EmMusas - The Lost Canvas

46 O abatimento da presa


Notas iniciais
OIEEEEEEEEEE, pessoal! Por favor, LEIAM isso aqui antes de tudo! 1º) Ok, bom, eu falei pra vocês que, se comentassem legal no outro, postaria esse aqui mais rápido. Dito e feito: postei em três dias. SÓ QUE, como ele tá tipo... MUITO grande, o próximo só sairá daqui a, no mínimo, uma semana, até porque eu preciso organizar os próximos e essa semana será ~barra~. Mas, poxa, compreendam; esse daqui tá com mais de 7 mil palavras!! Não dividi porque vocês pediram inteiro! 2º) Cara, como é um dos momentos MAIS aguardados, eu queria MUITO a opinião de vocês. Tipo, COMENTEM o que vier na telha, o que acharam, o que frustou vocês e etc, porque eu to bem emocionalmente indefinida sobre ele. Portanto, eu quero opiniões *-* Se vocês não comentarem, vou ficar depressiva hahahaha 3º) SÓ LEIAM O CAPÍTULO SE: não estiverem almoçando, não estiverem no escritório, na aula, na rua, num lugar com crianças, na frente da tv enquanto estiver passando xuxa ou novela da globo (sério, as atuações às vezes são broxantes ok). E enfim, vocês entenderam, né? Tirem as crianças do recinto e mais qualquer pessoa que nele estiver; tirem o pudor da mente e aproveitem pra tirar as peças íntimas também porque olha... HAHAHAHA Então, BOA LEITURA! E sejam legais comigo ;~

Capítulo 46

– Então você é uma das musas que veio nos abençoar por aqui? – Dionte perguntou, na tentativa de puxar assunto com Terps, que bebericava o chá de Damiana muito bem preparado.

Dionte, como dono da vazia casa de chá da praça, encheu, pela terceira vez, a xícara de Terpsícore, enquanto desenvolvia a conversa iniciada por ele, assim que ela entrou na loja há dezenas de minutos.

Terps, imediatamente, achou o senhor muito simpático, pois, assim que entrou, foi recebida com um enorme sorriso, meio escondido pelo espesso conjunto de barba e bigode, e uma bandeja com chá exótico para experimentar. Como ele foi bastante comunicativo, ela não viu problema em se abrir para um diálogo desfrutável, até porque ele parecia bastante solitário.

A casa de chá era pequena e amarelada, possuía algumas poucas mesas de quatro lugares e o oposto em quadrinhos na parede. Era, no todo, um espaço bastante confortável e acolhedor, principalmente por causa dos diversos aromas de chás que ali emanavam. Terps estava sentada no balcão onde Dionte atendia os clientes.

– Sim, da dança. – Terps respondeu, em poucas palavras porque sua timidez ainda estava ali.

– Que interessante! – Dionte se serviu de outro chá que ocupava o balcão. – O que está achando da estadia?

– Bastante agradável, senhor.

– Por favor, sei que sou bem mais velho que você, mas não me chame assim. Senão vou achar que não possuo mais charme jovial. – brincou, descontraindo o estado da musa, que se permitiu rir. Sem tirar os olhos dela, ele bebericou seu chá.

– N-Não se ofenda, não foi minha intenção. – com as duas mãos presas à xícara, Terps não deixou de se encolher um pouco, constrangida.

– Oh, não – Dionte largou a xícara e, num impulso, tomou as mãos dela, como se as protegesse. -, como eu poderia me ofender com sua adorável presença?

Terps jurou ter sentido um tom mais aveludado na voz do senhor, mas parou de pensar nisso ao sentir suas mãos serem acariciadas pelo polegar dele. Engoliu em seco discretamente, pois o contato não lhe foi muito confortante, mas ela era educada demais para tirar bruscamente a mão dali. Até porque, até então, Dionte tinha sido bastante amável.

– Minha querida, não terá problemas se voltar tarde? O céu está escurecendo, não veio acompanhada? – os olhos preocupados dele prenderam-se nos da musa. – É sempre um risco andar por aí sozinha.

– Oh, é verdade! Preciso voltar! – Terps, assim que caiu na realidade, levantou-se com pressa e ajeitou o vestido.

– Antes, gostaria de uma última xícara de chá? – Dionte perguntou, já servindo.

~

Apesar de estar num espaço com o qual tinha familiaridade, Terps não reconheceu por onde adentrou nas ruelas da vila. A praça estava com pouca iluminação, portanto foi um tanto difícil reconhecer o caminho que deveria tomar para chegar na entrada principal da vila – a qual, dali, oferecia um caminho especial para o Santuário. Além disso, apesar de ter comunicado a El Cid sobre sua ida à vila, não o fez para mais ninguém, por isso não tinha com quem se encontrar para voltar. E isso era um problema.

Terps decidiu que seguiria os instintos e que, caso demorasse a encontrar seu destino, perguntaria a alguém da vila, ou pediria ajuda até lá. Entretanto, o caminho que escolheu não parecia ter nada além de residências, algo que impediria facilmente de conseguir ajuda. De fato, Terps não pediria auxílio para algum morador, e sim comerciante ou qualquer outra pessoa que estivesse na rua. Mas as ruas estavam estranhamente vazias por ali. O arrependimento de ter escolhido tal trajeto logo apareceu, porém não forte o suficiente para deixá-la temerosa.

Para piorar o caso, algo estava estranho em seu interior, como se seu corpo estivesse propagando uma onda sensitiva aleatória, não usual, diferente e nada familiar. Um formigamento abaixo do ventre deu sinal de existência; nos lábios, o mesmo aconteceu. Aos poucos, até o processo de respirar pareceu-lhe mais lento e sinuoso, como se seu peito quisesse comunicar algo além de sua percepção. O balanço de seus braços logo desencadeou o arrepio dos pelos, pois a sensação refrescante que isso provocou simplesmente a agradou, no âmbito de uma sensação peculiar. Terps já tinha sentido algo assim...

Caminhou mais um pouco, até que parou quando percebeu que não estava respirando normalmente, e sim ofegando. O formigamento abaixo do ventre aumentou consideravelmente e um calor tomou conta de seu corpo tão repentinamente que a musa se surpreendeu ao sentir uma gota escorrendo de sua testa até o colo. A trajetória da tal gota foi delirante. Foi como se alguém a tivesse tocado até aquele ponto entre os seios, onde a gota se desfez, o que justificou o arrepio que se estendeu por todo seu corpo.

