EmMusas - The Lost Canvas
40 Heroína
Notas iniciais

Capítulo 40
Templo da Musa da Tragédia
Melpomene alongou as pernas com cuidado, observou o vestido deslizar por elas quando as ergueu e, por fim, relaxou em seu divã. Ao olhar para o lado, viu uma vasilha com uvas e maçãs, acabou pegando um cacho; para cada uva, um pedido foi feito. Na verdade, foi sempre o mesmo pedido, porém intensificado de acordo com o sabor da fruta. Sua posição de espera era tópico do assunto das ninfas de seu templo, porém este mudou para outro rapidamente.
– Melpomene, gostaria de mais alguma coisa? – Ágda* perguntou, gentilmente.
– Nã-
– ÁGDA! ÁGDA! Eu o vi novamente! Eu o vi, juro que vi. Tão belo, ó, meu querido Zeus! Como botaste um ser tão belo nesses bosques?
– Eulália*, você interrompeu Melpomene! – Ágda reprovou a ninfa mais nova com o olhar, mas se aliviou ao ver a musa da tragédia sorrir.
– Oh, perdão, querida Musa! – Eulália pegou a mão de Mel e se ajoelhou para beijá-la. A musa retribuiu, acariciando o cabelo da ninfa.
– Está tudo bem, continue sua fala. – Mel se virou para Ágda. – Estou satisfeita com o que me trouxe, pode descansar.
– Ai, que ótimo! Venha comigo, Ágda, venha ver. Oh... Minha adorada musa – Eulália não continha sua felicidade. -, um ser tão belo passou pelo bosque há pouco tempo, acredito que ele está à procura do nosso templo! Ou talvez de algum outro, mas poderíamos atraí-lo para cá, seria uma bênção aos seus olhos, juro!
– Antes de tudo, acalme-se, Eulália. – Mel se endireitou em seu divã e fitou a jovem ninfa com olhos gentis. – Fale-me sobre esse belo ser. – pediu, com um sorriso malicioso, que não passou despercebido por Ágda.
– Ah, Melpomene, é tão belo! Tem longos cabelos azuis e lisos, que dançam de acordo com a brisa e ainda por cima liberam um aroma de rosas que nem nós temos aqui! – a ninfa não poupou nos elogios, entre outras características que citou animadamente. Mel permitiu seu radiante sorriso sair, mas permaneceu calada, apenas ouvindo os comentários.
– Espero que esse ser apareça por aqui, Eulália. – Mel disse, contendo um sorriso que queria crescer. Ágda observou cada movimento facial da musa, conhecia-a tão bem que entendeu tudo na hora.
– Sim, minha Musa, também espero! – a ninfa mais jovem bateu palminhas no ar. – Ele foi visto primeiro por Else*, perto dos pomares!
Essa informação fez o coração de Mel acelerar. Se estava perto dos pomares, estava perto da entrada de seu templo. Num impulso, ela se levantou e correu para seu quarto, no intuito de se ajeitar um pouco mais. As duas ninfas estranharam, mas a seguiram fielmente. Pouco tempo depois, desceram novamente para o Salão Principal e estacaram o passo assim que viram o visitante.
– Minha musa, é ele! – Eulália sussurrou sem sucesso para Mel, a fala saiu alto demais e até Albafica sorriu, meio confuso.
– Eu sei. – Mel disse, visivelmente emocionada.
A musa não aguentou ficar parada, andou até onde o cavaleiro de peixes estava e o abraçou docemente. Por mais que tenha se passado pouco tempo, sentiu falta de tocá-lo daquela maneira, e, agora que estava repleta de veneno novamente, não quis ficar apenas tentada a isso. Tudo saiu como planejado, pelo visto.
Mais atrás, Ádga e Eulália encaravam aquela cena com expressões diferentes: a primeira, totalmente feliz por ver sua Musa feliz; a segunda, totalmente confusa por ver sua Musa abraçando intimamente o belo rapaz que viu há minutos atrás.
Albafica não continha sua felicidade, teve de puxar sua querida musa para um beijo apaixonado. Seus dedos deslizaram pelo maxilar delicado dela, despejando todo o carinho que quis dar enquanto ela esteve longe; optou por dar pequenos beijos em cada parte do rosto de Mel, no intuito de captar ainda mais seu sabor; um afago aqui e outro lá também se fizeram presentes quando voltaram a se beijar.
