Notas iniciais
Olá!!! Tudo bem meus amores? Quero agradecer os comentários do último capítulo. Vocês são incríveis. Adoro ler cada um deles :D ♥ Esse capítulo é o capítulo da recuperação. Como eu disse para vocês, eu não quero estender muito, pra não ficar muito cansativo. Então fiz um capítulo sobre essa parte e o próximo é o confronto dos dois. Sei que vocês querem ver a Tris contar sobre a foto da piranhita, mas calma! Será no próximo. Não iria caber nesse capítulo. Já estou escrevendo esse confronto e acho que vocês vão gostar. Bom, espero que gostem desse... Vejo vocês nos comentários ;) Beijos ♥

Tris

2º dia...

Estou quase sem nenhuma dor física.

No entanto, meu corpo não está em sintonia com os meus sentimentos, pois, enquanto que fisicamente estou quase recuperada, meu interior está destruído. A todo o momento minha mente busca uma explicação, um momento, o exato momento em que eu perdi meu pequeno anjo.

E isso acaba comigo. Eu me culpo. Fiz algo errado.

Eu demorei nas consultas, será que foi isso? Eu devia ter me alimentado melhor, devia ter ignorado os problemas e pensado só no meu bebê?

Com certeza foi isso...

Estou enlouquecendo, não quero mais sentir isso, mas minha vontade de chorar é muito grande.

~~

4º dia...

Resolvi que ia tentar me levantar.

Passei a maior parte do tempo deitada na cama da Sophia, desde que cheguei do hospital.

Anna tem cuidado de mim. Todos os dias ela me traz comida e remédios. Não tenho fome, minha garganta está fechada, mas diante da sua insistência, acabo comendo um pouco. Na verdade, eu só quero que ela saia e me deixe sozinha.

Sei que ela está preocupada, eu não tenho falado muito e me recusei a receber visitas. Até mesmo Caleb. Ele tentou, mas eu me tranquei no quarto e depois disso, eu não vi mais ninguém além de Anna. O telefone tocar várias vezes por dia e sei que as pessoas têm ligado para saber como estou. Eu não me importo, com tanto que me deixem em paz.

Sophia continua na casa da Christina. Acho que por enquanto é melhor assim, não tenho vontade de fazer nada. Como eu poderia cuidar dela?

Quando resolvo voltar ao meu quarto, aquela sensação de tristeza profunda está de volta. Consigo visualizar meus momentos com o Tobias, aqui, em cada canto. Isso dói.

Ao entrar no closet, vejo o vestido que usei no dia da festa. Sinto o tecido delicado entre meus dedos e as lembranças da nossa dança voltam à minha mente. Como ele pôde ser tão carinhoso e me beijar de um jeito tão apaixonado, enquanto estava o tempo todo me traindo?

Fecho os olhos com força. Sinto raiva, muita raiva!

Pego o vestido e corro de volta ao quarto. Encontro uma tesoura dentro da gaveta da cabeceira e sem pensar duas vezes, me sento no chão e começo a cortar e rasgar o tecido fino e tão bonito. Gostaria de fazer isso com aqueles dois. O sorriso debochado daquela garota ainda está queimando na minha cabeça.

Depois de desfazer o vestido em vários pedaços, não me sinto melhor, eu o olho e choro...

~~

7º dia...

Graças aos remédios que Anna tem me obrigado a tomar, posso dizer que estou quase “pronta pra outra”. Que expressão ridícula. Eu nunca mais quero sentir isso. Essa impotência, esse abandono. Me sinto violada, como se algo tivesse sido roubado de mim. E foi...

–Menina... – Anna bate na porta e entra. Estou de costas e quando me viro, a vejo entrar com uma bandeja de comida. Desvio o olhar e volto a abraçar meu travesseiro.

Anna dá a volta na cama e deixa a bandeja na mesinha, perto da cama. Se senta ao meu lado e me olha com ternura.

–Filha, eu trouxe uma sopa para você. Aquela de tomate, que você gosta tanto. – Não respondo. Não sinto vontade de falar e muito menos comer.

Anna suspira e alisa meus cabelos.

–Meu anjo, você precisa se alimentar, nem que seja um pouquinho. Você mal comeu nos últimos dias e se você não comer, você vai piorar e vai precisar voltar para o hospital.

–Eu só quero ficar sozinha Anna, por favor... – Sussurro.

Anna se estica para pegar algo na bandeja. Depois se vira para mim com o copo de suco e um comprimido.

