Notas iniciais
Olá, queridxs leitorxs! Começando a semana de boa? Finalmente choveu aqui na cidade do sol e fiquei tremendamente feliz quando acordei. No entanto, maldita enxaqueca que me impediu de levantar. Ugh. Mas isso não é interessante, enfim. Contando os dois caps anteriores e esse, fechamos uma pequena parte não tão agitada, porém extremamente necessária pra alertar sobre alguns pontos dos mistérios que envolvem a fic. Não desanimem porque a fogueira que Kárdia organizou vai queimar muito daqui a uns capítulos!!! Além disso, tá chegando a hora de descobrir alguns babados hahahaha Bom, boa leitura!

Capítulo 29

Um aroma delicioso e diferente preencheu o espaço e almofadas macias aqueceram seu corpo. Não abriu os olhos, porém sentiu que devia, pois algo a fez sentir que não estava onde devia estar. Entretanto, o sono estava tão bom que despertar naquele momento poderia ser crime. Ela inspirou profundamente, no intuito de sentir o aroma suave, e deslocou o corpo para uma posição mais agradável. Percebeu que estava num lugar diferente, mais confortável e acolhedor, porém a possibilidade de ser um sonho não a abandonou, então preferiu permanecer daquele jeito. O aroma do espaço não era conhecido, mas o da almofada sim; uma mistura cítrica com algo mais... Forte. Como o mar e sua essência salgada, porém suave. Franziu a testa após identificar o aroma, mas não compreendeu. Impossível estar onde pensou que poderia estar, pois deixou claro que não aceitaria adormecer ali.

A energia gentil ao redor também incentivou o sono dela, mas, repentinamente, Calíope sentiu uma forte e densa energia hostil explodir ali perto por míseros segundos.

– AH! – gritou ao acordar. Na verdade, acordou por causa disso. Olhou em volta e constatou que sim, infelizmente, adormeceu na Casa de Virgem, no canto das almofadas.

– Calíope? – a voz amena dele a chamou, com um toque de preocupação. Ela esfregou os olhos e o viu entrar no Salão Principal. Preocupada, fitou o próprio corpo e se aliviou ao perceber que estava vestida – porém com uma roupa diferente, uma espécie de vestido longo e branco.

Calíope ficou ofegante demais para falar, mas Asmita captou o cosmo agitado e preocupado dela.

– Acalme-se, não lhe toquei. – deduziu a preocupação dela. – Quem lhe vestiu foi uma serva, suas roupas estavam úmidas e pedi para que ela as lavasse.

Ótimo, ela pensou. Entretanto, não estava ofegante por causa disso.

– Asmita... Eu... Senti uma energia estranha.

– Eu sei, também senti. Por isso, Calíope, queria que você me desse licença para meditar um pouco, preciso me concentrar seriamente. Gostaria, antes, de fazer o desjejum aqui?

– Não. – disse severamente. – Ainda não acredito que dormi aqui.

Asmita se permitiu rir.

– Calíope, você adormeceu da forma mais bonita: cantando. Seu canto foi tão profundo que me acolheu no sono também.

O coração dela se apertou de felicidade ao ouvir isso. Raras vezes Asmita a elogiou de alguma forma e, quando o fez, sempre foi intenso. Entretanto, esperou ouvir alguma crítica quanto a abusar de sua hospitalidade – por mais que tivesse deixado claro o quanto não queria. Só que essa crítica não veio e ela estranhou. Asmita, com certeza, mudou.

Calíope se acostumou em ver o virginiano caminhar como se não fosse limitado visualmente, mas não em senti-lo ao seu lado, como sentiu nesse momento. Ele tinha uma maneira delicada de passar carinho e ela estranhava sempre que ele fazia, mas nunca recusava, afinal, ele a seduzia sem querer com sua humanidade reprimida.

Asmita puxou o rosto de Calíope e depositou um beijo em sua testa. Não satisfeita, ela o puxou para um beijo, o qual ele retribuiu sorrindo. Ela soube, naquele momento, que ele esperou exatamente essa reação ao beijá-la em outro lugar que não foi a boca. Ela poderia ter reclamado, mas não o fez, apenas desfrutou da boca macia dele enquanto recebeu carícias suaves. Um beijo de desculpas por expulsá-la da Casa de Virgem, de fato.

Calíope sorriu ao se afastar dele.

– Sairei. – inspirou fundo. – E obrigada. Esse incenso é muito melhor, definitivamente.

Asmita riu. Ficou feliz por ela ter notado a mudança do aroma.

– Acredite, não queria que saísse. – ele disse, dessa vez um pouco sério.