Mel não se importou com o local, com quem a assistia, com o que estava acontecendo ao redor; apenas se focou naqueles lábios macios e quentes do pisciano. Lábios mais valiosos que qualquer outro. Ficou tão emocionada ao vê-lo ali que precisou expressar através de longos minutos de beijos. Quando se afastou, percebeu que suas ninfas haviam se retirado e acabou sorrindo por elas. Em instantes, retomou aquele cavaleiro como foco de seu olhar, enquanto tinha a lateral do rosto acariciada por ele.
– Você não vai acreditar no que aconteceu comigo. – ele disse, entre um enorme sorriso, com uma pontada de sarcasmo.
– Diga-me, então. – ela devolveu da mesma forma.
– Athena me colocou em uma missão, mas não uma missão qualquer. Ela ordenou que eu viesse até o Templo da Musa da Tragédia e ainda me concedeu um pequeno mapa para que eu não errasse o caminho de jeito nenhum. E quando perguntei o porquê, a serva não soube responder. Quase achei que ela estivesse me fazendo de tolo. E sabe por quê? – ele manteve os afagos em Mel, que negou com a cabeça, porém sorriu ainda mais. – Porque essa serva veio me comunicar isso um dia depois da sua partida, e eu me lembro de termos comentado sobre minha falta de oportunidade de sair da Casa de Peixes.
Mel não aguentou, teve de liberar o lábio – antes mordido – para solar uma gargalhada gostosa. Albafica lutou para não se emocionar mais, mas permaneceu sorrindo radiantemente.
– Ah, é? Quanta coincidência, não? – a musa disse, tão sarcástica quanto ele. Com o polegar, trilhou o caminho do tórax dele até a nuca, provocantemente. – Dizem que quando se tem fé, os desejos se realizam.
– Essa é a melhor desculpa que tem? Imagino se você fosse a mente por trás disso! – ele brincou, e os dois não resistiram mais, beijaram-se com o mesmo sentimento reprimido anteriormente.
– Você demorou, cavaleiro.
– Não me provoque, Melpomene. – ele respondeu, enlaçando a cintura da musa com força. – Mostre-me seu templo, por favor?
– Antes, tem interesse em conhecer meu quarto? – Mel disse, com toda coragem do mundo, porém corando intensamente. A visão daquele rosto maravilhoso do cavaleiro de peixes, tão corado quanto ela, fez com que seu coração sentisse a mesma pontada que um coração atingido pela flecha de Eros* sentiria. Só que, diferentemente de um coração comum, o dela já estava completamente condenado àquele amor.
~
Um longo suspiro, seguido por uma série de gemidos parcialmente abafados por outros gemidos.
Um rastro do ombro até o pescoço, deixado por uma língua audaciosa e cheia de vontade de provar daquele sabor.
Uma gota de suor despedindo-se da testa para chegar até o colo, para, só então, ser desfeita no contato de duas peles.
Um puxão de cabelo para abrir o espaço de mordida, a qual é dada com a fome de um amante em devoção.
Uma mexida de quadril que quase extrai o orgasmo dele, que se desconcentra por quase gemer alto demais.
Um sorriso de satisfação ao ver a cara de prazer dela depois que seu seio foi abocanhado com uma língua agitada cumprimentando o mamilo.
Mesmo depois dos dois ápices, eles permaneceram naquela posição, onde ele, sentado na cama e com as costas escoradas na cabeceira, tinha ela encaixada em seu membro. Ela, que deitou a cabeça no espaço entre o ombro e o pescoço dele, mordiscou um pouquinho aquela pele doce e salgada; ele, que ofegou ainda mais, deslizou a ponta dos dedos pelo corpo delicado, suado e cansado dela, com muito carinho e cuidado. E assim permaneceram até recuperarem o ar que fugira de seus pulmões depois de fazerem amor.
Nenhum dos dois queria se mexer, estavam confortáveis demais, apaixonados demais, perto demais para quebrar tal encanto. Sentir o outro nunca foi tão intenso. De fato, quando fizeram amor na Casa de Peixes, tinham uma preocupação maior por conta dos passantes, sem falar na vulgaridade daquele espaço, onde de tudo já havia acontecido, mesmo antes de Albafica tomá-lo como seu. Mas no templo dela era diferente, era único e íntimo, possuía um espaço próprio e uma áurea insubstituível. Albafica nunca teve a chance de provar uma energia tão singelamente perfeita como a de Melpomene, naquele quarto, naquele templo, naquele vale.
