Em luta pelo amor

31 Compreensão


CAPITULO XXXI

–compreendo se quiser que eu vá embora

os olhos acinzentados fitavam as mãos que se mantinham unidas fortemente, desse modo evitava que kyoko percebe-se o tremor das mesmas, deixando assim transparecer o quão nervoso ele estava após haver dito a ela toda a verdade sobre seu passado.

Fitou o homem sentado ao seu lado, seu rosto encoberto parcialmente pelos cabelos escuros que ela agora sabia serem na realidade loiros, os olhos originalmente claros fitavam as próprias mãos que ele apertava naquela postura que ela já havia visto algumas vezes, indicando o quão difícil havia sido para ele reviver aquelas dolorosas lembranças.

Desde o incidente durante as gravações de dark moon, havia percebido que ren possuía assim como ela uma escuridão dentro de si a qual lutava para dominar, mas nunca pudera imaginar a causa da existência dessa escuridão até agora, jamais pensara que o homem que amava havia passado por momentos tão difíceis, enfim compreendia totalmente as palavras do beagle de que se corn não houvesse enlouquecido ele poderia ter escolhido deixar esse mundo, felizmente isso não acontecera, corn felizmente encontrara o presidente e esse o ajudara a se livrar de seu passado doloroso.

Seus olhos contemplaram novamente o rapaz ao seu lado que parecia agora mergulhado em sua própria dor, instantes atras ren havia dito que compreenderia se ela quisesse que ele fosse embora, mas como poderia pedir isso ao homem que amava e que naquele momento precisava tanto de seu apoio, como poderia culpa-lo por haver mantido tudo em segredo dela ate agora, quando ela escondera dele ate horas atras sobre a existência do filho deles, como condena-lo por querer esquecer aquele triste passado e tentar ser feliz?

Já não lhe importava se a pessoa ao seu lado era uma fada ou um simples mortal, se seu nome era corn ou tsuruga ren, tão pouco lhe importava as coisas que haviam acontecido em seu passado, tudo o que lhe importava era que amava aquele homem que agora sofria com as lembranças do seu passado, tudo o que seu coração queria naquele momento era amenizar o sofrimento que via naquele rosto sempre gentil, queria estar ao lado dele pelo tempo que lhe fosse possível e descobrir todas as coisas que desconhecia sobre ele, queria faze-lo sentir que já não estava sozinho por que a partir de agora ela e kaoru estariam sempre junto dele.

Que mulher aceitaria um assassino ao seu lado?. Jamais teria o perdão de kyoko, nunca mais poderia rever o filho que acabara de conhecer, sempre soube que deveria ser realista e aceitar que não merecia a felicidade, mas em algum momento seu rebelde coração o fez acreditar que poderia realmente viver o amor, porem o preço que pagava agora por seu tolo engano era perder para sempre sua primeira e única esperança de ter o que muitos tem mas poucos valorizam, uma esposa e um filho, uma família somente sua que era para ele a materialização de uma verdadeira felicidade.

Sentiu o toque suave e quente que contrastava com suas mãos geladas revindicando para ela sua atenção afastando a escuridão fria e solitária que o cercava, conhecia aquele toque gentil, ergueu o rosto encontrando ajoelhada diante de si aquela a quem amava , os olhos ambares o contemplavam não com magoa ou repulsa e sim com profunda ternura.

–kyoko

estava surpreso ao ve-la diante de si o fitando de modo sereno, um pequeno sorriso surgiu na face dela

–posso ve-los?

A expressão no rosto de ren era de completa confusão por suas ações e suas palavras, decidiu então ser um pouco mais clara

–seus olhos verdes de fada

ainda sem compreender a reação dela a tudo o que ele havia revelado, removeu suas lentes atendendo aquele inesperado pedido.

–kyoko, a fada corn nunca exis...

sua fala foi interrompida quando repentinamente após se levantar, kyoko se atirou em seus braços

–não me importa se você é uma fada ou um simples humano, me prometa que nunca mais deixara de estar ao meu lado.

