EmMusas - The Lost Canvas

38 À procura da magnífica


Notas iniciais
Olá, queridíssimxs leitorxs! Como está indo essa semana? Tô presa em casa porque to doente - o erro!! Antes de tudo, queria dizer que eu to muito feliz com a recomendação que recebi da Tati Alvarez (no Nyah), fiquei muito louca e quase postei o próximo cap mais cedo hahaha Gata, esse cap vai pra ti! Enfim, esse tipo de coisa anima muito, de verdade, assim como leitoras favoritando, comentando, conversando em MP e por aí vai! Bom, mas sem enrolar. Gente, esse capítulo é um pequeno xodó meu porque, meudeus, como eu gostei de escrevê-lo, sério. Eu me diverti demais imaginando todas as cenas e espero que tenha conseguido passar essa boa sensação que me tomou pra vocês. Ele é meio que um especial, mas não do jeito que vocês pensam muahaha Boa leitura e me digam o que acharam, pfvr! *-* ps.: to cheia de capítulo avançado; dependendo da repercussão desse aqui, posso postar o próximo mais cedo - e já aviso que tá chegando o capítulo de um enorme FINALMENTE :x

Capítulo 38

– ARGH, cáspita!

Mais uma vez, um galho bateu com tudo no rosto suado e um pouco cansado do canceriano. Se não fosse o Sol escaldante, a trajetória teria sido um pouco mais agradável, mas nem o teto de folhas providenciado pelos enormes carvalhos ajudou a amenizar o calor. Curvado e quase rastejando, Manigold continuou em frente, sem parar um minuto sequer para tomar a água que tinha em mãos, numa garrafa.

O que o motivava cada vez mais era a proximidade que estava do ponto objetivo. Antes, nem havia cogitado a possibilidade de ir onde estava indo, até porque não tinha conhecimento daquele fato, e o obteve da maneira mais chata possível: pela boca de outro cara que sabia mais de Tália do que ele.

(Flashback ON)

– PASSANDO. – Manigold informou quando iniciou a travessia pela Casa de Libra.

– Opa, opa, Manigold. Tá indo pra onde assim?

O libriano até teria deixado passar sem conversas, mas ao ver o canceriano com uma bela e gorda mochila, teve de saber.

– Não te interessa!

Dohko estranhou o humor mais carrancudo do canceriano, mas imaginou que tinha a ver com a ausência de Tália. De fato, sua observação aguçada o possibilitou de compreender o mínimo de sentimento que estava nascendo entre Manigold e Tália.

– Foi falar com o Grande Mestre? Como não te vi lá em cima? – o libriano perguntou.

– Foi falar com ele pra quê?

– Vamos continuar respondendo através de perguntas?

– Depende, vai me responder alguma delas? – o canceriano sorriu, debochadamente.

– Sim! Fui perguntar sobre a doação da vila. Parece que há algum movimento estranho por lá que está assustando alguns moradores, principalmente as crianças do orfanato. Nisso, acabei me lembrando de checar a contagem da doação. – Dohko abriu um largo sorriso ao pensar que tal tarefa havia sido realizada com sucesso. De certa forma, acabou pensando em Tália também, ouviu tantas perguntas das crianças sobre a musa.

– Hmm... Fui pedir autorização pra viajar. – Manigold respondeu, desviando o olhar.

– E vai viajar pra onde, homem?

O outro não respondeu, apenas bufou. Não queria ter que informar sua decisão para Dohko, não tinha por que, só que, ao mesmo tempo, sentiu necessidade de receber mais que uma aprovação; algo que realmente indicasse que estava fazendo o certo e que sairia dessa com sucesso. E, principalmente: que conseguiria trazer Tália de volta.

– Monte Parnaso.

– O quê? – Manigold estranhou.

– Você vai para o Monte Parnaso.

– Eu vou?

– Sim, você vai. – Dohko piscou.

Demorou apenas poucos segundos para Manigold compreender a intenção do libriano com essas palavras. Um sentimento de grandeza o possuiu internamente, finalmente encontrou seu ponto inicial. Sim, estava indo viajar, porém não sabia para onde. Graças ao colega, agora sabia.

– Ehrn... Obrigado. – mesmo sem muita graça, o canceriano agradeceu.

– De nada! – ao contrário de Manigold, Dohko sorriu até demais. – E cuidado com asdríades, hahahaha.

(Flashback OFF)

Passou um bom tempo desde que ele entrou naquele bosque cheio de carvalhos e variadas plantas; por sorte, encontrou um caminho no meio de uns arbustos que, sem querer, atropelou ao fugir de um enorme besouro vermelho – o qual foi apenas um fragmento daquele cenário belo e colorido. Ele tinha que admitir o quanto era bonito se mover por entre aquele espaço tão vivamente verde.

Algumas árvores pareciam até ter rostos e alguns troncos entortavam-se, dando a impressão de que corpos faziam parte daqueles elementos. Vários tons de cores se misturavam e espalhavam em árvores, pedras, folhas, animais, poças. A cor verde predominava, porém parecia incentivar as outras cores a se destacarem, e isso foi muito bem visto quando o canceriano encontrou uma enorme cobra alaranjada*, que passou sinuosamente de um galho para outro, bem próximo ao seu rosto. Manigold quase se sentiu ridículo por sentir medo de uma cobra dessas, que não chegava nem perto do medo que ele deveria ter por um espectro — e que não tinha. Na verdade, tudo naquele espaço parecia muito amigável, muito convidativo, muito harmônico, muito alegre, muito Tália.