Para ela, o mesmo se estendia em pensamentos. Ter seu amado cavaleiro em seu quarto, em seu templo, em seu vale, era quase inconcebível no âmbito da realidade. Jamais se esqueceria da imagem dele em sua cama, gemendo e tendo prazer com seus movimentos e carinhos.
Com medo de ser um peso a mais no corpo cansado de Albafica, Mel se ajeitou na cama, ao lado dele, e se deitou, sem tirar os olhos do belo homem. Ele, por sua vez, fez o mesmo e acrescentou um beijo na testa dela. Não resistiu em sorrir ao vê-la vermelha.
– Obrigado.
Mel se surpreendeu com a palavra.
– Pelo o quê? – perguntou.
– Por ter providenciado minha vinda. – rapidamente, ele a puxou para si, pela cintura, e depositou um beijo delicado na ponta do nariz dela.
– Ah... – quase sentiu o rosto ferver ao corar ainda mais, porém não conseguiu desviar os olhos. – Eu não seria verdadeira se não lutasse para mudar um pouco daquela realidade que você me contou. Ninguém merece viver confinado a um só espaço.
– Eu sempre concordei com isso, mas nunca tive quem me salvasse. Você mudou muito os meus dias. Na verdade, você é minha heroína, Melpomene.
– Não é como se eu estivesse agindo sozinha. Eu diria que nós nos salvamos juntos.
Albafica teve de rir, o jeito dela ao falar isso foi adorável. Uma mistura de constrangimento com necessidade. Ele precisou se controlar para não atacá-la novamente. Aqueles olhos melancólicos, cuja cor escura hipnotizava os mais inocentes seres, expressaram tão bem a verdade por trás daquelas palavras...
– Minha musa.
~
O dia pareceu um sonho para Melpomene. Tudo saiu com tanta perfeição que foi quase inevitável esperar que algo desse errado, para fazê-la cair novamente na realidade e se lembrar de o que representava no mundo da inspiração. Mas nada disso aconteceu, pelo contrário: tudo foi potencializado pelo sorriso de Albafica.
Apesar de não haver muito que fazer no Vale, eles fizeram tudo o que quiseram: colheram frutas dos pomares, onde Mel apresentou suas ninfas epimélides*; escalaram algumas árvores mais altas do bosque, embora ele tenha preferido permanecer no chão para poder pegá-la numa possível queda; tomaram banho de cachoeira, onde se amaram novamente; cuidaram das variadas flores do jardim do templo, onde a musa apontou o local que gostaria de plantar rosas como as de Albafica... Incapaz de deixá-lo entediado, procurou entretê-lo das maneiras mais variadas que encontrou em sua moradia.
Entretanto, Mel não sabia, mas Albafica não se preocuparia em passar o dia repousando apenas escutando o ressonar dela. Claro que ele percebeu o esforço dela para deixá-lo alegre, porém o contrário simplesmente não existia, não havia como ficar chateado tendo-a ao lado, ainda mais longe do Santuário.
O entardecer veio dando a impressão de que estava adiantado, pois, apesar de terem feito bastante coisa, Mel e Albafica mal viram o tempo passar – e desejaram sua lentidão, claramente. Devido a isso, retornaram ao Templo de Mel para um pequeno lanche, que se tornou ainda mais agradável com a vista do pôr-do-sol que ela, felizmente, possuía no andar de cima. Era possível ver, da extensa sacada descoberta, outros vales e rios; a vista toda era contemplada por um belo cenário colorido, oferecido pela belíssima natureza que havia em volta.
– Fazia tanto tempo que eu não vinha aqui que quase me esqueci da beleza do meu pôr-do-sol. – Mel apoiou o queixo nas mãos cruzadas para deixar o rosto confortável no momento de admiração. Albafica, apesar de ter assentido, viu-se vítima do charme da musa, e não conseguiu desviar o olhar.
– Você vai voltar comigo amanhã?
Mel considerou as opções. Já que Ida fez uma boa quantidade de elixir e despejou numa garrafa mediana, ela poderia levá-la consigo e dividir o conteúdo em seus pequenos e vazios frascos que deixou no Santuário. Se Redka voltaria dentro de alguns dias, seria o tempo ideal para garantir essa possibilidade.
– Sim, voltarei. – disse docemente. Albafica estendeu a mão em cima da mesa até tocar na de Mel, no intuito de acariciar lentamente; junto a isso, ofereceu um lindo sorriso que fez a musa suspira baixinho. – V-Você... Quer dar uma volta? Está anoitecendo, mas não há perigo.
