EmMusas - The Lost Canvas
64 A sua alma não é maligna
Notas iniciais
Capítulo 64 – sua alma não é maligna
Imóvel permaneceu, sem forças o suficiente para desfrutar da velocidade e correr para longe. Não estava perto do Santuário, porém ainda podia sentir o cheiro desprezível do lugar. Uma chuva fraca conseguia amenizar um pouco – era bem vinda -, especialmente o próprio cheiro exótico do sangue fresco que lhe escorria pelo rosto inchado. Sorriu entre os cortes do rosto ao pensar no quão patético foi por não ter derrotado o cavaleiro de ouro.
O maldito cavaleiro de ouro que não desperdiçou tempo lhe aplicando sermões idiotas.
Kagaho engasgou e cuspiu uma pequena quantidade de sangue parcialmente coagulado. Preocupante, mas não para ele.
Não tinha pistas de quanto tempo passara desde que chegara ali, após a exaustiva batalha, mas não se importava. Irritantemente, foi um momento de indesejáveis nuances. Nunca havia encontrado um oponente tão ilusório. Por vezes achou que o tivesse derrotado com seus golpes, principalmente no que conteve suas três coroas solares. Mas o infante permaneceu vivo e, pior, conseguiu se reerguer.
“Seu golpe é violento, mas não possui peso algum.”
Não fosse a verdade por trás do fato – a qual Kagaho sabia existir -, teria gargalhado. Era tudo culpa das malditas memórias!
Kagaho cuspiu no chão lamacento, no qual se apoiava de joelhos. O alto da colina era frio e solitário, perfeito para seu estado naquele momento. Queria distância de tudo. Não tinha paciência para a podridão dos espectros, não teria para a podridão do restante do mundo.
“Vivendo dessa forma, vai acabar queimando não só seus inimigos, mas também aqueles que quer proteger. Sua alma não é maligna. Não sei o que vê por trás da sombra do Imperador do Inferno, mas apenas está com raiva por não conseguir encontrar a quem proteger.”
O espectro riu ao se lembrar das palavras sentimentais do cavaleiro de touro. Ele não sabia de nada, não o conhecia para dizer algo assim. Aquelas palavras não lhe valiam de nada em sua nova vida. No passado, havia encontrado a quem proteger, porém, após uma cruel passagem do tempo, simplesmente optou por não protegê-la mais. Não poderia ser julgado por isso no momento em que optou por alguém mais importante. Um Imperador poderoso.
E ela já era passado. Um passado em que ele pisaria sem pestanejar.
Kagaho levantou-se com dificuldade, caminhou a passos lentos e cambaleantes até uma grande pedra e deixou o corpo descansar ali, com as costas apoiadas na parte menos áspera. Por um momento, lembrou-se de uma cena parecida – porém havia companhia e ele a amava.
Novamente, tossiu sangue e limpou a boca com as costas das mãos, observando o horizonte nublado e distante. Embora seus olhos estivessem vazios, a mente lhe importunava com pensamentos recheados de morais. Morais que Kagaho odiava.
“Seres mortais como vocês, Espectros, jamais entenderiam isso. Mesmo que haja um fim para a vida, não há limite para um coração ardente!”
Coração. Se pudesse, arrancaria o próprio. Ardência. Só a aceitaria se fosse para que seu cosmo queimasse sem limites em prol da saúde de seu querido Imperador. Porém, no fundo de seu pensamento nebuloso, algo batia em discordância. Não eram pensamentos com inverdades, mas eram incompletos. De alguma forma, o maldito cavaleiro de ouro conseguira despertar suas memórias mais profundas, as quais Kagaho sabia que vinham com opiniões e vontades que, no passado, ele abandonou.
Fraco e debilitado, o espectro permitiu-se rir da própria fortuna. Má fortuna.
Teria passado mais tempo só em pensamentos, mas sabia que havia muito não estava mais só ali na colina. Podia encontrar graça em tirar a musa da escuridão dos arbustos densos que circundavam o lugar.
— Não pense que sou tolo assim. Saia daí e se mostre. – Kagaho disse, com uma voz rouca.
E ela obedeceu, silenciosa e sinuosa. Em passos curtos e despreocupados, caminhou até alguns metros à frente do espectro. Kagaho não hesitou em olhar para cada detalhe daquele corpo curvilíneo que nunca teve. Nunca quis e nunca teria trocado pelo de sua amada Urânia, mas reconheceu a beleza de Euterpe desde sempre. A atitude da musa era, por sinal, mais atraente do que a de Urânia, embora não tanto; ainda assim acabou se apaixonando pela irmã mais velha.
Kagaho sorriu com escárnio. O amor não fazia sentido. Era ridículo até em um traço tão supérfluo. Não havia para que investir num sentimento desses.
— Você está horrível. – Euterpe disse, encarando-o sem expressão.
— Não posso dizer o mesmo de você.