Tália.

O problema no caminho não foi onde ele deu, mas sim por onde ele teria que ir para chegar no templo da musinha. Poderia, de repente, aparecer num templo totalmente aleatório, e não saberia como ir dele para o de Tália. Aliás, não sabia sequer como se parecia o templo de uma musa, mas achou que, provavelmente, teria algo em comum com um templo normal, porém com um toque mais sofisticado, digno de uma divindade.

Deveria ter perguntado isso a Dohko, já que ele sabia pelo menos alguma coisa.

Manigold bufou. Odiou saber que Dohko conhecia Tália melhor do que ele, mas, de certa forma, talvez tivesse mais culpa do que poderia imaginar, pois, em momento algum, perguntou a ela algo que não fosse relacionado com sua cicatriz. Sua curiosidade nunca foi apresentada de maneira legítima, sempre a somou com uma leve pressão – o contrário do que seria interessante. Será que ela teria respondido se ele o tivesse feito de forma diferente? Provavelmente sim, já que o libriano tinha respostas para essas e outras perguntas.

Novamente, Manigold bufou em desgosto. Precisou retirar um pequeno tempo pra beber sua água, já que o calor o estava torturando de alguma forma, mas nem precisou fazê-lo mais ao sentir o clima mudar e se tornar mais fresco. Assim que passou os olhos ao redor, percebeu que havia adentrado ainda mais aquele bosque de carvalhos, e isso esclareceu a densidade do local.

Por um momento, ele amaldiçoou a própria burrice de ter trazido mais do que deveria na bolsa pesada que carregava consigo. Poderia ter chegado há muito tempo se não fosse aquele item. Se bem que não estava tão pesada assim, o problema era a falta de sono, força, foco e fome que o canceriano passou a sentir após a partida de Tália. Gradualmente, ele foi se sentindo assim, enquanto seus pensamentos foram dominados por pequenos fragmentos de memórias. Sacanagem aquela musa fazer tanta falta assim!

Hahahahaha, é ele!

Manigold travou o próximo passo. Devia estar louco, pois jurava que havia ouvido uma voz feminina, bem baixinha, ecoando pelas árvores. Talvez fosse o cansaço, mas a dúvida o deixou um pouco mais alarmado quanto a isso, quando continuou caminhando na trilha.

É? Acredito que sim...Hihihihi

Tão montanhoso...

E vários risinhos se seguiram. A testa de Manigold quase ficou marcada pela franzida intensa de quem não estava entendendo absolutamente nada. Girou a cabeça para todos os lados no intuito de ver quem estava reproduzindo tais sons, percebeu que não era só uma voz.

Agora sim entendi o termo que ela usou para-

A voz sumiu, não finalizou sua frase, para a infelicidade do canceriano, que não soube o que fazer. A cada pequeno barulho de folha estalando, ele saltava e parava, querendo ouvir outro indício de voz e segui-la, porém isso não aconteceu por alguns minutos.

Sim, sim, mas ela só contou a metade...

Hahahahaha

Como ela diria, é cômico hihihihi

Arbusto, né?

Um pouco menos do que o esperado hihihihi

Ela estava certa, não?

Hahahahahaha

– MAS QUE PORCARIA É ESSA? QUEM TÁ AÍ, CACETE? – Manigold berrou, já não podendo mais conter a raiva. Aquelas vozinhas agudas já o estavam irritando profundamente, ainda mais acompanhadas de risinhos debochados.

Oh, tem a boca suja!

Bem como a magnífica disse hihihihi

Ah sim, mas ela não contou do porte atlético hihihi

Vocês sabem que ela não é dessas hahahahaha

– Do que diabos vocês estão falando? Quem são vocês? Ou o que são vocês? Onde estão? Me respondam, merda! – Manigold tentou.

Ele está falando com a gente.

Respondemos?

Vamos embora!

Como se não tivesse cansado, Manigold correu atrás dos estalos das folhas que ouviu assim que as vozes anunciaram sua partida. Parecia que havia pessoas correndo por ali, mas sem realmente aparecerem. Um tanto quanto assustador ele achou, mas seguiu correndo com determinação e raiva. Numa altura da vegetação densa, ele tropeçou numa grossa raiz e perdeu todo o foco que estava perseguindo. Se não fosse pela raiva acumulada no peito, ele teria conseguido respirar fundo, só que, ao invés disso, tossiu e rosnou para o nada.

– Porcaria! – não resistiu e chutou a árvore cuja raiz o fez tropeçar.

– EI, VOCÊ!

O grito extraiu um belo susto do cavaleiro, que, ao se virar, deu de cara com algo completamente inusitado. Só podia ser brincadeira. Com um semblante um pouco incrédulo, ele pigarreou:

– Ah, não, fala sério...

– Por que o senhor está chutando esta bela árvore? Ela não tem culpa alguma do seu fracasso, caso queira saber. – o pequeno sátiro* coçou o queixo coberto por um cavanhaque espesso.