Foi inevitável e involuntário, mas Terps acariciou o próprio colo, enquanto fechava os olhos à procura de sentir o próprio toque. Só percebeu depois que estava mordendo o lábio inferior. Quando apalpou o próprio seio, desencadeou uma série de arfadas incansáveis e acabou machucando a pele pelo aperto que deu. Algo estava errado.

Assim que abriu os olhos, repreendeu-se mentalmente pelo que fizera. O que diabo estava pensando ao fazer algo assim na rua? Se pelo menos estivesse no quarto, poderia dar continuidade aos próprios toques, Terps pensou. Sim, lembrou-se imediatamente do dia em que promoveu o próprio prazer após a intervenção de Defteros.

Ah, Defteros...

Pensar no cavaleiro foi como um tiro certeiro para o calor corporal de Terps aumentar, juntamente com o formigamento no baixo ventre, o qual se estendeu até seu sexo. Por Zeus, ela estava terrivelmente excitada com aqueles pensamentos! Provavelmente, estava muito corada.

Precisou se encostar na esquina de um dos becos para recuperar a sanidade e entender o que estava acontecendo, mas nada parecia claro o bastante, pois seus pensamentos recheavam-se cada vez mais com imagens obcenas dos momentos que teve com o cavaleiro de gêmeos. Consequentemente, tais pensamentos repercutiram eroticamente no corpo da musa, a ponto de sua mão se mover lentamente para perto da virilha.

E ela teria continuado se não fosse uma mão lhe puxando pelo braço para adentrar aquele beco escuro.

– Eu sabia que você começaria sem mim, mas ainda bem que não atrasei demais. – Terps conhecia e não conhecia aquela voz. Tinha mera noção de que a ouvira anteriormente, mas num tom um pouco diferente, menos malicioso e arranhado. – Você deve estar no ponto.

Terps não viu direito, mas sentiu o corpo ser arrastado até uns metros dentro daquele espaço e encostado na parede com um pouco mais de força. Em seguida, foi prensada por um corpo baixo e gorduchinho. Seu pescoço foi beijado e mordiscado pelo homem que Terps não reconheceu. Seu seio esquerdo foi logo preso na mão hostil, que insistia em apalpar com uma força desnecessária.

Apesar de excitada, Terps procurou forças para empurrar aquele homem e conseguiu afastá-lo o suficiente para ver que era Dionte. Ela quis gritar, mas ele foi mais rápido.

– Fique quieta que você vai adorar, minha querida. Já está louquinha de prazer, não é? – ele disse, encarando-a com um olhar ofensivamente lascivo.

As pernas de Terps trabalhavam em protesto contra as dele, mas isso só parecia excitá-lo ainda mais.

De um lado, ela queria toques como aquele, seu corpo clamava por isso, mas não vindos daquele homem agora tão asqueroso. Enquanto tinha seu pescoço lambido por ele, ela pensava numa forma de sair dali, mas seus pensamentos entravam em constante conflito com o delírio, dificultando cada vez mais seu lado racional. Ah, sim, porque, no fundo, a imagem de Defteros ainda lhe vinha à mente. Mas nenhum toque de Dionte poderia ser comparado ao do geminiano, nunca. E foi devido a esse fato que Terps acordou.

Se fosse se desesperar, qualquer minuto seria desperdício para sua salvação. Portanto, pensar racionalmente e lutar com a libido eram as únicas opções. Porém era difícil demais... Teria de usar a situação a seu favor de alguma forma milagrosa.

Terps permanecia em silêncio, à procura de se concentrar em busca de uma solução, mas isso acabou assim que sentiu a mão de Dionte percorrer sua coxa. A sensação de nojo bateu em seu peito fortemente. Terps se sentia cada vez mais suja nas mãos daquele homem. Seu grunhido desesperado arrancou um sorriso de satisfação de quem a tocava.

– Queria que estivesse gostando também, mas se não dá, vai ser assim, minha linda. – perto de tocar na região íntima dela, Dionte apertou com pouca força e logo encostou os dedos na borda da calcinha, no intuito de arrastá-la sugestivamente para baixo. E o que queria aconteceu: Terpsícore gemeu; com muito desgosto, mas gemeu.

Ela não estava apenas desesperada pela situação, mas por não compreender o que eram todas aquelas sensações de controle algum do corpo. Por não imaginar quando tudo isso começou, sentiu-se completamente preocupada, bem como uma presa diante do predador. Mal conseguia pensar algo que não fosse carnal, ainda que estivesse nas mãos de alguém tão desprezível. Teria de agir rápido, mas como?

E então Terps gemeu propositalmente, como se estivesse gostando.

Quando Dionte a ouviu, parou imediatamente e seus olhos migraram para o rosto da musa. Era inacreditável que ela tivesse cedido finalmente, mas pareceu exatamente isso quando a viu gemer novamente. O homem não conteve o sorriso de felicidade.

– Você está gostando? Está cedendo? – perguntou, com o sorriso não cabendo em si. Sentiu a mão que tapava a boca de Terps balançar positivamente. Ela assentira! – Posso beijar você?

E ela assentiu novamente.

Os olhos arregalados de Dionte denunciaram toda a incredulidade dele diante da permissão. Seu membro vibrou, vitorioso, em suas calças apertadas. Calmamente, ele subiu a mão que estava próxima da virilha até a cintura da musa, e moveu a que estava na boca até o pescoço. Em seguida, aproximou seus lábios dos dela.

Sem abrir a boca, Terps permitiu aquele contato até sentir o corpo de Dionte mais relaxado. Quando ele pediu passagem com a língua, foi tudo muito rápido:

AHH! – Dionte gritou, após ser mordido fortemente no lábio, e, instintivamente, fincou as mãos no corpo da musa para machucá-la. Terps não reclamou, pois se ocupou bastante ao chutar a região íntima do homem. – AHHHHH, SUA VADIA... Hãn... Ah...

Ela nem se preocupou em observá-lo lamentando as genitálias, ajoelhado ao chão. Não, ao invés disso, correu até a entrada do berro, desesperadamente. O processo de respiração parecia-lhe cada vez mais impossível e sua visão oscilava em embaçar. No entanto, parar para procurar suporte não era opção, não até sair daquele beco horrível.

