Notas iniciais
Olá, queridxs! Tudo bem por aí? Eu ainda to naquelas, mas to melhorando já, então não atrasarei. Aêê! Bom, eu queria dizer que estou ansiosa. Sim, estou muito ansiosa porque estamos nos aproximando de dois momentos importantíssimos ~yay. Sério mesmo, tô adiantando mil capítulos só pra escrever logo um em especial hahahaha Pois é. O de hoje, no final, já traz uma boa dica de qual será o próximo huhuhu E acho que vocês vão curtir, será um daqueles que a pessoa diz "finalmenteeee!!". Aham. Esse aqui está mais focado em como o povo se sente na ausência da queridíssima musinha, Tália, então é mais descritivo, mas não menos importante - especialmente para aqueles q tão culpando Manigold sem saber mesmo o que fez Tália ir embora :x Aham, fica a dica, galera! Prestem atenção nas entrelinhas de o que é dito sobre a Tália pelas musas! Bom, beijos e boa leitura!

Capítulo 35

– AH!

O grito de Manigold saiu abafado, porém alto o bastante para chamar atenção dos que treinavam na arena. Régulus fez de propósito, socou o rosto do outro sem hesitar, não aguentou mais ver o colega distraído e desfocado, até porque dependia muito dele para aprimorar alguns golpes no âmbito da agilidade; caso contrário, sua rapidez não serviria de nada. O problema, desde o início, foi a má vontade do canceriano no treino. Na verdade, isso vinha desde a semana passada, na qual ele descobriu que Tália havia ido embora. O leonino tinha de reconhecer que a musa da comédia fazia falta...

Por mais que Manigold não tivesse falado uma palavra sequer sobre sua conversa com Tália no dia da fogueira, Régulus percebeu que por ali estava, provavelmente, o motivo de ela ter ido embora – algo que demarcou um novo período no Santuário. De fato, todos pareciam sentir falta daquela musa, principalmente as outras musas, que começaram a permanecer mais no templo do Grande Mestre do que pelos espaços abertos do Santuário; Dohko ficou mais ansioso para com as coisas e seu humor passou a oscilar muito, como se fizesse esforço para se manter animado – no entanto, era visível a frustração em seus traços. Observar os outros passou a ser uma tarefa necessária para Régulus, por isso não mediu parâmetros, até porque seu tio estava em missão e não estaria ali para lhe apontar os fatos até tempo indeterminado.

Manigold massageou a mandíbula e balbuciou um mantra apenas para aquecer a língua. Anteriormente, Régulus teria rido da reação, mas parecia que a graça havia ido embora junto com Tália. Não era muito próximo dela, mas reconhecia o valor da musa.

– Argh. – o canceriano pigarreou e depois cuspiu longe, deparando-se com uma mínima quantidade de sangue. – Seu punho tá cada vez mais pesado!

– Que elogio é esse? Cadê as ofensas? – Régulus perguntou, abrindo os braços, em tom de brincadeira. Porém realmente esperou a série de palavrões clássicos de Manigold.

– Agradeça a falta delas. – respondeu com a voz arranhada e limpou a boca com as costas da mão.

– Sinceramente, essa falta me assusta. – Régulus pegou sua jarra de água e despejou no corpo, bebendo o que conseguiu da grande quantidade que caiu em seu rosto. – Você anda sem foco, sem força e sem boca suja. É bizarro, Manigold.

– Não abuse, pirralho. – seguiu até sua jarra de água e virou-a na boca até esvaziá-la.

Apesar de não demonstrar, Régulus observou o colega com preocupação. Todos os gestos de Manigold, por menor que tenham sido, mostraram-se diferentes desde o estresse que teve com Sage após saber da ida de Tália. Em poucas palavras, esse fato o afetou muito, mas o esforço que ele estava fazendo para ocultar isso o estava corroendo de alguma forma. Não foi um desafio, para o leonino, perceber essa mudança.

– Já falou com alguma delas? – Régulus não precisou estender a pergunta para comunicar a intenção.

– Não.

– Pretende falar?

– Sim.

– Tá demorando por quê?

– Porque elas estão fugindo de mim! – Manigold respondeu, sorrindo com escárnio. – Ridículas. Nenhuma quer sequer olhar na minha cara e eu nem sei por quê! Tá, tá, a musinha deve ter se irritado com algo que eu disse, mas elas não deixaram isso claro, simplesmente despejaram esse peso em mim e isso é um saco!