— Deixe-me ver seus machucados. – cuidadosamente, ela se aproximou, mas foi repelida pela carranca do espectro.
— Veio aqui cuidar de mim? – virou o rosto, irritado. — Não preciso de você.
— Não seja teimoso.
Euterpe fez o que teve vontade: abaixou-se na altura do espectro e analisou seu rosto avermelhado pelo sangue. Arrepiou-se ao imaginar a dor que ele estaria sentindo.
— Uma pena que seja você. Ia adorar ter outro encontro com sua irmã.
Ela não deixou de sentir certo abalo com as palavras, mas surpreendeu-se por ter sido ameno, considerando o estado em que ficava quando era apenas mirada pelo espectro, tempos atrás. Estava mais forte, mais ousada, mais segura.
— Oh, é? Não posso realizar sua vontade, porém. Ela está bem satisfeita ao lado do cavaleiro de sagitário. – Euterpe olhou para cima, teatralmente: — Bom... Que mulher não estaria?
Kagaho, embora insatisfeito com a resposta, murmurou:
— E olha só onde você está, ao meu lado. – sorriu, vitorioso.
— Não por opção, mas por racionalidade.
— Tsc. Me diga como, musa. – ele cuspiu.
Euterpe pegou um lenço branco entre os seios e passou a limpar o rosto do espectro, que sequer de mexeu.
— É bem óbvio que lado ganhará nessa guerra santa. – ela começou a falar, firmemente, focada no que fazia. — Não precisa de muito para perceber as fragilidades do Santuário. Até pensei em me envolver nisso, mas é exposição demais num rio de incertezas.
— E o que quer dizer com isso, musa? Por acaso vai se aliar a Hades? – Kagaho perguntou com evidente deboche.
— Não seria tão fácil assim. – ela deu de ombros.
— Não mesmo. Ninguém confiaria em você.
— Por que não? Uma pessoa de dentro sabe muito mais do que uma de fora. Que eu saiba, sua tentativa de invasão lhe custou... Uma asa? – disse, olhando para a parte alada da sapuri de Benu.
Kagaho bufou.
— Uma asa que eu recupero facilmente. Apenas dê meia volta e suma daqui.
— Não! – ela exclamou, um pouco alto demais. — Eu quero espaço para falar.
— Falar o quê? Que tipo de informação você tem que possa ser útil? Não precisamos de informação, nem de nada que venha de uma musa como você.
Euterpe revirou os olhos e se afastou para encará-lo.
— Pare de agir na defensiva, estou disposta a ajudar! É muito ignorante por achar que eu, como uma divindade, não possuo importância no lado que escolho, Kagaho. – seu tom sério extraiu um frio olhar do espectro.
— E você é muito ignorante por achar que eu caio nessa, Euterpe. – ele novamente cuspiu as palavras. — Acredita mesmo que seu papo ridículo de aliada vai fazer efeito? Eu não me importo nem um pouco com suas intenções. Nunca olhei pra você e não será agora que farei isso.
Por alguns segundos, os dois apenas se olharam silenciosamente. Kagaho procurava todos os sinais de denúncia das intenções dela, por mais que soubesse já. Euterpe mantinha o olhar sério e crível, porém, após um tempo, sorriu:
— Oh, tudo bem, esse tipo de teatro realmente me cansa. Eu admito, não quero me aliar mesmo. Mas, minhas nossa, Kagaho, você anda mais cruel. Sequer deixou que eu praticasse meus discursos novos! – debochou, animadamente. — Chega a ser decepcionante. Achei que nosso encontro seria mais dramático, mas talvez eu deva deixar isso para quem realmente entende do assunto, como Tália ou Mel.
Kagaho sentiu raiva ao ouvi-la tagarelar, principalmente pelos minutos fazendo papel de ridículo e levando o papo adiante ao invés de cortá-lo logo no início. Estava mando demais para a índole da musa da música, mas só passou a desconfiar verdadeiramente quando disse que estava disposta a ajudar. Euterpe nunca se voltaria contra Urânia.
— Isso mesmo. Agora suma daqui antes que eu me irrite. – Kagaho tentou levantar, mas a dor o impediu.
— E você vai continuar aqui morrendo e derretendo em miséria? – Euterpe se levantou e cruzou os braços, sem tirar os olhos dele. — Francamente.
— Cale a boca, musa! – rugiu, já no limite da paciência. — Vou ter prazer em revidar com violência se permanecer aqui.
— Ameaças, ameaças... – ela disse, com pouco caso. — E o que faz você achar que não me defenderei? – novamente, aproximou-se dele. Dessa vez, Euterpe tinha chama nos olhos. — Acho que preciso corrigir algumas coisas, mesmo que tenha brincado a respeito: o único lado que perderá essa guerra santa é o seu. E você provavelmente morrerá sozinho, decepcionado e completamente humilhado porque seu Imperador não se importará com seu destino. É por isso mesmo que você preza, Kagaho?
