Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 42

(Flashback ON)

No alto de uma colina, os dois brigavam.

– Você é a única que me faz sentir esse tipo de sentimento, Urânia. E isso não me agrada. Pelo contrário, me corrói. Você me amaldiçoou! – ele rosnou, enquanto apertava o maxilar dela com a mão direita, forçando-a a olhá-lo.

– Como poderia ser amaldiçoado por um sentimento tão nobre? Seu problema é rejeitá-lo por um orgulho desprezível. – ela revidou com desdém, ao mesmo tempo em que se derretia com o olhar penetrante dele.

– Então é isso que me considera? Um ser desprezível? – cuspiu as palavras nela. Urânia sentiu o coração chorar.

– Sim.

Kagaho a soltou bruscamente e lhe deu as costas, passando as mãos nos cabelos em busca de calma — caso contrário, seria capaz de agredi-la. O espectro parou de se mover assim que se sentiu abraçado por trás.

– Você não deve se entregar a ele desse jeito. – choramingou a musa.

Kagaho se virou e a tomou pelos pulsos, fazendo-a encará-lo novamente.

– Sabe o que não devo, Urânia? Amá-la, porém amo. – e chacoalhou-a com raiva. A musa não se importava com a agressividade dele, sabia que era apenas uma forma de se defender dos próprios sentimentos.

– Não entendo como pode se sentir tão mal com isso!

– Não me sinto mal, sua idiota. Me sinto péssimo! Não posso amá-la, “amo” apenas um ser em todo o universo: o Imperador Hades. Não, nem ouso dizer que amo, apenas sirvo seus valores, o amor não me domina, muito menos me atrai. Infeliz é o ser que se prende a esse sentimento tão desgraçado.

– Você não o via dessa forma...

– Até perceber que é uma ilusão maldita! Sim! As pessoas acham que amam quando, na verdade, estão apenas se apegando a algo que lhes dá conforto temporário. É tão verdade que o amor nunca dura, as pessoas trocam de amores como trocam de roupa. Isso é desprezível. O amor é uma mentira com uma coroa de flores na cabeça.

– Você não tem escolha nisso. – as lágrimas se formaram nos olhos dela. Ouvir tal ponto de vista era doloroso.

– Tenho sim. – cortou ele bruscamente. – Eu prefiro escolher quem eu vou proteger e quem eu vou combater, acho bom enfiar isso nessa sua cabeça.

Urânia não aguentou mais e deixou os joelhos fraquejarem como tanto queriam, mas foi amparada por Kagaho; as lágrimas deslizaram ferozmente em seu rosto delicado de musa, enquanto era observada apelos olhos lilases do amado. Ela enterrou o rosto no peito dele e o abraçou forte, como quem se agarra a um fiapo miserável de esperança.

Kagaho, ao perceber o ser frágil e amado que tinha nos braços, não resistiu e correspondeu o ato. Doía nele a dor que ela sentia, mas ele não poderia continuar com o absurdo que era esse relacionamento que alimentavam às escondidas. Bom, seria ridículo achar que não era espionado. De qualquer forma, teria de dar o tão odiado adeus à única luz que aparecera em sua vida de trevas.

– Urânia. – disse ele, afastando-a. Sentiu as mãos dela lutarem para continuarem de corpos colados. – Urânia, me solte!

– Por favor, não faça isso... – pediu ela entre soluços. Ele ficou em silêncio, apenas encarando-a. – Eu queria tanto odiá-lo, Kagaho. Queria tanto...

– Eu preferia que me odiasse também. Faça um esforço. – Kagaho se soltou dela com violência e a empurrou para longe de si. Já não aguentava mais a choradeira da musa, estava dificultando seu adeus.

Urânia se levantou firme e fortemente, demorando-se a olhá-lo. Não o deixaria ir sem o adeus que queria, então comunicou a ele como seria assim que desceu as duas alças do vestido branco que usava, deixando-o deslizar de seu corpo até se encontrar com o chão.

