EmMusas - The Lost Canvas

1 Apresentem-se, musas!


Notas iniciais
Olá, pessoal! Bem-vindo à minha nova fic. Tenho uma conta no Spirit, na qual publico essa fic e mais outra, Desmedidas, que também usufrui do universo de Saint Seiya, porém voltada para a série clássica.

Bom, essa ideia veio da minha paixão pelas nove musas, e imaginei como seriam suas intervenções no nosso querido Santuário, em Lost Canvas.
Espero que desfrutem dessa história!
Boa leitura, beijocas!

Em seu templo, Athena ouviu a voz suprema.

- Minha filha, Athena, estou aqui para lhe pedir um favor, o qual, se for realizado, será recompensado um dia.

- Como eu poderia rejeitar qualquer pedido seu, pai Zeus?

- Muito bem. Quero que acolha seis das nove musas, suas irmãs.

- Oh! Que pedido inusitado. Terei honra em acolhê-las, pai, mas poderia me revelar o motivo de tal pedido?

- Estou atendendo a um pedido de Mnemósine, cujo motivo, por enquanto, não pode ser revelado. No entanto, com o apoio de Afrodite, ela decidiu enviar seis musas para o Santuário. Digo-lhe, Athena, que é de suma importância o cuidado delas, cultive seus talentos e mantenha todas muito bem seguras. E, por todos os deuses, não comente nada com Hera.

- Entendo. – cabisbaixa.

- Athena, sei que os ares andam cheios de tensão no Santuário, mas defendo que essa tarefa é mais importante do que a preocupação para com a futura Guerra Santa. – claro, tirando Athena, os deuses não se preocupavam com o que poderia acontecer à Terra. Athena assentiu e abriu os olhos. – Receberá as musas amanhã cedo. E, minha filha, lembre-se de minhas palavras: as musas são mais importantes que a preocupação.

A voz sumiu por completo. Como se já não bastasse, para Athena, ter que ouvir palavras tão desprezíveis, Zeus ainda fez questão de repeti-las. Como, por todos os deuses, poderia se preocupar em segundo lugar com a Guerra Santa? Tudo parecia cada vez mais perto – e não apenas ela sentia o fato.

Entretanto, estranhava o apoio de Afrodite nesse pedido. Qual seria sua intenção? Athena se sentiu insatisfeita por não ter sequer metade da informação. Como teria de cultivar os talentos das musas?

Com tamanhas dúvidas, dirigiu-se para a Sala do Grande Mestre, onde Sage se encontrava lendo um grosso livro. Sem cerimônias, contou sobre a visita de Zeus, e Sage prontamente iniciou os preparativos para a vinda das musas, mas sem antes falar sobre suas desconfianças.

- Athena, se me permite lhe dizer, não acredito que os deuses estejam menosprezando sua preocupação. Tenho algumas teorias, mas não ocuparei sua mente com elas, precisarei de tempo para aprimorá-las, e só o farei quando suas irmãs chegarem.

- Compreendo, Mestre. – ela fitou uma das enormes janelas da sala, observando as doze casas. – É tão estranho... Vou conhecer seis das nove musas, minhas irmãs, e nunca pensei que isso aconteceria. Sequer pensava em suas existências, e agora elas se mostram tão próximas... – virou-se para o Grande Mestre. – E se eu não souber tratá-las bem?

- Saberá, querida Sasha. Apesar de deusa, você é humana, e uma com as mais belas harmonias para oferecer. Apenas seja você.

- Você sempre me dá esse conselho, Mestre. – ela sorriu, desconfiada. Sage riu de leve.

- Com você, ele sempre funciona, minha deusa.

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O dia seguinte chegou radiante e com uma temperatura agradável, parecia ter sido feito para a chegada das musas. Athena logo ordenou que um servo descesse as doze casas informando da reunião urgente com os Cavaleiros de Ouro.