Sua corrida desengonçada teve fim assim que seu corpo se chocou com o de outro alguém, muito maior e mais forte. Envolvida nos braços desse alguém, ela se desesperou novamente e lutou com mais afobação do que antes. Não queria, de forma alguma, passar por aquilo de novo.

Acalmese.

O coração da musa quase saiu pela boca. Quase. Suas pernas tremeram intensamente quando foi posta no chão, a queda teria sido certeira se ele não tivesse lhe apoiado.

– Fique aqui. – como se opor a uma ordem dele? Terps viu aquele enorme vulto adentrar o beco e se dirigir até o homem ajoelhado no chão.

A respiração alterada e furiosa de Defteros podia ser ouvida de onde Terps estava. Não que ela tivesse alguma pena do homem que tentou estuprá-la, mas sabia que seria mais do que o suficiente se o geminiano decidisse partir para a violência. Entretanto, ela se manteve como ele mandou.

Defteros não fez cerimônias. Obrigou, através dos punhos fechados na roupa do homem, Dionte a levantar e o atirou contra a parede, sem qualquer cuidado. Pelo contrário, atirou com mais força do que o normal. Apesar disso, continha, com dificuldade, a raiva que crescia dentro de si.

– O que você deu pra ela? – o tom sério e grave arrancou a expressão mais aterrorizada do homem.

– Ap-p-penas um c-ch-chá... – os olhos de Dionte já lacrimejavam em desespero. E após ser novamente chocado contra a parede, ele liberou uma lágrima. – AI!

– Responde direito, seu merda.

– D-d-d-d-damiana...

Ah, santo autocontrole... Defteros respirou fundo e piscou lentamente os olhos furiosos. O arfado de medo que Dionte deu teria sido engraçado se não fosse a circunstância.

– Quantas vezes?

– Hmnff... – não conseguiu elaborar a resposta mesmo sabendo, pois o medo só intensificou após a aproximação de Defteros. Dionte conseguiu ver o brilho matador nos horizontes azuis que os olhos do geminiano escondiam.

– Eu perguntei quantas vezes. – dessa vez, ele só ameaçou socar o rosto do outro, e foi o bastante para Dionte soltar um rápido grito.

Ah, o amargo terror psicológico era inspirador demais.

– Q-quatro. P-POR FAVOR, NÃO ME MATE! – Dionte nem precisou de muito mais para se desprender de qualquer força interior. Só a presença do cavaleiro de gêmeos já intimidava até sua alma.

Defteros não conteve mais, explodiu numa risada — terrivelmente tenebrosa – e aproximou o rosto a centímetros do de Dionte.

Matar? – seus olhos faiscaram. — É uma saída muito fácil pra dar a você. – com todo o nojo, ele literalmente cuspiu na cara do infeliz. – Achou que podia botar planta afrodisíaca num chá e foder a filha de Zeus tranquilamente? Acha que o Universo tá a favor de quem nesse jogo, seu miserável? – com profundo desprezo.

Defteros agarrou os dedos da mão esquerda de Dionte e fechou-os com força na sua, quebrando-os imediatamente. Dionte gritou, mas o grito foi impedido de sair por causa do soco que levou na boca. Foi tudo tão rápido que o homem só realmente processou o ocorrido após ver dois dentes seus caídos no chão. Espantou-se terrivelmente, e, quando voltou o rosto para cima, teve a cabeça conduzida contra a parede. Não foi brincadeira, ele realmente ouviu o nariz quebrar.

– Poderíamos culpar você pelos dois casos de estupro e assassinato ocorridos há um bom tempo aqui na vila? — perguntou o geminiano, calmamente. No fundo, estava desfrutando de cada agressão como quem degusta uma saborosa sobremesa após o almoço.

– Nãmfff! Nãmff!... – Dionte não conseguia falar direito, a dor era muita, mas negou desesperadamente a insinuação do outro com o dedo indicador da mão não quebrada. Seus olhos foram verdadeiros, mas Defteros não se importou, apenas gargalhou mais.

– Entendi. Uma pena... Assim poderia descontar tudo aquilo de uma só vez. Mas não importa, você tocou no que não é seu. – e socou a barriga do homem, com cuidado para não abrir um buraco. – Pior... Você tocou no que é meu.

E então Dionte entendeu. Tocara em alguém de valor para uma dos cavaleiros mais temíveis do Santuário. Sua sentença de morte estava dada. O brilho de ódio que emanou no olhar do geminiano praticamente confirmou isso, Dionte pôde ver. Em resposta, arregalou os próprios olhos e deslizou o corpo para baixo, mal conseguindo se manter em pé de tanta dor.

Só que Defteros não tinha terminado ainda, faltava a cereja do bolo.

– Sabe o que acontece quando você machuca um ser divino? – seus olhos faiscavam enquanto ele se abaixava para perto do homem. O terror psicológico gritava naquele momento. –Você sofre. Eu sei, porque já passei por isso. Claro que não da mesma forma que você está sofrendo agora... O seu infortúnio foi tentar estuprar essa musa no dia em que eu estou com fome.

Defteros não esperou a expressão de questionamento de Dionte se aprofundar, mordeu-o com toda a força no pulso, até atingir uma veia, e torceu o braço até deslocá-lo. O homem até tentou gritar, mas era tanta atenção pra distribuir nas dores adquiridas que nenhuma realmente se concretizou no grito.

– Só que sua carne podre não vale nada. Quero ver você usar essas mãos novamente. – Defteros limpou a boca suja de sangue com as costas da mão e, novamente, cuspiu, despejando todo seu asco e desprezo por aquele homem. – Agora agonize. Ninguém se importa se você vai viver ou morrer.

Ao som dos grunhidos de dor de Dionte, Defteros se dirigiu até onde Terps estava encostada. Estranhou assim que a viu com uma mão acariciando o próprio colo e a outra a barriga, mas não questionou, apenas a pegou com cuidado e aninhou-a em seu colo, para então tirá-la dali.