Kagaho olhou aquele corpo em perfeitas proporções, quase quebradiço e de cor cristalina à sua frente; o corpo que tantas vezes amara; corpo do qual tirara o selo que compunha a primeira fase da mulher... O belíssimo corpo da Musa da Astronomia, completamente aberto aos seus toques grosseiros e rudes, e que, mesmo assim, nunca o repreendeu. Pelo contrário, sempre percebera o corpo dela o desejando mais e mais. Tantas vezes vira Urânia num estado que implorava para que ele a possuísse, descontrolada, o qual ele respondia fingindo que recusava só para vê-la rolando na tortura da paixão que sentia, à beira de um orgasmo e quase que precisando apenas de um toque para que tal acontecesse...

Dessa vez, era ele quem estava sendo torturado pelo desejo de tocá-la de novo. Então, prontamente, ele a agarrou pela cintura e selou os lábios num beijo agressivo e quase insaciável, enquanto enroscava os cabelos negros e lisos dela com os dedos e puxava-os para trás, para que o pescoço ficasse livre para seus caninos famintos. Mordendo e lambendo-a, o espectro aproveitou o estado de deleite da musa para explorar o corpo dela com a mão livre, apertando os seios frágeis e medianos, demorando-se nos mamilos que já se mostravam eriçados.

Kagaho encaixou-a na cintura e a deitou na grama macia; com o poder do cosmo, retirou a sapuris de Benu – a qual se montou a uns metros de distância — e voltou a atenção para musa excitada que tinha nos braços. Urânia se contorcia com as passadas de mão pesada dele, que insistia em apertá-la fortemente nas coxas e cintura. Não demorou para que ele rasgasse a peça íntima dela e abocanhasse o seio esquerdo, enquanto dedilhava o sexo úmido dela, demorando-se no clitóris. Uma marca de suas carícias era a mordida; geralmente, Urânia olhava-se no espelho e se via com marcas por todo o corpo. E, nesse momento, não estava sendo diferente. Sentia a boca do espectro demarcando o território com mais força, como se fosse definitivo – e, no fundo, era, pois, definitivamente, ele estava dizendo adeus.

Urânia ansiava por ele cada vez mais, sentia o corpo quente de Kagaho roçando no seu, enquanto apertava os braços musculosos, à procura de sustentação diante do prazer imensurável. Ele, percebendo, virou-a de costas e puxou, de forma que seu peito grudasse nas costas lisas dela.

– Você é meu inferno particular, Urânia. E, como todos fazem, estou fugindo dele. – disse ele no ouvido dela.

Em seguida, Kagaho encaixou suavemente o membro duro de excitação na cavidade molhada da musa, mas sem enfiá-lo totalmente, apenas provocando-a enquanto encostava de leve. Urânia estremeceu com a tortura e empinou o bumbum como sinal para que ele a penetrasse, mas ele apenas riu.

– Nas primeiras vezes, você foi tão acanhada. Nem parece mais a musa de antes. – ele se divertia vendo o estado dela, que puxava seu cabelo com uma das mãos. Urânia não participaria do jogo, preferia ficar em silêncio.

Com intuito de provocá-la um pouco mais, Kagaho deslizou uma das mãos para os seios, enquanto a outra agarrava o braço direito dela, que prendia seu cabelo com força. Estimulou um pouco mais através do mamilo que tocava com a mão cheia do seio dela e penetrou-a com força.

O gemido de satisfação que Urânia deu foi música para os ouvidos do espectro, que aumentou o ritmo das estocadas gradualmente, arrancando todo o tipo de expressão excitada dela. O membro deslizava facilmente na musa, que tremia com cada toque. Kagaho desceu a mão que apertava o braço para a coxa e arranhou com tudo, enquanto apertava num ritmo agradável o seio esquerdo. Ele também gemia, e isso excitava Urânia de uma forma fenomenal, então, sabendo que ela poderia chegar no ápice rapidamente, ele abafou os próprios gemidos mordendo-a no espaço entre o pescoço e o ombro. De qualquer forma, isso a excitou.