Manigold respirou fundo antes de abrir a boca.

– Que bodezinho bonitinho, vai me ajudar? – não hesitou em brincar com a situação, já estava ferrado mesmo. Se quisesse encontrar o templo de Tália, teria de usar as ferramentas oferecidas por aquele local.

– Claro que vou. Está procurando o templo da magnífica, não? – perguntou a pequena criatura, com uma voz arranhada.

– Quem é a magnífica, afinal? – vai que não fosse Tália.

– Sequer sabe quem é a dona do próximo templo, hmm... – o sátiro novamente coçou o queixo e analisou o cavaleiro de cima a baixo. – Mas tudo bem, para chegar nele basta seguir naquela direção – apontou para um caminho qualquer. – e, quando chegar numa pequena ponte, pegar o caminho da esquerda.

– E eu vou acreditar nisso por quê? – Manigold colocou as mãos na cintura. Sentiu o cheiro de trapaça de longe.

– Porque eu sou o único que pode lhe ajudar aqui.

– E é? Cadê aquelas outras que estava correndo por aqui? Eu ouvi as vozes delas. Cretinas, saíram correndo quando eu finalmente respondi!

– HAHAHAHAHAHAH – a risada do sátiro foi tão alta que várias cabecinhas saíram de suas tocas para fitá-lo. Manigold arregalou os olhos ao ver que estavam rodeados de pequenos animais de várias espécies. – Oh! Perdão, estou apenas surpreso.

– Argh, não vou ouvir você. Sua altura não te dá moral, não, bodezinho.

O canceriano nem esperou outra reação daquele ser, simplesmente se virou e seguiu o caminho de antes. Por um segundo, olhou para trás, apenas para confirmar a cena que acabara de protagonizar, mas não viu nem o sátiro e nem os pequenos animais. Bufou com gosto ao constatar que poderia ter imaginado tudo aquilo, mas, se fosse para confirmar, talvez a opção de checar o caminho dito pelo sátiro não fosse ruim.

Dito e feito, encontrou a tal ponte e os dois caminhos que a sucediam. Ele havia dito esquerda? Enfim, se aquilo realmente existia, significava que o sátiro também existia. Manigold se sentiu meramente aliviado; no entanto, se era verdade, então a possibilidade de ele ter zoado com sua cara também era. Ainda assim, o que tão ruim poderia ser o caminho da esquerda? Por cima, o canceriano viu apenas mais vegetação.

– Dane-se! – e tomou o caminho da esquerda.

~

Uma sensação de leveza tomou seu corpo, ao mesmo tempo em que foi refrescado por algum líquido bom de sentir. Sentiu-se muito confortável onde quer que estivesse, ainda mais por não ter que suportar o peso do próprio corpo por um tempo. Só não entendeu por que estava de olhos fechados e com uma espécie de sono inconcebível, como se sua mente procurasse fugir para a esfera mais profunda do inconsciente. Manigold não deixaria, porém.

Com um pouco mais de esforço, passou a sentir melhor o que chegava a tocar em seu corpo – coisa que preferiu não ter feito quando sentiu um afago em seu braço. Devido a tal constatação, obrigou-se a abrir totalmente os olhos.

Uma cortina de flores ao lado de um amontoado de pequenas pedras, onde, acima, via-se o topo de uma... Colina? Não... Não exatamente. Uma abertura que denunciava o céu azul, mas, em volta, várias folhas de árvores altas. Manigold não procurou saber quais espécies, mas se viu alvo de olhares de pássaros exóticos. Provavelmente o canto que estava ouvindo vinha deles. Não, impossível, era um canto feminino.

Outra questão importante: seu corpo estava flutuando na água – disso ele teve certeza. Sentiu as roupas molhadas coladas ao corpo juntamente com a sensação refrescante do vento batendo nos locais úmidos. Seu coração acelerou quando ele percebeu que não sabia como havia parado ali, mas isso não o impediu de se controlar emocionalmente. Calma era tudo que precisava ter naquele momento, ainda mais com alguma coisa afagando seu braço.

– Oh, vejo que acordou. – uma voz doce interrompeu o canto (mais doce ainda) que estava ouvindo anteriormente. O canceriano teve de levantar a cabeça para mirar a dona da voz.

Ele não falou nada, apenas se sentou, endireitando a coluna, e observou aquela bela e jovem mulher com metade do corpo nu para fora da água. Certo, terceira constatação: estava num rio cristalino. A mulher o observava com olhos violetas curiosos e espantados, mas ao mesmo tempo acolhedores e compreensíveis; seus cabelos castanhos e molhados desciam pelo seu colo em ondas sutis; a pele branca possuía algumas pequenas escamas espalhadas por locais específicos, como pescoço, antebraços, cintura, e mãos; e, da cintura para baixo, ela parecia ter uma cauda, só que a mágica aconteceu: assim que ela se levantou um pouco mais, aquela imagem da cauda permaneceu, porém seu corpo revelou pernas comuns. Manigold ficou consideravelmente confuso, porém maravilhado.

– Como se sente? – ela perguntou com cuidado. Sua delicadeza era quase inacreditável, dava a impressão de que qualquer toque era o bastante para quebrá-la.