– Eu sei, mas devo. E vou evitar meditar por hoje. Só... Encontre essa energia. Algo me diz que ela não sairá tão cedo...

– Por que acha isso? – perguntou, curioso, ao sentir a musa mais preocupada. Ela parecia esconder algo. – Reconhece essa energia?

– Talvez. – ela respondeu; e se arrependeu em seguida ao ver Asmita franzir a testa.

– Qual delas? – a pergunta surpreendeu Calíope. Como ele soube que ela sentiu duasenergias estranhas?

– Asmita...

– Responda. – com um tom autoritário. Inevitavelmente, isso arrancou uma expressão de desgosto dela.

– As duas, eu acho... A primeira me é familiar, a segunda me lembra uma que conheci, infelizmente. – ela respondeu com raiva, mas não por causa do virginiano, e sim por se lembrar de o que envolvia a segunda energia.

– Acha que mais alguém sentiu?

– Não. Talvez a primeira, mas essa que explodiu agora o fez miseravelmente.

– O cosmo que acabou de explodir lhe é familiar ou hostil?

– Asmita... O cosmo que acabou de explodir não me diz respeito. Não posso falar dele, nem sei se é realmente o que conheci, explodiu sutilmente demais para que eu reconhecesse de fato. Mas não posso revelar absolutamente nenhuma teoria porque esse assunto não me diz respeito, compreende?

– Entendo. Diz respeito à outra musa. – ele sentiu a cabeça dela assentir enquanto a tocava.

– Não posso falar desse cosmo porque insistiria em palavras que não devem sair da minha boca. – Calíope disse, tristemente. Sentiu um ar estranho se formar entre ela e Asmita. Ele não aceitaria muito bem esse fato, até porque precisava saber para relatar à deusa e protegê-la, mas ela não poderia falar (e nem queria, pois era outro assunto não discutido entre as musas, além do da cicatriz de Tália).

– Entendo. – Asmita mordeu o lábio para segurar as palavras que quiseram sair. – Tudo bem, pode sair, Calíope.

Calíope percebeu a raiva dele, por mais controlado que ele tenha sido. Não questionou, porém, e saiu apressadamente, após pegar suas roupas que estavam dobradas em cima de um cômodo perto da saída. Não disse nada, apenas seguiu, com o coração apertado e um resquício de incredulidade no rosto.

Nem se preocupou em subir até o templo onde estava hospedada, apenas se trocou num banheiro, colocou sua roupa do dia anterior e desceu para as arenas. Pensou e concluiu que era inútil ficar no templo do Grande Mestre, além de tedioso. Se Asmita não queria sua companhia, arranjaria uma por si só. E não demorou em fazê-lo.

O que viu foi quase chocante: Terpsícore praticando golpes de defesa básica? Ao lado, uma amazona a guiava e mostrava novos golpes. Terps, suada e cansada, prestava atenção e imitava os movimentos com maestria, como se estivesse dançando. Por um lado, Calíope ficou estática, por outro, totalmente satisfeita. Estava mais do que na hora da irmã menor aprender a se defender. Quase todas as Musas aprenderam, apenas Erato e Terpsícore ficaram à parte disso, mas porque Mnemósine pediu. De qualquer forma, Calíope nunca esperou ver Terps agir por vontade própria. Realmente, a tempestade entre Clio e o cavaleiro de gêmeos a despertou em alguma coisa.

Calíope não resistiu e se sentou distante, porém perto o bastante para assistir à irmã. Com um sorriso singelo no rosto, admirou a determinação de Terpsícore. Sua pequena irmã estava crescendo, afinal.

~

– E então, o que tem a dizer sobre isso? – ele perguntou, sério.

– Bom, apesar de o pedido ter sido um tanto quanto... Racional e lógico demais... – ela deu uma risadinha ao ver a expressão confusa dele. – Aceito ser seu par.

– Ah, isso é... Reconfortante. – ele sorriu suavemente e ela riu. – O que é engraçado?

– Você tentando ser romântico. Às vezes, consegue perfeitamente, mas são momentos raros. – ela sorriu e enlaçou o pescoço dele com os braços. – E agora? Agora que sou seu par, o que fará?

Degél não demorou em sugar os lábios dela, iniciando um beijo profundo e faminto, digno do sentimento que se acumulou após descer as doze casas pensando nela. Redka o puxou mais para si, não se preocupou com o cliente que acabou de chegar na loja, nem quis saber quem foi. Os dois se tocaram com volúpia e desenvolveram o beijo para além da boca, passando pelos pescoços e bochechas, até Degél sentir que estava sendo observado. Redka soltou um muxoxo quando ele se afastou, mas, ao olhar para o lado, sorriu.

