EmMusas - The Lost Canvas

34 A ausência do riso


Notas iniciais
Olá, queridxs leitor...ATCHIM! Ugh... por favor, alguém me bate, sério. Ontem tomei a pior decisão de todas diante da minha atual condição de saúde: fui beber cozamigo. PUTZ que ideia idiota, sério. Tô pior que um porco com rinite - não q eu já tenha visto um, mas enfim... Ok, ok, chega de negatividade. Cara, preciso dizer... Eu to muito, muito agradecida pelo carinho de vocês, sério mesmo. 209 comentários, 31 favoritos e por aí vai, isso é muito feliz! Algumas de vocês devem imaginar o quanto isso instiga o autor a escrever a fic, certo? Caramba, é felicidade demais! É gratificante saber que minha fic agrada a vocês! Então, antes de começar este cap, queria fazer esse agradecimento mesmo! Podem acreditar que todo o carinho recebido é retribuído de alguma forma, ok? E fiquem à vontade para conversar comigo em chat, em email, em que seja! :D Tá, entramos numa fase tristinha para algumas pessoas... Maaaaaaas, com certas perdas, ganha-se outras coisas, não? E não desanimem, tem muito rolo pela frente huhuhuh Boa leitura, queridxs!

Capítulo 34

Calíope pulou da cama no instante em que sentiu algo desaparecer e outro surgir. Ficou irritada ao perceber que foi o segundo dia seguido que acordou dessa forma e nesse ambiente, mas, por alguns segundos, não processou realmente onde estava, e, quando o fez, um desespero brotou em seu interior. Um grito foi impedido de sair de sua boca; em compensação, alguns fios de cabelos ruivos quase foram arrancados quando ela os puxou em desgosto. Como isso aconteceu? Olhou para baixo e se aliviou um pouco ao perceber que estava vestida com a roupa da noite anterior, mas ainda assim corou ferozmente por ter acordado num quatro de hóspede da Casa de Virgem. O que infernos fez para cair novamente nesse lugar?

Bebeu. Simples assim.

Fazia tanto tempo que não bebia, que não se lembrou da consequência detestável na qual as pessoas caíam após passar a noite se enchendo de vinho. A famosa ressaca, inimiga das lembranças e causadora das vergonhas morais. A ressaca era tipo aquela pedrinha na sandália que se instaura sem querer, sem perceber, e demonstra seu efeito quando se sai de casa para uma boa caminhada. Porém, por ser na mente, o caso era mais sério.

Calíope bufou e se prontificou em sair do quarto, mas não sem passar a água no rosto pelo menos quatro vezes. Quando chegou à sala principal da sexta casa, parou para observar o protetor meditando. Algo na expressão dura e levemente franzida de Asmita denunciou o estado insatisfeito dele. E ela não precisou pensar muito para compreender o motivo.

– Achei que fosse acordar mais tarde, Calíope.

A musa grunhiu baixo — maldita hora em que sua personalidade a abandonou. Olhar para ele foi mais difícil do que qualquer vez que subiu a escadaria das doze casas, e não por causa de sua expressão, mas da áurea divina levemente modificada pelo humor do virginiano. Ótimo. Ela provavelmente contribuiu bastante para isso.

Calíope, sem muita escolha, teve de deixar o orgulho num cantinho e encarar aquele homem absurdamente lindo e imponente. Caso contrário, sairia por baixo naquela situação constrangedora. Antes, orou mentalmente para não ter feito algo estúpido a ponto de perder o respeito.

– Asmita, por que estou aqui? – certo, não foi uma pergunta muito boa, mas saiu assim mesmo; e ela já estava numa situação ruim o bastante para se importar mais.

– Engraçado você me questionar sobre isso. Sempre achei que fosse a musa com a memória mais capacitada das seis.

Ele que não queira saber das péssimas lembranças que ela guarda para si, Calíope pensou. Apesar da fala de Asmita ter saído um bocado esnobe e ofensiva, a musa respirou fundo e preferiu ignorar.

– Por favor, apenas responda.

– A senhorita fez uma tumulto considerável na porta da minha casa ontem, pela madrugada. Não me importaria se estivesse dormindo, mas, por estar meditando, tive de me esforçar um pouco. – novamente, ele esnobou.

