Notas iniciais
Oláá meus amores!!! Demorei né? Perdão... :/ Eu não gosto de postar um capítulo quando não estou 100% segura de que esta bom. E eu li e reli, reescrevi ele umas três vezes. Agora está como eu queria :D Espero que vocês gostem. Escrevi de coração. A partir de agora, o nosso casal vai começar a quebrar o gelo. aos poucos eles vão voltar as boas. Vai ser divertido, prometo. O próximo vai ser ótimo. Estou com várias ideias que eu acho que vocês vão adorar... ♥ Obrigada por todos os comentários. Quem eu ainda não respondi, vou responder agora. Vocês são uns amores, todas!!! Beijooos... :* ♥

Três semanas já se passaram desde que Tobias voltou para casa, mas nos evitamos na maior parte do tempo. Ele não tentou conversar e eu achei melhor assim. Não há nada a dizer.

No entanto, algumas vezes somos obrigados a jantar juntos ou assistir tv no mesmo sofá.

Ele está mais presente, não sai à noite, vem direto para casa e passa bastante tempo com a Sophia. O que só faz piorar as coisas para mim, por que ao mesmo tempo em que eu quero bater nele e manda-lo ir embora, na mesma medida a presença dele me perturba, me traz saudade, raiva, desejo e uma enorme frustração por não saber como lidar com isso.

Se eu pudesse viver longe dele, tudo seria mais simples. Mas não é possível. Não sem empurrar minha filha para viver dividida e confusa entre nós. E eu estou disposta a me sacrificar por ela. Pelo menos enquanto ela for pequena.

Hoje, enfim, estou na minha consulta com o Dr. Wu. Esperando que ele me libere para voltar a minha rotina. Esses dias em casa com a Sophia foram ótimos, ela me ajudou a minimizar tudo, mas eu preciso do meu trabalho também. Voltar a minha rotina normal e tentar esquecer tudo o que aconteceu naquela noite.

—Beatrice, pelo que vejo você se recuperou muito bem – diz o Dr. Wu, enquanto retira o aparelho de ultrassom. – Você deve voltar ao seu anticoncepcional de antes e se tiver alguma dúvida é só marcar uma consulta.

Sinto vontade de rir. Voltar a tomar a pílula para que exatamente? Não é como se eu fosse tentar engravidar de novo. Nem mesmo a prática por esporte.

Reviro os olhos mentalmente e desço da cama. Ajeito minhas roupas e pego a receita médica, olhando para o papel por alguns instantes.

Dr. Wu limpa a garganta e eu volto meu olhar para ele, que está sentado em sua poltrona de couro preto, me olhando atentamente. Então me sento à sua frente.

—Sobre o aborto, você tem alguma dúvida? Sei que é um momento difícil, mas eu quero saber, se houver algo que eu possa explicar a você.

Difícil? Você nem imagina o quanto – penso.

—Eu estou bem doutor – suspiro. – Sei que não havia nada a ser feito, então qualquer que seja a explicação, é irrelevante – dou de ombros. – Eu só quero esquecer tudo isso.

—Entendo – ele pondera. – Sei que já te disse isso, mas quero reforçar uma última vez. Tenha em mente Beatrice, não havia mesmo, nada que pudesse ser feito. De acordo com os exames que fizemos em você, vimos que o aborto foi causado por uma má formação do feto. Não foi culpa sua – suspiro de novo. – E isso não impede que você tente engravidar de novo. É claro que eu recomendo que você espere de seis meses a um ano e nós teremos que fazer um acompanhamento mais rigoroso...

—Doutor – eu o interrompo. – Eu não quero engravidar de novo. Não estou pensando em nada disso agora, só quero voltar a minha rotina. – Ele assente. – Obrigada – digo me levantando e apertando sua mão.

Assim que saio do consultório médico, ouço meu celular tocando dentro da minha bolsa. Quando o alcanço, fico surpresa. Meu pai.

—Oi pai – digo sem muito entusiasmo. Ele nunca me liga, o que significa que tem algo importante a dizer. E tenho quase certeza que esse assunto ‘importante’ seja importante para ele, apenas.

—Oi filha, como você está? – Considerando que eu nunca disse a ele que estava grávida e ele nunca soube que eu perdi o bebê, eu diria que estou melhor impossível. Sem drama para remoer.

—Estou bem e vocês?

—Estamos bem... – Ele faz uma pausa e eu sei imediatamente que ele está lutando com o que vai dizer.

