasalar –ela deu uma risadinha –ele é bonito, parece que você tem muita sorte mesmo.

– sorte? De me casar com um humano? Vocês sabem o que eles fazem só nos prendem e nos obrigam a ter filhos com eles.

– até parece que você acha ruim ter filhos- a filha de Fanty, Ana, era o bem mais precioso dela, Fanty adorava a pequena e por ser mais velha que nós, ela era bem mais experiente e dava ótimos conselhos.

– e eu acho que você vai se dar bem- disse Mary que, provavelmente estava falando há algum tempo sem que eu me tocasse.

– Ainda assim, eu não vou me casar com ele e ponto final.

– Teimosa-suspiraram as três juntas em uníssono.

– vocês ensaiaram isso não é possível – respondi rindo, em alguns segundos estávamos rindo juntas bem alto como se fossemos loucas. Aliais, com certeza somos loucas.

Fui pra casa e não foi nenhuma surpresa no jantar minha mãe falar que tinha algo sério para nos contar. “uma declaração que mudaria nossas vidas” disse ela. Pegou a carta e leu ela para mim para meu pai e minhas três irmãs.

Ainda não falei dele né? Meu pai é muito forte, batalhou muito para chegar onde está hoje, seus cabelos são crespos e castanhos, a barba bem aparada, os músculos definidos, enfim, o tipo de homem perfeito com quem as mulheres sonham em casar. E era lindo de morrer. Seus olhos eram da mesma cor dos meus, só tinham um tom mais profundo. Ele sorria muito, e, por isso tinha rugas, era muito amado pelo seu povo também.

Aquata e Marina, pude ver pela expressão delas ao me olhar, ficaram com pena por eu ser forçada a isso para proteger nosso segredo, já Sirina começou a rir baixinho, ela me olhava com malícia, claramente estava adorando tudo aquilo, talvez porque ela nutre um ódio mortal por mim.

Serio, ela me odeia desde que percebeu que nosso pai me adora e me mima ao invés dela, meu pai é o rei, mas não um rei qualquer, ele é um rei guerreiro, lutou muito contra um rei malvado, e eu puxei esse lado dele, como minhas amigas disseram eu sou teimosa (prefiro persistente), mas também sou corajosa, forte e destemida, quando era criança, (não muito tempo atrás) meu pai dizia que eu parecia um menino de tão levada que era, ele via em mim uma futura rainha, não uma rainha igual à mulher com quem ele casara, fresca, fútil e vaidosa, ele me via como uma futura rainha forte, corajosa e coisa e tal. Ha, e o casamento dele foi arranjado também. Contarei mais sobre o inicio do ódio de Sirina por mim e das maldades dela depois. No momento certo.

Meus pais me olhavam, esperando para ver qual seria minha reação, acho que eles pensaram que eu estava em estado de choque e ainda processava as coisas, mas eu apenas havia sido tomada por lembranças e ódio de Sirina que ria histericamente, histericamente BAIXO, com a notícia da minha desgraça.

Meu pai repreendeu Sirina quando notou que ela estava rindo de mim, ele sabia que criara uma cobra aquática em seu próprio teto (já eu acho que a Sirina se parece mais com uma vaca afogada gorda e vaidosa). Parecia que ele e minhas outras duas irmãs eram os únicos seres do mar que me entendiam, pelo menos dentro de minha casa.

Fui tomada por outra lembrança com esse ultimo pensamento, eu, Aquata, Marina, meus queridos primos gêmeos: Miguel, Robin e Felipe, (na verdade apesar do nome dele ser Felipe, ele tinha uma paixão tão grande por lobos que todos o chamavam de Fenrir, que era, na mitologia nórdica, um lobo monstruoso) e meu pai, rindo e brincando de três laminas, os gêmeos (que a proposito eram humanos e respiravam embaixo d´agua através de um poder especial que eles próprios haviam criado e aperfeiçoando concentrando o chacra deles. Chamavam isso de “Mitsuriki Akatiki entranhas subaquáticas”) haviam nos ensinado a jogar, segundo os três, os humanos chamavam o jogo de “três cortes” os gêmeos rebatiam bem por praticarem com suas namoradas humanas, meu pai médio, eu me considerei razoável, e minhas irmãs rebatiam mal, mas como para compensar, as duas sacavam melhor que todos nós juntos, quando cansamos de jogar nos deitamos sobre as algas, conversamos muito e rimos mais ainda, depois subimos até a superfície e só com as cabeças fora d´agua vimos o por do sol bem longe, no oceano sem fim.