Calíope engoliu em seco para não soltar as palavras que queria diante daquela postura desagradável dele. Pareceu o início da relação que tinham desenvolvido!

– Isso não responde nada, Asmita. Por que estou aqui? – dessa vez, ela se permitiu falar um pouco zangada.

– É evidente que eu não deixaria você passar e subir as doze casas no estado em que lhe encontrei. – ele disse normalmente, mas depois voltou com o tom de antes. — Felizmente, isso aconteceu no momento em que tomei um pequeno espaço do tempo da meditação para beber um chá, o qual, inclusive, esfriou porque estendi esse tempo para lhe auxiliar, Calíope.

O rancor dele foi perfeitamente sentido por ela.

– Não pedi nada disso, poderia ter me deixado ir. – ela rebateu rapidamente. Era tão simples.

Para Asmita, não. Demonstrou bastante sua incredulidade diante daquela sugestão. Por acaso ela não entendeu o que ele quis dizer?

– Posso não ter muita inclinação para a socialização, mas conheço o bom senso que isso implica. Como falei: não deixaria você subir naquele estado. – franziu a testa e esperou.

– Poderia ter esperado alguém passar e pedido para me acompanhar!

Asmita não evitou o riso pelo nariz.

– Claro, até porque meu tempo é muito disponível para a espera. – revidou com evidente ironia. — Com certeza, foi melhor lhe colocar logo para dormir do que esperar alguém fazê-lo. Não tenho tempo para desperdiçar assim, Calíope.

Um sentimento de humilhação cresceu no interior da musa completamente depois de ouvir as palavras de Asmita. Foi inevitável pensar que voltaram ao período de grosseria.

– Como você é rude, cavaleiro. – Calíope disse, estreitando os olhos e negando com a cabeça.

– Não foi minha intenção.

– Não, foi sim. Você está chateado comigo porque não lhe ajudei nas informações a respeito dos cosmos que explodiram ontem! — ela jogou, furiosa. Foi tão óbvio de discernir que se sentiu patética por não ter percebido antes.

– De fato, estou um tanto quanto decepcionado, mas sei diferenciar as coisas. – Asmita fingiu ignorar totalmente o estado alarmado dela, porém não evitou uma tremida de lábio ao constatar que ela identificou o problema.

– Você ACHA que sabe, mas é humano demais, Asmita. É bem perceptível que não compreende muitas de suas próprias atitudes porque o peso de sua divindade se choca com de seu humanismo.

Asmita parou por um mísero segundo após aquelas palavras, que, apesar de terem causado um péssimo efeito nele, saíram de uma forma tão desafiadora que passou o charme natural de Calíope. A força dessa musa era encantadora; ela era feroz e protetora das próprias convicções, porém ele não admiraria por mais tempo. Não poderia.

– Está me ofendendo, Calíope. E em minha própria casa.

– Por quê? Porque não tem argumentos para revidar? Porque estou certa? Porque você não sabe lidar com o que está sentindo?

A última pergunta o enervou o bastante para não continuar na passividade dessa discussão.

– Quem é você para insinuar meus sentimentos? Acredita realmente que não tenho noção dos passos que dou? Talvez você não enxergue as interpretações que decide tomar diante dos acontecimentos. E, em minha defesa, posso não ter a capacidade de enxergar, mas vejo muito melhor do que a maioria dos que aqui vivem. – disse, com a voz assustadoramente grave.

– Não duvido disso. – ela não se intimidou, porém. — Mas há muitos fatos, diante dos seus olhos, que você não vê.

– Só porque não escolho aprofundar um entendimento, não quer dizer que não o enxergo.

A resposta do virginiano saiu tão cortando que a musa quase sentiu a dor em seu peito.

– Então é questão de escolha? Se sim, poderia esclarecer algu-

– Isso não lhe diz respeito. – ele interrompeu sem cerimônias. Asmita não entraria naquele assunto.

Calíope sentiu a resistência dele, por isso optou por alguns segundos de silêncio. Alívio foi o que sentiu por esse tempo. Se fosse para ouvir essas frases proferidas dele, seria melhor parar. No entanto, não conseguiu.

– Quando se trata de você, esse é o seu melhor argumento? Engraçado, pois me lembro de ter sido foco de seu interesse há uns dias.

– Preciso conhecer quem eu permito que passe em minha casa. – o virginiano cortou.

– Agora é você quem está me ofendendo, Asmita.