Manigold engoliu seco ao ver aqueles pequeninos seios empinados para ele. Procurou as palavras, mas só conseguiu grunhir roucamente. A mulher conteve um riso de forma graciosa e afastou sua mão do corpo do cavaleiro.

Para Manigold, ao mesmo tempo em que sentiu falta do toque, sentiu um alívio absurdo. Parecia que um peso havia sido tirado de seus ombros, ironicamente.

– Ehrn... – ele pigarreou. – Como vim parar aqui?

– Oh, provavelmente você foi vítima da brincadeira de Makarios.

– Não me diga que é aquele bode cretino! – ele bufou, aumentando a voz sem perceber. Só se deu conta quando viu a expressão assustada da jovem. – Ah, foi mal...

– Não, na verdade você não tem culpa, Makarios faz isso constantemente quando alguém novo aparece por aqui. A magnífica costuma reprová-lo por isso, mas ele se aproveita de quando ela está ausente...

– Unf. Ainda assim, como eu vim parar aqui? – ao perguntar, viu a mulher se afastar rapidamente até a margem do rio. – Ei, volte aqui! Não fuja de mim também, caramba!

Manigold fuzilou aquele ser com o olhar, mas logo se arrependeu quando a viu se aproximar novamente e com maçãs nas mãos. Uma delas foi oferecida a ele.

– Tome, acho que está com fome. – a mulher sorriu timidamente.

– D-Desculpe... – Manigold quis muito que um buraco abrisse na terra para ele se atirar dentro.

– Não se preocupe, estou acostumada. Você pegou o caminho da esquerda, não? – ele assentiu. – Bom, a combinação de Passiflora e Valeriana é poderosa para fazer uma pessoa ter sono ao longo do caminho, por isso você adormeceu.

– E eu não devia ter acordado em outro lugar? Você me trouxe até aqui? – perguntou com afobação.

– Não, você caiu. – ela respondeu normalmente. Manigold, enquanto comia a maçã, observou os movimentos delicados da jovem. Cada palavra saía junto com um gesto sutil ou um olhar bondoso, tornando impossível o desconforto de antes. – Algumas pessoas adormecem rapidamente por causa de seus corpos menos preparados, mas acho que o seu foi diferente, você caiu aqui quando ainda estava acordado. No entanto, sua mente já estava adormecida.

– Entendi. Aquele sátiro safado... – rosnou.

– Não seja tão rancoroso, Makarios procura essas formas de se divertir quando sente falta da magnífica. – ela sorriu graciosamente.

– Me diz uma coisa, quem é essa tal de magnífica? Por acaso é-

– Oh! Ida! – a mulher interrompeu. Manigold percebeu que seus olhos capturaram algo que ele não enxergou, por isso sentiu necessidade de se virar automaticamente.

Uma bela mulher – para melhor ainda mais sua visão -, vestida com típicos trajes gregos de cor branca e sandálias de couro claro, encarava-os logo atrás dele. Seu semblante potente, sério e respeitoso veio acompanhado de um sorriso sutil e simpático, porém maduro e maternal. Manigold não soube muito bem como se portar diante de uma mulher tão única.

– Boa tarde, Sirene. – Ida cumprimentou a jovem. – Vejo que já se encontrou com o humano que Makarios mencionou.

Ah, então o nome da jovem do rio era Sirene, Manigold pensou.

– Esperei por ele assim que ouvi as dríades comentarem sobre isso. – Sirene informou.

– Fez bem, deixe-me tomar a rédea a partir de agora. Volte ao seu descanso. – Ida disse; em seguida, mirou o cavaleiro desorientado. – E você me acompanhe, por favor.

Sem falar mais nada, ele se levantou, pegou sua bolsa – que já se encontrava seca, incrivelmente – e seguiu Ida por entre os caminhos do bosque. Ela ia mais à frente, enquanto ele se mantinha atrás, com um ritmo mais acelerado, porém cuidando para não ultrapassá-la. Às vezes, ouvia conversinhas entre as árvores, com as mesmas vozes que ouviu no início de sua chegada, só que dessa vez ele cuidou para não se deixar influenciar no humor.

– Por que veio até aqui? – Ida, de repente, perguntou, com uma voz mais séria, porém nada ofensiva. Manigold se surpreendeu com o início da conversa.

– Eu vim porque... – em choque, ele pensou. Na verdade, sabia o porquê de ter decidido viajar, mas, de repente, expressar em palavras se tornou difícil. – Quero encontrar uma pessoa.

– E quem é essa pessoa?

Alguns segundos de silêncio se estenderam enquanto Manigold desviou de alguns galhos trapaceiros. Ida se manteve com o rosto virado para frente; em momento algum fez questão de direcionar a atenção para o cavaleiro.

– Será que antes eu posso fazer umas perguntas?

De fato, ele estava cansado de ser embalado pelas circunstâncias sem ao menos saber quem aqueles seres eram. Obviamente, Sirene não era uma mulher qualquer que de repente quis se banhar no rio. Claro que não, ela devia ser alguma coisa e, provavelmente, Ida também era. Makarios era um sátiro, aquelas vozes de antes talvez pertencessem a dríades. Aliás, o que eram dríades? Nada fazia sentido em sua mente. No entanto, se quisesse saber mais através de Ida, teria que escolher cuidadosamente as palavras, pelo visto.

