EmMusas - The Lost Canvas

6 Eu coro, tu coras, eles coram mais ainda


Notas iniciais
O início do festival começa nesse capítulo (e o início de possíveis shippadas também) haha

Capítulo 6

Asmita não sabia mais o que fazer – algo que o deixou insatisfeito, geralmente tinha soluções para seus próprios problemas -, o pior disso tudo era a boa sensação que sentia por ter a musa da poesia épica ao seu lado, meditando junto com ele. Vendo-a tão tranquila, tentou meditar na mesma instância que antes, porém não conseguia se concentrar, então, decidiu abrir as portas para que ela saísse. No entanto, Calíope, mergulhada em sua meditação, não saiu, sequer percebera o fato. Asmita, frustrado, permitiu que ela continuasse ali, mas com um incomodo considerável.

Ao perceber o céu escurecendo, decidiu fechar uma janela com o cosmo no intuito de fazer o barulho despertar a musa – o que ocorreu com êxito.

– Céus! – disse ela ao se perceber na Casa de Virgem. – Finalmente abriu as portas. – levantou-se e se alongou ligeiramente. Asmita nada disse. – Obrigada pela hospitalidade. – agradeceu vitoriosa.

– Acho que abusou dela, não? Abri as portas há tempos. – a entonação da voz era serena e a expressão de Asmita mais ainda, deixando a musa corada e intrigada. Ainda não havia visto o cavaleiro abrir os olhos, esperava que acontecesse pelo menos agora.

– Como não percebi? Será que abriu mesmo? – insinuou. Ele não gostou da fala, não era mentiroso e muito menos implicante. Calíope viu a testa dele franzir.

– Já pode se retirar, Calíope. – disse mais firme, ela se assustou dessa vez.

– E assim o farei, mas porque eu quero e já está ficando tarde. Mesmo que não aceite, agradeço novamente pela hospitalidade. – em tom esnobe, a musa o deixou. Asmita criticava internamente a atitude dela, não gostava da forma com a qual ela se apresentava diante dele, parecia faltar respeito. Ela mal acreditara na importância de sua meditação, grave erro.

~

Terpsícore conseguira encontrar Tália após descer as doze casas, as duas aproveitaram o belo espaço da floresta para correr e se divertir entorno das árvores e seus variados tamanhos e formas.

– O cavaleiro de câncer me encontrou hoje, sabia? – Tália comentou, estava pendurava numa árvore de novo. Terpsícore estava logo abaixo, contemplando um arbusto florido.

– Oh! Ele é tão legal! Queria tê-lo visto mais cedo.

– É meio bocó, achou que eu cairia fácil de uma árvore.

– Não o culpe, ele mal lhe conhece, irmã. Qualquer um poderia acreditar nisso. – a loira sorriu. Tália deu uma cambalhota e parou perto do arbusto.

– Eu sei, mas sinto que devo colocá-lo no lugar dele. Parece mais um que não me vê como musa. – ela, por mais não visse problema nessa fato, não deixava de comentar com a irmã, pois, às vezes, sentia que precisava de palavras de conforto. Sabia que não parecia musa, mas de quem seria a culpa?

– E o que você fez? – Terpsícore interessada, já imaginando alguma travessura.

– Me joguei da árvore e o assustei. Logo ele que queria me dar um susto, acredita? – as duas riram e caíram para trás. Algumas borboletas se revelaram com o impacto, deixando as musas maravilhadas. – Mas e você, como foi descer sem mim? – perguntou, divertida.

– Bom... – Terpsícore logo pensou em Defteros. – Foi estranho, especialmente na casa de gêmeos...

– Você precisa parar com essa mania! – virando-se para a irmã com expressão séria.

– Ele me assusta demais, Tália. E a casa dele também... Defteros é quase maligno.

– Não, não é. Ele faz parte do exército de Athena, não há com o que se preocupar. Mas... O nome dele é mesmo esse? – levantando uma sobrancelha, curiosa.

– Sim, o fiz jurar que era. – ela sorriu após se lembrar do que viera depois do juramento.

– Hmm, e essa cara? – as duas estavam apoiadas nos cotovelos, deitadas uma do lado da outra na grama macia.

– Cara nenhuma, irmã! Venha, vamos voltar, está ficando tarde. – puxando Tália para levantar e seguir para a 13ª Casa.

