Em busca de uma nova vida - 2ª Temporada
30 Acontecimentos inesperados
Notas iniciais
Tobias
Estou na minha sala desde que cheguei à empresa.
Os últimos dias foram os piores até agora. Não só por estar distante da Tris, respeitando seu tempo, fingindo normalidade na frente da Sophia e dormindo em outro quarto, mas também por que as coisas na Essence estão cada vez piores. Meu pai passa poucas horas aqui e não me chama mais para seus encontros de negócios noturnos – o que é bom, eu não poderia tentar consertar as coisas com a Tris e manter lealdade a ele. Além disso, Jefrey também não tem vindo muito à empresa. O que é estranho. Ele e meu pai passavam muitas horas aqui.
A pressão tem me esgotado, e ontem eu não resisti. Cheguei em casa e achei que estava sozinho, mas logo Tris apareceu e eu vi em seus olhos que ela tinha chorado. Isso tem sido difícil para ela também.
Por impulso, eu a abracei. E foi como me ligar à minha fonte de energia. Foi como lavar toda tensão dos últimos dias. Ela tremeu um pouco, chorando baixinho. Isso me quebrou ainda mais. Eu sei que ela está sofrendo. Eu queria poder consertar tudo isso, consolar ela.
Ao contrário do que eu esperava, ela não me afastou e eu me senti um pouco melhor. Como se ela tivesse me injetado um pouco de esperança. Esperança de que um dia as coisas voltem ao normal.
Essa conexão entre nós, esse desejo que nunca acabou, nunca diminui. Preciso lembra-la disso. Mostrar para ela que não existe outra. Nunca existiu. Desde o dia que eu a vi pela primeira vez. Aqueles olhos cheios de expressão, os lábios separados em surpresa. Ela também sentiu. Eu sei. Ela viu em mim o mesmo que eu vi nela.
Sorrio com esse pensamento. Sentir ela nos meus braços, mesmo que por alguns minutos, fez meu sangue correr quente e vivo pelo meu corpo. Disparando necessidade de ter ela de novo. Eu estava mais do que ansioso para recuperar o tempo perdido.
—Tobias Eaton? – Uma voz masculina me chamou. Me tirando dos meus pensamentos.
Levantei o olhar do documento que eu estava revisando antes de mergulhar nas lembranças do dia que conheci a Tris. Dois homens estavam entrando em minha sala, vestindo terno preto. Claire estava logo atrás deles, com um olhar de pedido de desculpas.
—Sim? Posso ajudar?
—Sou o oficial Bryan Hawk, esse é meu parceiro, Alfred – apontou o homem a sua esquerda. Enquanto estendia um distintivo da polícia.
Prendi a respiração. É agora. A Tris realmente fez a denúncia.
No fundo, eu esperava que ela não fizesse. Que ela acreditasse em tudo o que eu disse e confiasse em mim. Mas, quem eu queria enganar? Eu ferrei feio as coisas dessa vez.
Tendei esconder meu nervosismo. Me levantei e estendi a mão do homem, em seguida apontei para que ele se sentasse à minha frente. Eles não se moveram.
—Em que posso ajudar, Sr. Hawk?
—Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas, peço que nos acompanhe até a delegacia.
—Isso é necessário?
—Sim.
—Vocês têm um mandado ou algo assim?
—Não – ele sorriu e cruzou as mãos à frente do corpo. – Nós esperávamos que o Sr. nos acompanhasse de boa vontade. Afinal, trata-se apenas algumas questões que gostaríamos de esclarecer.
—Sendo assim – me sentei e apontei as cadeiras da minha frente novamente. – Por favor, fiquem à vontade. Eu não poderei acompanha-los, tenho uma reunião em meia hora, mas terei prazer em responder suas perguntas aqui. – Os dois homens trocaram um olhar e em seguida, se sentaram. – Clarie, traga café, por favor.
—Claro, Tobias – ela respondeu e saiu, fechando a porta e me deixando a sós com os dois policiais.
—E então? – Perguntei.
—Sr. Eaton, nós recebemos algumas informações de que há irregularidades na sua empresa. Nós gostaríamos de conversar com o seu contador também. Devo já avisá-lo que vocês serão submetidos a uma auditoria. Precisamos apreender toda a documentação da empresa nesse momento – ele sorriu. – Para isso, temos um mandado. – Ele estendeu um papel que retirou do bolso do paletó. Li rapidamente o papel e peguei meu telefone, deixando no viva voz.