– Justo. Dou-lhe três oportunidades, depois voltamos para o que eu quero saber. – a mulher informou.

– Tá, tá. Hãn... – ele pigarreou e pensou. Como organizaria as perguntas de forma que consistissem numa resposta bem completa? Antes, teria que organizar mentalmente o seu nível de curiosidade. – Primeira pergunta: quem são vocês? Digo, você, aquela Sirene e aquele sátiro safado.

Ida riu de leve antes de responder.

– Nós somos habitantes deste vale em que se encontra, senhor. Nenhuma fauna e nenhuma flora consegue se manter sem seus ajudantes, e nós não conseguimos viver em um local menos especial que este daqui. – ela ouviu o canceriano bufar. – Provavelmente, não foi essa resposta vaga que esperou ouvir, certo? Tudo bem, serei mais direta: Makarios, como você bem disse, é um sátiro; Sirene é uma Náiade* do tipo potâmide e eu sou uma Napeia*.

– Ah, tudo ficou tão claro agora. Não sei como não adivinhei antes! – Manigold resmungou para si, mas ouviu Ida rir um pouco alto. Ótimo, ela escutou.

– Quer gastar as outras perguntas para saber o que significam essas classificações? – que mulher provocativa! Manigold negou com um muxoxo.

– Tenho coisa melhor pra perguntar, senhorita. De quem é o templo mais próximo?

– Da magnífica!

Manigold parou de andar. Era isso, tinha chegado no limite.

– Você tá de brincadeira comigo, não é? – sua fala saiu mais alto do que o esperado, fazendo Ida se virar bruscamente, pela primeira vez.

– De forma alguma. – ela respondeu, encarando-o com uma leve pontada de satisfação.

Cáspita! Quero saber quem é essa magnífica! Isso não vale, diga o nome da dona desse templo! – alterado, não mediu o movimento dos braços, só percebeu que estava praticamente socando o ar enquanto falava. Ida, do contrário, permaneceu estática, observando a birra do cavaleiro.

– Se você fosse um pouco mais observador, teria notado que já estamos no templo e o nome da “dona” encontra-se a dois metros de onde está. – com uma voz calma e aveludada, ela falou. Ida não esperou mais, virou-se para frente novamente e adentrou a entrada enorme, sustentada por três pilastras gregas de cada lado, caracterizada por uma escadaria ornamentada por vários arabescos enraizados. Muitas árvores rodeavam aquele templo, era definitivamente bonito de se admirar.

Manigold realmente admirou e não conseguiu prender o sorriso que saiu assim que viu a palavra “θάλλεω” lapidada numa enorme placa de mármore, acima da entrada.

– Tália é a magnífica? – ele perguntou, mas, no fundo, soube na hora. Ida apenas assentiu.

– Minha vez, senhor. Suas três perguntas já foram usadas.

– Ah, fala sério, essa última não valeu, foi óbvia demais. Nem falei sério! – Manigold logo se exaltou.

– Façamos o seguinte: permita-me fazer minhas perguntas e depois tomamos um chá para que eu responda o restante das suas, que tal?

– Hunf... Tá, pode ser. Mas me deixe dar uma sacada nesse templo, antes. Aliás, você pode chamar Tália pra mim?

Manigold já foi entrando quando Ida fez o gesto para que ele passasse, e o que viu o deixou ainda mais deslumbrado. Assim como o lado de fora, a parte interna do templo era admirável, pelo menos onde ele estava. A Sala Principal era composta por inúmeros tapetes de tons variados das cores primárias, porém sem partir para algo cafona, era o que se esperaria do bom gosto da musa da comédia. De fato, sua áurea alegre e espontânea podia ser sentida naquele espaço, quase conseguiu visualizar a musa nos bancos de mármore brancos, enfeitados com algumas almofadas amarelas e azuis.

Enormes e altas janelas estavam abertas entre as pilastras e nelas se viam vários pássaros abrindo voo e adentrando o espaço do templo. Alguns insistiam em pousar num pequeno altar, que só depois Manigold percebeu existir. Mas esse não foi o ápice daquele momento, e sim a digníssima estátua por trás do altar, tão bem esculpida em mármore e tão legítima dentro dos fragmentos que compunham esteticamente a musa a comédia. Ao lado, uma máscara sorridente, ornamentada por arabescos, parecia ser de ouro e enfeitava uma estante cheia de garrafas de variados tamanhos. Garrafas de vinho?

Manigold ficou boquiaberto por um bom tempo, até se lembrar de seu verdadeiro motivo por ter vindo.

– Senhor, desculpe interromper seu deslumbramento, mas é impossível chamar Tália neste momento. – Ida informou e logo deu ordem para uma serva, que Manigold não havia notado, trazer um chá e preparar a área de fora.

– Como assim é impossível chamar Tália? – um sentimento amargo se instalou imediatamente. Aquele povo estava zoando com sua cara de novo, só podia. – Eu vim aqui pra vê-la!