~

Na esfera profunda de seu interior, Defteros gritava, rosnava, grunhia de raiva e ódio. A vontade de matar o infeliz que ousou tocar em Terpsícore pulsava incansavelmente, assim como a frustração por não ter chegado antes e evitado o que ocorreu. Nem o pensamento de ‘pelo menos ela não foi estuprada’ o confortou. A raiva era tanta que, por vezes, no meio do caminho até o Santuário, ele involuntariamente apertou as mãos no corpo de Terps, contendo o sentimento negativo.

O estranho de tudo isso era que ela parecia gostar.

Depois de um tempo percebendo os sons sugestivos da musa, ele começou a observá-la melhor. Antes, estava apenas com o olhar focado adiante, para que toda sua concentração fosse comprimida, no intuito de evitar o desabafo que queria realizar por ter sido quase inútil. E foi assim que ele percebeu os ofegos e inclinações de movimentos dela, em seu colo. Terpsícore simplesmente não parava quieta e parecia suar impiedosamente. O rosto pequeno e delicado se tornou avermelhado e, junto aos olhos estreitos, ofereceu a expressão mais erótica que ele já vira. O corpo dela, mais quente que o normal, demonstrou intenso arrepio ao ser apalpado por suas mãos e contorceu-se pela décima vez.

Só que Defteros estava revoltado demais para se excitar com aquilo.

– Pare quieta, Terpsícore. – rosnou.

– Não consigo... Uhn... – Terps deixou o gemido escapar sem se importar. A enorme vontade de tocar no geminiano tomou conta de seu corpo por total, desencadeando numa mão atrevida que parou na nuca dele.

– Pare com isso. – com o maxilar tensionado, engoliu seco e a pressionou contra seu peito ainda mais, para que imobilizasse a cintura em movimento. Aos poucos, deixou de ignorar esse estado da musa...

Terps não aguentou mais. Sua excitação aumentou drasticamente quando o ouviu rosnar novamente e respirar pausadamente, perto de seu ouvido. A tentação de estar no colo do cavaleiro de gêmeos, em todo seu semblante completamente atraente, gritou tanto em seu interior que foi impossível ficar parada, e então ela esfregou lentamente o corpo no dele.

Imediatamente, Defteros parou e a soltou.

– Terpsícore, cacete! – num rápido movimento, fincou as duas mãos nos ombros macios dela. Teve de morder o lábio ao ouvi-la aprovar o gesto num gemido sutil. – Não me provoque. Por tudo que é mais sagrado, não me provoque.

Apesar de falar tal coisa com os olhos presos nos dela, foi perceptível que Terpsícore não prestou atenção. Na verdade, os olhos dela focaram diretamente nos lábios mordidos e molhados dele. Consequentemente, ela mordeu os próprios e, em questão de segundos, avançou nos dele.

Defteros lutou, mas rapidamente se deu por vencido. Prensou-a numa árvore com força e agressividade, enquanto retomava aquela boca delicada com um beijo aprofundado em lascívia. Suas mãos exploraram o pequeno corpo da musa com determinação e fome, passando pela área da cintura e da barriga e parando na dos seios. Em meio a isso, não ouviu Terps reclamar. Pelo contrário, ouviu-a gemer abafadamente devido aos lábios ocupados.

Por mais que quisesse continuar, a culpa não o permitiu, e ele acabou afastando-a, com muito esforço, para recobrar a consciência. Terpsícore estava sob influência de uma planta afrodisíaca; e tirar proveito disso não era opção. Ela sequer podia seguir sozinha! Se deixasse alguma coisa acontecer, Defteros se sentiria tão sujo quanto o homem que tentou estuprá-la. Além disso, ela provavelmente se arrependeria depois...

O caminho inteiro foi acompanhado pelas tentativas e insinuações da musa excitada, as quais o geminiano ignorou dolorosamente. A vontade de rasgar por completo o vestido azul dela e de possuí-la ali mesmo, quase na entrada das Doze Casas, era avassaladora. E ela simplesmente não ajudava quando roçava o corpo no dele, sensualmente. Defteros nunca pensou que ela pudesse tirar proveito de algo assim, mesmo sob certas influências. Só que, ao se lembrar da quantidade de chá afrodisíaco que a musa tomou, ele se deparou com o pior problema que poderia seguir: Terpsícore demoraria a voltar ao normal.

Instantaneamente, ele parou no meio do caminho, com a musa no colo. Se a deixasse no templo do Grande Mestre, provavelmente arrumaria mais problemas e seria acusado de tal fatalidade, como antes fora. Só que antes as acusações eram sensatas. Portanto, a única opção era levá-la consigo até Gêmeos e cuidar dela até que o efeito passasse.

Entretanto, outro problema se mostrou: alimentar a tentação de tê-la tão excitada por perto era absurdamente idiota, considerando o enorme desejo que tinha por ela. Porém...

~

– Fique aí. – Defteros disse para ela, que se encontrava no sofá da sala de sua casa.

Subir com Terpsícore naquele estado foi trabalhoso; alguns cavaleiros de ouro estranharam, mas, graças aos céus, ela confirmou todas as vezes em que ele disse que a encontrou passando mal e que, portanto, precisou levá-la no colo para que subissem sem riscos de queda.

Terps obedeceu e relaxou no sofá, enquanto ele desaparecia no cômodo do que entendeu como cozinha. A maciez do sofá proporcionou uma leve sensação de prazer em seu corpo, desencadeando seus movimentos novamente. Sem hesitação, ela se tocou nas mesmas regiões que antes, só que com um pouco mais de pressa. Sua excitação aumentava a cada minuto por causa do chá, a ponto de que seu suor provocasse trajetórias de gotas extremamente convidativas no âmbito da sensibilidade. Terps delirou com a possibilidade do próprio toque, só que sentiu falta de outras mãos...

Mãos essas que voltaram com um pano molhado, o qual foi passado grosseiramente na cara de Terps no intuito de limpar a mancha de sangue que havia na boca dela – devido ao beijo trocado no caminho. Defteros também apareceu com o rosto limpo, sem armadura e ainda mais tentador por estar sem camisa.

Foi o tiro que a musa precisou para avançar no peitoral masculino com suas pequenas mãos.

– Terpsícore, afaste-se. – ele rosnou, num misto de prazer e dor por ter que se controlar ainda mais.