Régulus riu depois de ouvir o rosnado de Manigold, mas parou assim que o sentiu lhe fuzilar com o olhar.

– E eu tenho certeza de que elas sabem onde Tália está! – não se preocupou mais em esconder sua raiva, teve de fechar os punhos e estrangular o ar.

– Então faça um esforço e arranque a verdade delas.

– Você ouviu o que eu falei antes, pirralho?

– Sim, mas acho que não há nada que os cavaleiros de ouro não possam fazer. – Régulus encheu o peito ao falar e Manigold soltou uma gargalhada.

– Mas é iludido demais! – riu mais um pouco, enquanto o leonino revirou os olhos. – Entenda, projeto de gente, que, quando se envolve mulher no assunto, nem um deus consegue resolver.

– Ainda bem que você não é um. Agora vai logo porque vou procurar alguém que tá a fim de treinar de verdade. – Régulus empinou o nariz e deu as costas.

– Quando foi que você se tornou tão arrogante?

– Estou em processo gradual desde que comecei a treinar com você. – o leonino respondeu, já distante.

– ISSO É PORQUE SEU TIO TÁ VIAJANDO, NÃO É? – o canceriano gritou, rindo ao mesmo tempo. – Ah, pirralho... Queria ver você agindo assim na frente dele...

Manigold riu mais um pouco e depois parou. Parou porque, como sempre desde a última semana, Tália invadiu seus pensamentos e o fez lembrar de que tinha ido embora. Pura ironia ela ir embora e, ao mesmo tempo, se manter presente! Era difícil acreditar que ela tinha ido para sabia-se lá onde só porque brigaram na fogueira. E o que foi aquela briga? Manigold não imaginou que fosse acabar daquela forma. Forma disforme, no caso, pois Tália apenas correu para um lado oposto do dele, que foi para a mesa se afogar em vinho tinto.

Para o canceriano, a melancolia que se apossou dele não era normal, muito menos bem-vinda; a agonia de não saber para onde a musa foi e o motivo de sua partida também o corroia bastante, a ponto de submetê-lo a devaneios constantes de busca inalcançável. É, ele nunca alcançava Tália.

Que se dane! Essas musas teriam que falar onde ela estava e ele ainda exigiria saber de mais outra coisa como tópico do assunto...

~

Urânia folheou novamente o registro que ela e Sasha tanto cismaram em observar. Era o que dizia respeito ao primeiro ataque do suposto calendário deixado pela reencarnação anterior, e marcava um dia próximo demais, por isso a atenção era necessária. Só que Sasha percebeu a falta de foco da musa e nem precisou adentrar uma conversa para saber o que a desmotivava. Acabou por liberá-la para uma volta no Santuário, e Urânia aceitou prontamente, sem fazer questão de omitir seus sentimentos sobre a partida da irmã.

Ao encontrar o Grande Mestre, soube que, finalmente, três das irmãs desceram para a cachoeira e, inevitavelmente, percebeu que Sage informou com o mesmo ânimo com o qual ela recebeu a informação. Realmente, as coisas mudaram nessa semana sem Tália, e a chateação do Grande Mestre foi mostrada sem hesitação. Sage realmente gostava da musa da comédia.

Na cachoeira, Urânia se deparou com uma imagem bonita, porém triste: Calíope meditando fracamente debaixo de uma pequena cauda da cachoeira – onde a água caía com suavidade -, de testa franzida, que anunciava seu desconforto e sua falta de concentração; Mel boiando no meio da água, observando o céu com olhos puramente melancólicos e distantes, como se sua mente estivesse viajando para tempos passados e seu corpo apenas constasse como presença; Clio batendo o lápis numa página em branco de seu caderno de histórias, provavelmente esperando alguma inspiração positiva para desenhar as palavras momentâneas. Todas em suas bolhas, mas com algo em comum: a tristeza.

E uma musa triste não inspira — Urânia sabia bem.

As três souberam da chegada da musa da astronomia, mas agiram como se nem estivesse ali; e não por vontade, mas porque suas mentes se distanciaram com força. Calíope adquiriu um tique nervoso no olho esquerdo e mordeu o lábio inferior sem soltá-lo após lembrar que passou a semana sendo ignorada por Asmita; nem uma palavra foi trocada desde a última conversa que tiveram e ela lutou fortemente para distanciar a descoberta de que o virginiano temia o amor. No entanto, tudo simplesmente voltava, e fazia questão de voltar em momentos inadequados. E havia também a sensação de que era observada o tempo inteiro...