—Aconteceu alguma coisa pai?

—Não, está tudo bem... É só que eu tenho uma notícia para te dar – suspiro e aguardo. – Nós não esperávamos por isso, e sei que é bem estranho pra você e Caleb, mas...

—Apenas diga pai – o corto. Sei que estou sendo ríspida demais, mas tudo que eu tento evitar ultimamente é conversa fiada.

—A Edith está grávida! – Ele solta. Seguro o meu celular na orelha e não consigo formular nada na minha cabeça. Grávida?— Beatrice? Alô? – O ouço resmungar do outro lado da linha, tentando ver se a ligação caiu, mas eu ainda não consigo dizer nada.

Meu pai está formando outra família.

Eu pigarreio e tento soar tranquila antes de responder.

—Estou aqui.

—Ah... Achei que você tinha desligado... – Ele pausa de novo – Olha, eu estou surpreso também, mas achei que você fosse gostar da notícia, está tudo bem mesmo? – Aperto os olhos com força e sinto um desejo instantâneo de sumir e voltar só na próxima década. Não quero falar com ninguém, não quero saber de ninguém.

—Pai... Eu preciso desligar... Parabéns. Dê um beijo na Edith por mim – digo e não espero ele responder. Apenas desligo.

Assim que encerro a chamada, eu me sinto a pior pessoa do mundo.

Eu deveria ficar feliz, não é?

É a vida esfregando na minha cara?

Eu quero ver meu pai feliz. Mas outra família? Outro filho?

Quando chego em casa, não encontro Anna e nem a Sophia. Vejo um bilhete da Anna avisando que elas foram ao parque. Respiro aliviada.

Subo as escadas e começo a tirar minha roupa rapidamente. Antes de entrar no chuveiro.

Me sento no chão do box e abraço minhas pernas. Deixo a água correr enquanto imagens da minha mãe invadem a minha cabeça.

Nós duas conversando e assistindo o programa de tv preferido dela. Preparando o jantar juntas. Saindo para compras. Caleb e sua dificuldade de andar de bicicleta. Papai ajudando ele. Nossas viagens...

Isso é a vida? Perder esses momentos durante os dias, meses e anos que passamos?

Eu me sinto egoísta.

Quero que ele seja feliz, quero que ele tenha alguém. Mas ele ter alguém significa deixar de existir nossa família. Isso dói.

Choro. Choro por tudo o que eu tenho dentro de mim. Por perder minha mãe, por perder todos os conselhos que eu preciso agora e que ela não pode me dar. Choro pelo meu casamento. Choro pelo meu bebê...

Quando a água do chuveiro começa a esfriar, eu escuto a porta do quarto bater. Provavelmente Sophia já voltou e está me procurando pela casa.

Levanto do chão e saio do chuveiro, meus olhos estão vermelhos, mas acho que ela não vai perceber. Visto uma camiseta de dormir e saio para o corredor, procurando por ela.

Mas ao invés de encontrar a Sophia, encontro um Tobias abatido, com a camisa aberta nos primeiros botões, o nó da gravata desfeito, ainda presa no colarinho. O terno sobre o braço.

Ele esta parado na porta do quarto de hóspedes e fica imóvel quando me vê. Por alguns segundos fica apenas me olhando. E eu devolvo o olhar, sem saber o que dizer. Não temos conversado muito ultimamente.

O primeiro pensamento que eu tenho, é que ele bebeu. Provavelmente está trocando as pernas já. Apesar de ser apenas o fim da tarde. Ele parece acabado.

Mas esse pensamento some da minha mente rapidamente. Por que ele se vira, dá três passos longos em minha direção e bate seu corpo no meu, me abraçando com força, quase me tirando do chão, me deixando na ponta dos pés. Roubando meu ar.

Percebo que ele não bebeu. Seu cheiro natural misturado ao seu perfume familiar é tudo o que eu sinto quando meu rosto encosta na sua camisa.

Inalo seu cheiro. Senti falta disso.

Fico ali, presa aos seus braços, lutando para decidir se eu escuto minha cabeça gritando para empurrá-lo, ou se aproveito mais alguns minutos dele ali comigo. Por que, por mais raiva que eu sinta, por mais mágoa que eu sinta da sua traição. Eu não consigo evitar esse sentimento de tranquilidade, paz... Casa. Que eu sinto com ele.

Eu precisava disso, preciso dele. Meu coração já despedaçado implora por esse contato e implora para que eu não o quebre.

Então fico ali, chorando silenciosamente.