– Você nunca deixou de ser deliciosa, nem mesmo longe de mim. – disse ele após desprender a boca do ombro dela. – Momentos como esses estarão guardados eternamente em mim, onde quer que haja um coração.

Urânia pôde sentir a mão que apertava sua coxa descer para sua intimidade. Kagaho, com os três dedos do meio passou a deslizar no ponto mais sensível enquanto a penetrava, incitando prazer maior para aquela que tirava sua sanidade. Só que quem tinha o controle da sanidade agora era ele, que, apesar de extremamente excitado, mantinha o foco em provocar a musa. Os gemidos dela eram cada vez mais convidativos, fazendo o espectro investir mais forte a cada estocada.

Em minutos, ela liberou o fruto de todo o prazer que seu amado lhe proporcionara, gozando intensamente, seguida por ele, que se manteve dentro dela até os dois terminarem o orgasmo. Aproveitando a posição, Kagaho a abraçou e fez um pequeno caminho de beijos que ia do ombro dela ao pescoço. Em resposta, ela se virou para poder beijá-lo. Urânia não esperava romantismo dele, mas o encarava da forma mais romântica possível.

– Malditos deuses que lhe criaram, Urânia. – disse ele em meio aos suspiros deixados pelo orgasmo, ela também ofegava e ele sentia o peito da musa subir e descer de maneira descompassada, mas teria de finalizar o ato, senão não conseguiria largá-la nunca. Então, retirou o membro de dentro dela, fazendo-a dar o último gemido, e beijou suas costas nuas. – Pare de me amar, mas não ouse me esquecer.

Quando Urânia se virou, ele não estava mais ali.

(Flashback OFF)

Dois olhares se encararam com uma quase palpável linha de agressividade. De um lado, o aumento da luz amarelada, beirando ao tom mais reluzente do ouro, foi provocado pelas trevas do outro lado, tão intensas e profundas, carregadas de amargura. Uma terceira luz atiçou a atmosfera, procurando espaço no instante hostil, com sua áurea celestial. Entretanto, nenhuma das três luzes expôs mais do que isso. Um perigo eminente limitou por completo qualquer movimento brusco.

– O que foi, Sísifo de Sagitário? Perdeu a fala? – Kagaho provocou, demonstrando satisfação num sorriso de canto. Porém a fúria era evidente em seus olhos, Urânia percebeu. – Não sinto sua determinação como antes. Por acaso lhe surpreendeu o fato de eu conhecer esta musa?

Urânia estremeceu levemente ao sentir o desgosto no termo que o espectro usou, não resistiu ao sentir uma pontada de mágoa. Segurou-se, inclusive, sem nem perceber, mas quis tocá-lo para ver a realidade do momento. Afinal, fazia tempo que não o via.

Sísifo permaneceu em silêncio, para o desespero da musa, que teve de forçar os olhos a encará-lo, procurando qualquer indício de sentimento ali contido. Entretanto, nada encontrou. Pôde ver os olhos do sagitariano focados no espectro e seu maxilar endurecido potencializar a expressão de ódio nunca vista antes.

– Urânia, volte para cá. – Sísifo ordenou, com autoridade indiscutível. Ela, que nunca o tinha ouvido dessa forma, não contestou, porém deixou a distância encurtar sem tirar os olhos do espectro, que ainda sorria sarcasticamente.

Uma sensação de abandono, de repente, apareceu no coração de Urânia. Não como qualquer outro que sentiu quando foi abandonada por Kagaho, mas um diferente, que envolveu dois tipos de abandono: um que já havia acontecido e que só apareceu para ser lembrado; e outro que se mostrou futuro, porém incerto. Para piorar, um desespero enfatizou sua expressão de surpresa. O momento que ela tanto temeu em sonhos estava acontecendo diante de seus olhos e, por pura ignorância do destino, ela não se preparou para ele. Foi como um turbilhão de sensações, um turbilhão de sentimentos alheios invadindo sua cabeça e insinuando suas falhas.