~

Clio, Melpomene e Urânia se encontravam no quarto da terceira, conversando. As três passaram o dia nos arredores da Casa do Grande Mestre, mas, ao anoitecer, juntaram-se no quarto. Urânia observava as estrelas tímidas que cobriam o céu enquanto o sol partia, pensando em Sísifo – sorria sozinha; Clio lia um dos livros de mitologia que pegara na biblioteca do Santuário, estava entretida com a história da própria origem; Mel pensava em Albafica e na sua trágica sina – poderia ter se interessado por qualquer um, mas teve logo de se interessar por um que não poderia ter ninguém.

Logo Tália e Terpsícore entraram animadas no quarto e pararam para observar a quietude do espaço.

– Credo, que desânimo. E não falo só de Melpomene! – Tália quebrou o silêncio, Terpsícore concordou movimentando a cabeça.

– Nada de desânimo, Tália, só estamos desfrutando de algo que você não aprecia muito. – Clio referindo-se ao silêncio. A musa da comédia revidou com uma careta.

– O festival é amanhã, certo? – Urânia perguntou, saindo de seus devaneios e chamando a atenção das irmãs.

– Sim! – Terpsícore logo se animou com a lembrança, mal podia esperar para participar do evento. – Vocês já decidiram as roupas que vão usar?

– É claro – disse Clio, mais animada. – Será um evento importante e especial. Aliás, a vila é assim, você deveriam aparecer lá mais vezes. – lembrando-se de seu passeio com Kárdia e Degél.

– Certo, certo, Clio. – Tália cortando. – Bom, eu não me preocupo com isso, então, já aviso que se vocês atrasarem vou na frente sozinha.

– Não me deixe descer a escadaria sozinha novamente, Tália! – Terpsícore apontou para a irmã, chamando a atenção das outras. As bochechas da loira estavam coradas.

– Terpsícore, o que foi isso? – Clio perguntou, estranhando o comportamento da irmã mais nova.

– Nada não. – Tália disse antes que a musa da dança pudesse responder.

– Sei. – Clio observou Terpsícore de cima para baixo e parou quando viu uma marca vermelha no braço dela. – Por que seu braço está assim, Terpsícore? – franzindo a testa.

Tália novamente se meteu.

– Eu a puxei com força hoje quando ela estava caindo de uma árvore. Foi tentar me imitar e olha no que deu. Tsc tsc... – encenando da forma mais real possível; a história quase foi convincente, mas apenas para Urânia e Melpomene. Clio se manteve desconfiada. Tália depois tiraria as dúvidas com Terpsícore.

– Certo, amanhã, logo cedo, podemos nos arrumar juntas para o festival. Acredito que não nos atrasaremos, Tália. – dando um olhar impaciente para a irmã, que assentiu.

– Melhor capricharem, ou roubarei o brilho de vocês. – a bela voz de Calíope foi ouvida assim que entrou no quarto. Sua expressão era calma, algo raro, e os olhos tranquilos, ou seja, havia meditado. Tália riu escandalosamente do comentário.

– Se tentar roubar o nosso brilho, Urânia lhe ofusca com sua áurea celestial. – comentou rindo e fazendo as outras musas rirem. Calíope rangeu os dentes e entrou no banheiro.

As outras musas foram para seus respectivos quartos e trataram de dormir cedo. A noite passou tranquilamente no Santuário.

~

Na manhã seguinte, as musas acordaram cedo, menos Tália, que queria desfrutar um pouco mais do sono, já que não se preocuparia com o visual tanto quanto as irmãs; mas foi logo puxada por Melpomene para fora da cama.

Mel ajeitou o cabelo, com a ajuda da irmã, num penteado que prendia todo o cabelo para trás, sendo sustentado pela trança de sempre. Escolheu brincos de rosas e, com a mesma intenção, a presilha. O vermelho dos acessórios combinou com o vestido azul que colocara, o qual era solto e um pouco acima do joelho.

– Está linda, Melpomene! – as duas musas viraram-se para a direção da voz e viram Sasha na porta.

A deusa vestia branco, como esperado, mas os acessórios dourados no pescoço, pulsos, dedos e testa a deixavam excepcionalmente elegante e charmosa. O cabelo solto tinha o brilho de sempre, que combinava com a cor da pele dela. Athena tinha uma presença admirável e uma simpatia invejável, sorria para as duas.