– Pois fique à vontade para usufruir do espaço do templo, pode fazer seus pedidos ou agradecimentos naquele altar – apontou para o local – ou algum outro de sua preferência. Mais tarde, é provável que haja uma pequena roda de-

– COMO É?! Você tá de sacanagem. Eu sei que tá! Sabe por quê? Porque eu não vim até aqui e quase morri de insolação pra me deparar com uma fala dessas! – Manigold se aproximou consideravelmente de Ida, que se manteve parada, sem se intimidar. – ONDE ESTÁ A MUSINHA?

– Musinha? – a mulher franziu o cenho. – Está se referindo à magnífica como musinha? Isso é deveras desrespeitoso, senhor.

– Não quero saber! Quero falar com Tália AGORA! Onde ela está? Chame-a pra mim, por favor! – ahh, Santa Paciência.

– E quem disse que você tem o direito de falar com ela, hein, seu humano sem graça? – a voz debochada denunciou sua presença e Manigold quase enfartou de raiva ao ver aquela figura sorrindo sarcasticamente.

– GRGRGRRR. Você me paga, bode-que-deu-errado! – rosnou o canceriano, de punhos fechados.

– Makarios, nos dê licença. – Ida falou, mas dessa vez com um tom um pouco mais autoritário que fez o sátiro correr dali (rindo, porém). – Senhor, diga-me, sem rodeios, por que veio até aqui?

– Apenas vim buscar Tália!

– Buscar? E pretende levá-la para onde se esse é o seu lugar? – Ida perguntou, com uma leve ironia.

– Para o Santuário de Athena.

– E por que quer tanto tirá-la de nós?

– Não quero tirá-la de vocês, mas quero conversar com ela e deixá-la animada novamente. – um pouco murcho, ele admitiu. No fundo, era isso que queria fazer: ser o motivo do sorriso de Tália. Odiou-se demais quando percebeu que havia sido o motivo do contrário, então o desejo de consertar esse erro era maior do que qualquer outro, de certa forma.

Ida respirou fundo diante da expressão chateada do canceriano.

– Eu entendo, mas, infelizmente, estou falando a verdade sobre ser impossível chamá-la do jeito que você quer. Tália se escondeu, senhor. Ela pode estar aqui, mas não sabemos como encontrá-la. Mas não desanime, isso é normal! Uma hora ela vai aparecer. – o acolhimento e o carinho na voz de Ida foram sentidos naturalmente por ele, mas nada conseguiu aliviar sua frustração. – Senhor...?

– Manigold. Manigold de Câncer.

– Senhor Manigold, que tal tomarmos esse chá ali fora, perto do jardim?

Os dois, espontaneamente, mergulharam num diálogo bastante desfrutável. Ida perguntou bastante sobre os costumes do Santuário e informou sobre certas tradições do Monte Parnaso, enquanto Manigold quis saber sobre a devoção das pessoas para com Tália, e ficou bastante admirado por descobrir a quantidade de façanhas que sua musinha realizou ao longo de sua função.

– É por isso que a chamamos de magnífica, Manigold. Na verdade, quem começou com esse nome foi Makarios, mas ninguém descordou, obviamente. Nunca vi Tália falhar diante de suas convicções. Ela sempre envolve o desejo alheio dentro dos seus próprios desejos, digo que é algo muito altruísta e nobre da parte dela. Sou uma ninfa de seu vale, mas, mesmo que não fosse, acho que não admiraria mais outra musa do que ela. Porém Tália não aprova quando exponho essa minha opinião.

– Por quê? – Manigold bebericou seu chá e devorou um biscoito de mel que foi servido.

– Ela acha que isso limita meu olhar sensível sobre as outras pessoas. Segundo ela, quando se admite um favoritismo, fica difícil se transformar com o restante das possibilidades.

– Faz sentido. – falou de boca cheia.

– Tudo o que Tália diz faz algum sentido, por mais que às vezes nós não compreendamos suas meras loucuras. Ela é uma Musa muito sábia. – Ida falou com um orgulho tão claro que sua admiração se potencializou grandiosamente. Às vezes, seus olhos brilharam muito mais do que o normal e sua beleza se realçou um pouco mais. De fato, ela era uma bela ninfa.

– Saquei. Aqui é meio vazio, né?

– Um pouco. A magnífica não se sente confortável nos vendo trabalhar sozinhos, por isso ela prefere que dividamos tarefas, inclusive a envolvendo na divisão. No caso, nossa querida musa tem prazer em realizar tarefas que não deveriam ser de sua responsabilidade. Por isso, não há necessidade de muita mão de obra. Apenas quando ela se ausenta é que o templo se movimenta nesse sentido.

– Não entendi nada então. Isso quer dizer que ela tá aqui, não é? – de repente, a comida e o chá perderam a graça.

– Não quer dizer mais nada do que eu acabei de dizer dentro do que foi dito para ser informado.

A mulher falou tão rápido que Manigold mal compreendeu.

– Senhor, por que não dá uma volta pelo bosque do templo? Acredito que sua estadia aqui será muito mais agradável. E não se preocupe com o horário, vou providenciar um quarto para que passe a noite. Não aconselho que volte ao anoitecer. – Ida se levantou assim que finalizou a fala e seguiu para dentro do templo, sem dar chance de o canceriano rebater.