Ela não o obedeceu, porém. A sensação do corpo quente dele no seu potencializou o nível de sua excitação e acabou com qualquer pensamento racional possível. Rapidamente, ela juntou os lábios na clavícula do geminiano e logo as envolveu com a língua. As mãos contornaram lentamente o abdômen bem trabalhado, optando por deslizar as unhas com suavidade, apenas como provocação.

Defteros urrou com aquela iniciativa, sua mão foi parar nos cabelos dela e sua cabeça inclinou-se para trás. Naturalmente, ele fechou os olhos enquanto ela subia com a língua até seu pescoço e, em resposta, ele enlaçou com mais forças as mechas loiras que tinha em mãos.

Teria durado mais se ele não tivesse a afastado com a mesma determinação de antes, mas quando viu a marcação dos mamilos intumescidos através do vestido fino que ela usava, empurrou-a definitivamente no sofá.

– CONTROLE-SE, TERPSÍCORE! – gritou. Foi inevitável. A agonia era grande demais, assim como o esforço que fazia para se manter são.

– NÃO. Já me controlei demais. – Terps seguiu-o até o móvel, muito bem polido, de madeira que ficava num dos cantos da sala, onde ele estava.

Defteros quis rir com escárnio. Ela tinha se controlado demais?

– Cale a boca. Não está falando sério! PARE DE BRINCAR COMIGO. – apesar de ter se odiado pela fala, ele desabafou e não voltou atrás. Aquilo estava virando tortura já. Era como provar do próprio veneno que despejou anteriormente nela, quando a provocou por completo.

– É você quem brinca comigo. Por que não me quer agora? – choramingou.

Defteros bufou.

– Eu quero você, mas não nesse estado! – indicou o corpo dela com um movimento solto de braço e depois ele se virou de costas. Não poderia fitá-la por muito tempo daquele jeito, mas, ao sentir-se abraçado, cedeu.

– Defteros, por favor, eu não sei o que está acontecendo, mas eu preciso de você como nunca!

Com raiva, ele a tomou pelos pulsos, aproximando os rostos gradativamente. Com seus olhos furiosos, ele viu os dela dilatados pela excitação. Olhá-la assim foi como despertar todos os possíveis estímulos do corpo.

– Você está com tesão – disse, entre dentes. — e isso é esperado de um chá como aquele, mas eu não vou te comer, Terpsícore. Não hoje. – em seguida, soltou-a, para então varrer o espaço do móvel com um dos braços, quebrando o que quer que estivesse em cima, e colocá-la sentada no mesmo.

Terps não questionou. O ato foi o bastante para provocar uma onda de prazer indescritível em seu corpo, e ela não tardou em envolver o entorno dos ombros dele com os braços e puxá-lo para si. Defteros enterrou o rosto nos seios da musa sem cerimônias.

– Se você quer prazer, eu te darei, mas não ouse provocar meu autocontrole. Já é difícil demais sem você por perto. – ele rosnou.

O hálito quente em seu seio foi mais um fator determinante na explosão interna de Terps. Gemeu alto assim que sentiu os dedos dele trabalharem em seu sexo, sem espera e com agilidade. Nem se preocupou com a peça íntima que foi rasgada impiedosamente. Entregou-se àquele tão esperado momento, pois finalmente estava nas mãos de quem tanto queria.

Defteros migrava com a boca entre ombros, colo e pescoço dela de forma lasciva e luxuriosa, já sentindo seu membro pedir por mais. No entanto, o foco era ela, que não se satisfaria enquanto não gozasse, era óbvio. Sentiu-a tão sensível devido aos gemidos liberados, constantemente, em seu ouvido, e a necessidade de fazê-la parar com isso foi reveladora. Se ela continuasse, ele não aguentaria. Um murro foi dado na parede, causando um pequeno rombo, no intuito de descontar o tesão acumulado — mas em vão.

O sexo cada vez mais molhado de Terps, junto aos gemidos que ela reproduzia incansavelmente, poderia ser facilmente um método de tortura. Defteros não teria problema algum em liberar informações valiosas para um inimigo se a colocassem daquela forma, na sua frente, com a respiração ofegante, testa suada, rosto corado, lábios entreabertos e quadril agitado. Essa era a imagem mais maravilhosa que ele já vira na vida. Seu dedo penetrava a cavidade dela com agilidade e maestria, enquanto o polegar circulava no clitóris. Sem perceber, ele acabou gemendo junto a ela, pela primeira vez.

– Def... D-Def... – Terps mal conseguia pensar diante daquelas carícias, ainda mais quando ele enfiava o longo dedo mais a fundo. – Eu quero mais!

E então ele continuou com as carícias, só que, dessa vez, sua cabeça se encontrava no meio das coxas macias dela e sua língua movimentava-se para cima e para baixo no ponto mais sensível daquela região. Para delirá-la ainda mais, levou a mão até um dos seios, onde seu indicador brincou circularmente com o mamilo, às vezes apertando-o também. Penetrá-la com a língua potencializou seu desejo incalculavelmente – algo que, por consequência, influenciou sua agonia de não poder possuí-la.

Era simplesmente inacreditável a capacidade que aquela musa tinha de deixá-lo ainda mais louco apenas por existir.

De repente, Defteros sentiu sua cabeça ser empurrada para fora daquele espaço. Estranhou tanto o fato que não deixou de olhar a musa com indignação e dúvida.

– Terpsícore – disse, num tom aveludado. – Se está sentindo tanto prazer assim, então goze... – junto a um sorriso presunçoso.

– Eu não quero... ah... Chegar... Lá... ah... Desse jeito... – disse, entre arfadas. – Eu quero,ah... Mais. Eu quero... Você.

Terps não aguentava mais, sentia que chegaria ao ápice facilmente se ele continuasse daquela forma, mas ela o queria por completo e verdadeiramente. Queria sentir o corpo quente dele contra o seu e provar da sensação que ele tanto desejava ter com ela, mas a qual sempre reprimia, mantendo apenas a provocação. Só que, dessa vez, não. Dessa vez, Terps decidira.

– Não. – Defteros apoiou as mãos no móvel, ao lado das coxas dela, prendendo-a entre seus braços. – Eu não vou fazer isso. Você não quer, Terpsícore. É a substância no chá que está falando por você, sua idiota. Cale essa boca!