— Euterpe, veio até aqui pensando que vai conseguir o que com essas palavras? Não conseguiu o que queria anos atrás e está tentando por outro meio? – Kagaho riu. – Não me leve a mal, mas não há uma pequena parte de mim que se interessa por você.
— Ótimo, porque senão seria mais um fardo para carregar nessa vida!
— Vá pro inferno, musa.
— Até tentei, mas não me aceitaram lá. Dizem que por lá homens fracos fazem sucesso e, bom, você sabe. Eu sou uma mulher forte demais para perder tempo com isso. E pelo visto mandaram um belo exemplar. – Euterpe analisou Kagaho da cabeça aos pés.
Ao invés da reação esperada por ela após tais palavras, Euterpe viu Kagaho se esforçar até levantar completamente e mirá-la com um sorriso debochado. Quando ele deu um passo em sua direção, sentiu o coração acelerar. Contudo, o motivo não lhe foi transparente.
— Euterpe, sinto que você está insegura. – a voz do espectro saiu aveludada, sedutora e perigosa. Seus olhos combinavam e pareciam cuidar de cada detalhe do rosto dela. — Algo tão incomum...
Ela o deixou se aproximar o quanto queria. Mentalmente, repassava um mantra. Já entendia o jogo dele. Kagaho queria seduzi-la da forma que ela queria ter sido tempos atrás, quando estava apaixonada por ele, assim como a irmã. No entanto, Euterpe havia crescido com a rejeição e com a tristeza de Urânia, por quem tinha grande admiração e amor. Guardava mágoa e raiva de Kagaho mais pelo o que ele fizera com Urânia do que consigo. Era assim que se sentia. Seu coração acelerado não passava disso: a marcação mais esperada. A aceleração não se devia à figura, mas à falta de qualquer sentimento por ela. Estava feliz por ter superado o espectro e poder vê-lo na sua frente para testar a nova índole.
Ela o deixou se aproximar, satisfatoriamente.
— Me diga, quanto espaço ainda ocupo em seu coração, musa? – Kagaho disse, num falso e ansioso sorriso. Tiraria vantagem facilmente.
Entretanto, Euterpe deixou uma rápida risada escapar.
— Maldito...
Embora ela tenha dito isso, o espectro sentiu que não fora para ele.
— Aquele maldito aparece em minha mente até nesses momentos. Que cretino! – ela continuou rindo para si.
— Do que está rindo, mulher? – irritou-se. Suas mãos fecharam-se em punhos.
— Oh, é que eu estava pensando no homem que ocupa espaço no meu coração. É um tremendo cretino, porém ele está certo. – levou o indicador à boca e olhou para o céu, alegremente, sentindo-se uma garota que acabara de descobrir um sentimento. — Oh, bem.
— Está brincando com a minha cara? – Kagaho agarrou o braço dela firmemente, descontando sua raiva. Já estava cansado das insinuações e provocações da musa. Mais do que isso, estava frustrado e cansado de tudo.
E ela percebeu isso nos olhos dele.
— Não, não estou. Agora me solte.
— Você é uma invejosa, Euterpe. É também uma mentirosa.
— Talvez eu tenha sido mesmo, mas pode apostar que eu encontrei pessoas na minha vida que me fizeram abrir os olhos para o que realmente importa.
— Faz-me rir com sua babaquice. – grunhiu, cuspindo sangue em seguida.
— Kagaho, sinceramente? – Euterpe apertou com a mão livre o braço de Kagaho, causando uma queimadura que o fez tirar dali imediatamente. – Eu não gosto de desistir das coisas. Não vim aqui querendo o que nunca tive. Anos atrás, eu me ofendi por sua causa, mas depois entendi que a real babaquice era esperar amor de alguém que planta o desamor. Você permaneceu no meu coração por muito tempo sim e, por mais que eu não seja de perdoar facilmente, eu te perdoei depois de ter me humilhado. Só que você não ficou satisfeito com o estrago e fez o mesmo com Urânia, e disso – sua voz se tornou grave e seus olhos adquiriram uma leve penumbra — eu nunca me esqueci.
— E faria de novo só para ver a linda cara de decepção das duas, especialmente da sua irmã! – Kagaho exaltou-se, causando a própria queda. Seu corpo não aguentava mais aquelas emoções e sua mente estava exausta devido aos pensamentos negativos. Não tinha forças para argumentar direito com Euterpe e desejava que ela simplesmente caísse da colina e sumisse. Não entendia por que continuava provocando-a.
Euterpe, em seu semblante prepotente e superior, olhou-o como se fosse apenas mais uma folha seca naquela grama lamacenta e acenou negativamente com a cabeça. Sentia pena de Kagaho, especificamente por ele não conseguir sair da nuvem negra em que havia mergulhado, após tantas desgraças.
— Eu vou embora. – ela anunciou, seriamente.
— Finalmente. – disse, sem olhá-la.