–kyoko

a apertou mais junto de si, podia claramente sentir as pequenas lagrimas que corriam do rosto dela e caiam sobre seu ombro.

–me perdoe por não haver lhe contado antes

–todos temos segredos que só devem ser revelados no momento certo.

Sorriu para a garota, que agora se afastava apenas o suficiente para poderem se olharem nos olhos.

Os lábios dele tocaram os seus a principio suavemente tornando-se aos poucos mais intenso, quando afastaram-se seus rostos estavam corados enquanto respiravam profundamente em busca do ar que lhes faltava nos pulmões.

–re...cor...

sentia-se um pouco constrangida por não saber ao certo como deveria chama-lo

–como devo lhe chamar agora, tsuruga ren ou corn?

–kuon, meu nome é kuon hizuri

–kuon?

Sorriu ao ver a expressão de surpresa no rosto dela

–esse nome é...

calou-se diante da realidade que se revelava a sua frente, como não percebera antes que ren era fisicamente semelhante a kuu, o formato da sua cabeça a largura de seus ombros, suas mãos com dedos longos, havia ainda aquela afirmação dele sobre ter compreendido perfeitamente os sentimentos de kuon.

–sou o filho de julie e kuu hizuri

sorriu ao ver como o rosto de kyoko se tornava vermelho rapidamente

–naquele dia quando interpretei o filho do sensei, eu estava...

sentia-se muito constrangida para dizer

–me desculpe ren

aproximou seu rosto do dela a fim de encara-la, mas os olhos ambares desviavam-se dos seus

–não precisa ficar constrangida, era apenas uma atuação.

Aproximou seus lábios do ouvido dela e disse o restante de suas palavras em um sussurro rouco que a fez estremecer.

–me senti feliz quando soube que mesmo sendo só uma criança quando nos conhecemos, você nunca conseguiu me esquecer.

Se apossou dos lábios femininos em um beijo urgente que manifestava o alivio que sentia por ela o aceitar mesmo conhecendo agora seus erros e pecados , podia sentir o corpo dela se entregando completamente a medida que o beijo se intensificava.

–kaoru costuma dormir bem a noite?

fitou o ator demorando um pouco para compreender as palavras de ren

–ele acorda em duas horas para mamar

viu o ator sorrir de modo malicioso

–acho que ele não se importará, se eu mantiver a mãe dele ocupada durante esse tempo

–hum...

a tomou em seus braços a levando para o quarto onde se amaram ate o despertar do filho, vendo kyoko amamentando kaoru ele não podia deixar de pensar que jamais poderia pensar em uma cena ou em um momento mais feliz do que aquele que estavam vivendo.

****************

abriu os olhos não conhecendo o local onde se encontrava, lançou um olhar rápido pelo local sentindo que o mesmo não lhe era totalmente estranho, já havia estado ali, corou ao recordar a cena que ali se passara, naquela noite estava sobre o efeito de duas taças de bebida alcoólica e na companhia de um belo rapaz seminu e muito animado que a beijara e a motivava a agir daquele modo nada inocente, balançou a cabeça afastando aquela lembrança, olhou mais atentamente o local a sua volta, definitivamente estava não apenas no quarto mas também na cama do fuwa sho novamente, felizmente dessa vez despertara ainda vestida.

–como vim parar aqui de novo

deixou a cama e já se preparava para sair do quarto quando a porta do mesmo foi aberta permitindo a passagem do loiro que agora parado junto da porta a fitava abertamente

–por que me trouxe aqui fuwa?

–não poderia deixar que a mãe do meu filho passasse a noite em um hotel qualquer

–mãe do que?

Fitou o cantor a sua frente sem compreender o que aquele idiota estava falando

–sei que esta esperando um filho meu

sentiu-se realmente incomodado ao ver a morena sorrir abertamente após suas palavras

–o que te faz pensar que eu terei um filho seu?