– Mel! – Redka foi até a amiga e a abraçou com força. Despejou toda a alegria que sentiu com o pedido de Degél. Foi apenas uma formalidade para oficializá-los, mas o significado, para ela, foi além disso.

– Desculpe, não quis interromper nada. – Mel disse, completamente encabulada. Degél se manteve sério, mas não conseguiu disfarçar totalmente sua satisfação por ter se encontrado com a ruiva. – Na verdade, vim só para... Hmm, lhe ver.

Redka compreendeu o recado, mas, antes que pudesse falar, Mel a interrompeu:

– Posso voltar depois também!

Degél não comentou, mas pensou que seria ótimo se Melpomene saísse e os deixasse a sós mais um pouco. Redka, no entanto, pediu dois minutos a sós com a musa e ele concedeu. Quando Degél deixou a loja, a florista puxou a musa para uma pequena sala, mas não para fazer o de sempre. Deixou Mel na porta, entrou na sala e voltou com uma caixinha preta em mãos.

– Mel, para que não precise vir todos os dias até aqui, decidi fazer uma quantidade maior de elixir e distribuir em vidrinhos. Todos estão aqui. – bateu de leve na caixa e entregou-a para a musa. – Não exagere na dosagem, tome o que achar necessário para se manter perto de Albafica, nada mais que isso. Trate de fazer durar, certo? E, mesmo assim, apareça de vez em quando por aqui. – e sorriu.

– Oh, melhor do que esperava!

– E lembre-se: cada elixir contém uma quantidade certa de álcool, então cuidado no consumo.

– Certo, certo. – Mel abriu a caixinha e viu uma porção de vidrinhos coloridos, acabou sorrindo. – De que tanto você fez?

– Antúrio, Hortênsia... – Redka se aproximou para ver os vidrinhos. – Hmmm, Narciso e esse aqui – ela apontou para um vidrinho maior de conteúdo claro, quase transparente. – é de Acácia.

– Só um? – Mel estranhou.

– Sim, só um. Essa flor é tremendamente perigosa. Uma assassina profissional. Tive um problema maior com ela devido à liberação do gás venenoso. Foi... Assustador. – Redka estremeceu só de lembrar. – Mel, só tome se for muito necessário. Uma dose desse elixir, especificamente, equivale a umas seis de Antúrio. Além disso, seus efeitos devem ser muito mais intensos e agravantes, então tome muito cuidado.

Redka considerou muito antes de entregar esse elixir em especial para Mel, pois não o experimentou no corpo da musa, então qualquer reação seria novidade. A falta disso a deixou um pouco abismada, mas decidiu colocar; alguma coisa dentro dela a alertou sobre a necessidade dessa dose.

– Mel, leve a sério. Se acabarem as doses, me fale e eu farei mais, mas não tome essa, a não ser que seja muito necessário. Entendeu bem?

– Então por que me deu? – o fato não fez muito sentido na cabeça da musa.

– Ainda não sei, mas espero não descobrir tão cedo.

– E eu espero que essa dose não atraia o azar. – Mel riu e a florista se permitiu fazer o mesmo.

– Agora vá, tem alguém me esperando! – Redka girou o corpo da amiga e a empurrou simbolicamente.

– Digo o mesmo!

Assim que Mel saiu, disse para Degél entrar e ele o fez rapidamente. Redka não calculou o tempo para abraçá-lo novamente e deitou a cabeça no peito dele, enquanto suas mãos o cercaram. Em pensamentos, ela se sentiu um pouco estranha; um pressentimento negativo a acompanhava há certo tempo, algo que ela não identificou em momento algum. Um indício de tensão se instaurou nela desde que Mel aumentou a dose diária, e passou a presenciar uma briga interna, cujo assunto circulava sobre o que fazia: até quando seu apoio seria ideal para a musa? Até quando manter esse segredo? Até Melpomene se prejudicar pra valer?

– O que a aflige? – Degél perguntou.

– Nada de mais... As vendas não andam muito movimentadas. – Redka, rápida e convincente, arranjou uma desculpa. Esconder isso de Degél a machucava, mas tinha dado sua palavra para a musa antes de tudo. Contar o problema para ele ainda não era opção.

– Por que sinto que o que andam fazendo sozinhas aqui é errado? – foi uma pergunta retórica, mas a falta de qualquer manifestação dela o deixou incomodado. Redka se manteve em silêncio e Degél acabou afagando seus cabelos. Independentemente do que fosse, ele cuidaria dela.