Apesar da hostilidade, a luta era muito mais interna do que com a musa. Toda vontade de tê-la nos braços era reprimida dolorosamente. Enquanto isso, ele respirava fundo e lentamente, no intuito de manter o autocontrole. No intuito de conter o animal dentro de si, diante da presa tão entregue.

– Não, cale-se você. – Terps piou baixinho, mas recuperou o fôlego e investiu no volume: — Eu desejo isso desde sempre e você sabe, já jogou na minha cara várias vezes! Seria umhipócrita se me rejeitasse agora. Com substância ou não, eu quero você! E isso dói. – sua cabeça pendeu para baixo, mas foi logo erguida com delicadeza pelo indicador do geminiano.

– Eu tenho medo de machucar você, Terpsícore. Compreenda.

– Você já está machucando...

Os dois olhares se encontraram, num misto de desejo e culpa. Num lado, a culpa de não conseguir se conter diante da tentação de ter quem queria; no outro, a culpa por causar tanta dor e angústia em quem queria. Defteros e Terps ficaram ali, apenas trocando aquela sintonia distorcida e indefinida, por meros instantes que, intensamente, pareceram horas. Ele não hesitou em acariciar a face delicada e clara dela, onde as sardas esbanjavam o charme; e ela não hesitou em puxá-lo para um beijo.

Defteros novamente delirou com a iniciativa. Não só porque, geralmente, era ele quem iniciava tal gesto, mas porque o toque acolhedor de Terpsícore desencadeou, em si, um sentimento diferente, desfrutável e meramente perigoso.

Num impulso, ele a tomou no colo, sem perder o contato de olhares, e a ajeitou, para só então se dirigir as escadas que davam até seu quarto.

~

O som do choque que o corpo de Terpsícore contra a parede fez foi estrondoso, excitante e ainda mais enlouquecedor quando ela envolveu uma das cortinas com as mãos, fechando-as fortemente, na medida de sua excitação. Defteros se sentiu fora de si quando a viu abrir as pernas para ele se encaixar, ainda com roupa, e tomá-la possessivamente pela cintura. A pele macia daquela região só o convidou mais a deixar marcas e vergões, e ele assim o fez, de todos os modos que conseguiu, exceto por mordidas, pois sua boca ocupou-se com a da musa num beijo repleto de desejo. Apesar dos toques ousados, eles mantinham o jogo da provocação entre puxões e suspiros. Ele até teria odiado, anteriormente, a audácia de Terpsícore para com seus carinhos, porém esse lado dela estava causando o efeito contrário. Ela parecia uma típica presa que, por mais assustada, mantinha a ousadia diante do predador.

O aroma de flores e mel que emanava dela só o inebriava mais a cada segundo, e, em resposta, Defteros provava mais ainda daquele sabor, através de lambidas investidas nas áreas mais sensíveis. As mãos não deixavam de trabalhar, é claro; seios, cintura, coxas, nuca e pulsos eram seus alvos preferidos naquele turbilhão de movimentos impulsionados pelo desejo. Harmonicamente, os dois arfavam. Pela primeira vez, ele se entregou a essa possibilidade. Terpsícore estava fatalmente irresistível.

Com força, porém cuidado, ele lubrificava o sexo dela o máximo que podia, no intuito de prepará-la idealmente para o que se seguiria. Mal acreditava no que estava acontecendo. Por vezes, pensou na musa da dança totalmente entregue a si, mas mais numa esfera sonhadora do que real; e agora ela estava ali, em suas mãos.

– Mais. – Defteros ouviu Terpsícore dizer, entre um gemido e outro. Devido ao fato de ela ter corado ferozmente, ele sequer pensou duas vezes. Arrancou-a da cortina, onde se enroscaram, e atirou-a na cama, do jeito que sabia que ela gostava.

Terps, ao se virar para acompanhá-lo com os olhos, suspirou ainda mais por ter se deparado com um ser tão sensualmente posto. Defteros parecia um felino perigoso e faminto, numa caçada final. Seu andar sinuoso e inaudível, juntamente ao olhar feroz e focado, provocava arrepios intensos e intensificava os existentes formigamentos no ventre. Qualquer um poderia facilmente sair correndo dali – como ela uma vez o fez -, mas seria burrice tal ato, considerando todo o efeito atraente que emanava daquele corpo bronzeado, levemente arrepiado e com lindas marcações que delineavam cada parte do abdômen muito bem trabalhado. E, mais abaixo, um membro espesso e notavelmente grande, que provavelmente nunca entraria em alguma parte do corpo dela sem causar algum estrago.

– Gosta? – Defteros perguntou, com uma voz aveludada e ao mesmo tempo grave. Seus olhos penetravam os de Terps. O máximo que ela conseguiu fazer foi assentir, pois qualquer outro movimento foi complicado diante de uma presença tão imponente e deliciosamente perigosa.

O geminiano não resistiu em cobrir o corpo dela com o seu, para então beijá-la da forma mais lasciva e calorosa que pode, despejando toda a intenção que tinha em sua mente. Com as mãos brutas, serpenteou as coxas macias de Terps e logo voltou a boca para a barriga branca e lisa, onde mordiscou com cuidado, no intuito de arrancar o som mais enlouquecedor de todos: os gemidos contidos.

Terps até tentou arquear as costas, mas ele a prensou novamente, com força, e tomou um dos seios com a boca, fincando os caninos na parte acima do mamilo. Sangrou e doeu um pouco, mas, inesperadamente, isso alimentou todo o formigamento de seu ventre. E ela fez questão de demonstrar quando roçou sua intimidade no volume evidente do cavaleiro de gêmeos.

Ao sentir o corpo ser virado de bruços e seu bumbum empinado, de forma que seus joelhos dobrassem, ela se exaltou, animadamente. Nem especulou o que viria, só se preocupou em sentir as carícias do geminiano, que removeu o vestido azul — já bastante odiado naquela altura. Agora com o corpo liberto, tentou se erguer, mas foi forçada para baixo inescrupulosamente.

– Fique assim. Quero fazer uma coisa. – ele ordenou. Logo ele enterrou a língua no sexo dela. A agitação nem se comparou à de antes, foi muito maior e mais provocante, pois ele aproveitou para mordiscar os lábios vaginais. E toda sua ação repercutiu da forma que queria. Terpsícore estava extremamente molhada; e ele, completamente duro.