— Oh, no fim não consegui deixar você feliz em me ver!
— Tsc.
— Ai, ai, Kagaho, isso é um adeus. Falando sério, consegui tirar a dúvida que tinha e, milagrosamente, acabei descobrindo algo. Mesmo diante dos seus insultos, essa conversa me foi útil.
— Você ainda está aqui? – respondeu, mal humorado.
— Já me vou, mas antes, um conselho – finalmente captou o olhar do espectro, por alguns segundos: — vá transar, Kagaho. Talvez sentindo prazer você consiga se recuperar dessa miséria toda.
Kagaho deixou uma risada baixa escapar, enquanto via Euterpe se perder na escuridão da densa floresta.
~
Podia sentir alguns galhos raspando nos braços descobertos e desprotegidos, ao contrário do resto de seu corpo, moldado por um vestido azul marinho. Sentia-se animalesca correndo pelas árvores, deixando-as marcarem seu corpo como quisessem. Depois cuidaria disso. No momento, só estava preocupada em chegar logo no Santuário.
Eram muitas emoções que lhe embalavam o corpo. Dentre elas, a ansiedade em ver Urânia, que estava viajando com Sísifo; Clio, que ainda não havia voltado de seu Templo; Mel, que não dava notícias; Calíope, que havia sumido sem dar explicações... Entretanto, havia uma pessoa específica que ela queria encontrar.
Sentia-se feliz e triste ao mesmo tempo. Era doloroso ver alguém por quem teve tanto afeto se entregar às trevas e se perder em emoções escuras. Era refrescante saber que Urânia estava longe, com seu grande amor, protegida dos males que ali vagavam com a presença de Kagaho. Agradecia ao Universo por ter sido uma bela coincidência.
Sentia o ar de encontro ao rosto, aliviando o calor do nervosismo e do clima natural do Santuário, embora as montanhas fossem mais frescas. Podia ver alguns animais passando rapidamente pelos enquadramentos de seus olhos, que por vezes escapavam da linha reta por onde corria e olhavam ao redor aquele ambiente mágico e cheio de criaturas magníficas.
Euterpe se sentia outra. Mais leve e mais forte.
~
Longe daquela parte da floresta, um cavaleiro carrancudo chutou uma almofada.
— Poderia ter sido eu!
— Mas não foi, eu prestei atenção. Agora, se você continuar insistindo, pode ser que seja você na próxima vez. – cruzou os braços, fechando ainda mais a cara.
— O que você tem hoje, Sr. Kárdia? – a serva se reaproximou mansamente, devolvendo a almofada para o lugar de origem. Apertou um pouco mais os braços para que o cavaleiro pudesse apreciar melhor seu par de seios.
— Tédio. E estou mais entediado com você aqui.
— Mas eu vim lhe entreter! Sempre gostou, apesar de que, nas últimas semanas, tem me mandado ir pra longe. – ela fez biquinho.
— Argh! Mas que saco! Levanta a bunda daí e pega aquela maçã pra mim. – apontou para uma cesta no balcão da cozinha e a serva foi animada e apressadamente.
Ao voltar, a jovem fez questão de sentar colada ao corpo do cavaleiro e passar uma das pernas por cima das dele. Kárdia ignorou o ato e mordeu a maçã. Esteve mal humorado o dia todo por conta do sumiço de Euterpe, que passou a tratá-lo desleixadamente nos últimos dias, como se tivesse muitas coisas para fazer – algo que o escorpiano sabia que ela não tinha. Se ela estivesse indo atrás de outro cavaleiro, poderia ter um ataque.
A única coisa que o confortava era que Euterpe não era de correr atrás de homem.
Isso o excitava. A musa tinha orgulho de ser um desafio.
— Hmmm, Sr. Kárdia, me deixa relaxá-lo por um instante. – a serva deslizou os dedos pelo abdômen de Kárdia, insinuantemente. Desanimada com a camisa de treino, ela desceu os dedos até os cordões das calças, onde a borda da camisa terminava e ali passou a provocá-lo. Não sabia se levantava a camisa antes ou deslizava a mão para dentro da calça. Antes do próximo movimento, decidiu olhar o rosto do escorpiano para ter certeza.
Kárdia mantinha os olhos fechados, porém sua expressão não era de relaxamento.
— Se continuar com isso, espero que não se importe se eu chamar você por outro nome, entendeu? – disse normalmente, sem sequer olhá-la.
A jovem, de início, sentiu-se chateada com a condição, porém assentiu e puxou um dos lados do laço da calça de treino.
Mentalmente, Kárdia visualizava os momentos íntimos que teve com Euterpe, as caras e bocas que ela fazia e a maciez do corpo cheio de curvas deliciosas. Rapidamente ficou duro. Ouviu a serva arfar de surpresa e se permitiu sorrir.
— Okay, talvez eu não tenha tanto trabalho aqui, Sr. Kárdia. – ela deu uma risadinha, irritante aos ouvidos do escorpiano.