–o fato de havermos...tran....transa..

desviou os olhos dos da garota que o encarava sem qualquer sinal de constrangimento, se ela era capaz de manter uma postura tão serena a respeito daquilo ele faria o mesmo, respirou fundo e armando-se de todo o seu charme sorriu antes de falar novamente

–o fato de havermos transado aquela noite

fitou o cantor que se aproximava a passos firmes, como aquele idiota falava de algo tão intimo com aquela tranquilidade como se a noite que haviam passado juntos não significasse nada para ele, como se houvesse sido algo trivial e sem importância, teve vontade de soca-lo mas ao sentir o calor do corpo dele muito próximo do seu, não pode conter as sensações que se apoderaram de seu corpo naquele momento.

–não estou gravida

disse após sentir o toque das mãos de sho em sua cintura enquanto o rosto dele aproximava-se perigosamente do seu

–tem certeza disso kanae?

como aquele idiota se atrevia a chama-la somente pelo nome, apesar de no fundo de sua mente sentir-se irritada com o cantor seu corpo era incapaz de manifestar essa ira, naquele momento sentia-se cada vez mais entregue ao toque das mãos dele que suavemente subiam por suas costas e desciam novamente de modo sensual fazendo-a incendiar-se por dentro.

Quando havia se tornado uma pervertida? Não ela não era uma pervertida apenas estava agindo assim por culpa do loiro estupido que a estava assediando daquela maneira, precisava se afastar dele o quanto antes.

–preciso ir embora

fez menção de se afastar, foi quando sentiu o toque mas firme das mão dele puxando seu corpo para junto do dele, sentiu a garganta secar ao ver os lábios finos do cantor se aproximarem e suavemente tocarem os seus, não reconhecia seu próprio corpo cujo os braços agora envolviam o pescoço do rapaz permitindo-lhe intensificar o beijo, a língua avida adentrou sua boca explorando o interior da mesma fazendo-a sentir-se completamente dependente dele.

Pode ver o rosto corado dela ao se afastarem, os lábios inchados buscavam adquirir a maior quantidade possível de ar, os olhos escuros estava ainda mais enegrecidos, não podia negar o desejo que sentia pela garota naquele momento, embora houvesse tido vários namoricos durante a adolescência nunca havia encontrado uma garota boa o suficiente para permitir que a mesma tocasse seu belo corpo e fosse tocada por ele da mesma maneira, não considerava que kanae fosse essa garota mas devido a uma noite de bebedeira havia tido sua primeira noite de intimidade com ela não lhe custaria nada ter uma segunda.

–não vou deixa-la sair sozinha, e essa hora e nesse estado

–sei me proteger, pegarei um taxi e pare de pensar que estou gravida, eu saberia se estivesse

sentiu os lábios do cantor próximo ao seu ouvido provocando-lhe um leve estremecimento

–não me lembro de ter usado proteção aquela noite

–não costumo confiar nas pessoas

viu o cantor se afastar apenas o suficiente para encara-la nos olhos, perdida naquele olhar era incapaz de desvendar o que se passava pela mente do rapaz naquele momento, arrepiou-se ao ver o sorriso que surgiu na face do fuwa

–estava gostando da ideia de ser pai, mas vou adorar continuar tentando

–hum...o que...

seus lábios foram tomados pelos de sho que sem lhe dar chances de reagir a deitou sobre a cama

–fuwa o que pensa estar...

–shiiii apenas relaxe e aproveite a oportunidade única

–o que...

o beijo possessivo a dominou completamente, era um mulher adulta, independente e bonita que mau haveria de desfrutar de um momento assim, quantos garotas não desejariam estar em seu lugar naquele momento, sorriu quando o beijo findou, não seria a primeira vez com o fuwa afinal.

Notas finais
obrigado pelos comentarios e por acompanharem a fic