- Hey, escorpião, não ouviu o servo, não? – Manigold passava pela Casa de Escorpião, onde Kardia se encontrava de pijamas e bebendo café, totalmente atrasado. – Vai perder o emprego assim.

- É mais fácil você perder o “emprego” por retardo mental do que eu por atraso. – sorriu debochado para o canceriano, que soltou uma gargalhada.

- Adoro seu humor de manhã, nem Apolo ajuda com esse sol brilhante na sua cara. – e saiu rindo, deixando Kárdia de mau humor.

Chegando em Sagitário, Manigold encontrou Sísifo terminando de tomar água, havia um cheiro diferente nele... Sísifo percebeu a presença do amigo, mas apenas acenou com a cabeça, estava com sono e sem muita disposição para uma reunião tão cedo.

- Você passou perfume? – perguntou Manigold, olhando incrédulo para ele. Sísifo cuspiu um pouco da água.

- Por quê? – a pergunta de volta fez Manigold gargalhar de novo. Dessa vez, o canceriano apertava a própria barriga de tanto rir. Sísifo fechou a cara e se pôs para fora da casa.

- Ei! – Manigold foi atrás. – Que marica, Sísifo. Não tem pra que passar perfume se vai treinar depois e feder que nem... – ele parou na escada. Sísifo se virou e o olhou com uma expressão questionadora.

- O que foi agora, Manigold?

- Você sabe do que se trata! – apontou para o sagitariano, os olhos arregalaram. – Você sabe! Pode ir contando. – voltou a subir as escadas.

- Deixe disso e suba logo.

- Sísifo, se você não contar, vou espalhar o que acabei de ver.

- Vai espalhar mesmo que eu conte. – Sísifo bufou.

- Verdade.

Os dois subiram até o Salão do Grande Mestre, implicando um com o outro no caminho. Chegando lá, encontraram os outros cavaleiros, menos Kárdia. Organizaram-se em duas filas, uma de frente para a outra, e Kardia logo chegou.

- Meus cavaleiros, peço que virem-se todos para mim, dessa vez. – Athena pediu docemente.

Os dourados logo se colocaram um do lado do outro, de frente para a deusa — estranharam a nova dinâmica.

- Primeiramente, bom dia, cavaleiros de ouro. – Sage iniciou. – Chamei-os aqui para informar nossa nova missão no Santuário. – os cavaleiros ouviam com atenção. – Recebemos um pedido supremo que implica no acolhimento de seis filhas de Zeus, conhecidas como musas, em nossa sagrada casa.

Alguns cavaleiros levantaram as sobrancelhas em sinal de surpresa, outros sorriram levemente. Athena os observava atentamente, sabia que uma reação dessas aconteceria. Adorava a sutileza de seus dourados, seus jeitos eram convidativos e seus semblantes tinham fortes presenças. Com certeza, preenchiam a beleza do Santuário.

- Em minutos, conhecerão as musas, para que possam identificá-las como passantes ilimitadas nas doze casas zodiacais. E enfatizo, mais uma vez, o fato de serem filhas de Zeus. – Sage passou os olhos por cada rosto dourado à sua frente. – Entenderam?

O alerta do Grande Mestre fizera Athena rir baixo, olhou direto para Kárdia e pôde vê-lo piscar para ela em sinal de cumplicidade; os dois se entendiam muito bem para compartilharem a graça das palavras do Grande Mestre discretamente.

- Muito bem, gostaria de lhes apresentar Calíope, musa da poesia épica! – Sage fez sinal para alguém atrás de um corredor e a musa saiu.

A maioria dos cavaleiros endureceu com a presença da musa. Era absurdamente linda; os cabelos ruivos, longos e levemente ondulados realçavam a pele branquíssima dela, os olhos verdes-água tinham sua cor intensificada pela cor do vestido – a qual era a mesma dos olhos – tomara-que-caia; usava um colar com um pingente de losango vermelho, perfeitamente visível devido à cor da pele. A expressão séria dela, no entanto, não contemplava toda a beleza que a envolvia.