—Claire, peça ao meu pai que venha até a minha sala.
—Ele não está na empresa Tobias – ela disse. – O Sr. Eaton não veio hoje.
Hum?
Meu pai nunca deixa de vir na empresa. Nem que seja por poucas horas. E já estamos no meio da tarde.
—Verifique o Jefrey então.
—Agora mesmo – ela disse e eu desliguei a chamada.
Os dois homens ficaram aguardando enquanto eu esperei que Jefrey chegasse a nossa sala. Eu não entendo quase nada de contabilidade. Como eu poderia responder por esse assunto?
Meu telefone tocou em seguida.
—Sim?
—Tobias, o Jefrey também não veio hoje. Tentei o celular dele, mas está caindo na caixa postal. O mesmo acontece com o celular do Sr. Eaton – disse Claire. Foi todo meu controle para não esmurrar a mesa. No dia que eu preciso, meu pai não está aqui.
Igual foi em toda a minha vida.
—Tobias? – Claire chamou quando eu demorei a responder.
—Oi Claire, só um minuto.
—Você quer que eu ligue para o Zeke?
—Não, não... Zeke está na consulta da Shauna. Não ligue para ele. Obrigado por enquanto – disse e desliguei a chamada para enfrentar os policiais. – Bem, senhores, meu pai e o nosso contador não estão na empresa. Minha secretária, como os senhores puderam ouvir, tentou contato com eles e não os encontrou. Por favor, o que eu preciso esclarecer. – Os dois se entreolharam e se ajeitaram na cadeira.
—Como eu já havia informado ao senhor, nós recebemos uma denúncia de que essa empresa estaria cometendo fraude contra o governo. Sonegação de impostos seria o principal, mas de acordo com a denúncia, alguém estaria utilizando notas frias para encobrir dinheiro vindo de outras fontes. Lavagem de dinheiro para ser exato.
Engoli em seco. Eu já sabia de tudo isso. Parece que a Tris deu bastante detalhes na sua denúncia.
—O senhor tem algo a dizer sobre isso? – Perguntou o outro homem, Alfred.
—Não – respondi. Tentando ocultar a verdade. Eu sabia, já há algum tempo. Mas dizer que eu sabia seria o mesmo que admitir participação, sendo que eu nunca participei de nada. Eu apenas descobri a pouco tempo e ainda não tive tempo de reunir provas sem me comprometer. E eu realmente não esperava que a Tris fosse mesmo fazer a denúncia.
—Entendo – disse Bryan. – Bom, Sr. Eaton, nós iremos apreender a documentação da contabilidade e o Sr., assim como o seu pai e o contador serão intimados a comparecer à delegacia quando obtivermos uma resposta da auditoria. Até lá – eles se levantaram e ajeitaram seus ternos – não saia da cidade. – Eles se dirigiram a porta e eu voltei a ligar para Claire.
—Claire – eu disse assim que ela atendeu. – Localize meu pai e localize o Jefrey, não pare até encontra-los! – Bati o telefone e apertei os punhos antes de seguir os policiais e mostrar a sala do Jefrey.
Isso acaba hoje. Assim que eu encontrar meu pai.
Eu não vou pagar por um crime que ele vem cometendo a sabe lá há quanto tempo.
Tris
As coisas estavam ficando menos difíceis a cada dia.
Eu ainda estava evitando Caleb. Ele não desistiu e me ligou todos os dias. E apesar de me senti mal por fazer isso com meu irmão, eu tive que fazer isso para tentar manter minha sanidade. Eu não poderia lidar com a superproteção dele nesse momento. Mesmo que eu esteja deixando ele louco com minha recusa em atendê-lo. Eu tenho certeza que a única razão para ele não ter explodido pela minha porta ainda, é por que a Susan está impedindo ele. Forçando ele a respeitar meu espaço.
Christina também tem respeitado isso. Ela liga às vezes, mas não comenta sobre nenhum assunto que ela sabe que eu não quero falar. Ela sempre foi muito boa em me ler.
As coisas ainda estão estranhas entre nós. Eu ainda estou irritada por ela defender o Tobias, mas tento não pensar muito nisso. Ela é como uma irmã para mim e eu a amo.
Shauna me ligou também, conversamos sobre trabalho e falamos um pouco sobre o bebê dela e Zeke. Está quase na época de nascer. Percebi sua hesitação em falar no bebê. Talvez ela se sinta mal em falar da sua gravidez. E de certa forma, eu me sinto estranha, como se eu ainda não tivesse certa de que eu perdi meu bebê. Mas eu estou feliz pela Shau e pelo Zeke.