— É, é. Pode até tirar a mão daí se quiser.
— Não, não. Sou comprometida com minha palavra. – a serva passou a acariciar mais intensamente o membro do cavaleiro, empolgada por este já estar duro.
— Eu te liberto deste fardo! – grunhiu, de olhos fechado, procurando por Euterpe em pensamentos novamente.
Enquanto a serva lhe masturbava, imaginava as mãos de Euterpe e a cara de prazer da musa lhe dando prazer. Quando podia tocar nos cabelos negros e sedosos, que emolduravam muito bem o rosto pálido da musa. Kárdia não deixava de pensar, também, nos olhos azuis e desafiadores dela, que, junto à boca vermelha, formavam uma expressão cortante, de arrebatar o coração.
— Ahh, Euterpe. – suspirou, ainda de olhos fechados, sentindo o membro enrijecer ainda mais.
— Kárdia! – podia até ouvi-la em seus devaneios, era maravilhoso...
Maravilhoso...
— Ahhh!! – a serva, de repente, gritou agudamente, trazendo o escorpiano para a realidade.
— Cacete, Irina! – furioso, abriu os olhos e a mirou, porém o coração quase parou. – Euterpe!
— Kárdia! – Euterpe estava parada na porta da ala privada, completamente descabelada, com vergões pelos braços e ombros, manchas no vestido e olhos indecifráveis. Parecia ter lutado com um animal.
— Sr. Kárdia. – a serva murmurou.
Imediatamente, ele removeu a mão da jovem de suas calças. E, com olhos arregalados, repetiu sem acreditar:
— Euterpe.
A musa revirou os olhos.
— Irina! Nos dê licença.
— M-Mas, Srta. Euterpe...
— Irina! – Kárdia cortou-a, incomodado.
— Sr. Kárdia? – a jovem prontamente se levantou.
— Saia já! – ordenou, com os dedos amaciando as têmporas, já imaginando como lidaria com uma Euterpe raivosa.
Assim que a serva saiu, um silêncio se instalou na sala.
— Certo, deixe-me explicar – Kárdia começou, porém foi imediatamente cortado.
— Não me dê explicações, não há por quê. Na verdade, estou precisando de uma massagem. Já! – frisou a última fala mais alto e respirou calmamente: – Mas antes, um banho.
— Não.
Euterpe arregalou os olhos, incrédula.
— Não o que, idiota?
— Não vai tomar banho. Só vai existir massagem se você continuar assim. – Kárdia devorou-a com os olhos, oferecendo um sorriso malicioso que ele sabia que ela gostava.
— Oh... Entendo... – Euterpe passou a caminhar lentamente até ele, fazendo questão de rebolar mais do que o normal, e pegou a mação esquecida na mão esquerda do cavaleiro. – Hmm... – olhou a fruta e, antes de mordê-la, voltou os olhos para ele.
— Euterpe, pelo amor e a paz na Terra, não me olhe assim agora... – já sentiu outra ereção se formando fortemente.
— Vamos fazer o seguinte – ela se ajeitou sensualmente no colo dele, pressionando intencionalmente o bumbum na ereção, e o olhou ferozmente. – Você toma banho antes da massagem, porque não quero rastro de mão alheia onde pretendo pegar hoje. Entendido?
Kárdia apenas assentiu, devorando a boca de Euterpe, que prendeu o lábio inferir com os dentes. Adorava como ela usava o próprio corpo para provocá-lo e, no final, não dava na hora que ele queria. Ela mandava, ele obedecia.
~
Kárdia respirou fundo antes de mexer qualquer parte do corpo. Sua mente queria abandonar a parte racional que o diferenciava dos animais e deixar o instinto primitivo, animalesco, tomar conta do que aconteceria naquele quarto. Não tinha estado nele com Euterpe ainda e, quando dava a oportunidade, ela o apunhalava, ficando nua e de bruços em sua cama, com o bumbum empinado mirando-o. Quase suplicando para ser penetrado com força.
Kárdia teria um ataque cardíaco com aquela musa ainda, com certeza. Olhou-a da porta do banheiro, admirou-a em cada detalhe daquele lado do corpo e teve uma ideia. Faria com que a musa não se esquecesse da massagem. Voltou, então, para o banheiro e procurou algo no armário debaixo da pia. Por um momento, teve raiva dos vidrinhos sem rótulo que mantinha ali, pois podia facilmente confundir os produtos. Entretanto, não se esqueceria do que tinha em mente.
— É você mesmo. – disse para o vidro de substância clara e castanha.
Euterpe continuava na mesma posição, de olhos fechados e semblante cansado. Kárdia não deixou de imaginar o que ela teria feito para ficar naquele estado. Chegou a sentir o coração acelerar por ciúmes, pois inevitavelmente considerou pequenas sacanagens por trás de arbustos ou coisa parecida – algo que faria facilmente com a musa. Porém algo o segurava dentro da imaginação, algo que transmitira uma segurança incomum em relação a ela, como se ela fosse mais exigente que isso. Certamente, ele faria isso com muitas mulheres, mas sentia que para causar o mesmo efeito em Euterpe, o homem teria que se esforçar.
