EmMusas - The Lost Canvas

41 Quando o passado faz uma visita


Notas iniciais
Heeeeeey, people, to aqui mais cedo porque eu prometi pras leitoras do Spirit que, dependendo dos comentários, eu postava logo o próximo e ai ai, recebi muitos comentários, então achei justo :D E ah, o povo lá criou várias hashtags maravilhosas, então fiquem à vontade pra conhecê-laS: #ALBATESAO #DEFTESAO #DOHKOSEMCAMISA #VOLTAMUSINHA #TODAMULHERMERECEUMDOURADO Boa leitura!!

Capítulo 41

Dentre os quatro olhares arregalados, os de Urânia e Clio foram os mais destacados – e, consequentemente, foram seguidos por um sorriso. Terpsícore ficou satisfeita ao ouvir que Mel chegou e, Calíope, aliviada – gostava de ter suas irmãs em locais que pudesse vê-las, já bastava ter quatro longe de seus olhos.

Em instantes, a porta foi aberta e Albafica e Mel entraram formalmente, contendo um sorriso que queria se expandir. O cavaleiro de peixes ajoelhou-se perante os que estavam no altar (deusa, musas e patriarca) e Mel se juntou às irmãs, abraçando-as silenciosamente.

– Já voltaram? – Sasha demonstrou incredulidade e foi meramente reprovada por um pigarreio do Grande Mestre, que desde o início foi a favor da permanência do pisciano no Santuário.

– Bom recebê-los em segurança, cavaleiro de peixes. Agradeço por ter garantido a proteção da senhorita Melpomene na volta ao Santuário. – Sage disse, um pouco alto demais. Albafica apenas assentiu e lançou um doce olhar para Mel e depois um de devoção para a deusa, e se retirou.

Ele queria ter agradecido à deusa, porém poderia colocá-la em problemas se tivesse dito em forma de favor, já que Sasha anunciou como forma de missão. Não teria sentido alegar agradecimento nesse caso, mas procurou passar sua gratidão através do olhar – e, pelo o que recebeu em troca, a deusa compreendeu.

Os demais na sala observaram o cavaleiro de peixes abrir a porta, porém ela não foi fechada, e sim segurada para que Sísifo e El Cid entrassem em seguida. Os dois caminharam lentamente, com um semblante firme, porém cansado, até poucos metros do altar, onde se ajoelharam. Sasha ordenou que se levantassem ao vê-los em tais condições.

– Sejam bem-vindos de volta, cavaleiros. Por urgência dos fatos, gostaria que me acompanhassem para conversarmos sobre a missão, depois estarão liberados para descansar como bem entenderem. – Sage disse.

Os dois assentiram obedientemente e se levantaram. Sísifo não resistiu em olhar para Urânia com seus olhos recheados de saudade; de fato, sentiu falta dela a cada dia dessas duas semanas que passou longe. Com El Cid não foi diferente, porém ele não esboçou uma expressão muito fora da comum, mas foi perceptível o alívio em seus olhos ao ver Clio o olhando de volta, com um semblante doce.

~

Na Sala Particular de Athena, Sasha, Clio e Urânia tomavam um café da manhã improvisado, no intuito de não desperdiçar tempo. Precisavam anotar o máximo de detalhes e reflexões sobre o que foram debatendo sobre as possibilidades encontradas. Enquanto Terpsícore e Calíope saíam pelo Santuário, as duas musas mergulhavam, cada vez mais intrigadas, nas novas hipóteses comentadas pela deusa.

– Athena, você precisa dormir um pouco. – Urânia colocou, ao ver Sasha com o rosto pesado e olhos baixos. – De verdade, deixe esse trabalho para nós por enquanto, de nada adianta forçar a mente quando ela precisa descansar.

– Urânia tem razão, Athena. Seu raciocínio não funcionará dessa forma, descanse um pouco. Vamos tomar cuidado com cada página, é evidente. – Clio falou calmamente, afagando a mão de Sasha, que estava deitada no sofá.

– Hãn... – a deusa suspirou e colocou um dos braços na altura da testa. – Desculpem-me, toda essa tensão é contagiante. Espero não passá-la para vocês.