Calíope esperou alguma fala dele, mas o silêncio novamente reinou ali, e ela riu tristemente.

– Questão de escolha. — cuspiu as palavras. — E eu achando que você era admirado por se infiltrar em caminhos mais difíceis. Mas, pelo visto, existe algo que você teme sim.

Ela não quis mais suportar isso; tudo bem que sempre foi bastante forte com os baques apresentados pela vida no mundo humano, mas simplesmente não quis. Virou-se lentamente e seguiu para a saída que levava à sétima casa.

Calíope, assim como Asmita, enxergava muita coisa que os outros não. Ela só não sabia dizer se isso era bom ou ruim, pois a constatação que fez após essa conversa não foi nada agradável. Finalmente enxergou um fato quase imperceptível sobre ele: o poderoso Cavaleiro de Ouro de Virgem temia o amor.

~

Clio abriu os olhos, cobriu a testa com as costas da mão esquerda e varreu o quarto com o olhar. Paredes de um azul bem claro, móveis simples de madeira escura – Cumaru, talvez? -, duas portas da mesma madeira, uma pequena cômoda com gavetas e uma lamparina em cima, um aroma suave, porém marcante – tudo isso pôde ser observado naquele quarto que, com certeza, não era o de Clio e Terps.

A musa saltou da cama e olhou novamente ao redor; por fim, constatou o óbvio: havia dormido fora. Mas fora aonde? O quarto organizadíssimo a agradou por um lado, pois, ao ver por uma das janelas, percebeu que estava numa das doze casas. Estranhou o ar frio que envolveu o ambiente quando viu o sol potente lá fora. Considerando a posição alta da casa e essa observação do ar, adquiriu o primeiro palpite.

– Sabia! – Clio disse ao ver Degél na cozinha que se estendia da sala. O aquariano tinha acabado de pôr a mesa do desjejum.

– Bom dia, senhorita. – ele cumprimentou cordialmente. Clio sorriu e se aproximou.

– Bom dia. Quer ajuda? – ela ofereceu, mas ele negou e fez um gesto para que sentasse. – Obrigada. Hãn... Degél, desculpe a ansiedade, mas por que estou aqui? Onde está Urânia?

– Ah, sim. – serviu um pouco de café na xícara da musa. – Acredito que sua memória esteja um pouco falha devido à quantidade de vinho ingerido ontem à noite.

Clio mordeu o lábio, ao mesmo tempo em que achou engraçado o modo que o aquariano achou de brincar sutilmente com o fato. Até viu um esboço de sorriso se formar nos lábios dele. Consequentemente, ela teve pequenos lapsos de lembranças da noite passada após inventar de beber bastante vinho para curar a carência.

Ugh, a carência. Tudo culpa daquele capricorniano intrigante que Clio tanto quis rejeitar.

Lembrou-se de que ela e Urânia beberam até chegar num estado vergonhoso de exibição, acompanhadas de Calíope, que parou antes e seguiu para as doze casas com a desculpa de que tinha se esquecido de perguntar qual era o nome do novo incenso que a serva colocou — algo que não fez sentido algum para Clio.

– Acabe com esse suspense e me diga se dei trabalho a você, por favor. – pediu de forma manhosa, mas com uma leve seriedade. Degél retribuiu com um sorriso gentil.

– Acompanhei você e Urânia nessa subida por causa da falta de equilíbrio que apresentaram logo de início. – pigarreou e bebericou o café que tinha em mãos. – Quando chegamos em minha casa, pediram por um descanso e eu concedi, só não imaginei que o descanso fosse esse. – disse, num tom de brincadeira. Clio quis rir, porém corou tanto que sentiu o rosto esquentar. – Não fique assim, Clio, sei lidar com essas ocasiões. Kárdia é muito mais desinibido do que vocês. – piscou em cumplicidade e viu a musa rir de leve.

– Isso me... Acalma um pouco. Entretanto, você disse que Urânia também estava comigo...

– Sim. Ela ainda está, mas em outro quarto. Não acordou ainda e teve um indício de febre ontem, por isso não quis levá-las até o templo. – quando viu que Clio se levantou preocupada, Degél tratou de agilizar sua fala. – Clio, sente-se. Já tratei de Urânia, não se preocupe.