Ele deve ter feito algo extremamente ruim na vida para ser largado assim tantas vezes num só dia. Esse povo do vale parecia se saborear com as caras de frustração que ele fazia ao ser deixado com apenas metade da informação que queria. Que maldição! Não conseguiu compreender o tanto que queria, mas também não teve paciência para cavar mais fundo; só que pareceu fácil demais enganá-lo com poucas palavras. Ah, como odiava se sentir um otário.

Sem muita opção, Manigold adentrou o matagal que Ida citou e caminhou despretensiosamente, sem dar muita atenção ao cenário dessa vez. Sua mente viajou longe ao pensar em como era fácil ver Tália no Santuário, mas no vale parecia algo impossível. Aliás, parecia que esse povo não queria que ele a encontrasse. Uma grande merda, isso sim.

O bosque estava um completo silêncio naquela parte, nada de vozesinhas, sátiros debochados, ninfas estranhas, ninfas meio sereias e essas coisas. Apenas um silêncio e uma sensação de acolhimento muito boa, que incentivou o cavaleiro a continuar. E, entre isso, um pensamento ocorreu em sua mente: se Tália estava no vale, então sabia de tudo que estava acontecendo, certo? Se sabia, era porque estava assistindo a tudo, não? E se estava assistindo a tudo, então sabia que ele estava à sua procura, né?

Ótimo, era questão de ele chamar por ela. E foi isso que fez: chamou-a através da voz e do cosmo, com bastante intensidade. Correu um pouco por entre as árvores e chamou-a várias vezes. Só depois de um tempo percebeu que o momento era extremamente semelhante ao sonho que teve no dia em que descobriu que ela havia ido embora, no qual ele a procurou constantemente, mas só viu a silhueta dela se desfazer no ar. Foi mais um pesadelo do que um sonho.

Cansado de receber apenas silêncio como resposta, ele parou, com uma frustração emanando de sua energia vital. Ao olhar em volta, percebeu-se num espaço completamente novo, cheio de árvores que pareciam se posicionar em círculo para que uma determinada árvore se erguesse no meio. Sim, uma enorme e belíssima Cedro-do-Atlas se encontrava em sua frente, convidando-o para um doce cochilo – o qual ele merecia, afinal. Sem hesitar, encostou-se na árvore, não antes de admirá-la um pouco mais, e mergulhou num belo sono.

~

Hermione”.

Algumas horas depois, Manigold acordou revigorado, com uma sensação de que foi abraçado o tempo todo enquanto sonhava que corria num campo. Estranho, porém delicioso. Há anos não tirava um cochilo daqueles. No entanto, acordar com o um nome sendo dito no pé de seu ouvido foi um pouco assustador, ainda mais quando se viu totalmente sozinho naquele mesmo ponto. O céu já se mostrava um pouco menos iluminado e alguns animais já se encontravam em cantinhos pequenos daquela grande árvore – algo que ele só percebeu quando sentiu uma semente cair em sua cabeça.

Hermione. Alguém falou esse nome. Ou ele provavelmente sonhou com isso, mas foi bem real, sem falar da sensação de ser observado enquanto dormia; de fato, sentiu isso, só que ignorou. Em um momento, conseguiu se ver dormindo embaixo da árvore – o que também foi assustador -, porém identificou como parte do sonho.

Voltar para o templo só o deixou mais frustrado por não ter conseguido nada. Quase viu sua viagem como perdida, só não o fez porque o fato de sentir a energia da musinha naquele lugar matou um pouco sua saudade. Entretanto, pôde reconhecer o surgimento de uma amargura mal vinda em seu interior, e teve certeza de que ela só iria embora quando se encontrasse com Tália. Jantar com Ida foi agradável, exceto pela aparição repentina do sátiro, que roubou um pouco de sua comida só para provocar – um belo teste de paciência para o canceriano. Em seguida, ele se dirigiu para o quarto providenciado.

Exausto, não demorou para adormecer, porém só o fez quando imaginou uma série de momentos que insistiam em seu encontro com Tália. Foi uma forma que encontrou de curar uma falta que só aumentou ao perceber que, mesmo estando perto dela, ainda estava longe.

~

– Argh, que maldição!

– Sinto muito, senhor, por não poder ajudar mais.

– Hunf. – Manigold cruzou os braços e fez bico. – Tudo bem, você ajudou como pôde. – falou, porém com desgosto.

Ida riu.

– Você é um pouco diferente do que ela falou. – comentou sutilmente e acabou extraindo uma expressão de fascínio do cavaleiro.

– A musinha falou sobre mim? O que exatamente ela disse? – pergunto, afobado.

– Não posso falar mais nada.

Oh, não... Um tique se instalou no olho direito do cavaleiro de câncer.

– ARGH, DE NOVO ISSO? VOCÊS QUEREM ME MATAR!! – Manigold gritou, completamente amargurado. Mal se reconhecia mais por estar tão sem graça e agora esse povo do vale fazia questão de intensificar isso! Não teve jeito, precisou partir para o drama. – NÃO AGUENTO MAIS ESSA FALTA DE INFORMAÇÃO! Olhe, escute bem, vocês são PÉSSIMOS quando se trata de informar, viu? Eu tenho certeza que um treinamento básico mudaria isso rapidi-

Por que você está gritando com as ninfas do templo da minha irmã, Manigold?