– Pare de se preocupar, Sasha! – Urânia exclamou. – Vá deitar, prometo lhe chamar após algumas horas, entendido?

Sasha até ia responder, porém foi interrompida por batidas secas na porta, a qual se abriu e revelou os dois cavaleiros recém-chegados. Sísifo entrou sorrindo, mas logo se apagou ao ver a cara de preocupação das musas e a deusa deitada com uma péssima expressão. El Cid permaneceu encostado à porta, observando o sagitariano se aproximar com pressa da deusa.

– Sasha, o que sente? – agachado, ele a fitou com intensidade.

– Apenas sono, inclusive – ela se levantou com certa dificuldade e se apoiou rapidamente em Sísifo, mas logo se distanciou. -, vou para o meu quarto descansar um pouco. Agora que vocês retornaram, posso remover uma das minhas preocupações, Sísifo. – afagou o rosto dele com carinho e ofereceu seu mais doce sorriso. Compartilhando o olhar entre Sísifo e El Cid, voltou a dizer: — Gostaria que fizessem companhia às minhas irmãs.

– N-Não, Athena, nós ficaremos... Ficaremos aqui estudando. Além do mais, eles devem estar cansados... – Clio disse, meio trêmula e nervosa diante da presença do capricorniano. Maldita hora em que ele apareceu, pois ela mal se preparou para isso e para seu coração, que palpitou rapidamente.

– Não sei quanto a Cid, mas eu não estou tão cansado assim. – Sísifo sorriu para Urânia, apesar de ainda conter uma ruga de preocupação na testa por causa de Sasha.

– Então fique aqui me fazendo companhia, que tal? – Urânia sorriu de volta e corou levemente.

– Com licença, realmente vou me retirar. – Sasha disse, já pendendo para o lado devido ao sono. Depois de reverenciada pelos presentes, dirigiu-se à porta fitando El Cid com um olhar esperto. Ao passar por ele, desacelerou o passo e sussurrou: — Estávamos tomando chá, porém o de Clio esfriou por puro esquecimento dela. – e adentrou o corredor, rumo a seu quarto. Nem ficou para ver o rosto do capricorniano se transformando em uma vermelhidão só.

– Ficará aqui mesmo? – Sísifo perguntou à musa da astronomia, que assentiu. – Então, tudo bem. Farei companhia. – exibiu seu radiante sorriso típico que extraía suspiros alheios (e não foi diferente com ela).

Clio, por outro lado, não conseguiu desviar o olhar de El Cid, mas também não proferiu palavra alguma. No entanto, cansou-se da inércia e seguiu até a mesa de papéis. Se ele não falaria nada, ela também não; porém isso foi rapidamente mudado após ouvir um pigarreio vindo da porta.

– Clio. Senhorita Clio. – El Cid chamou e a viu se virar calmamente, com um lábio trêmulo. Ele engoliu seco ao sentir a atenção dos três presentes na sala. – Aceitaria tomar um chá comigo em minha casa?

Clio mordeu o lábio diante do pedido inesperado, foi inevitável, também, sorrir um pouco por causa da vergonha expressada no belo rosto dele. Adentrou tanto aquela atmosfera desconhecida do reencontro que se esqueceu de responder.

– Por favor. – o capricorniano pediu baixo, só para ela. E foi isso que ajudou Clio a voltar para a realidade.

– Sim, claro! – ela sorriu.

~

Deitada numa parte vazia da mesa, Urânia estendeu seu corpo e teve uma das pernas tomadas por Sísifo, que a posicionou em seu ombro direito e beijou o calcanhar fino. Com uma das mãos, ele deslizou pela perna que segurava, com sensualidade e delicadeza, extraindo breves suspiros excitados da musa ansiosa. Sim, Urânia demonstrava sua ansiedade através de seu peito, que subia e descia num ritmo acelerado, o sagitariano já estava maravilhado apenas com a ideia de tê-la por perto.

Sísifo abaixou-se para ficar mais próximo dela e acabou tendo uma visão um pouco mais privilegiada e provocante do corpo à sua frente; além disso, pôde beijar uma região mais próxima da coxa – não apenas isso, ele não resistiu e mordiscou também. Urânia descontou a sensação nos fios macios de seu cabelo, que estava entre seus dedos, puxando-os sem muito dó, e reprimiu uma imensa vontade de movimentar o quadril. Sísifo, em pleno deleite, percebeu e sorriu.