Kárdia se esforçava. Esforçava-se até demais, até a ponto de levar um fora e continuar pensando insistentemente em formas de abordar a musa. Esforçava-se a ponto de quebrar a cabeça para saber onde ela estava o tempo todo. Ela o chamaria de possessivo se soubesse disso tudo, era fato.
Talvez fosse mesmo possessivo com ela, mas isso não era possível. Ela não deixava. Euterpe era dona de si e ele sabia disso. Ela só viria até ele se quisesse.
— Que demora, escorpião. – reclamou, com a voz abafada pela cama.
— Estava sentindo falta? – Kárdia brincou, com a voz sedutora, aproximando-se devagar. Derrubou um pouco do conteúdo do vidro em mãos e esfregou uma na outra.
— Estou sentindo dor. Quero massagem.
— Que apressada. Permita-me sentar em você, senhorita. – não esperou aprovação, sentou-se na altura do cóccix da musa.
— Mas o quê...? – Euterpe tentou se virar, mas foi pega de surpresa pela sensação de líquido nas costas. – O que está aplicando em mim, cretino?
— Acalme-se, bonita. Estou apenas iniciando a massagem. Confie em mim.
Estranhamente, as últimas palavras de Kárdia causaram efeito imediato nela, que procurou relaxar. Confiar no escorpião ela, inacreditavelmente, confiava.
— Oh, está usando óleo? – ela sorriu, sentindo a gostosa sensação das mãos grandes dele em suas costas, deslizando facilmente graças ao óleo. Além disso, o aroma de baunilha e amêndoa emanava.
— Estou. Você gosta? – Kárdia desceu um dedo pela linha da coluna vertebral da musa, causando um arrepio. Admirou demoradamente as costas lisas dela, arquitetando mentalmente como massageá-la da forma ideal.
— Gosto...
— Que bom. Que acha de eu receber algo em troca por isso?
— Não. – respondeu de forma mimada. Ele riu.
— Nem algumas perguntas? – animadamente, derramou uma boa quantidade de óleo nas costas dela e passou a espalhá-lo também pelos braços.
— O que quer saber?
— Como foi seu dia? – Kárdia massageou a cintura com intensidade, afundando um pouco mais os polegares circularmente.
— Ruim.
— Por quê?
— Não importa. – ela suspirou.
— Importa sim.
— Kárdia. – Euterpe levantou a cabeça e virou o que podia para mirá-lo com olhos suplicantes. – Não importa. O que importa é que estou aqui. Aqui com você. Estou feliz se é isso que quer saber. Agora continue isso aí, escorpião!
— Ehh... Não estou convencido. – Kárdia brincou, porém realmente não se convenceu. A curiosidade o matava aos poucos. No entanto, percebeu o quanto ela queria sossego. E, naquele momento, era ela quem importava ali.
— Depois arranjo uma forma de lhe convencer. Por hora, pare de falar.
Ele sorriu com as palavras afiadas. Apreciava o jeito arisco de Euterpe, especialmente porque sabia que existia outro lado que adorava se entregar a ele. E era esse lado que ele despertaria naquela massagem.
— Você está machucada. – comentou ao passar o óleo pelos ombros dela.
— Eu corri na floresta.
— Hum... – Kárdia sentiu um leve desânimo com a falta de resposta, mas manteve-se firme.
Ele se ajeitou mais para trás no corpo dela, sentando-se nas coxas para que tivesse acesso ao delicioso bumbum. Por vezes, desceu as mãos como se fosse tocá-lo, viu o quanto ela pareceu animada com a ideia, porém, apenas para provocá-la, subiu as mãos novamente para as omoplatas. Investiu na nuca dela, após passar os cabelos para o lado. Removeu algumas pequenas folhas que encontrou entre as madeixas negras e sorriu. Podia senti-la relaxando sobre seus toques.
Empolgado, Kárdia desceu novamente as mãos pelos braços, fazendo, depois, o caminho inverso e descendo pelas costas, dessa vez arranhando suavemente. A tensão sexual que naturalmente existia entre eles era quase palpável e ele adorava atiçá-la ainda mais. Daria a massagem para a musa, porém daria muito mais.
Após provocá-la um pouco mais, fingindo que desceria até sua bunda, finalmente desceu e passou a apertá-la com cuidado. O autocontrole foi imprescindível, pois a vontade de iniciar uma sequência de tapas borbulhou em seu interior. Fez uma breve pausa para respirar profundamente e espremeu os olhos diante do enorme desejo em penetrá-la.
— O que houve, escorpião?
Kárdia esperou alguns segundos para responder.
— Você é deliciosa, Euterpe.