– Algum dia a alcanço, Athena. – Mel sorriu tímida, não era comum receber elogio da deusa. Lembrou-se do pedido de Athena ao se conhecerem, ela queria a aproximação das irmãs musas, mas até agora nenhuma o tinha feito. Por um momento, Mel sentiu vergonha disso.

– Não diga isso, Melpomene, cada um tem sua beleza de várias formas. – a deusa comentou, não sabia bem o que dizer para as musas, e virou-se para Tália. – E você, Tália? Acredito que não sairá com esse pijama, certo? – as três riram, o ambiente se tornara mais agradável.

– Não, Athena, mas admito que não me enervo tanto com essas escolhas. – respondeu docemente. – Bom, já que falamos disso, que acha desse vestido? Sei que é simples, mas... – mostrando um vestido rosa claro que escolhera.

Athena acabou passando nos três quartos para interagir com as irmãs musas, observou a arrumação delas e os visuais escolhidos para o festival. Como não tinha muita influência feminina, pois as servas não se aproximavam dela desse jeito e as amazonas não tinha permissão para caminharem livremente pelas doze casas, ocupou-se com cada detalhe que compunha as vestimentas das musas. (os visuais estão na imagem do capítulo).

~

No Salão do Grande Mestre, Sage aguardava as musas, junto com Sísifo, El Cid e Shion – os quais acompanhariam as musas até a vila. Sísifo sempre era chamado para permanecer ao lado de Sasha, então sua escolha era prevista, porém El Cid e Shion foram chamados por terem sido os únicos que esperaram por vontade própria em suas casas. Em minutos, Sasha entrou no Salão com as musas.

Os olhos do sagitariano foram logo para a musa da astronomia, que estava deslumbrante com o vestido branco contrastando o cabelo preto. Shion observou todas elas, assim como El Cid, mas observou a beleza de Calíope mais intensificada com o pescoço à mostra. El Cid, por outro lado, foi atraído pela beleza de Terpsícore e Clio – a segunda se mostrava com os cabelos soltos, algo que ele nunca tinha visto.

– Sísifo? – Sasha chamou a atenção dele baixinho, percebera o cavaleiro admirado com Urânia e não deixou de rir. – Sísifo, sei que ela é belíssima, mas precisamos ir. Teremos tempo para acompanhá-la no festival, sim?

– Oh, perdoe-me, Athena. – ele fez uma breve reverência e tomou a mão de Sasha, depositando um beijo. – A senhorita está tão bela quanto ela, mas isso não é novidade.

Athena sorriu com a graça e deu um tapinha no ombro do sagitariano, seguindo, em seguida, para a escadaria. El Cid e Shion iam na frente, junto com Sage, mas os dois cavaleiros, às vezes, olhavam as musas por cima dos ombros.

Ao chegarem na primeira casa, Albafica cumprimentou os passantes, dando-lhes óbvia passagem por sua Casa. Entretanto, percebeu que Melpomene ficara para trás.

– Não vai mesmo? – perguntou tristemente. O cavaleiro inspirou fundo.

– Não, Melpomene.

– Queria sua companhia... – cabisbaixa. Albafica suspirou.

– Espere um momento. – a fala fez Mel se alegrar imediatamente. Talvez ele tivesse reconsiderado, mas o viu voltando com uma rosa em mãos de novo e jogando-a para ela. – Essa rosa lhe fará companhia em meu lugar.

Mel pegou a rosa e cheirou-a, sorriu em seguida com o ato. Não sabia que Albafica podia ser tão romântico... Ele, ao vê-la abrindo o radiante sorriso, corou.

– Sim, fará, mas só por essa noite. – respondeu ela, um pouco marota. Ele gostou de vê-la mais alegre, quase se aproximou, mas se conteve.

Mel caminhou apressadamente até quase alcançar a saída da Casa. Albafica admirou-a de longe, a visão da musa se afastando não era das mais agradáveis, mas ela estava tão linda com o vestido azul e uma rosa na cabeça – a presilha que, ironicamente, tinha o formato de sua arma mais letal.

– Melpomene! – chamou-a antes que saísse, ela virou-se bruscamente, fazendo o vestido movimentar belamente. – Está... Muito bonita. – e saiu na escuridão de um corredor mal notado. Melpomene mordeu o lábio de satisfação, enquanto suas bochechas adquiriam um vermelho intenso, e, mais alegre, deixou a Casa de Peixes.