– Na verdade, há sim um local que eu gostaria de visitar novamente antes de irmos.
Por entre árvores, risinhos e passos leves, Albafica e Mel seguiram até um dos menores rios do vale, onde uma pequena queda de água dava impressão de pequena cachoeira. O bom era escorar as costas nas rochas da parte mais rasa e ali permanecer serenamente, na presença de um céu quase adormecido e recheado de estrelas. Alguns vagalumes apareciam de vez em quando, animando a noite que os demais animais preferiam desfrutar através do sono. Mas era compreensível, qualquer um adormeceria facilmente naquele espaço tranquilo e cheio de paz.
Mel, imediatamente, lembrou-se dos amores que fizeram na água (na fonte e no rio de seu vale) e corou com intensidade ao perceber que Albafica a observava. Por centro, o pisciano compreendeu o rumo de seus pensamentos e se deleitou. Ela estava parcialmente certa, ele realmente tinha uma intenção naquele espaço.
Albafica puxou Mel para um beijo, que não foi recusado, mas aprofundado, e iniciou carícias mais ousadas no corpo sinuoso dela. A musa, incentivada pelo carinho, fez o mesmo, porém acrescentou a tentativa de despi-lo como diferencial. Ele não a reprovou, pelo contrário: levantou os braços para que ela removesse a camisa incômoda – obstáculo entre os corpos. Só que, quando ela foi remover o próprio vestido, ele a parou.
– Não... Quero você assim. – sussurrou no ouvido dela, em meio a beijos no pescoço. Mel não ousou protestar.
Em seguida, ela foi pega no colo e levada até a parte rasa do rio, onde ele se sentou e escorou as costas para, só então, encaixá-la no meio das pernas e de costas para si. Mel não resistiu em deitar a cabeça no belo tórax do pisciano – pena que não pôde admirá-lo, pois sua posição não permitiu. Com a mão em concha, ele despejou pequenas quantidades de água no corpo de Mel, que não se importou já que o vestido acabou molhado mesmo, e iniciou uma série de beijos na lateral do rosto dela.
Delicadamente, Albafica mordiscou a extensão do ombro dela, alterando entre algo suave e mais intenso, até que, com as duas mãos, contornou o busto de Melpomene até alcançar os seios. Adorou ouvir o arfado dela ao apertá-los, e mais ainda por senti-los com os mamilos atiçados. Optou por massagear a região com calma e sensualidade, sem deixar de estimular o pescoço com mordidas e passagens de língua. Seu membro também se manifestou e ele acabou corando ao perceber que ela, provavelmente, sentiu-o em suas costas.
Desceu as mãos pela cintura da musa e extraiu um maravilhoso arrepio seu, seguido de um suspiro controlado – por ter conhecido melhor o corpo dela, pôde deduzir que Mel estava excitada -, e, ao encontrar as mãos dela postas nas coxas, pegou cada uma com a sua e acariciou.
– Melpomene, gostaria que você experimentasse algo aqui e agora... – ele disse, num tom baixo e aveludado, e beijou suavemente o maxilar da musa.
Mel franziu a testa por não ter entendido a intenção, mas ao sentir sua mão esquerda ser levada até o seio e a direita até sua intimidade, travou qualquer pensamento de imediato. Tentou retirar as mãos dali, mas Albafica as prendeu e depositou um beijo forte em seu ombro.
– Acalme-se, minha musa. Só quero que desfrute de um prazer diferente... Confie em mim.
Palavras traiçoeiras. Confiar, óbvio que Mel confiava, jamais deixaria de confiar, porém a proposta – ainda meio confusa na mente dela – foi tão repentina e inesperada que não conseguiu sequer esboçar uma reação interessante. Ficou parada, com cara uma cara perdida e à espera de algum movimento alheio. Albafica percebeu.
– Não vou lhe forçar – acariciou a mão que segurava a dela no seio esquerdo. -, mas acho que você deveria conhecer o próprio corpo, Melpomene. E estou aqui para lhe ajudar a usufruir disso. – lentamente, movimentou a mão que segurava a dela perto da intimidade um pouco mais para baixo. – Você me mostrou algo novo, deixe-me mostrar também...
A cada ato de Albafica, um suspiro excitado de Mel.
– Isso lhe dará prazer também? – ela perguntou, completamente encabulada e hesitante. O pisciano se permitiu rir suavemente, no intuito de passar tranquilidade, e assentiu atrás dela.
– Muito, mas não se preocupe comigo. Foque nas sensações que sentir por si mesma, meu amor.