Clio olhava para a página em branco com vontade de torná-la fragmento de um possível diário, mas nada disso seria produtivo, em sua opinião. Primeiro porque não sabia como escrever o que estava sentindo, simplesmente porque não sabia o que estava sentindo. Simplesmente? Não, nada era simples. Para ela, nada era mais concreto, o abstrato parecia fazer questão de sapatear em sua cara, insinuando as incertezas acerca de o que estava alimentando com El Cid. E sim, havia El Cid: o cavaleiro que plantou algo desconhecido em sua mente. Clio sabia que tinha a ver com amor, mas de uma forma diferente. Ah, era tudo tão confuso! Odiava não ter resposta para os próprios pensamentos. Apenas arrancou aquela maldita página que a encarava sem pena, amassou-a e a arremessou na água – claro que pegaria de volta depois, para não poluir o ambiente.

Mel bufou em desgosto, entrou tão profundamente numa espiral de reflexões que mal sentiu uma bolinha de papel atingir seu colo e depois se perder na água. Ficou tão chocada com a partida de Tália que não conseguiu evitar o crescimento de um sentimento de mágoa em seu interior. Sim, estava magoada com essa decisão da irmã, ainda mais por não ter sido avisada anteriormente. Tália não era uma musa impulsiva, não mesmo, era calculista até demais, só que não aparentava. No entanto, Mel não captou motivo algum para ela ter pensado nessa partida com racionalidade, pois parecia tão bem no Santuário... Uma semana se passou desde o último contato que tiveram e, depois disso, Tália sequer mandou um sinal cósmico para avisar que estava bem. Certo, todas as musas sabiam para onde ela tinha ido, mas, se chegassem lá, não saberiam onde procurá-la, pois era evidente que Tália havia se escondido. E quando ela fazia isso, ninguém a encontrava, nem mesmo as musas.

Urânia se sentiu contagiada pela onda de distanciamento das irmãs e se pegou pensando em como foi bom ter dormido sem sonhos desagradáveis nessa semana que passou, porém sentiu a falta de Sísifo se intensificar ainda mais.

A musa da astronomia acabou deitando na grama a fim de fitar o teto de diversas folhas que se encontravam pela proximidade das grandes árvores que circulavam a cachoeira. O silêncio compartilhado entre elas era acolhedor e, de certa forma, fazia com que se consolassem pela falta de Tália. Era sempre melhor quando permaneciam juntas.

~

– Mantenha o foco, vou ali me refrescar e já volto. – Yuzuriha disse à Terpsícore e depois correu em direção a uma fonte.

Terps observou que a amazona parecia mais radiante nos últimos dias e não evitou pensar que tinha a ver com alguém de seu afeto. Sentiu-se feliz pela amiga (sim, agora a considerava assim); por não se sentir inspirada na própria felicidade, procurava se inspirar na felicidade alheia – como a de Yuzuriha. Mas ainda assim isso não era confortante.

A musa passou a sequência de movimentos de defesa instruídos pela amazona repetidas vezes enquanto pensava na sua semana sem Tália. Se não fosse por Yuzuriha, Terps estaria procurando por forças no meio da floresta, do mar ou em qualquer lugar que tivesse o acolhimento que a irmã oferecia. Por causa de sua sensibilidade, a musa sempre sentia o próprio espírito chorar nos momentos em que não o fazia, ainda mais depois de ter sido tão provocada por Defteros nessa semana.

Por não terem se falado mais depois da fogueira, Defteros optou por lhe comunicar as coisas através de outros meios, como provocá-la de longe enquanto se manteve perto de amazonas atraentes, lançar olhares desafiadores, recheados de rancor e desejo, apenas para despertar o lado doloroso do ego da musa, e até sorrir com deboche ao vê-la treinar. Em geral, todas as ações dele geravam reações tristes nela. Só que Terps sempre fingia que não e ignorava, virando o rosto.

Inevitavelmente, ela achou uma oportunidade para colocar a habilidade de ignorar em prática, por mais que sentisse dor de vez em quando.

Terpsícore decidiu parar assim que se desequilibrou no meio da sequência, sentiu-se sem forças por causa do rumo que seus pensamentos tomaram. Obviamente, deduziu a necessidade de dar um basta nessa hostilidade toda entre ela e o cavaleiro de gêmeos – por mais que significasse dar cabimento à fala dele de que nada aconteceu entre eles. Não, de que “NADA” aconteceu entre eles. Assim, virou-se para a arquibancada da pequena arena, mas preferiu não ter feito assim que viu o cavaleiro a admirando.