- Não só da poesia épica, como também da ciência e da eloquência, Grande Mestre. – Calíope informou, enquanto desfilava até ficar ao lado de Athena. Seu vestido de seda balançava com o movimento das pernas e atraía os olhares alheios.

A frase foi o bastante para revelar a bela voz que tinha. Manigold logo fantasiou a musa cantando, e Kárdia não demorou em fazer o mesmo. Asmita sentiu um tom esnobe na voz, por mais bonita que fosse. Ele não podia apreciá-la como os outros, então sua maneira de enxergá-la seria através de outros fatores – dos quais o primeiro não se mostrou tão bonito.

- Urânia, por favor, se apresente para nós. – chamou Sage e ela atendeu. – A musa da Astronomia!

Novamente, os cavaleiros endureceram, mas, dessa vez, não fora apenas a beleza da musa que causara isso, e sim sua áurea celestial. O ambiente da sala logo se modificou, havia uma energia extremamente agradável e intensa, era quase tocável.

Os olhos dos dourados seguiram a trajetória da charmosa musa que se juntava à Calíope. Urânia também se mostrara séria, porém seu olhar intenso e verde-claro passou rapidamente pelos cavaleiros, extraindo um suspiro de Sísifo. Assim como Calíope, Urânia usava um colar, mas o pingente era uma estrela – algo nada questionável. Os longos e lisos cabelos pretos lembravam a imensidão do céu à noite, a pele branca contrastava belamente e o vestido lilás entrava em harmonia com seu visual.

Sísifo não deixou de fitá-la mesmo depois de Urânia ficar ao lado de Athena, olhava-a de canto até ser surpreendido por um olhar recíproco. Ele desviou imediatamente.

- Melpomene, musa da tragédia, por favor, se junte a nós. – Sage pediu e a musa logo apareceu.

A musa da tragédia, mais tímida que as outras, caminhou rapidamente até Athena, sem intenção de desfrutar de um desfile para os dourados – mal os fitara, mas foi admirada mesmo assim.

Melpomene possuía cabelos ondulados, escuros e muito vivos; chamavam atenção por caírem dessa cor na pele branca dela. Sua postura, apesar de ereta, passava uma impressão de cansaço, influenciando pouco em seu charme. O vestido verde-claro era igual ao das outras em modelo. A expressão desanimada dela quase honrava sua representação, parecia trágica – nada mais clichê, alguns pensaram. Mas ela não fazia com intenção, simplesmente não admirava tanto assim seu fardo. Os cavaleiros a estranharam um pouco, mas assentiram para ela do mesmo jeito. Havia, assim como nas outras, um colar em seu pescoço, constituído por três círculos, não dando pista de seu significado.

- Com essa cara, imagino que foi fácil se tornar musa da tragédia, hein? – Manigold para Régulus, que riu baixo com o comentário. Albafica, um pouco mais longe, o reprovou com o olhar.

- Tália? – chamou o Mestre.

- Opa! – ela logo saiu do corredor e apresentou.

- Aproxime-se, musa da comédia. – ele sorriu, mas ninguém pôde ver. A presença da musa era adorável.

Tália tinha um sorriso brilhante no rosto corado, andava tranquilamente até Athena, virando-se para os dourados para que pudesse vê-los. Eram realmente bonitos, com certeza ganharia músculo porque subiria as doze casas, pelo menos, três vezes por dia. Ela riu consigo mesma pelo pensamento.

A musa não parecia uma musa nem de longe. Não tinha a graciosidade das outras, o jeito era mais espontâneo e despojado, o ar dela era agradável, mas havia algo estranho nela. Para começar, o cabelo não poderia existir; um lado era mais curto e o outro caía em uma franja quase cacheada, a cor castanha do cabelo era bonita, mas não compensava seu jeito; a parte de trás estava presa por dois coques do avesso, não muito femininos aos olhos dos dourados. E havia uma cicatriz bem chamativa em seu rosto, o que despertou curiosidade em alguns. Mas nada disso se comparava aos olhos da musa, um era verde e o outro azul!