Com Terps de quatro, mantendo o rosto no colchão e o bumbum empinado, ele teve uma das visões mais magníficas daquele corpo. O sexo dela estava tão lubrificado que refletia meramente a luz dos candelabros espalhados pelo quarto. Era convidativo demais para aguentar por muito tempo, só que ele tinha noção da dor que ela poderia sentir se seguissem naquela posição.

Delicadamente, ele alisou as costas lisas dela. Terps estranhou o carinho, mas seu estado de êxtase não permitiu que parasse para pensar naquilo. Algo muito quente pulsava em seu interior, causando uma necessidade enorme de preenchimento e cinestesia. Naturalmente, devido ao imenso prazer que estava sentindo, ela balançou o bumbum para um lado e para o outro, devagar, apenas para provocá-lo. O efeito do chá estava cada vez mais intenso, era perceptível. Seu pudor parecia ter lhe abandonado totalmente.

Defteros quase enfartou com aquilo. Teve de respirar fundo e se afastar um pouco, coçando a testa e mordendo fortemente o lábio.

– Terpsícore, se você continuar me provocando, vou bater na sua bunda até deixá-la roxa.

Ao contrário do que ele queria, as palavras a deixaram ainda mais excitada. Foi o bastante para ela se ajeitar na cama, de barriga para cima, e abrir as pernas para ele, como se o chamasse para provar de seu sabor desconhecido.

Apesar de saber que era tudo efeito do chá, Defteros estava adorando vê-la assim, mesmo que preferisse quando ela aparentava medo e horror. Acabou tirando alguns minutos para observá-la inquieta e agitada, implorando por afagos mais ardentes. Rapidamente, ele despiu-se por completo e foi admirado com olhos verdes ilegíveis. Maldita Terpsícore e sua expressão erótica!

– Não me olhe assim, ou vou acabar com você.

– Não é como se eu estivesse fugindo. – era evidente a dificuldade que ela tinha para falar qualquer coisa, devido ao estado inebriado.

– De fato, por que não está fugindo, Terpsícore? – ele se aproximou, devagar, sem perder o contato do olhar.

– Por que não está atacando, Defteros? – ela se inclinou alguns centímetros, até sentir a ponta do nariz dele no seu.

– Porque não quero que seja assim com você...

Sem encaixar o membro, Defteros o roçou naquela região excepcionalmente molhada, e tomou os lábios finos dela num beijo tão molhado quanto.

Tudo explodiu. Foi torturante demais para ignorar... Terps molhada e, praticamente, gemendo seu nome, com o rosto corado, de quem estava sofrendo pela falta de contato, roçando o sexo em seu membro até enlouquecê-lo... Foi demais para aguentar. E ela pediu por isso, não? Ela pediu para ser penetrada, e ele atendeu ao pedido.

Concentrando toda a força, ele penetrou com muito cuidado e paciência. Lentamente e sempre observando a reação dela, adentrou aquela cavidade preparada para si. Ansiou tanto por aquilo que pareceu mentira, porém precisou encarar a realidade, pois, se fosse sonho, teria enfiado com tudo.

– Ahnnn... – Terps abafou o gemido, mordendo o ombro dele com força. A dor que sentiu ao ser rasgada por dentro foi indescritível, incalculável, inesperada.

Defteros parou. Não tinha enfiado nem a metade, mas parou ao vê-la lacrimejando. Terpsícore devia estar sofrendo demais devido ao tesão insaciável e à dor excruciante – ele bem imaginava. Por um momento, desejou matar o infeliz que a submeteu a isso, porém seria hipócrita, pois ele também estava causando dor a ela.

Inesperadamente, ele sentiu um afago nervoso dela em seu pescoço.

– Continue... – Terps disse, com muita dificuldade e tensão.

– Shh, respire, Terpsícore. – de fato, ela precisava relaxar imediatamente, mas se tirasse seu membro dali, poderia haver retrocesso. Logo, optou por distraí-la com outras carícias, aproveitando-se do estado extasiado dela e usando a língua como condutora desse momento. Com as duas mãos, estimulava os seios dela, enquanto os polegares trabalhavam nos mamilos endurecidos; gradualmente, vendo o estado corporal dela, ele ia enfiando lentamente o membro e arrancando gemidos com louvor.

Quando conseguiu, finalmente, enterrar-se por completo, deixou-a se acostumar e, ao senti-la mais disposta, iniciou os movimentos de vai-e-vem.

Foi terrivelmente difícil manter o ritmo lento quando, dentro da musa, estava tão quente e molhado. Defteros precisou urrar e rosnar para desabafar a angústia de não tomá-la agressivamente. Todo o corpo do geminiano estava tenso devido à preocupação de machucá-la. Só que, claro, Terpsícore tinha que dificultar mais ainda as coisas ao aproximar os lábios de seu ouvido e dizer, entre gemidos:

– Faça como você está querendo... Ahn... Eu quero o que você quiser. – após a última palavra, Defteros deu uma estocada mais forte. – AH!

– Você realmente quer isso? Quer mais forte que isso? – estocou novamente, com mais força, arrancando um gemido intenso de Terps, que praticamente saltou com o tronco. — Você não aguenta... Ah... Eu não aguento. – e enterrou o rosto na curva do pescoço da musa.

Se Defteros já delirava com as arranhadas que recebia dela, nesse ritmo, mal podia imaginar num ritmo mais acelerado...

– Defteros, eu quero mais! Faça como você quer! – em alto e bom som, ela implorou, apertando ainda mais as unhas naquelas costas largas e deliciosas. Ela percebeu que o controle dele para com o momento era grande demais para ser suportado. – POR FAVOR!

E ele não aguentou mais. Virou-a bruscamente, revertendo as posições, e a montou em seu membro de forma mais aprofundada. O gemido que Terps soltou não poderia ter sido mais delicioso aos seus ouvidos. Foi como o grito final de uma presa sendo abatida. Sim, ele finalmente rompera o selo dela. Era possível sentir o sangue escorrendo de dentro dela lentamente. Tão gostoso quanto o mel que dela saía sem parar.

Sustentando-se com o apoio das mãos no tórax rígido do geminiano, ela permaneceu por alguns segundos, acostumando-se com aquele membro enorme dentro de si e procurando o ritmo de sua respiração acelerada. Por um momento, sentiu-se tonta com a dor e com a falta de ar, mas não durou muito, pois sua necessidade afrodisíaca, gritante e avassaladora, aumentou após sentir o membro dele pulsar. Foi como uma anestesia parcial, pois o prazer continuava ardendo.