Cacete, Manigold conhecia aquela voz, mas sempre a ouviu de uma forma mais amena e simpática – do contrário de como se mostrou agora. Assim que virou o rosto, viu Melpomene parada, com uma expressão indagadora e uma sobrancelha levantada, aguardando resposta.

– Eai. – foi tudo que ele conseguiu dizer.

– Manigold...

– Ugh. – ele bufou. – Ninguém quer me dizer onde Tália está e nem o que ela falou de mim!

– Claro que ninguém vai lhe dizer, ninguém sabe! Achei que tivesse aprendido algo com o que contamos a você. – a postura de Mel era tão diferente da de costume que o canceriano não deixou de admirar. – Enfim, também não podem falar o que ela falou sobre você porque não é função de ninguém, exceto dela. Trate de compreender isso e me contar por que está aqui.

Apesar das palavras secas e diretas, Mel quase denunciou sua alegria por ver o cavaleiro de câncer ali, no templo de Tália, à procura dela e amargurado pela falta de resposta, pois tudo convergia para uma só coisa: Manigold se importava até demais.

– Você sabe por que estou aqui. – ele suspirou pesadamente, seu semblante já admitia derrota. – Ah, isso é um saco! Não consegui absolutamente nada vindo até aqui!

– Você que pensa... – Ida comentou baixinho e recebeu um olhar indefinido de Mel.

– Ida, por favor, providencie uma cesta de comida para este cavaleiro. Acredito que ele retornará ao Santuário em pouco tempo. – Mel se virou para ele. – Não é, Manigold?

– Sim, o velhote só me deu um mísero dia pra isso. – novamente, falou com rancor.

Ida lançou um olhar incômodo para Mel, que revidou com um mais dócil. Provavelmente, a ninfa não estava acostumada com um linguajar tão desleixado. Logo ela foi cumprir a ordem da musa da tragédia.

– Manigold – Mel se aproximou, com cuidado e leveza, do canceriano e tomou suas mãos. -, escute. Tudo que você faz repercute em alguma coisa, sem exceções. Seja em uma reação, uma expressão, uma decisão... Enfim, nada é desperdiçado. Você pode não ter conhecimento de como sua ação repercutiu, mas não ouse se desanimar quanto a isso.

– Mas isso não importa pra mim, queria ter pelo menos conversado com ela.

– Já ouviu dizer que uma atitude pode valer mais do que várias palavras? Você é um tolo se acha que ela não entendeu o que você quis dizer vindo até aqui.

Bastou Manigold piscar o olho que Mel, de repente, desapareceu de sua frente.

Respira, Manigold, respira e tente não se enfurecer com mais um sumiço e informação contada pela metade. Como um mantra, ele repassou essa frase várias vezes na mente, até se acalmar e ver Ida entrar com uma bela cesta.

Antes de iniciar sua volta, agradeceu à ninfa pelo o que ela pôde oferecer e deu uma última olhada para a entrada do templo. Com um sorriso desanimado, despediu-se:

– Espero, realmente, que você tenha entendido, musinha.

~

– Ida, por favor, preciso que você me ajude a preparar uma coisa! – Mel pediu ao ver a ninfa na cozinha do templo.

– E o que seria, senhorita?

– Um elixir. Onde estão as Antúrios? – perguntou, com um sorriso radiante.

Notas finais
E aí, queridxs leitorxs, o que acharam da estadia do Manigold no templo da Tália? Bom, confesso que foi um cap muito gostoso de escrever e espero que tenham gostado. Pra esclarecer algumas coisas, deixo aqui certas informações: Seres: ~ Dríades - ninfas associadas aos carvalhos, que, de acordo com a mitologia grega, nasciam nessas árvores - a dríade vivia nela ou próximo dela. ~ A cobra alaranjada – a cobra que eu pensei nesse momento é a Cobra-do-Milho, ou Pantherophis guttatus. Podem pesquisar no Google pra sacar o visual dela! ~ Sátiros – são divindades menores da natureza, conhecidos por terem um corpo metade humano e metade bode/carneiro. Apesar de serem divinos, não são imortais e costumam se relacionar sexualmente com ninfas. ~ Náiade – ninfas aquáticas. São dividas em cinco tipos, a Sirene é do tipo Potâmide (associada ao rio). ~ Napéia – ninfa associada aos vales e depressões. Significados dos nomes: Ida – A que trabalha muito. (no templo da Tália, ela tipo a ninfa mais responsável pelo templo depois da musinha). Sirene – A de canto doce. (como demonstrado no momento dela, ela possui voz e canto igualmente doces). Makarios – Feliz, alegre. (esse sátiro é um dos amigos mais fiéis de Tália e um dos que mais sente falta dela). Hermione – Aquela que oculta. (hmmm, não vou dizer a quem/o quê esse nome se refere, mas digo que dá pra ter um palpite, pois o significado do nome é uma dica!). Então é isso, gente, espero que tenham gostado! E não desanimem junto com Mani, como Mel disse: toda ação repercute em algo! Beijos