~

Os cavaleiros se aproximaram da Casa de Gêmeos e logo foram surpreendidos pelo cavaleiro protetor que, para suas surpresas, estava apoiado numa coluna à espera deles.

– Defteros, não sabia que se encontrava por aqui ainda. – Sage disse.

– Boa noite, cavaleiros, musas, Grande Mestre e adorada deusa Athena. – fez uma breve reverência. Defteros, assim como os outros cavaleiros, vestia a reluzente Armadura de Ouro. – Acabei me ocupando com outros afazeres e decidi esperá-los. Espero que não se importem. – seus olhos passaram diretamente nos da musa da dança.

– É claro que não, cavaleiro, junte-se a nós. – Sasha convidou com um belo sorriso.

Defteros fez o gesto para que passassem em sua frente, preferindo se manter atrás do grupo, onde Terpsícore estava junto à Tália. A musa da comédia lançou um olhar estreito para ele, como se tentasse proteger a irmã loira que iniciava uma tremedeira. Mesmo assim, ele não deixou de admirar o corpo da musa da dança logo à sua frente. Aproximou-se dela assim que Tália caminhou mais à frente para falar com Melpomene sobre a rosa que ela segurava; Terpsícore se assustou ao vê-lo ao seu lado.

– Prefiro você de azul e sem essa coroa ridícula de flores. – comentou no ouvido dela, que estremeceu. – Mas seu cheiro – pegou a mão dela com força e cheirou intensamente. – ainda me mata.

Ela arrancou a mão da dele e o olhou incrédula, estava ferozmente corada – o que deixou os olhos de Defteros atentos. Ele não fez mais do que sorrir diante do incômodo da musa.

– Não me lembro de ter pedido sua opinião, cavaleiro. – por mais tensa que ficasse em sua presença, estava determinada a não ouvir calada as grosserias.

– Hmm, está ficando mais ousada... – respondeu, a voz sedutora logo a desarmou. Os olhos azuis a devoravam de perto, deixando-a sem reação. – Gosto e não gosto disso. Mas fique à vontade – deslizou a mão pelas costas dela -, qualquer coisa lhe coloco no devido lugar. — Terpsícore estacou e roçou as pernas, sentindo o calor acumular.

Defteros quase enlouqueceu com a reação da musa; quando achava que ela se enfureceria, ela se excitava – o que era ridículo aos olhos dele, porém tentador.

~

A vila estava iluminada por várias lamparinas improvisadas e penduradas em fios que cobriam o local, algumas decorações variadas enfeitavam as esquinas e casas; várias barrquinhas foram armadas, onde uma porção de comidas típicas era exposta; um grupo de músicos tocava para os moradores e visitantes, as crianças corriam descontroladamente pelas ruas e a animação tomava conta de todos. A maioria das lojas estava aberta e lotada, pois o festival, aclamado por moradores de vilarejos necessitados, contava com a presença de visitantes distantes, interessados na proposta do evento. O clima, no geral, estava agradabilíssimo, convidando a todos para usufruírem das mais belas formas.

Os moradores receberam Athena e o Grande Mestre de forma respeitosa, bem como os cavaleiros de ouro, mas não sabiam como se portar diante das convidadas que se encontravam ao lado deles. Assim que Athena introduziu as musas, os moradores se sentiram mais à vontade.

Sísifo, Athena e Urânia logo se envolveram com um vinho oferecido por um vendedor, Sage foi ao encontro dos membros da comissão da vila. Calíope, no fundo, se sentia frustrada com a ausência de Asmita – o cavaleiro não quisera participar do evento, preferira meditar. Era muita meditação para um ser só, ela pensava. Tália e Clio não resistiram em se aproximar de um grupo de crianças que brincava na praça, Mel as seguiu sem a mesma animação – ainda admirava a rosa que tinha em mãos. Terpsícore se viu sozinha e decidiu explorar as barracas de comida, mas antes parou na frente dos músicos e iniciou uma bela dança, chamando a atenção de outros.

– Degél, olha quem chegou! – Kárdia para o aquariano, os dois estavam na praça, perto da loja de flores. Degél, ansiosamente, queria visitar sua amiga florista, mas foi puxado por Kárdia em direção a Clio, Tália e Melpomene. – Boa tarde, senhoritas!

– Boa tarde. – as três responderam amavelmente.

– Chegaram agora? O que gostariam de ver? Clio, gosta de carne? – o escorpiano visivelmente animado fez Clio rir com as perguntas ansiosas.