– Não era o que você queria? – Defteros apertou a cintura de Terps com força e a movimentou por centímetros para frente e para trás, fazendo-a roçar o clitóris em sua região. Ela estava devidamente encaixada. – Agora dance, musa da dança. Dance exatamente onde está.

As palavras dele foram tão envolventes que Terps não aguentou e gemeu por pura satisfação de ouvi-las. Teria deixado um sorriso crescer se não fossem as mãos grosserias dele a incentivando com ansiedade. Logo ela passou a rebolar e cavalgar, num ritmo gradual. Apesar da dor, o prazer era indescritível.

No meio da orquestra de gemidos, ela dançou. No início, foi manipulada pelas mãos de Defteros, mas depois ele delirou demais para conduzi-la de alguma forma, portanto preferiu estimulá-la nos seios e, por vezes, no bumbum, onde apertou bastante para dar ênfase em movimentos. Minutos depois, agarrou-a pela cintura e a deitou na cama, já não aguentando mais o deleite de ter Terpsícore quicando em seu membro, de forma tão molhada e inocente.

Sem tirar seu membro, Defteros ergueu as duas pernas da musa, encostando as costas dos joelhos nas dobras de seus braços, e a penetrou com mais força, tendo-a numa visão maravilhosa de dor e constrangimento, dentro do que envolvia o prazer.

– I-Isso é constrangedor... AH! – Terps gemeu alto ao senti-lo entrar ainda mais em si. Seu rosto estava fervorosamente corado e isso só piorava devido ao olhar malicioso que ele oferecia a ela, juntamente com um sorriso de canino saltado, extremamente sensual. – P-Pare... Não me olhe assim... – ela pediu, dando lugar, em seguida, a uma série de gemidos agudos.

Ela mal percebeu quando ele moveu um das pernas para apoiar no ombro e passou a dedilhá-la, estimulando o ponto mais sensível. Qualquer sentimento de prazer que ela sentiu anteriormente não pôde mais ser comparado àquele que estava sentindo. Nem a água mais refrescante num dia quente poderia proporcionar uma satisfação tão imensurável; nem mesmo o som da mais afinada lira poderia oferecer uma sensação tão completa quanto a que Defteros oferecia a cada estocada deslizante que dava. Terps nem se importou com a respiração falha que fazia, apenas fechou os olhos e deu espaço para a onda de prazer que crescia em si.

– Ah.. Ah... Def...teros... – Terps sentia que, a cada gemido, ele se contorcia ainda mais dentro dela. A expressão de prazer dele era absurdamente encantadora e temível e, por mais que ela o quisesse mais perto, não tinha coragem de desviar o olhar do dele. Porém precisava sentir aquele corpo enorme sobre si novamente. – Me abrace... AHN... Me abrace...

Mordendo o lábio, ele a abraçou. Beijá-la foi inevitável, assim como rosnar diante do prazer desmedido de tê-la tão entregue e deleitosa. Num ritmo ainda mais acelerado, ele a penetrou com fúria, sem parar, num êxtase completo e compartilhado. Suas mãos agarraram-na nos braços para mantê-la parada diante das investidas – as quais se intensificaram ainda mais quando ele enterrou o rosto nos cabelos macios e cheirosos da musa. Cada fragmento de Terps parecia enlouquecê-lo de todas as formas possíveis. O calor corporal que trocavam, juntamente com o suor dos dois corpos, contribuía altamente para qualquer abandono de sanidade.

Defteros estava muito perto de gozar e sentia que ela também, mas, em seu íntimo, ainda queria mais. Queria aproveitar aquele momento até o último suspiro de disposição dos dois. Diante disso, num movimento rápido que arrancou dela um longo gemido, ele parou o ato e se afastou. Nem a esperou reprová-lo, pegou-a pela cintura e arrastou-a até o outro lado da cama, onde a colocou de quatro.

– Você acaba comigo, Terpsícore. – ele rosnou, encaixando a glande na entrada úmida dela. – Quero que me veja acabar com você.

E então ela entendeu o que ele quis dizer, assim que se viu de frente para um espelho. Defteros estava atrás de si, enfiando lentamente o membro, como se quisesse torturá-la. Bom, a intenção dele foi evidente quando ela o viu sorrir com malícia através do espelho. Mas também pôde se ver, completamente corada, suada e descabelada. Sentiu as mãos firmes dele na cintura, movendo-a para frente a para trás enquanto se enterrava novamente por completo. Porém, rapidamente, as mãos esfregaram seu sexo, sua barriga, seios e costas com uma sensualidade estupenda. Uma delas logo puxou seu cabelo loiro, no intuito de erguer sua cabeça e admirar seu rosto. Tudo, absolutamente tudo que ele fazia a deixava perto de um orgasmo.

Terps já não aguentava mais, estava eufórica com a sensação conhecida de prazer, vinda através da onda esperada. O barulho de seu bumbum chocando-se no corpo dele foi tão excitante que ela não hesitou em contrair seu sexo.

E Defteros não resistiu. Aumentou o ritmo das estocadas com violência, aproveitando para dar leves palmadas no bumbum empinado de Terpsícore e, quando a sentiu se contorcer intensamente, percebeu-a gozar. O gemido alto e delicioso dela desencadeou um ritmo ainda mais frenético e ele gozou em seguida, urrando num alívio comprometedor.

Ambos ápices atingiram uma intensidade nunca experimentada por nenhum dos dois anteriormente. Foi como se a alma sossegasse, após tantos anos de existência.

Terps viu a satisfação doentia estampada no rosto dele, através do espelho, assim como a própria expressão de prazer ao ter atingido o orgasmo mais intenso de sua vida. Sentiu um leve constrangimento ao ver a imagem daquele grego maravilhoso admirando-a com um sorriso devasso e vitorioso.

– Respire... Defteros. – ela disse, devolvendo o sorriso.

Notas finais
Por favor, deixem suas opiniões =) Até a alguns dias =) Preciso recuperar minha inocência =) E beber uma tônica gelada =) Preparem-se pros problemas que virão =) Beijos, amores =*