– Como? Ah... – claro que ele tratou. Quem poderia tê-la tratado melhor se não o cavaleiro que possui habilidades de manipular o gelo? – Muito obrigada, Degél. – sorriu.

Após os esclarecimentos, os dois engataram numa conversa amigável sobre hábitos e costumes. Fazia tempo que não conversavam como no início da estadia das musas no Santuário, então aproveitaram para atualizar alguns conhecimentos adquiridos; principalmente Clio.

– E seu envolvimento com Redka? Sei que é meio imprudente de se perguntar, mas, Degél, já passou do estado de obviedade. – ela riu educadamente e foi seguida por ele.

– Sim, é verdade. Não compreendo muito desse assunto, apenas sigo alguns instintos que não posso ignorar. Admito que temo um pouco esse elemento que envolve o que temos, mas, ao contrário de muitos cavaleiros, não quero desperdiçar o tempo que tenho aqui, principalmente diante desse período detestável de guerra. Isso é um tanto lógico, se for analisar. Não há sentido na restrição quando a própria morte lhe limitará de viver o que gostaria no futuro. Por isso, vejo o presente como algo desfrutável. Tenho uma quantidade de tempo exata para isso, por mais que não saiba dizer quanto. No entanto, sinto-me egoísta por não considerar que posso estar submetendo Redka a algo que pode se desdobrar em sofrimento mais adiante.

– Perfeitamente compreensível e, ouso dizer, admirável, nessa questão do egoísmo. Esse sentimento, de certa forma, é necessário, se for considerar a criação de novas memórias entre vocês... É, sobretudo, um incentivo, então apenas o faça e deixe Redka sob meus cuidados, caso algo dê errado. – Clio piscou para descontrair o peso do assunto, e, repentinamente, despertou um sentimento amável em Degél, que pegou sua mão e depositou um leve beijo.

– Você é encantadora, Clio. Sempre lhe vi desse jeito, mas agora você se superou. – Degél realmente foi sincero. Por um momento, cogitou, logo no início da chegada das musas, se aproximar de Clio com uma intenção um pouco menos diplomática, mas seu sentimentos por Redka não permitiram e, onde antes ele viu uma musa como mulher, acabou enxergando uma amiga. Sim, Clio não passava disso para ele: uma bela amiga.

A musa, inevitavelmente, corou.

– Apenas mantenha esse coração nobre, Degél.

Um pequeno clima foi rapidamente reconhecido pelos dois, porém não aprofundado. Degél se afastou e se serviu de mais café, enquanto Clio mexeu o seu com uma pequena colher. Por ser algo novo, um silêncio tomou os dois até Urânia aparecer e se juntar a eles. Não foi um silêncio desagradável, só que deixou bem claro, para os dois, que uma pontinha de sentimento a mais existia ali. E, numa sintonia incomum, os dois compreenderam que a melhor opção era não abordar esse assunto.

Clio e Urânia, após tomarem café com o cavaleiro de aquário, retiraram-se para o décimo terceiro templo; e Degél seguiu para a arena. As duas não comentaram, mas compartilharam de uma agonia tremenda quando sentiram falta de algo naquele Santuário.

~

– Mel? – Terpsícore chamou a irmã que se escorou na porta de seu quarto com um semblante desesperado. – Mel! Acalme-se, Mel!

Terps abraçou a irmã e a puxou para que sentasse na cama de Clio. Mantiveram o silêncio até Calíope aparecer no quarto, com uma cara fechada.

– Mas será possível? – a ruiva resmungou e se deitou na cama de Terpsícore. A musa da dança estranhou aquela espontaneidade e aproximação da irmã mais velha.

– Pretende ficar aqui? – acabou perguntando, sem deixar de afagar Melpomene, que fitou Calíope igualmente intrigada.

– Posso? Gostaria muito, sinceramente. – respondeu, lançando um olhar de intensa chateação. Terpsícore compreendeu o que ela quis comunicar, assim como Mel, e acabou sorrindo gentilmente. Quando foi que parou de emanar a própria alegria? – Obrigada, Terpsícore.

Um barulho de passos apressados foi ouvido do corredor e logo suas donas se mostraram: Clio e Urânia com olhos arregalados – os quais se arregalaram mais ainda devido à presença de Calíope. E a ruiva percebeu.