As duas últimas palavrinhas pareceram mudar totalmente a noção de realidade de Mel. Ele a chamou de “amor”? Ele a relacionou com esse sentimento? A felicidade quase não coube no coração saltitante da musa da tragédia, tanto que sentiu o pudor ir embora na hora. Tudo bem, focar-se-ia nesse momento tão bem proposto pelo pisciano, mas depois perguntaria se chegou a ouvir bem o que ele disse.
Assim que assentiu, ela deitou a cabeça no ombro dele, relaxou os ombros, suspirou intensamente e moveu, por si mesma, a mão que estava próxima de sua intimidade. Inicialmente, Albafica a ajudou através de movimentos conjuntos, fazendo com que Mel acariciasse o próprio clitóris com os dedos unidos, enquanto manteve o estímulo do seio através de pequenos apertos.
Depois de alguns minutos, Albafica retirou suas mãos e se concentrou em sentir Melpomene tendo prazer sozinha. Ter o corpo dela se contorcendo no seu, em outra perspectiva, foi fantástico; seu membro endureceu potencialmente, mas ele não deu atenção. A visão de sua musa gemendo timidamente enquanto se masturbava era divina, ainda mais por vê-la tão entregue à proposta.
Mel não hesitou em enfiar um dedo na própria abertura e movê-lo com calma, seu movimento precisou de um acompanhamento, por isso retirou a mão que massageava o seio e a colocou no ponto mais sensível daquela região. Eram dois estímulos num só lugar e, céus, era maravilhoso. Ela estava simplesmente admirada com a capacidade de autoprazer. Entretanto, sentiu falta do toque do pisciano, mas isso logo foi resolvido, pois Albafica não resistiu apenas olhar, precisou tocá-la e tomou a parte dos seios, que foi deixada.
Melpomene serpentou o corpo na medida em que seu prazer foi aumentando, sentiu um indício de onda tomar seu corpo, como se tivesse se jogado numa cachoeira refrescante com o corpo quente. De fato, seu corpo alucinou com a presença da água, cuja temperatura contrastou com a sua, e precisou desabafar em forma de gemido. Nem se importou com a possível presença de outras criaturas; ali era seu templo, seu vale, seu espaço, seu prazer sendo manifestado e, principalmente, seu amor sendo alimentado. Seus gemidos foram tão potentes que Albafica precisou deslocar uma das mãos, antes no seio direito, para seu membro, que já doía de tanta excitação, e fazer o mesmo que ela.
Em sintonia, os dois despejaram suas essências, embalados pelo som ofegante da respiração um do outro. Mel desabou no corpo de Albafica, enquanto ele voltou a acariciá-la, tendo um pouco dificuldade no processo de respiração. Por mais um tempo, permaneceram no rio, do jeito que entraram, acariciando-se em silêncio, apenas ouvindo os barulhos da mata e o som dos grilos. Aos poucos, os corações foram se acalmando e eles retornaram ao templo, exaustos.
Deitados na cama após um banho quente, dois olhares se admiraram com carinho e devoção, de forma intensa e digna de dois amantes envolvidos. A cama de Mel não poderia estar mais completa. Silenciosamente, os dois trocaram afagos; a sensação de ser embalado rumo ao sono pela carícia do outro era mais do que convidativa, porém Mel sentiu uma estranha necessidade de quebrar o momento.
– Hoje encontrei Manigold no templo de Tália.
Albafica franziu a testa.
– O que ele veio fazer por aqui? – retirou uma mecha de cabelo dela que havia caído no rosto.
– Procurar Tália. – o pisciano não evitou um riso pelo nariz após a resposta.
– Aquele homem é impulsivo demais.
– Acho que foi uma decisão extremamente inteligente da parte dele. – Mel suspirou, deleitando-se com o carinho na nuca que recebia do outro.
– Quanto a isso, não posso falar, mas ser impulsivo pode levar a consequências drásticas.
– Reconheço isso, mas nesse caso ele se saiu com sucesso, garanto. Só que talvez demore para ele perceber... O importante é que ele sabe, contamos a ele sobre a cicatriz dela. Acredito que o cuidado agora é outro, ou pelo menos tenho esperanças disso.
– Hum... – um breve silêncio foi novamente quebrado por Mel, que estranhou a reação indiferente de Albafica.
– Não tem nem uma pitada de curiosidade para saber o que aconteceu com Tália no passado? – perguntou, meio descrente. Chegou a levantar um pouco a cabeça para fitá-lo melhor.