– Não aprecio tanto, mas adoraria explorar a variedade das comidas. – ela respondeu com cuidado, já percebendo o interesse dele.

– Antes, se não se importam, gostaria de lhes apresentar uma amiga. – Degél disse. Tivera a ideia de visitar a amiga sem ter que deixar as musas apenas na companhia de Kárdia. As três assentiram e o escorpiano bufou.

Chegando na loja de flores, as três observaram o imenso jardim que o local parecia. As musas, maravilhadas, logo exploraram as variadas flores expostas. Melpomene encontrou orquídeas brancas e seu pensamento se direcionou para Albafica.

– Gosta delas? Saem bastante... – uma voz doce a tirou de seus devaneios. Mel se virou e viu uma bela garota de cabelos ruivos, olhos expressivos e com um sorriso tímido no rosto; vestia um vestido verde claro e um avental creme por cima, além de luvas grossas nas mãos. A musa logo adivinhou sua função.

– Olá! Gosto sim, não me surpreende que saiam. – Mel sorriu. – Prazer, Melpomene. – estendeu a mão para a garota, que retirou a luva de uma das mãos e retribuiu o gesto.

– Redka!

– Já se apresentaram? – Degél interrompeu, aparecendo repentinamente. Mel observou Redka corar levemente e abrir um pouco mais o sorriso. – Olá, Redka, como vai? – perguntou, pegando a mão descoberta da garota e depositando um beijo.

– Muito bem, e você? – os olhos atentos no aquariano.

– Igualmente. Gostaria de lhe apresentar as outras musas, tem tempo? – viu Redka levantar uma sobrancelha.

– Musas? As musas estão aqui? – perguntou animada, ouvira falar sobre a recepção delas no Santuário e se interessara.

– Tem duas na sua frente agora! – Tália apareceu, oferecendo um largo sorriso. Redka observou-a e também a Melpomene, logo deduziu que fossem musas. Ela não sabia direito como se portar diante delas, deixando transparecer. – Muito prazer, sou Tália! – estendendo a mão.

Degél observou Redka com interesse, ela era tão graciosa quanto Clio – não poderia comparar às outras, pois passara mais tempo com a musa da história -, e acabou sorrindo ao vê-la mais à vontade depois das apresentações. Clio finalmente apareceu.

– Essa é Clio, musa da história e da criatividade. Tália é musa da comédia e, Melpomene, da tragédia. – Degél apresentou, as três ofereceram, novamente, um sorriso. Redka, cheia de atenção, retribuiu com a mesma simpatia. Observava os grandes olhos cor de mel de Clio, a intrigante cicatriz de Tália e a bela expressão melancólica de Mel. Estava, claramente, encantada com as musas.

– Sua loja é muito adorável, Redka. Pelo capricho, posso ver que cuida muito bem das flores! – Clio comentou alegremente, admirava os recantos floridos da loja e o aroma suave que tinha.

– Todas as flores devem ser bem tratadas, principalmente as mais sensíveis. – Redka comentou, feliz com o reconhecimento. Acabou oferecendo um pequeno tour pela loja, já que havia pouco espaço, e logo fez amizade com as musas que conhecera.

– Você é inteligente, Degél. – Kárdia bufou, estava entediado.

– Descobriu agora? – o aquariano retrucou, sentia-se bem pela interação das musas com a amiga. Seus olhos acompanhavam o trajeto das quatro, mas demoravam-se mais na ruiva.

– Clio – chamou o escorpiano -, vamos comer? Estou com fome... – pediu manhoso, Clio riu do jeito dele e assentiu.

Mel e Tália observavam girassóis e comentavam sobre os bosques que costumavam ir, onde não havia essas flores. Redka sentia-se feliz com a interação, mas sentia falta, ao mesmo tempo, da atenção do aquariano, que se manteve observando-a de longe – algo que não passou despercebido por Clio.

– Redka, por que não nos acompanha nesse festival? – convidou a musa, já ao lado de Degél. O cavaleiro se animou com a ideia de Clio, mas não demonstrou.

– É uma boa ideia, há uma diversão evidente lá fora, você não deveria ficar sozinha aqui! – Tália completou, Mel concordou. As duas musas também queriam a companhia da nova amiga.

– Agradeço o convite, pessoal, mas preciso ficar para receber os clientes. – a ruiva disse, cabisbaixa. Queria muito se juntar ao grupo, principalmente para conhecer melhor as musas, mas algo dizia que isso se desenrolaria com o tempo.