–Pelo menos tome o seu remédio, por favor – ela me dá um olhar de súplica e eu aceito o comprimido. Depois que engulo, ela sorri, pega minha mão e diz: – Vou deixar você descansar, mas me chame se você precisar de alguma coisa. E eu gostaria que você tentasse comer um pouquinho, ta bom? – Concordo com a cabeça e quando Anna sai do meu quarto e eu volto a afundar o rosto no travesseiro. E choro.

~~

10º dia...

Acordo com o som da campainha.

Não sei que horas são. Os remédios que eu estou tomando me faz dormir bastante. Vejo que está começando a escurecer lá fora. Me sento na cama e coço os olhos, penso em uma maneira de saber as horas, mas não sei onde está meu celular.

Ouço vozes e passos apressados no corredor. A porta do meu quarto se abre abruptamente e vejo Sophia correndo para pular em mim. Mesmo na penumbra do quarto, eu consigo ver as bochechinhas rosadas dela.

–Mamãe! – diz. Parece animada a me ver. Engulo fortemente para não chorar. Sophia sobe na cama e vejo Anna e Christina chegarem à porta, mas não entram. – Minha madrinha disse que você está dodói, é verdade? – Sorrio e respondo:

–Sim meu bebê – minha voz sai rouca e baixa –, mas eu já tô quase boa, não se preocupe, ta bom? – ela me olha desconfiada.

–Você tomou injeção mamãe? – Eu balanço a cabeça, afirmando. Ela arregala os olhinhos.

–Tadinha de você mamãe – alisa meu rosto com a sua pequena mãozinha. – Eu não gosto de injeção, por que dói – eu rio. – O papai disse que você vai melhorar e vamos brincar muito. — Meu sorriso morre. Não sei nada do Tobias desde o dia que saí do hospital e Caleb disse que ele não estaria aqui.

Minha angustia volta e quero chorar, mas aguento firme e abraço minha pequena. Ela se aninha em meus braços e deixo algumas lágrimas escaparem. Quero ficar assim com ela. Só quero minha filha aqui comigo.

Mas Sophia está agitada. Ela se levanta num pulo e olha para as duas que continuam na porta e diz:

–Madrinha, vamos mostrar pra mamãe o castelo encantado que você me deu? – Ela se vira para mim e acrescenta: — Você vai adorar mamãe, ele tem até um chuveiro. E sai água! – Diz, toda sorridente. Alheia aos acontecimentos ao redor. Como é bom ser criança.

Anna anda até nós, pega Sophia no colo e diz:

–Pode ser depois? A mamãe precisa conversar com a sua madrinha e eu tenho uma surpresa muito boa pra te dar – depois sussurra: — Eu fiz aquele doce de chocolate que você gosta. — Sophia sorri e se debate. Anna a coloca no chão e as duas saem do quarto com Sophia arrastando ela.

Christina fica e se aproxima de mim. Não me mexo.

–Oi – diz. Olho para ela e quero pedir que não comece a falar, por que eu não quero conversar, mas antes que eu diga alguma coisa, ela se senta ao meu lado e se estica para ligar o abajur. – Posso? – Pergunta, antes de ligar o interruptor. Eu assinto e a luz acende.

Ficamos em silêncio. Ela olha em volta, depois olha discretamente para o meu rosto. Nem preciso que ela diga algo para saber que esta me analisando.

–Sei que você não quer conversar – continua –, mas eu queria saber como você está e...

–Eu estou bem – respondo, cortando-a. E com um sorriso irônico, acrescento: – Como eu poderia não estar? – Ela suspira.

–Já passamos por isso, se lembra? – Desvio meu olhar e fecho a cara. Então ela continua: — Você está se fechando de novo, eu vejo isso Tris. Isso não fez bem para você na primeira vez e não está ajudando agora...

Eu a corto de novo:

–E o que você sabe sobre isso? – digo elevando minha voz rouca. – Você sempre teve uma vidinha perfeita. Seus pais estão ai, vivinhos. Você nunca perdeu alguém, nunca ficou sozinha! – Christina fica surpresa e vejo que a magoei, mas eu estou cansada de todos acharem que me entendem. Que merda!

O silêncio cresce entre nós. Ela se levanta e vai até a janela. Alguns minutos depois, se vira e diz:

–Você tem razão. Eu nunca passei por isso, não com a minha própria família – ela respira forte e continua: — Mas eu amava a tia Natalie, ela era minha segunda mãe. Eu não sofri como você, mas eu estava lá, te dei tudo o que eu podia... Meus pais cuidaram de você, somos irmãs, não se lembra? E eu me recuso a deixar você se entregar. Já vi isso e não vou ver de novo.