– Como passou as últimas semanas? – agilmente, ele se ergueu até o rosto dela para poder tocá-lo, sua mão continuou afagando partes um pouco mais íntimas do que antes. Como não havia beijado-a ainda, decidiu ir com calma e começar pela boca convidativa da musa.

– Não muito solitária, mas isso importa agora? – perguntou, enroscando o pescoço dele com os braços e arranhado de leve a nuca.

– Não muito... – Sísifo se inclinou para, finalmente, beijá-la, porém um barulho na porta os afastou num enorme susto. E ele bufou, completamente descontente. – Pode entrar. – permitiu, após ver Urânia recomposta.

– Senhor Sísifo, por favor, o pessoal da parte leste da vila está pedindo ajuda para checar uma estranha energia que está rondando aquele local. Todos estão com medo e parece que os outros cavaleiros se encontram distantes.

Mentira, o pessoal da vila sempre pedia para ele cuidar dos problemas, era até esperado, porém preocupou-se ao pensar que ignorou tal energia, pois realmente a sentiu antes de ficar a sós com Urânia. Intrigado, ele assentiu e achou melhor resolver logo o que quer que fosse para poder descansar com a musa novamente. Era ideal remover o problema antes que este aumentasse.

Por um segundo, os dois sentiram um cosmo tremendamente agressivo explodir muito próximo de onde estavam.

– Vou agora mesmo! – o cavaleiro ascendeu o cosmo para se comunicar com sua armadura, que se encontrava no canto da Sala de Athena, e, protegido, dirigiu-se à porta. Só parou ao se lembrar de Urânia e, ao se virar, quase engasgou com o que viu.

– Não, Urânia, está louca? Me aguarde aqui nesta sala. Você não deve ser exposta a essas criaturas desprezíveis. – pediu ele, gesticulando para que parasse onde estava. A musa mal prestara atenção no pedido, em vez disso, vagou a mente na situação informada. Ela precisava ir.

~

Na Casa de Capricórnio, Clio acabou desenvolvendo um assunto interessante com El Cid, o qual teve sua origem no momento em que ela se ofereceu para preparar o chá, já que viu o cavaleiro bastante cansado no sofá, só não contou com a observação astuta dele acerca de seus dotes domésticos. Certo, fazer um chá nunca foi complexo, porém ela acabou informando que aprendeu alguns truques com Dora – o que deixou El Cid totalmente surpreso. Por fim, ela narrou sua estadia enquanto ele esteve longe e nem percebeu que iniciou um pequeno cafuné na nuca do capricorniano.

– Senti falta do seu toque. – a fala inesperada de El Cid fez Clio travar rapidamente. Ao observá-lo anteriormente, achou que estivesse dormindo, porém ele ainda assim fez o comentário. Onde ela devia hesitar, não hesitou, apenas manteve a carícia como um incentivo ao repouso dele. Não se importou se era seu segundo chá do dia esfriando.

~

– Urânia?

Após um pequeno susto por ser tirada de seus pensamentos, ela assentiu, mesmo não tendo total conhecimento do pedido. Não deixaria de seguir o cavaleiro de ouro por nada, porém. Ela, mais do que ninguém, precisava comprovar a verdade daquela informação, principalmente do cosmo agressivo que sentira junto com ele.

Esperou Sísifo seguir em frente rapidamente para despistar sua atenção e não ser repreendida, seguindo, em seguida, o caminho até a vila – espantou-se ao perceber que havia uma pequena passagem secreta de urgência, mas era até meio esperado.

Usufruindo da velocidade da luz, Sísifo chegou no local em segundos, mas, no meio do caminho, já avistou o inimigo no céu. Um espectro desconhecido por ele. Cautela: era isso que exigia situações como essas, pois, se o espectro se apresentava tão abertamente, quase querendo ser visto, provavelmente possuía segurança para tal – foi esse o pensamento que fez sentido quando o sagitariano viu seu rival no ar, esperando-o.