Ai quando voltamos Sirina fez escândalo e minhas irmãs e eu ficamos de castigo, meus primos foram expulsos de nossa casa e meu pai teve de enfrentar toda a raiva da minha mãe, por termos feito Sirina se sentir excluída, minha mãe só não sabia que havíamos convidado ela para jogar junto, e Sirina disse que só jogaria se os gêmeos, que ela considerava monstros impuros, não jogassem conosco, como recusamos ela disse que havíamos traído ela preferindo os gêmeos, se bem que ela teria concordado com a filha, especialmente sobre os gêmeos. Meu pai até tentou nos defender, mas minha mãe estava, provavelmente, de TPM, porque ela estava furiosa. Meu pai sempre entendeu e defendeu as filhas, até Sirina, antes dela se revelar uma cobra aquática.

Minha mãe por outro lado vivia mimando a Sirina, enquanto fazia da minha vida, ou melhor, das vidas minha, da Marina e da Aquata um verdadeiro inferno submerso, isso também acabou afastando os gêmeos e muitos amigos. Sempre gostei mais do meu pai, minhas irmãs, exceto Sirina, também.

–Vai ficar assim sem falar nada, fale alguma coisa menina. – disse minha mãe irritada. Me puxando de volta para realidade.

Eu me levantei e nadei lentamente até a porta, quando toquei a maçaneta minha mãe chamou.

–Não ouse sair sem falar nada. –disse quase berrando, provavelmente só ainda não havia começado a berrar por causa dos criados, que nesse momento entenderam que era melhor deixar a família real resolver os problemas e saíram, Fanty que estava servindo a comida me lançou aquele olhar que diz “controle-se antes que acabe morta” – você fará isso e ponto final – continuou minha mãe, a cada palavra sua voz ficava mais alta e brava, o que comprova minha teoria de ela ter vergonha de “lavar roupa suja” na frente dos criados– vai ficar dois dias sem sair de casa e depois vai para a superfície.

Eu me virei, não conseguia mais suportar isso, e, apesar do olhar que Fanty tinha me lançado, eu me virei e a encarei, tomei coragem e gritei um pouco mais baixo que ela, mas com certeza qualquer um que estivesse passando por ali ouviria.

–Eu não tenho que fazer o que você quer. mesmo sendo rainha você não pode me obrigar a casar com alguém que nem conheço – gritava cada vez mais alto até que percebi que estava berrando, se é que tem diferença entre um e outro – está é a minha vida e não a sua, você só me vê como escrava, sempre querendo mais e mais, “mais inteligente, mais rápida, mais correta, mais obediente, mais atlética” — gritei imitando a voz dela, ela havia me obrigado a aprender xadrez para melhorar minha inteligência, o que até foi bom, pois era um motivo para os gêmeos conversarem comigo, já que eles eram campeões internacionais de xadrez, eram os melhores para me ensinarem, também me ajudaram com o vôlei, que era para me tornar mais atlética, já a parte da velocidade, bem, eu sempre fui rápida e não precisei treinar isso com ninguém.

Apesar de apostar corrida com eles, minhas irmãs e até com meu pai, que não se importava em ser visto pagando mico enquanto brincava com a gente, minha mãe sempre quis mais, nunca estava bom para ela.

–eu não sou você mãe! Você não pode me obrigar a fazer o que eu não quero, não mais. Eu sou a princesa de Labordai e posso me responsabilizar por minhas ações e tomar minhas próprias decisões! — nesse momento eu já não conseguia conter as lágrimas, que começaram a cair sem controle e embaçaram minha visão, transformando minha mãe em um rosto disforme, quase um monstro – mande outra filha sua ou será que só quer que eu vá para se livrar da inútil cria que teve e que nunca será o suficiente para você e para não perder sua preciosa Sirina, a herdeira perfeita, alias a única que você ama e nunca fala mal.