–É mais fácil falar do que fazer – comento com um tom amargo.

–Tris, você...

–Não, Christina! Eu não preciso de piedade e com certeza não preciso de você me dizendo o que fazer. Eu só quero ficar sozinha. Por que é tão difícil conseguir isso?!

Mais silêncio.

–Ok... – Christina diz. – Vou deixar você sozinha. Mas antes, preciso te dizer que o Tobias está em casa, ele quer voltar aqui e te ver, quer conversar com você – eu rio. Pela primeira vez eu solto uma autêntica risada alta.

–Pois diga a ele que eu não quero vê-lo nem na porta!

–Tris eu sei que ele...

–E mais uma vez você diz que sabe! Ahh Christina, pare! – me exalto de novo. – Se você vai começar a defender ele, saia, vá embora agora! Não quero saber, por mim o Tobias pode ir à merda. Eu não quero vê-lo nunca mais.

Ela coloca as mãos na cintura e balança a cabeça em reprovação.

–Ok... Como eu disse, eu vou deixar você sozinha – ela diz -, mas a Sophia precisa de você. Ela não tem culpa de nada. Espero que você se lembre disso. Por que ela sentiu sua falta e não é justo você deixá-la de fora também. Já que você não quer nenhum de nós por perto, pelo menos fique com ela — suspira. — Você perdeu o seu bebê e eu sinto muito por isso, mas sua vida ainda está aqui. – Dito isso, Christina sai do meu quarto e bate a porta. Que cretina, ela sempre faz isso quando quer terminar uma discussão por cima.

O Tobias está na casa dela? Por que não está com o pai dele e sua vadia?

Me levanto e ando pelo quarto, procurando minha bolsa. Quando a encontro, olho tudo dentro e encontro meu celular. Está descarregado.

Depois de conectar no carregador, eu o ligo e abro a mensagem que recebi do Tobias naquela noite. E ali está! A foto daquela vadia nua no carro dele. Eu os odeio. Sinto vontade de espatifar meu celular na parede, mas não faço. Fico olhando aquela foto.

Segundos depois meu celular começa a apitar várias vezes. Muitas mensagens de texto chegam. De voz também. Apago todas sem ouvi-las. Mas quando vou apagar as mensagens de texto, vejo que a maioria é de Tobias. Quero apagar, fico olhando, olhando... E por fim resolvo abrir uma.

“Sinto muito. Sei que você me odeia e eu te entendo, também me odeio. Só quero conversar com você, te explicar tudo”.

Como ele pode ser tão cínico? O que ele quer com isso? Voltar a viver como antes e que eu aceite suas traições? Não, não mesmo!

Resolvo ler às outras e todas tem praticamente o mesmo conteúdo. Me perdoa... Me deixa ir até aí conversar com você... Responda por favor... Eu te amo...

Essa última me fez rir e sentir mais raiva ainda. Quem ama não faz o que ele fez comigo. Me ignorou por semanas e no fim, descubro que está me traindo com aquela garota.

Depois de ler mais de dez mensagens dele, deixo meu celular carregando e decido tomar um banho. Já parei de sangrar, mas ainda sinto cólicas e isso é um lembrete constante do que aconteceu. A tristeza ainda está ali, me sugando.

A água quente me ajuda a relaxar um pouco e quando eu saio do banho eu me sinto um pouco melhor. Quero ficar um tempo com a Sophia, brincar um pouco com ela. De tudo o que a Christina disse, nisso ela tem razão. Preciso dar meu amor para a Sophia, ela sim precisa de mim.

E quando saio do banheiro, levo um susto. Tobias está ao lado da porta, com as mãos no bolso. Me encarando. Seu cabelo está todo despenteado, a barba cresceu e ele tem olheiras escuras nos olhos.

–O que você está fazendo aqui? – Pergunto irritada. – Vá embora Tobias, eu fui bem clara com a Christina. Não quero falar com você e quero você longe de mim! – Ele dá dois passos e para bem próximo de mim. Não me mexo. Meu sangue ferve, quero bater nele, mas eu estou imóvel.

–Mas eu quero falar com você – ele diz, sério. – Eu não vou sair daqui antes de fazer isso.

Notas finais
Comentem!!