Ugh, eu não sou tão ausente assim, pelo amor de Zeus! – reclamou. O comentário foi engraçado, mas não extraiu risadas, pois, evidentemente, todas estavam preocupadas com a mesma coisa.

~

Um riso foi ouvido ao longe e ele o seguiu; já era a terceira vez que seguia o mesmo riso e não encontrava a suposta dona dele. Era um riso feminino, por isso ele fazia questão de achar sua fonte. Correu um pouco no meio daquela floresta densa, sem prestar muita atenção onde pisava, apenas quis encontrar logo a garota risonha, mas uma neblina dificultou um pouco sua visão – nada muito alarmante, apenas um pouco incômodo. Mas por que diabos essa garota estava fugindo dele enquanto ria? Sua única intenção era a de conversa.

Certo, talvez conhecer um pouco mais e... Não, antes de qualquer coisa, queria vê-la e senti-la. A ausência de um corpo vivo naquela floresta densa já o estava incomodando. Não apenas isso, mas ele conhecia aquela voz.

Não tinha muito controle do próprio corpo, apenas seguia constantemente através dos instintos e sentidos; às vezes, jurava que estava perto da garota, mas nada. Até que, depois de um bom tempo percorrendo as grossas raízes da floresta, deparou-se com uma silhueta conhecida. Apenas isso. No entanto, quando foi tocá-la, a silhueta se desfez em sua frente.

Um sentimento devastador esmagou seu coração e ele gritou até o ar lhe faltar nos pulmões. E, então, Manigold acordou.

O canceriano não teve um despertar normal; assim como as musas, ele saltou da cama em estado de alerta. Parou apenas para se concentrar e iniciar as tarefas, mas a falta de algo o fez parar imediatamente e cogitar outra tarefa. Não esperou; seu instinto simplesmente o cutucou até ele correr da Casa de Câncer até o Templo do Grande Mestre. No meio do caminho, deparou-se com Degél.

– Bom dia, Manigold. Não deveria estar treinando? – perguntou, sem ânimo.

– Já vou. – respondeu direto e afobado. – Por acaso viu alguma musa por aí?

– Sim, mas elas já retornaram para o devido templo. – respondeu seco. Manigold se surpreendeu e aflorou um sorriso malicioso.

– Mais de uma, hein, Degél? Bem que podia dividir esse poder aí... — brincou. Degél apenas bufou e saiu, deixando o outro falando sozinho.

Manigold voltou a subir com pressa a escadaria até a última casa, onde cumprimentou Albafica com um aceno sutil. Fazia tempo que não via o pisciano, mas não era hora de confraternizar. Ao chegar na porta do templo seguinte, tratou de iniciar exercícios de respiração propícios para aconchegar a calma e adentrou com cuidado, por mais que quisesse continuar correndo. Sua ansiedade o consumia por dentro. O dia amanheceu muito errado.

Caminhou pelo corredor até chegar no Salão Principal do Grande Mestre, onde viu o aglomerado de musas. Quando se permitiu aliviar, percebeu que nem todas estavam ali. Calíope, Urânia, Clio, Melpomene e Terpsícore o fitaram ferozmente – só então ele reparou em como as musas emanavam poder. De fato, elas eram criaturas fascinantes e de presença impecável, cujas hostilidades eram quase palpáveis. Naquele meio, o único que realmente demonstrou uma expressão estranha – um misto de chateação com, de repente, irritação – foi Sage.

– Manigold. – o Grande Mestre saudou; sua voz pareceu rancorosa. O canceriano franziu o cenho ao perceber os olhares não tão gentis. Ao olhar para o lado, viu Dohko o fitando, mas não do mesmo jeito que os outros. O libriano apresentou um pouco mais de gentileza.

Manigold ignorou todos os olhares e se dirigiu às musas, ofegantemente.

– Onde está Tália?

As cinco endureceram as expressões, mas foi Calíope quem se manifestou:

– Ah, você não sabe? – com o tom de ironia evidente. – Tália foi embora.

Notas finais
Oh, no... Queria registrar a cara de Mani pra essa última fala, mas deixo para vocês imaginarem huhuhu SPOILER: 1. "[...] Por um segundo, Defteros percebeu o lapso de tristeza que passou no olhar esverdeado da musa. E isso o afetou de alguma forma." 2. "- O que mais você sente, Manigold? – Mel perguntou, gentilmente." Beijos, beijos!