– Claro que sim – rapidamente, ele respondeu -, porém sei que há uma regra que lhe impede de me contar. Portanto, não vou tentar a nós dois.
– Isso foi... Racional demais para alguém tão sensível. – ela disse, num tom ameno e divertido. Ele sorriu de canto.
– Aprendi a ser assim. Vamos dormir? Temos que levantar cedo pela manhã. – falou, enroscando a cintura da musa com um dos braços e trazendo-a para seu peito.
– S-Sim, mas antes... Há algo que eu quero lhe perguntar. – sua fala saiu abafada devido ao encontro de sua boca com o tórax do pisciano, assim ele a afastou alguns centímetros e a fitou com curiosidade. – Lá no rio, agora à noite... Você... Me chamou de...
Não deu, sua face vermelha atrapalhou a concentração das palavras. No entanto, Albafica fisgou-as.
– Meu amor.
– Hã? – Mel piscou os olhos.
– Chamei você de “meu amor”.
– Oh, então não foi imaginação minha! – o sorriso radiante que ela deu fez o coração do pisciano se derreter dentro de todas as suas proporções. Com certeza, aquela musa não fazia ideia do poder natural que tinha.
– Claro que não, Melpomene. – Albafica disse, com certa dificuldade. – Acredito que o tempo é diferente para nós dois e, sobretudo, não acredito que terei uma vida longa. Mas, considerando a que vivo, tenho certeza de que você é o amor dela.
E foi por essa declaração que Melpomene adormeceu sorrindo, embalada pelo ressonar do cavaleiro de peixes.
~
Salão principal do Templo do Grande Mestre, Santuário de Athena.
– Você acha que ele teve sucesso nessa pequena jornada? – Sasha perguntou a Sage, que estava encostado no parapeito de uma das altas janelas, ao lado do altar.
O patriarca mantinha a ruga entre as sobrancelhas brancas, levemente penteadas, assim como a mão no queixo, que coçava incessantemente. Seus olhos fitavam o nada e ao mesmo tempo o tudo à sua frente, porém a mente prestava atenção nas palavras da deusa, apesar de querer vagar por um caminho mais distante.
– Sim, mas a ansiedade dele o cega, na maioria das vezes. – Sage suspirou, cansado. – Confesso que sinto falta dela, mas enxergo uma enorme vantagem nessa partida, minha deusa. E tem relação com minhas atuais reflexões acerca do motivo de Zeus ter feito tal pedido à senhorita.
– Oh, é mesmo! – Sasha levou as mãos à boca. – Esqueci-me de pensar sobre isso, fiquei tão focada naqueles registros que sequer me perguntei novamente por onde tudo começou. Acho que me acostumei com a presença delas aqui, embora não tanto quanto os cavaleiros de ouro. – permitiu-se sorrir docemente, enquanto Sage pigarreou.
– De fato, isso contempla minhas reflexões. Mas peço que não se incomode com isso, Athena. – o patriarca se virou para olhá-la. – Gostaria de dar uma olhada nas constatações que fizeram até agora. É possível?
– Sim, mas posso lhe entregar à noite? Preciso checar algo com Urânia que me passou pela cabeça ontem à noite. – Sasha, inevitavelmente, teve seus sonos evitados devido aos avanços que tiveram na investigação dos registros. Mal podia dizer que se lembrava de o que era dormir de verdade, pois, se sua mente não trabalhava na sala particular, com certeza trabalharia na hora de seu repouso.
Sage assentiu tranquilamente para a deusa, e logo suas atenções foram direcionadas às quatro musas que apareceram no Salão. Urânia sorriu para os dois e desejou o típico bom dia, recheado com sua áurea celestial – mais que bem vinda logo cedo; Calíope fez o mesmo, porém permaneceu um pouco mais quieta que o habitual, mergulhada em pensamentos indefinidos; Clio cumprimentou a deusa e o patriarca, assim como Terpsícore, e voltou a atenção ao livro que tinha em mãos; já a musa da dança se aproximou de uma das janelas altas e observou a radiante paisagem. Era perceptível que quase nenhuma sabia o que fazer.
– Grande Mestre! – uma voz fina e esganiçada tomou toda a atenção dos presentes. Um servo baixinho e magricelo correu até uma pequena distância do altar e fez uma reverência um pouco afobada. – Comunico-lhe o retorno do cavaleiro de Peixes e da senhorita Melpomene, bem como o dos cavaleiros de Sagitário e Capricórnio.
Fale com o autor