Defteros estava sentado no nível mais alto da arquibancada, observando Terpsícore com olhos ilegíveis e expressão neutra; seu queixo estava suportado pela mão do braço apoiado no joelho esquerdo e, de longe, via-se seus músculos tensionados. A falta de expressão deixou a musa incomodada, pois ele não costumava se portar de forma tão incerta assim em público. Não que ela o conhecesse muito bem, mas ainda assim soube que algo estava errado.

Defteros não se moveu, apenas suportou o olhar dela com um sentimento irreconhecível. Pela primeira vez, ele sentiu a falta da luz interna que Terpsícore emanava por todo o canto que passava; luz que parecia se libertar a partir dos movimentos sinuosos dela, sendo na dança ou num simples treino de autodefesa. A luz que caracterizava a musa da dança parecia ter sido apagada pela sua escuridão. E ele não deveria se sentir bem com isso? Afinal, ela o desafiou praticamente... Mas não. Provocou Terpsícore a semana inteira para que plantasse um sentimento de distância nela, para que ela não o procurasse para seu próprio bem, só que não contou com a possibilidade de ela entender errado, até porque não explicou de fato o que quis dizer com aquilo.

Por um segundo, Defteros percebeu o lapso de tristeza que passou no olhar esverdeado da musa. E isso o afetou de alguma forma.

Para quem visse de forma, a cena era perfeitamente questionável: O cavaleiro de Gêmeos, no alto da arquibancada, mirando melancolicamente a Musa da Dança, que se encontrava parada, no meio da arena, observando-o com o mesmo grau de melancolia. Era quase visível a linha tênue que ligava os dois olhares. Para quem visse de fora, a questão “será que eles sabem onde estão?” seria perfeitamente normal, pois os dois não pareciam estar onde estavam.

– Cavaleiro? – uma voz sem importância se mostrou próxima de Defteros, mas ele não quebrou o contato de Terpsícore, mesmo vendo-a encarar quem quer que estivesse a seu lado. – Cavaleiro.

– O que foi? – Defteros respondeu, sem olhar, porém. A amazona o tocou no ombro e sorriu com malícia.

– Está quente...

– Diga logo o que quer. – revidou, ríspido. Maldita pessoa que quebrou seu devaneio. A amazona não se intimidou, entretanto; gostava do jeito rude do cavaleiro.

– Quero tomar banho... – cantarolou devassamente enquanto massageava o ombro dele.

– Então vá.

– Não vai me acompanhar?

Defteros respirou fundo e fechou os olhos, em busca de calma, e lentamente se virou para a amazona, que retirou sua mão do ombro dele assim que o viu abrir os olhos. A ferocidade das orbes azuis, perigosamente focada, extraiu a cor natural da garota, dando espaço a uma palidez repentina.

– Isso, não me toque. – o geminiano começou, com um tom mais grave. – Vá tomar seu banho onde quer que seja e não me chame mais pra esse tipo de coisa. Olhe pra minha cara e veja se encontra sua resposta.

Em vez de virar o rosto, o geminiano manteve os olhos hostis e furiosos nos olhos assustados e arregalados da amazona, que ficou calada por um tempo, apenas absorvendo aquela intenção sádica. Nunca tinha sido humilhada dessa forma, mas foi avisada, por algumas amigas, que o cavaleiro de gêmeos oscilava com frequência em todos os âmbitos comportamentais. No entanto, não achou que fosse assim. Só lhe restou engolir seco, corar e assentir baixo, antes de se retirar em absoluto silêncio.

Defteros nem quis saber do efeito que causou naquela amazona. Assim que ela se foi, virou-se totalmente de volta para onde Terpsícore permaneceu. Sentiu algo diferente quando viu que ela ainda o observava. Uma onda de felicidade cresceu em seu interior, extraindo uma estranha vontade de falar com ela, mas ele lutou contra isso e se manteve como admirador. Por um segundo, viu um sorriso tímido nascer na boca convidativa da musa da dança. Ela ficou feliz com a cena que viu? Que satisfatório. Defteros permitiu-se sorrir de canto, mas quando percebeu o que fez, fechou-se novamente.

Tudo bem, Terps viu o sorriso dele.

~

No anoitecer, Manigold olhou para a garrafa de vinho na estante de sua cozinha, cogitou bebê-la, mas finalizou o pensamento numa careta. Não, vinho não, queria cerveja. Não, também não. Algo mais forte... Ou talvez nada. Nada era bom. Nada era ótimo quando não dizia respeito à musinha. A falta de informação e conhecimento acerca dos fatos o mergulhou numa agonia tão grande que o canceriano se sentiu capaz de prender as musas e só deixá-las sair quando finalmente contassem tudo que tinham para contar!