Sua fala saiu com alívio, como se guardar o fato para si exigisse um enorme peso. Não obteve resposta, porém.
Ele voltou a tocá-la com mais intensidade nas costas, procurando relaxá-la ainda mais, mesmo depois de seu comentário. Por um momento, quis voltar no tempo. Suas mãos, entretanto, pareciam agir sozinhas quando desciam, atraídas pela parte de baixo. Kárdia não resistiu e pingou mais óleo no corpo de Euterpe.
Antes de espalhar, limpou uma das mãos no lençol vermelho da cama e enfiou-a entre as pernas de Euterpe. Foi direto para o ponto que queria e constatou que ela estava tremendamente molhada.
Devido à falta de comentário da musa, Kárdia inclinou o corpo até que sua boca encostasse-se ao ouvido dela:
— Eu sabia que estava assim.
— Então o que está esperando? – respondeu, com pouco caso.
— Você implorar. – sorriu com malícia, adorando a situação. Cada vez que mexia no clitóris dela ficava mais lubrificada.
— Isso não vai acontecer.
— Ah vai... – num impulso, retornou ao lugar. Tirou a mão de lá e espalhou o óleo que havia derramado nas costas da musa até estendê-lo entre as coxas. Adorava a lubrificação dela, mas queria que tudo ficasse mais lambuzado.
— Kárdia... – Euterpe segurou um gemido. Já estava delirado havia tempos devido aos dedos do escorpiano em seu sexo, principalmente quando ele diminuía a velocidade, provocando-a com louvor. Sentia-se dominada, mas não admitiria nunca.
— O quê? – respondeu sorrindo, satisfeito em vê-la mexendo a bunda involuntariamente, querendo seguir os movimentos que fazia. Decidiu ser bom e ameaçou enfiar um dedo nela.
— Kárdia!
— O quê? Fala!
Ele não ligou para o membro que doía de excitação, mais do que pronto para se enfiar naquele sexo mais que pronto para ele. E havia o óleo que facilitava o deslize dos corpos. Kárdia não resistiu e derramou um pouco em seu peitoral, deixando que as gotas deslizassem para baixo, onde havia uma toalha – a qual foi imediatamente removida e jogada num canto do quarto.
— O que quer que eu faça com você, Euterpe? Nem imagina as mil opções que se passam na minha mente quando penso em você assim, na minha cama. – seus dedos aumentaram o ritmo gradualmente, às vezes pressionando o clitóris um pouco mais, às vezes mal o tocando. Adorava ver as nuances na reação dela.
Na medida em que Euterpe não respondia, Kárdia se empolgava mais, pois só significava que a musa se perdia aos poucos nas diversas sensações que ele proporcionava. Incentivado pelo rebolado dela, apertou a bunda com força e se inclinou para morder a musa no ombro.
— Que tipo de massagem é essa? – Euterpe questionou com dificuldade, levada pelo prazer. Mal conseguia abrir os olhos.
— O tipo que você estava procurando aqui. – sussurrou no ouvido dela, mordendo o lóbulo em seguida.
— Cretino.
Kárdia riu, completamente animado.
— Ok, Euterpe. Chega de brincar.
Num movimento, afastou as pernas da musa, ainda de bruços, e puxou-a um pouco para cima, pela cintura. Com a glande de seu membro, passou a provocá-la na entrada do sexo perfeitamente lubrificado. Kárdia mordeu o lábio ao vê-la naquele estado. Uma gota deslizava na coxa esquerda dela, ele só não sabia se era óleo ou o lubrificante natural. No final das coisas, a visão o deixou louco.
Ele não queria pular as preliminares, mas sentiu, no olhar que ela lhe lançou ao se virar, que ela o queria dentro tanto quanto ele queria entrar. Não queriam mais esperar, adoravam jogos, porém estavam necessitados um do outro.
— Algo a dizer, Euterpe?
— Não.
Kárdia penetrou alguns centímetros de seu membro e tirou. Ouviu-a reclamar e a encarou com um sorriso vitorioso.
— Mesmo? Nada a falar? – em sua voz, havia um tom de puro tesão. Kárdia emanava sexo em seus gestos e expressões, algo que fazia Euterpe querer devorá-lo.
— Nada a falar.
Segurando o pênis completamente duro, ele movimentou a glande para cima e para baixo no clitóris dela, enquanto a encarava com olhos vivamente carnais. Euterpe o encarava de volta, sentindo-se desafiada. Tinha entendido o que ele queria.
Kárdia apelou. Com o polegar, passou pelo sexo dela e subiu até o ânus.
— Kárdia! Tire a mão daí! – tentou tirar com uma das mãos, porém ele a segurou.
— Oh, você fica sem jeito? – riu ao vê-la enrubescer fortemente e engolir seco.
— Claro que não. – disse, trêmula. Havia se denunciado.