– Oe! – Sísifo gritou, ao ver que o espectro mal o olhara. Parou em uma posição que não indiciava a luta, mas impunha força e controle. Não precisava de muito para ameaçar, sua agilidade e rapidez atuavam juntamente como suas armas.

– Não me atrapalhe. – respondeu o espectro, que mantinha sua atenção a um ponto fixo, observando de cima. Sísifo não deixou de soltar um riso pela insolência do homem.

– Se não quiser que lhe atrapalhem, saia imediatamente deste território, ou será forçado a sair.

Silêncio. O sagitariano não obteve resposta. Sabia que não devia tirar graça com o inimigo, pois era uma estratégia de luta na qual nunca foi muito bom. Preferia encarar com seriedade; e a falta dela, nesse momento, estava o irritando. Se não chamaria sua atenção com a palavra, então passaria para sua melhor expressão. Sísifo começou a aumentar o cosmo, concentrar o poder na mão e arrumar os braços como se fosse atirar a flecha, mas sem tê-la juntamente com o arco – caracterizando seu primeiro ataque.

Dessa vez, o espectro não ignorou. O cosmo do cavaleiro de ouro era realmente espetacular dentro das proporções possíveis, além de muito puro e centrado. Arqueando a sobrancelha e fitando o rival, o espectro faz o mesmo que o cavaleiro, proporcionando a esfera luminosa de cor roxa que o caracterizava. Preparou, igualmente, seu primeiro golpe.

Os dois mergulharam numa disputa de olhares desafiadores sem trocar mais palavras; a pressa que tinham dentro de suas intenções era perfeitamente visível. Tanto o cavaleiro de ouro quanto o espectro aumentaram rapidamente o cosmo, mas nenhum dos dois atacou após sentirem um terceiro cosmo tão forte quanto o deles. Um cosmo que se pronunciou pacificamente apenas para informá-los de sua presença.

O seguidor de Hades imediatamente recuou. Incrédulo e descrente, prestou atenção no terceiro cosmo e simplesmente não acreditou. Não havia motivos para estar onde se pronunciou. De qualquer forma, não deixou de se surpreender com o cosmo dela, aquele cosmo que tantas vezes o desviou de seu caminho de trevas com a luz quente que emanou.

Num impulso, os dois rivais se viraram para a mesma direção, e, de trás de uma coluna, a musa saiu.

– Urânia. – espectro exclamou mais para si do que para qualquer outro, quase sem acreditar, deixando Sísifo imensamente surpreso. – Urânia!

Dessa vez, observou, intrigado, a musa ir até onde o cavaleiro de ouro estava, parando atrás dele não só como quem se protegia, mas como quem o apoiava. Sísifo aproveitou para aumentar a barreira protetora com suas asas, deixando claro quem protegia quem ali. Por mais confuso que estivesse, o sagitariano não permitiria ter outro foco naquele momento. Olhou, então, para o inimigo com certo brilho nos olhos, brilho que o espectro reconhecia, pois o teve quando amou a musa da astronomia.

~

– OH! – Clio exclamou, sem querer. Adormeceu profundamente nos braços do capricorniano, no sofá, mas acordou num pulo ao sentir o cosmo que explodiu por perto. El Cid não foi diferente, acordou antes dela, inclusive.

– Acalme-se, Sísifo já correu até lá. – explicou, sério.

– Sísifo? – Clio ainda estava meio desnorteada, porém sua preocupação era evidente e alarmante. – Sísifo?! E Urânia, onde está? Oh, céus...

– Clio – ele se aproximou e tomou o rosto pequeno dela com as duas mãos, esforçando uma suavidade incomum. -, acalme-se.

– Não, preciso achar Urânia! – não conseguiu se acalmar de jeito nenhum, seu coração acelerou demais para que isso fosse possível. Num pulo, ajeitou o vestido e varreu as janelas com o olhar, no intuito de enxergar alguma coisa que a norteasse.

– Clio. – El Cid chamou, com severidade. – O que está acontecendo?

~

– O que é isso? – perguntou o espectro, ainda no ar e com um semblante levemente sarcástico. Via a cena com olhos ilegíveis, detalhe no qual Urânia prestava bem atenção. Há tempos não o via...