~

Na sala privada de Athena, Urânia e Sasha observavam novamente os registros antigos, no intuito de formular um calendário de estimativas, o qual crescia a cada reunião e as confundia a cada hipótese. Por hábito, Urânia leu e releu repetidas vezes os registros, à procura de algo que, possivelmente, passou despercebido, mas nada se mostrou diferente. Sasha se sentia cada vez mais intrigada quanto às relações que faziam com as constelações porque tudo que parecia se encaixar, de repente, mostrava um problema. Pelo visto, teriam de esperar algo acontecer para confirmar a hipótese inicial que consistia num calendário de ataques deixado pela reencarnação anterior.

– Vamos dar uma pausa? – Sasha propôs e, assim que Urânia concordou, pediu à Pío que providenciasse um lanche. A serva trouxe rapidamente e as duas sentaram num sofá, de frente para uma enorme janela de vidro. A deusa suspirou.

– Esse suspiro foi suspeito, Sasha... – Urânia disse, num tom amigável.

– Sim, estou feliz. Vi Tenma ontem e ele está se saindo muito bem no treinamento. – o ar de satisfação da deusa era inegável.

– Alguém está apaixonada...

– Se sabe disso é porque conhece os sintomas, não? Também vejo você e Sísifo. – Sasha disse, maliciosamente. As duas riram, mas a musa franziu o cenho para os pensamentos que vieram. – O que foi?

– Eu... Admito que conheço bastante esses sintomas. – Urânia se fechou um pouco e isso não passou despercebido por Sasha. Falou como se não o tivesse feito...

– Houve alguém antes de Sísifo? – perguntou, tapando a boca em seguida. A musa riu diante da ação da deusa.

– Não precisa disso, Sasha. – pegou delicadamente as mãos de Sasha e as tirou dali, acabou não soltando mais. – E sim, houve sim.

– Pela sua expressão, não foi uma bela história... Desculpe a intromissão, Urânia. Podemos deixar esse assunto de lado, se quiser.

– Não é isso... É que faz tempo que não toco nesse assunto. Sinceramente, prefiro esquecê-lo por completo, porém é inevitável, faz parte de mim. E, hoje cedo, tive a impressão de ter sentido uma mínima explosão de um cosmo familiar. Um cosmo parecido com o dele... Pode ser ilusão também, pois Mel, sem querer, o trouxe à tona em minha mente hoje. – desabafou cuidadosamente. Se deixasse, a mente logo traria as dolorosas lembranças desse amor. Lembranças que Urânia fez questão de trancar no mais profundo espaço de seu coração desde o dia em que ele colocou o ponto final.

– Então, ele é um assunto muito delicado.

– De fato. Por causa dele, desacreditei por muito tempo no amor e isso me rendeu um tempo meio obscuro. – soltou um riso detido de qualquer graça. — Quase entrei em desarmonia com minhas irmãs... Mas, no fundo, essa não foi a pior das mazelas. Antes de Sísifo, pensei que nunca mais sentiria a emoção de estar apaixonada. – Urânia suspirou. – Bom, para falar a verdade, não sei se posso dizer que sinto essa emoção mais.

– Urânia, nunca abandone o amor, ele nunca abandonará você. – Sasha sorriu docemente. As palavras dela tinham um tom infantil, mas, por mais simples que fosse a frase, a musa sabia que uma sabedoria profunda existia por trás das palavras. Talvez Sasha nem percebesse a intensidade de o que dizia.

– Nem que eu quisesse poderia abandoná-lo, ele é o elemento mais inspirador de todos. Só que o sinto de forma diferente... Simplesmente o rejeitei por tanto tempo que, agora, tê-lo tão perto me dá arrepio.

– Pelo menos, você está aberta para Sísifo. Corrija-me se estiver errada.

– Não direi que não, mas também não afirmarei com veemência. – Urânia sorriu de canto e recebeu um sorriso cúmplice de Sasha. No fundo, as duas sempre se entendiam com poucas palavras.

– Alguém que deforma a sua forte perspectiva sobre amor de uma forma tão marcante não deve ser uma pessoa muito admirável. – Sasha comentou, à espera de mais informações. Ainda que de forma sutil, não evitava demonstrar seu interesse pelo passado de Urânia, mas algo dizia que não seria tão fácil assim.

Urânia sorriu, nostálgica. Seu olhar sentiu carência de um foco enquanto a mente penetrou em lembranças boas e ruins. Um pequeno devaneio levou a musa da astronomia a sentir uma dor no peito. Não foi uma dor comum, e sim uma carregada de escuridão, que despertou um recorte do último instante antes de ele partir; uma dor que abraçou seu interior por um longo tempo e que foi rejeitada com força quando Urânia se reergueu. O Universo sempre precisou dela, a musa nunca teve escolha diante disso – e, ironicamente, foi desse fato que ela tirou as forças que precisou para seguir sua função.