— Entendo. – Kárdia pressionou o polegar e arrancou dela um arfado agoniado. – Acho que você mentiu pra mim... Pelo o que estou vendo, aqui é um lugar sagrado.
— Kárdia, seu cretino!
— Nada a falar ainda? – Kárdia olhou-a com superioridade, sem deixar de mover o pênis no sexo molhado dela.
— Por favor, eu quero você... em mim. – ela sussurrou, envergonhada.
— Muito fraco, Euterpe. – ele disse, fingindo impaciência, ameaçando sair de perto dela.
Euterpe rosnou com raiva, embora a verdade fosse outra. Estava tremendamente excitada com as iniciativas de Kárdia, ainda que fossem estranhas e inéditas.
— Eu imploro, eu quero você dentro de mim, escorpião cretino! – dessa vez, sua voz saiu mais alta do que queria. E Kárdia obedeceu estocando seu pênis fortemente e agarrando a cintura dela com possessão.
Os dois estavam totalmente lambuzados de óleo. Kárdia tirou proveito disso, puxando-a para si e embalando-a com o corpo escorregadio, deixando tudo mais excitante para ambos. Suas mãos não paravam de apertá-la onde podiam. Para facilitar, ele a colocou de quatro e passou a estocar mais rápido, enquanto beliscava os mamilos dela com os dedos, oscilando entre modos mais delicados e rudes. Deixou uma das mãos subir para os cabelos negros, segurando-os com firmeza, e ergueu o rosto dela, para que os gemidos ecoassem pelo quarto.
Kárdia sentia-se animalesco, do jeito que ela parecia estar também. Euterpe estava terrivelmente linda toda suja da floresta e dominada em sua cama. Nunca a havia tido daquela forma. Ela parecia mais entregue e aberta aos seus toques, como se tivesse tomado uma decisão libertadora que a deixara completamente despudorada de seus instintos – embora ela sempre tenha tido inclinação a tal.
Impulsivamente, ele a estapeou tão desejosamente na bunda e viu-a se virar, mordendo os lábios. Ela havia gostado. Ele fez de novo. E quando não fez, agarrou as nádegas com força, querendo marcá-las.
Ele estava aprendendo a enxergá-la de outra forma, que não incluía posse, embora a quisesse somente para si. Talvez compreendesse um pouco mais o lado solto de Euterpe quando se tratava de propriedade numa relação. Ele a queria, ela o queria, porém talvez não sempre. Ela não demonstrara ciúmes ao vê-lo com a serva e isso o incomodou brevemente. Entretanto, por mais que brigar com a musa fosse excitante, havia formas melhores de tê-la por perto.
Ainda assim, para ele, o pensamento de vê-la com outro era um tanto devastador. Não sabia se queria realmente trabalhar essa perspectiva.
— A sua alma livre é maligna, Euterpe.
— O quê?
— Nada, vem cá. – Kárdia a puxou para si, erguendo o corpo e trazendo as costas dela para seu peito. Abraçou-a fortemente, aproveitando para passar a mão nos seios empinados e macios. Cheirou profundamente o pescoço da musa e seguiu com a ponta do nariz até o maxilar, esperando-a se virar para poder beijá-la.
Euterpe aprofundou o beijo com adoração, necessitada daquele carinho. Havia corrido até ele torcendo para que estivesse ali para si. Nada importou, não importou seu aspecto animalesco nem a serva burra. Só precisava sentir Kárdia do jeito que estava sentindo. Sentia a língua dele procurando e exigindo atenção dentro de sua boca. Sentia cada mão envolvendo seu corpo com sensualidade e intensidade, como esperado do escorpiano. Sentia seus lábios serem mordiscados e a respiração quente dele em sua pele. Sentia quando as mãos decidiam arranhar-lhe pelas laterais do corpo. Sentia o coração acelerado dele indo de encontro ao seu, protegido apenas pelas peles quentes e úmidas.
Hoje, ela o deixaria fazer o que quisesse. Seria dele, mas ele não saberia.
Kárdia a jogou na cama de barriga para cima e rapidamente a penetrou. Queria uma posição em que pudesse observá-la em cada reação, cada expressão. Queria ver os seios pulando a cada investida forte que dava nela e as bochechas dela avermelharem com seus olhos observadores. Queria comê-la por inteiro, mas sentia que precisava respeitá-la mais do que o normal. Era um estranho sentimento. Se considerava a alma dela maligna por ser livre, então a sua era maligna por querer prendê-la. Agora entendia isso.
— Euterpe. – sussurrou, inclinando-se para beijá-la mais e mais. Chocava-se com força contra ela, sentindo necessidade de senti-la ainda mais.
— Kárdia. – ela envolveu o pescoço dele com os braços, fazendo os corpos se juntarem ainda mais.
No quarto, apenas os sons dos gemidos e dos corpos em contato. Ambos fecharam os olhos, sentindo a deliciosa sensação de ter o outro próximo, embalados pelo suor e o aroma de baunilha e amêndoas.
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