As musas compartilharam da sensação de Redka, mas ofereceram um belo sorriso e um agradecimento. Degél igualmente se frustrou com a resposta, seria muito bom ter a florista ao seu lado. Os cinco se despediram de Redka e deixaram a loja em direção à praça.

– Gostei muito dela. – Clio comentou, andava ao lado de Degél mais atrás do grupo, algo que Kárdia não gostou. O aquariano corou.

– Ela é... Encantadora, realmente. – comentou, meio seco.

– Gostaria de visitá-la mais vezes, espero que me acompanhe. – a musa sacara o clima, e, se não soubesse que poderia dar certo, não tentaria o que estava tentando. Sorriu consigo mesma ao ver o cavaleiro assentir.

~

Manigold passava pelas barraquinhas extremamente interessado nas diversas comidas que tinham, não estava preocupado em gastar muito, apenas queria aproveitar os pratos. Chegando perto da praça, viu as musas saindo da loja de flores e as acompanhou com o olhar; todas estavam lindas. Ao avistar Tália, lembrou-se do furo que dera ao comentar sobre a cicatriz, mas não hesitou em se aproximar. No entanto, ela desviou a direção, parando de frente para uma vitrine. Manigold foi atrás.

– Boa tarde, garota, posso ajudar? – um homem alto e magro saiu da loja, oferecendo um sorriso estranho.

– Estou só olhando. Para que serve isso? – perguntou, apontando para uma espécie de cachimbo. Manigold observava de longe, rindo surpreso pelo interesse da musa.

– A senhorita fuma? – ele a olhou de cima para baixo. – Pelo visto, não. – ele riu, deixando-a sem entender direito.

– Bom, não, não fumo. Isso é fumo? – Tália não sentiu um clima bom, percebeu que o vendedor fitava sua cicatriz, intrigado.

– Não, não é. Desculpe a pergunta, mas a senhorita veio de onde?

– Ah, pergunta complicada de responder. – ela riu, pensando nos variados lugares que habitara. Manigold não deixou de notar certa graciosidade nela, antes não vista.

– Por quê? Por acaso é um ser diferente? – o vendedor debochou, Tália percebeu.

– Sou uma musa, senhor. – finalmente informou. – Tália, musa da comédia.

O vendedor não evitou um riso alto, colocando a mão na barriga. Manigold sentiu uma pequena raiva crescer dentro de si, pois, assim como ela, percebera o deboche dele.

– Musa? Você? Com essa cara e esse cabelo? Francamente, achei que fossem inspiradoras. Se bem que a senhorita é “musa da comédia”, certo? Até que combina, então. – disse, entre risos. Tália não se intimidou, já era acostumada com palavras absurdas. Do contrário, a raiva de Manigold o alertou.

– Bom, não é como se eu tivesse vindo para cá para inspirar alguém como você, que sequer rende uma boa sátira! – ela riu, divertida. Retrucou com gosto, saboreando cada palavra, e viu a expressão do homem fechar.

Antes que o vendedor pudesse responder, os dois ouviram uma alta gargalhada. Manigold se aproximou prontamente, rindo descontroladamente e parando ao lado da musa.

– Melhor você não provocar o desconhecido, senhor. Essa musa aqui é travessa! – aproximou-se do rosto do homem. – E você sabe que brincar com as filhas de Zeus nunca é uma boa opção, certo? – a voz e a expressão de Manigold adquiriram uma maldade desfrutável, deixando até a musa surpresa. O cavaleiro adorou a expressão de terror que recebeu como resposta, e o homem não esperou mais nada para voltar para o interior da loja.

– Esse é seu melhor argumento, não é? “Musa filhinha do papai Zeus”. – ela o imitou brincando, Manigold revirou os olhos.

– E não é o que você é? – ele a provocou, demonstrando um olhar esperto. Tália se aproximou do cavaleiro, ficando próxima de seu rosto e sorriu.

– Agradeço a intromissão, mas não preciso de guarda-costas. – roubou um selinho dele e saiu vitoriosa. O canceriano achou graça, mas acabou se envolvendo num misto de confusão e adoração. Pelo visto, não se enganara quando disse que a musa era travessa.

Notas finais
Hmmm, Degél, Clio sacou hein... O que falar de Manigold? hahahaha