– Quem é você e o que quer aqui além da morte? – Sísifo retrucou, extremamente furioso e preocupado com a musa, que estava mais exposta do que nunca. Temeu a aproximação do inimigo com ela atrás de si, ainda mais depois de saber que se conheciam.

– Não critique o que meu deus prega com tanta dedicação. A morte é a salvação. – assim que respondeu, o espectro soltou uma leve risada.

– Suas palavras não o salvarão se insistir nisso. – a voz do cavaleiro agravava cada vez mais com a situação, ainda mais por não conseguir ler o inimigo da forma que queria. – Diga logo o que quer, depois darei o prazer de ser derrotado por mim.

– Que isolente! Eu escolho quem protejo e com quem combato, portanto saia da minha frente!

Urânia travou. Ela conhecia aquela frase. A frase que ajudara a destroçar um pouco sua sanidade por um tempo considerável. A frase que marcou um dia de finalização. E ele era assim mesmo: individualista, oportunista, interesseiro, desconfiável e, o pior dos defeitos, total e somente fiel ao deus do Submundo.

Os dois aumentaram o cosmo na mesma hora, a agressividade pulsava evidente na energia que envolvia aquele espaço-tempo. Urânia olhou os dois, horrorizada pela falta de rumo em suas ideias. Sem opções, decidiu fazer o mesmo que eles.

A ideia, por mais tola que tenha sido, pareceu chamar atenção dos dois, que a olharam questionando-a. O espectro sorriu ao perceber o que estava acontecendo e quem estava protegendo quem.

– Respondendo sua pergunta insignificante – o inimigo se virou para Sísifo. -, não há nada que eu queira aqui... Mais. – e lançou um olhar profundo e debochado para a musa que o espiava por detrás das asas do dourado. Aquelas palavras foram como um soco no estômago. E essa troca não passou despercebida pelo sagitariano.

– Urânia, saia daqui. – Sísifo pediu, mas ela não se mexeu.

– O que foi, Urânia? Desaprendeu a obedecer ordens? – o espectro se divertia com a cena.

– Urânia, saia daqui imediatamente. – dessa vez, Sísifo pediu com mais grosseria, mas não obteve resposta. Uma tensão aumentava dentro de si a cada minuto com ela ao seu lado.

– Parece que sua luta interna continua, Urânia. Que cara é essa? Não gostou de me ver? – descendo um pouco para ficar no nível dos dois. – Assim vou achar que nunca deixou de me amar. – e sorriu maldosamente, fazendo o cavaleiro arregalar os olhos diante da insinuação indecente. – Você realmente me tira do sério!

– Cale-se! Espectros realmente não possuem respeito por nada, nem pela própria vida. – Sísifo aumentou mais ainda o cosmo e desfez o movimento dos braços para pegar sua flecha da justiça e posicionar no arco surgido de sua armadura. Instantaneamente, ele fez do espectro seu alvo.

Despreocupado e mantendo atenção maior na musa, o seguidor de Hades se voltou para Sísifo ao perceber a iniciativa.

– Sísifo de Sagitário, que honra ser mirado dessa forma! – debochou ele. – Pensei que esse ataque só fosse usado em ocasiões extremas. Se bem que, pra você, essa ocasião deve ser classificada dessa forma. – preparou, sem seguida, o cosmo negro procurando atingir o mesmo nível.

Os dois alimentavam cada vez mais seus cosmos, enquanto o da musa já apagava com a falta de concentração. Urânia, perdida, não sabia para quem olhar. Observou, contudo, que, dessa vez, havia fúria nos olhos do espectro.

– NÃO! – gritou ela, simplesmente se colocando no meio dos dois, a uma boa distância de Sísifo.

Cavaleiro e espectro recuaram na hora.

– Você gosta de seres alados, não é, Urânia? – perguntou o dono do cosmo negro, fazendo-a corar ferozmente.

– O que significam todas essas insinuações sujas? Por que ainda não me respondeu quem é você? – a irritação do cavaleiro de ouro era quase música para o inimigo.

– Garanto que ela pode lhe responder.

– Perguntei a você. É incapaz disso? – Sísifo já impaciente, estava perdendo as estribeiras.

– Tsc, já que Urânia não fará a gentileza... Kagaho de Benu, a Estrela Celeste da Violência.