Alguns barulhos vindos da escadaria de sua casa o fizeram se esquecer, completamente, de o que tinha ido fazer na cozinha. Manigold seguiu rapidamente até o corredor de passantes da Casa de Câncer e sorriu ao ver quatro musas adentrarem o local.

Então os deuses o estavam ouvindo, hãn?

– Boa noite, senhoritas. – Manigold cumprimentou, a voz sarcástica denunciou a enorme satisfação em vê-las ali, submissas ao seu desejo de deixá-las passarem ou não.

– Boa noite. – Urânia e Clio responderam sem emoção, enquanto Calíope e Mel permaneceram com caras fechadas. As quatro compreenderam a intenção do cavaleiro.

– Não vou enrolar vocês, tá? – o canceriano suspirou, não contendo o sorriso. – Que tal fazermos um acordo?

– Sem acordo, nos deixe passar imediatamente! – Calíope interveio. – Até porque temos autorização para andar livremente pelas casas zodiacais.

Ugh, que argumentativa, Manigold pensou. Teria de agir da mesma forma.

– Eu sei, eu sei. Mas, por estarem na minha casa oferecendo perigo, posso reconsiderar a opção de deixá-las passar. – ele coçou o queixo. Foi a única coisa que conseguiu falar e só depois percebeu como foi absurda.

– Oferecendo perigo? – Calíope riu com escárnio.

– Por favor, cavaleiro, apenas ignore nossa passada. – Urânia pediu, séria.

– Não! – Manigold berrou, mas se recompôs assim que viu as musas assustadas. – Sério, não. Digam-me onde ela está e por que foi embora, por favor!

– Espere! Está implorando? – a musa ruiva sorriu com ironia.

– Pare, Calíope. – Clio se impôs. – Cavaleiro, não temos intenção de conversar com você sobre isso, apenas nos deixe passar. Não há um indício de prova de que você realmente merece ter essas informações.

– E por quê?! Isso é irritante demais, caso queiram saber. – ele fez bico. – E não entendo isso de provas. Cacete, o que tenho que fazer pra merecer isso?! Estão me culpando de algo que eu nem sei o que é. Isso não é meio injusto, não? – e, por fim, bufou.

– Coitadinho. – Calíope ironizou, sem se intimidar com o olhar agressivo que recebeu em resposta do canceriano.

– Nunca dissemos que culpamos você, mas, se acha isso, então é porque faz sentido. – Clio revidou.

– Nem vem com essa de usar minhas palavras contra mim. É perfeitamente óbvio que vocês me culpam. E, bom, se não me culpam, então parem de descontar esse fato em mim! – Manigold quase viu sua paciência lhe abandonar, mas, mentalmente, a fisgou de volta.

Um mísero silêncio tomou o local, mas durou pouco.

– Estou falando sério, musas. – ele realçou. Viu que Clio, Urânia e Calíope não deram muita atenção, mas o olhar focado de Mel, de alguma forma, o incentivou a continuar. Antes, ele respirou fundo. – Sinceramente, não sei o que está acontecendo. Tá, talvez eu tenha falado alguma merda bem cagada pra Tália... – as palavras indelicadas dele extraíram a expressão mais excêntrica de nojo de Calíope, Manigold quase riu. – Hum... Desculpe. Ah, dane-se! Eu sinto que falei bosta, mas não sei o que foi. Sinto que ela sabe mais de mim do que eu sei dela, e isso é injusto! Sim, estou falando daquela maldita cicatriz. Algo me diz que eu preciso saber das coisas para poder agir com ela, mas ninguém me fala nada. Ugh, isso é patético!

De fato, Manigold se sentiu um idiota ao ter que falar assim com as musas, ainda mais por Tália ser o tópico do assunto. Entretanto, foi como desabafar.

– O que mais você sente, Manigold? – Mel perguntou, gentilmente.

– Eu sinto... Algo como... Um tipo de... – não conseguiu evitar a mão que subiu ao peito. – Parecido com...

– Manigold... – Clio incentivou, mas com uma leve pontada de reprovação.

Sinto falta dela.

Notas finais
Também sinto falta da Tália :( E vocês? Não darei spoilers hoje porque esse momento final já é um hihihi Beijos, gente, até o próximo!