– Uma pessoa que mudou minha perspectiva e inundou muitos dos meus dias com lembranças dolorosas, após me trocar por um sentimento pior, com certeza não é uma pessoa admirável. – dessa vez, a musa se permitiu rir da própria desgraça, mas Sasha apenas sorriu de leve.

– Por Zeus, Urânia, quem foi que cometeu o crime de desprezar seu coração? – a deusa perguntou, como se tivesse deixado escapar. Ao ver o olhar distante e penoso da musa, arrependeu-se imediatamente.

No entanto, antes que Urânia pudesse falar algo, as duas ouviram batidas na porta e Sasha logo permitiu a entrada de quem batia. Para a surpresa das duas, Sísifo entrou na sala, com um semblante levemente sério e preocupado, e parou de frente para as duas após fazer uma leve reverência. Urânia sentiu o coração se acalmar.

– Boa tarde, senhoritas. Peço desculpas por interromper suas tarefas, mas vim informar minha saída do Santuário por tempo indeterminado. – foi perceptível a chateação na fala do cavaleiro, que lançou um olhar intenso para a musa.

– Oh, sim! – Sasha exclamou. – Vai com El Cid àquela missão, não é?

– Sim, minha deusa. Acredito que volto em pouco tempo, mas, para não levantar expectativas, deixo aqui a informação.

– Aonde vão? – Urânia quis saber.

– Infelizmente, essa informação é confidencial, senhorita. Posso apenas dizer que iniciaremos um tipo de ronda nos arredores do Santuário até áreas mais distantes, por isso demoraremos um tempo. – Sísifo viu a musa estremecer. – Não se preocupe, nada acontecerá. – piscou para ela e ofereceu seu mais irresistível sorriso.

Urânia, torturada pela visão do cavaleiro, esforçou-se satisfatoriamente para permanecer sentada e não atacá-lo da forma que queria. Sísifo suspirou.

– Quando partirão, Sísifo? Preciso ver El Cid antes disso. – Sasha perguntou.

– Daqui a duas horas, especificamente, minha deusa.

– Oh, mas que cedo! Por que hoje? – a deusa franziu a testa, não gostando da informação, assim como Urânia.

– Pedido do Grande Mestre e de Asmita. – Sísifo respondeu calmamente.

– Asmita?

– Sim, parece que sentiu um cosmo explodir minimamente há pouco tempo, e pediu para que iniciássemos a ronda imediatamente para ver se conseguimos identificar o cosmo. Segundo ele, a energia emanada foi hostil o bastante para alertar perigo.

– Entendo... Peço que se cuide mais do que o normal e diga para El Cid me procurar antes de irem. – Sasha disse, Sísifo assentiu e sorriu para as duas. – Nós abençoamos você, Sísifo.

Urânia se surpreendeu com aquelas palavras e achou o gesto adorável. Adorou saber que Athena abençoava seus cavaleiros; o amor dela para com eles sempre se mostrava puro e sincero. Sasha surpreendeu novamente a musa assim que levantou e informou que precisava falar com Sage, mas Urânia percebeu a real intenção. Que deusa sagaz.

– Espero acordada? – a musa perguntou num tom divertido enquanto foi envolvida pelos braços do sagitariano.

– Hmm – ele a beijou com leveza, saboreando os doces lábios dela. -, melhor não. Durma e sonhe comigo enquanto eu estiver fora. Que tal?

– Acho possível. – retribuiu o beijo. Em seguida, Sísifo deixou a sala.

Completamente atordoada, Urânia se sentou no sofá e procurou forças para realizar o processo respiratório com eficácia; tudo pareceu mais difícil de ser feito após tocar no assunto de seu desamor. O aperto no peito voltou e um péssimo pressentimento também. No entanto, do contrário das outras vezes, ela não cogitou procurar a razão nas estrelas, pois soube perfeitamente do que se tratava.

Notas finais
Eain, curiosxs? Queria nem dizer, mas... Dá pra agregar palpites sobre o passado amoroso de Urânia se prestarem atenção em certas palavras que envolvem os momentos desse tópico hihihi SPOILERS.: 1. Em breve, daremos um pequeno adeus à Tália. 2. Amor perfeito não existe; em algum momento, essa ilusão se quebra. 3. "Você só poder ser louca por me desafiar dessa maneira."