Depois de alguns minutos, começo a ficar sem ar. Me mexo um pouco, tentando respirar, mas ele aumenta o aperto.

—Por favor – ele diz. – Por favor, só... Me deixa ficar assim um pouco. Não precisa dizer nada, eu só preciso te abraçar. Sentir você. – Seguro seus braços e tento me afastar o suficiente para respirar. Mas isso não contribui com nada, além de me fazer sentir ainda mais formigamentos por ele. Seu cheiro, seu corpo quente, os músculos duros sob minhas mãos.

—Tobias, eu estou ficando sem ar – digo com a voz abafada pelo tecido da sua camisa.

—Oh, desculpe – ele alivia o aperto, um pouco, mas não me libera. Eu puxo o ar e ele, hesitante, se afasta um pouco mais e olha em meus olhos. Ele tem olheiras e seus olhos estão apagados.

Suas mãos vão para o meu rosto e ele segura minha cabeça dos dois lados e respira perto. Com os olhos fechados e a testa colada à minha.

—Tobias, não... – Digo. Eu gostaria de poder apagar tudo, esquecer. Mas não posso. Beijá-lo não vai ajudar.

—Tudo bem. Tudo bem. Só não me afaste, Tris. Me dê o que você puder e eu vou aceitar. Mesmo que seja só a sua amizade, eu aceito. Qualquer coisa – ele sussurra. – Só não me afaste, eu não aguento mais o seu desprezo.

Assinto sem dizer nada. Não gosto de viver brigando, muito menos com ele.

Ouço o som da porta da sala e em seguida os gritos da Sophia e a voz da Anna falando para ela não correr. Ele não me solta. Continua com os olhos fechados, respirando perto. Então eu tomo a iniciativa e me afasto, quase ao mesmo tempo em que Sophia chega até nós.

Logo ela começa a abraça-lo e contar sobre as suas brincadeiras na escola. Ele sorri, mas eu sei que não é verdadeiro. Algo aconteceu com ele, algo que o deixou desse jeito. Mas resolvo não perguntar. Farei o possível para viver bem com ele, mesmo que seja como pais e amigos.

Por dentro, continuo me convencendo de que eu faço isso só pela minha filha.

**

No primeiro dia útil após a minha consulta com o Dr. Wu, eu volto ao trabalho. Tudo está como antes, em perfeita ordem. Susan deixou tudo organizado antes de sair de folga. Eu insisti que ela tirasse alguns dias, já que ela cuidou de tudo sozinha enquanto eu estava lidando com meus problemas.

Meu pai não ligou novamente. Mas Caleb sim. Várias vezes. Eu não atendi.

Amo meu irmão com todo o meu coração. Mas tudo o que eu menos preciso agora, são pessoas me perguntando se eu estou bem a cada minuto.

Ele me visitou algumas vezes. Insistiu para eu ir para a casa dele e diante da minha recusa, quis expulsar o Tobias. Dizendo que ele só estava piorando meu mau humor.

Depois disso eu comecei a evita-lo. Fiz o mesmo com meus amigos. Todos querem dar conselhos, e eu não quero ouvir.

Assim que entro na recepção da agência, encontro Carli e seus olhos de pena. Odeio isso.

Sorrio para ela, murmurando um bom dia e sigo para a minha sala.

Ao entrar minha sala, vejo que esta intocada, do mesmo jeito que eu deixei.

Começo a organizar alguns e-mails, retornar para alguns clientes, rever alguns compromissos da agência, até que ouço algumas batidas na porta.

Ergo meus olhos do meu notebook e vejo Carli colocando a cabeça dentro.

—Tris, tenho flores para você – ela diz, sorrindo alegremente. Franzo a sobrancelhas enquanto ela entra na minha sala e me entrega o enorme buquê de peônias. – Vou buscar um vaso.

Carli sai da sala e eu procuro pelo cartão. Encontro e desdobro.

“Uma mulher sábia é aquela que sabe o seu lugar”.

Virei o cartão, procurei no envelope, nada. Sem assinatura.

Olhei novamente para as flores. São as minhas preferidas.

Não deve ter sido o Tobias. Ou será que foi? Por que ele me mandaria um recado estranho e sem assinatura?

Carli voltou e pegou as flores para por no vaso. Agradeci com um sorriso e voltei ao meu trabalho, certa de que, quem quer que tenha mandado essas flores, ou foi por engano, ou quis fazer uma brincadeira sem graça.

Notas finais
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