- De onde essa “musa” saiu? Ela é obrigada a ser engraçada e por isso é assim? – perguntou Kárdia, debochando. – Aí, Manigold – colocou o corpo levemente para frente até enxergar o canceriano -, ela é da sua galera da comédia, hein.

- Vire essa boca pra lá! – Manigold revidou bufando. Régulus e Kárdia riram.

- Será que vocês podem calar a boca? – perguntou Dohko, calmamente.

Tália não usava colar, apenas um lenço verde-claro no pescoço – o que a deixava mais engraçada ainda.

Em seguida, Sage chamou Clio, musa da história e criatividade, a qual também roubou olhares extasiados dos cavaleiros de ouro. Os cabelos amarrados balançavam em sintonia com o movimento de seu corpo enquanto ela se aproximava de Athena; o vestido laranja lhe caía muito bem; um colar também estava presente em seu pescoço, nele o pingente era um vidrinho com algum conteúdo azul dentro. Clio, assim como Melpomene, passou timidamente. Os enormes olhos de mel eram a parte que mais chamava atenção, pois eram intensos e profundos. Um cavaleiro estreitou os olhos para ela quando seus olhares se encontraram, Clio se intimidou.

- Acho que ela roubou minha alma. – Manigold comentou baixinho.

- Que olhos! – Régulus revidou.

- Shh. – Sísifo fez. – Chega, Manigold. — O leonino e o canceriano se entreolharam com desprazer.

As cinco musas chamadas estavam ao lado de Athena, mais uma musa e essa sessão seria encerrada – para a alegria delas. Calíope não se importava com a atenção que chamava, até gostava, mas percebera a energia tensa de Melpomene, e já bufava por ter que aguentá-la. Urânia acariciava o braço da musa da tragédia, com intenção de acalmá-la – na maioria das vezes, era fácil demais por ser um ser tão celestial. Tália permaneceu observando os dourados enquanto dava a mão para a irmã gêmea (Melpomene). Clio estranhou o clima entre elas.

- Terpsícore, querida, venha cá. – o Grande Mestre chamou, por fim.

A musa entrou dançando e saltitando, algo que alguns dourados, de primeira, acharam tosco. Mas isso mudou assim que a contemplaram melhor. A musa era tão linda que vê-la numa perspectiva ruim deveria ser crime. Os louros cabelos caíam em ondas repicadas que dançavam com ela, os olhos verdes emanavam alegria e o vestido azul rodopiando só aumentava o encanto. Seus movimentos delicados faziam-na parecer leve e quebradiça, parecia quase intocável. Além de seus olhos verdes, as sardas no rosto também extraíam suspiros de alguns dourados. Um colar vermelho com três rosas enfeitava seu colo sensualmente.

- Tão linda, mas que nome... Imaginem em outra ocasião, como seria difícil pronunciá-lo. – novamente, o canceriano soltou a piada.

- Manigold, é sério. Cale essa boca. – a voz de Sísifo agravou, chamando atenção de Sage.

- Foi a última, acabaram-se as musas.

Régulus riu um pouco mais alto que antes, recebendo, como consequência, um beliscão do sagitariano.

Os cavaleiros de ouro se apresentaram para as musas, e assim as apresentações tiveram seu desfecho. Elas ficariam nos aposentos da 13ª Casa, mas teriam total liberdade para usufruírem do espaço do Santuário.

E, claro, o primeiro dia das musas no Santuário estava apenas começando.

Notas finais
Capítulo de introdução das musas, espero que gostem!
Comentem e me digam se já shipparam os casais hahahaha
Beijos