Marina e Aquata se levantaram da mesa e vieram para o meu lado.

Irmã você está nervosa. –disse Marina

E vai se arrepender disso mais tarde. –completou Aquata

Por acaso eu estou errada? – perguntei aos berros, quanto mais eu falava mais lagrimas caiam.

As duas ficaram se calaram, ficaram tão quietas que eu achei que tinha pegado pesado demais gritando com elas, por um momento, desejei que os gêmeos estivessem aqui, eles teriam me ajudado a acusar minha mãe com prazer.

–Estou errada? –repeti ainda estava chorando, mas finalmente consegui parar de berrar e gritar, por incrível que pareça, a lembrança dos gêmeos e da tranquilidade que eles passavam a todos ao seu redor conseguiu me acalmar, mesmo longe eles ainda me ajudavam.

As duas se olharam por um instante olharam pra mim e se olharam novamente. Depois balançaram a cabeça em sentido negativo, olhando para o chão.

Viu? — falei para minha mãe, voltando a gritar, mas não tão alto, de forma que só quem estivesse naquela sala ouvisse, a não ser que alguém estivesse escutando atrás da porta– a única filha que está do seu lado é SIRINA que só é beneficiada enquanto você faz da vida de nós três – apontei pra mim e minhas outras irmãs – um verdadeiro INFERNO – berrei esta palavra.

– Eu concordo com Vanessa – comentou Marina

–idem – disse Aquata

Quando olhei, notei que as duas também haviam começado a chorar e que, logo, começariam a berrar como eu, e apesar de elas serem bem mais comportadas do que eu, que era rebelde, não vivíamos em realidades tão diferentes assim.

Minha mãe se levantou e sua expressão era mais que raiva era uma mistura de varias coisas, o que significava que estávamos frita, meu primeiro pensamento foi, com o perdão da palavra, agora a porra ficou séria. Não da pra explicar a expressão dela naquele momento, apesar de odiar matemática, em um calculo simples:

(FÚRIA + CRUELDADE x ÓDIO +MALDADE + 1.000.000.000.000.000.000.000 e milhões de zeros mais = minha mãe naquele momento).

Ela agarrou nós três pelos cabelos e nos arrastou até o quarto, (Sirina é a única que tem um quarto só pra ela, eu, Marina e Aquata dividimos outro) ela trancou a porta e fechou as cortinas, depois castigou Marina primeiro, quando acabou foi a vez de Aquata, tudo que eu ouvia eram os gritos delas, não ousei levantar o olhar, quase conseguia sentir a dor delas em meu próprio corpo, eu sabia que não iria demorar para chegar minha vez, e que eu ia apanhar mais que elas por ter começado tudo, até porque era a única que tinha coragem de faze-lo, talvez porque estava passando tempo demais com meus primos, que eram as pessoas mais ousadas do universo, de repente os gritos cessaram e foram substituídos por um choro baixo e soluços contidos, então finalmente foi a minha vez .

De todas eu fui a que mais gritei e apanhei, o que confirmava, mais uma vez, minhas hipóteses, mas só quando minha mãe saiu do quarto e nos deixou chorando, ela trancou a porta atrás dela e as janelas já estavam trancadas, de modo que a única iluminação do quarto eram as velas protegidas por uma redoma de vidro da água ao redor. O fogo dessas velas jamais se apagava, à noite, tínhamos que colocar um cobertor grosso em cima da redoma para poder dormir. Só quando ela saiu nós erguemos a vista e olhamos o corpo das outras, todas as três estávamos sangrando de tanto que nossa mãe havia nos batido.

Nós nos deitamos no chão, bem pertinho umas das outras e choramos juntas e abraçadas, depois, fizemos curativos e passamos pomada nas nossas feridas, e só então choramos juntas de novo, mas dessa vez de um modo muito mais forte que antes, aquela foi a primeira vez que choramos tanto num único dia, mas também foi a primeira vez que apanhamos a ponto de sangrar.

Notas finais
até o proximo cap da historia, espero que tenham curtido :)