Marlene também ligou. Kate ligou.
Aos poucos minha vida está voltando a rotina normal. Eu nunca amei tanto a rotina como agora. Meu trabalho e o meu tempo com a Sophia tem me consumido. Isso também tem me ajudado a esquecer.
Ouço duas batidas na porta e em seguida Carli coloca a cabeça para dentro.
—Tris, você precisa de mais alguma coisa? – Franzindo o cenho, eu olho meu relógio e arregalo os olhos. Já passou 30 minutos do nosso horário.
—Não Carli, pode ir. Desculpe por isso, perdi a noção do tempo – respondi. Carli sorriu.
—Não tem problema, eu estava colocando algum serviço em dia também.
—Você viu se Ell já foi? – Perguntei.
—Ela saiu às 15:00 com o Josh. Eles tinham uma sessão de fotos e não voltariam mais hoje.
—Ok – respondi. – Bom, até amanhã Carli.
—Até amanhã, Tris.
Assim que Carli fecha a porta, me levanto e começo a ajeitar uns papéis que irei terminar de organizar em casa.
Em seguida, pego minha bolsa e começo a procurar minhas chaves, quando as encontros eu tiro para fora e um papel vem enroscado nelas.
O papel com o telefone de Evelyn.
Fico olhando para o papel e me perguntando por que será que ela não entrou mais em contato.
Talvez ela tenha desistido de se reaproximar do Tobias?
Ela parecia muito determinada e arrependida de ter ido embora. Por que então ela desistiria?
Alcanço meu celular com a outra mão e penso em ligar.
Tobias ficaria irritado com isso.
Mas então? Eu estou pouco ligando se ele vai ficar bravo. Evelyn foi boa para mim. Eu quero saber como ela e Thomas estão.
Vou ligar.
Disco o número dela e espero. Ouço o som de chamada e depois do quinto toque eu penso que ela não vai atender. Até que a linha fica muda.
—Olá? – Digo para a linha muda. – Evelyn? – Ouço um fungar do outro lado, seguido por um suspiro alto.
—Olá Beatrice— Evelyn responde.
—Oh, oi Evelyn, desculpe, estou ligando numa hora ruim? – Ela hesita por uns segundos.
—Não... Está tudo bem com vocês? — Pergunta ela. Eu penso no que responder e então resolvo evitar as partes ruins.
—Ah sim, estamos bem. Como está o Thomas?
—Ele está bem, está na casa de um amiguinho hoje— Ela responde e a linha volta a ficar muda. Penso que esse é o momento de me despedir e desligar, mas então, faço algo diferente.
—Você quer ir tomar um café comigo?
Ela não responde. Durante vários segundos.
—Evelyn?
—Estou aqui— sua voz está carregada agora. Ela está chorando. – Podemos sim, pode ser naquele Starbucks perto da sua agência?
—Claro, estou saindo daqui agora. Te espero lá – digo.
—Ok... – ela responde. – Obrigada Beatrice.— Ela desliga e eu fico olhando para o meu celular, me perguntando o que está acontecendo.
Vinte minutos depois, eu estou sentada em uma mesa do Starbucks, esperando Evelyn.
O céu já escureceu e da janela eu vejo as pessoas saindo de seus locais de trabalho e se dirigindo as suas casas.
Enquanto olho a movimentação nas ruas, vejo Evelyn surgir. Vestindo jeans e uma camiseta branca. Seus cabelos castanhos estão soltos e balançam conforme ela anda. Evelyn é uma mulher muito bonita, ninguém diria que ela é mãe do Tobias. Ou mesmo do Thomas.
Se não fosse pelo olhar cansado e triste, e pelas pequenas linhas de expressão, eu diria que ela em sua melhor forma.
Mas ela parece... abatida.
Mas continua sendo bonita. E Tobias se parece muito com ela.
A vejo olhar para os lados e andar para atravessar a rua.
Mas então. Tudo acontece.
Me levanto assim que vejo uma luz branca e forte iluminar o rosto assustado de Evelyn, ela põe o braço para tapar a luz e arregala os olhos por um instante antes de um carro bater contra seu corpo.
No minuto seguinte, Evelyn está caída alguns metros a frente. Seu corpo retorcido enquanto várias pessoas a cercam.
Corro para a porta do Starbucks a tempo de ver o carro que a atropelou acelerar e sumir.
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