Quando finalmente se colocou ao lado de Sísifo, tentou tocá-lo, porém foi afastada para mais atrás e viu as enormes asas da armadura de Sagitário fecharem sua visão, como se a enclausurassem. O cosmo do cavaleiro aumentou disparadamente e expressou o total sentimento de proteção, com ousadia e desafio, ao qual o espectro respondeu do mesmo jeito. No entanto, Kagaho não defenderia ninguém.

– Ora, você acha que eu machucaria alguém que algum dia me concedeu prazer? – Kagaho disse, do alto.

Urânia não conseguiu reprimir o suspiro de mágoa que fugiu de seus lábios, e Sísifo ouviu.

– SÍSIFO! – um grito desprendeu a atenção da musa e do espectro, porém do cavaleiro nem um pouco.

Quando Dohko viu Sísifo com mente e corpo travados diante da situação, sem tentar entender, elevou o cosmo para se pronunciar e se pôs rapidamente ao lado do colega. Não foi o bastante, porém; o sagitariano manteve sua pose ofensiva para Kagaho.

– Está me cansando, cavaleiro. Quer lutar ou não? – o tom de deboche do espectro pareceu desencadear um rosnado de Sísifo, ouvido por Dohko, que, com cuidado, se aproximou.

O libriano mal reconheceu o sagitariano; pela primeira vez, o viu sem reação diante de algo, mas nada pareceu fazer sentido para que isso acontecesse. Exceto pela presença da musa. Aliás, Dohko estranhou imediatamente quando viu Urânia, pálida, observando Sísifo sem saber o que fazer. De fato, constatou a preocupação do colega, mas ainda assim ele parecia ter travado no ato. Por medo de assustá-lo e desencadear golpes errado, Dohko se aproximou lentamente, chamando-o pelo nome, sem tirar os olhos do espectro, que aguardava com forçado tédio.

– Sísifo, tire ela daqui. Tire Urânia daqui, agora. – o nome da musa pareceu destravar Sísifo, mas sua expressão continuou esculpida em ódio e endurecida em instantes. Por um momento, Dohko sentiu dor ao ver o amigo assim, mesmo sem compreender o que de fato se estendia.

Foi muito rápido: Sísifo pegou o braço de Urânia e saiu, mas Kagaho se moveu tão rápido quanto e, por poucos instantes, não atingiu o cavaleiro com uma de suas chamas negras. Não tão rápido, Dohko tentou acertar o espectro, mas Sísifo rosnou antes e mostrou sua posição, tomando o ar como espaço de luta e deixando a musa completamente desprotegida na terra. O desespero de Dohko ao vê-los no ar foi o bastante para que gritasse novamente:

– SÍSIFO, SAIA DAQUI.

E Sísifo se lembrou de Urânia abaixo de si; consequentemente, virou o rosto, o que lhe rendeu uma breve passagem de chama negra no rosto. Teria levado o golpe por completo sem não fosse a intromissão de Dohko, que fez o ódio de Kagaho aumentar.

– ESSA LUTA NÃO É SUA! – espectro gritou, enfurecido.

– EU DIGO QUE É, QUERO QUE ME ENFRENTE! – Dohko gritou de volta, já infectado pela fúria compartilhada.

– SÍSIFO! – Urânia chamou, sua voz mostrou a confusão. O sagitário mal a olhou, mas desceu obedientemente, dando as costas ao espectro.

– COVARDE! – Kagaho aproveitou.

– COVARDE É VOCÊ QUE NÃO QUER LUTAR COMIGO. – Dohko teve de pensar rápido, e partir para a provocação lhe pareceu a melhor opção para tirar o alvo do espectro. – DESÇA E ME ENFRENTE.

Kagaho riu, porém. Riu com nojo, raiva, desgosto, ódio, ira, rancor e uma pontada de inveja ao ver Sísifo sair com Urânia. Ao perceber um rápido olhar recebido de Urânia, não resistiu em rosnar.

– Eu ainda vou te ver, Urânia. – Kagaho sorriu e, em seguida, mirou seu adversário.

Notas finais
Rápido, porém é isso aí, gente... Não falarei muito, mas gostaria de ouvir vocês huhuhu Beijos, queridxs!