Em busca de uma nova vida - 2ª Temporada
23 I love you too
Notas iniciais
Tobias
Por que eu estou fazendo isso? Estou magoando a Tris. Estou me magoando!
–Tobias – meu pai me chama de novo. – Venha, quero lhe apresentar um contato importante. Ele tem interesse em abrir uma filial nossa na Espanha.
Eu mal processo o que meu pai diz. Fico observando Tris sumir da minha vista. Eu preciso dizer a verdade a ela. Essa merda na empresa está atrapalhando tudo, não sei mais o que devo fazer.
Me viro e acompanho meu pai até um círculo de pessoas, homens em sua maioria. Meu pensamento continua na Tris.
Depois de alguns minutos, eu consigo me livrar da conversa com aquele grupo chato e vou à procura da Tris. Não a vejo em lugar nenhum, mas vejo Susan conversando com Caleb perto da porta. Ele me vê e vem em minha direção, tenta me empurrar, mas Susan entra na frente e o segura.
–Você é um idiota Tobias – vocifera. – Eu te avisei, não vou deixar você tratar minha irmã assim, ela não merece! – Não digo nada sobre sua acusação, eu mereço. Tenho tratado Tris muito mal, de propósito. Mas eles não entendem. E eu não posso explicar, não agora. Preciso fazer meu pai acreditar que eu pretendo me separar da Tris. Só assim vou ganhar a confiança dele. Preciso disso para ter acesso aos documentos que ele esconde junto com Jefrey, o contador da empresa. Ha semanas eu desconfio que ele possa estar usando a empresa para lavar dinheiro. Seus encontros noturnos, as contas que não batem. Se isso estourar eu posso ser preso. Isso prejudicaria a Tris tambem.
–Vocês sabem onde a Tris está? – Pergunto. Tentando ignorar a raiva de Caleb.
–A Tris foi para casa Tobias, ela não estava se sentindo bem – responde Susan. Meu peito se aperta. – Recebi uma mensagem dela agora, Zeke e Shauna a levaram.
–Susan, eu sei que você precisa ficar até o fim dessa festa, mas quando a gente sair daqui eu quero passar para ver a Tris, e se ela concordar eu quero levar ela o apartamento – diz Caleb me olhando com raiva.
–Não... Eu vou para casa agora e vou conversar com ela – digo.
–Você não vai! – Caleb grita e Susan tenta acalmá-lo. – Você já fez demais. Deixe-a em paz! – Ele aponta o dedo para mim. – Se algo acontecer com minha irmã eu acabo com você.
Christina e Will se aproximam e nos olham sem entender.
–O que aconteceu? – Pergunta Christina.
–Tris foi para casa – responde Susan e Christina olha para mim torcendo o lábio.
–Vou ligar para ela – diz Christina. Abre a bolsa e pega seu celular.
–Eu já tentei – informa Susan. – Acho que ela não quer conversar, só chama.
–Isso é culpa sua, você sabe né? – Acusa Christina, olhando para mim. Eu suspiro.
–Eu vou avisar meu pai que estou indo para casa ver a Tris – digo me virando.
–Agora você quer ir? – Zomba Caleb. – Agora está preocupado? Seu pau mandado!
–Caleb – Susan interfere. – Deixe eles conversarem, eles precisam se entender. – Caleb alisa o rosto, tentando se acalmar e depois assente para Susan.
–Depois eu vou passar na sua casa, e não quero nem saber que horas são. Eu vou querer ver minha irmã. E se ela estiver menos do que bem eu vou resolver isso – ele olha para Susan. – Eu não posso deixar isso acontecer, ela só tem a mim para protegê-la.
Susan se afasta levando Caleb e eu levo as duas mãos ao rosto. Preciso ir para casa e ver a Tris, mas meu pai vai me encher o saco e dizer que eu não estou levando a sério os assuntos da empresa. Ele passou a semana inteira me dizendo o quanto esse evento seria importante para fazer novos negócios.
Ando pela festa, procurando por ele, mas dou de cara com Nita. E está bêbada. Que ótimo!
–Tobias, vamos dançar?
–Nita, agora não posso. Você viu meu pai? – Ela faz beicinho e ignora minha pergunta.
–Só uma dança? Depois te deixo em paz, prometo! – Ela puxa minha mão, mas eu não consigo pensar em dança. Quero achar meu pai. Olho em volta e o vejo conversando com outro grupo.
–Preciso falar com meu pai Nita, sinto muito – digo e me afasto. Meu pai sorri quando me vê. Um dos seus sorrisos de camaradagem, usados para socializar com gente importante para ele.
–Onde você foi?- Pergunta. Mas logo se vira e aperta a mão de um homem que acaba de se juntar ao grupo, em seguida me apresenta o mesmo. Espero impacientemente que eles terminem o assunto e puxo meu pai para o canto.
–Preciso ir para casa – digo. – Tris foi embora, não estava se sentindo bem, tenho que ver como ela está.
Marcus respira fundo e sei que está irritado.
–Olha Tobias, isso aqui é trabalho! É sua vida, seu futuro. Mulher... – Ele acena em volta – Ta cheio por aqui. Não se deixe levar por que ela está grávida. O que, aliás, foi a sua segunda burrice. Eu já te disse que se você quiser ser um homem bem sucedido você precisa ter uma mulher obediente, não uma que vive interferindo no seu trabalho e atrapalha tudo. Beatrice está ferrando com a sua vida faz tempo e você está deixando. Lembre-se que ela tentou te empurrar sua mãe de volta, contra a sua vontade – eu fico tenso, não quero me lembrar disso. Fiquei muito irritado com a Tris por causa disso, mas não posso culpá-la completamente. Foi Evelyn quem a procurou.
–Pai eu não posso abandonar a Tris agora. Eu não sou um canalha.
–E que diferença faz largar ela agora ou quando a criança nascer? Dá no mesmo! – Ele diz sorrindo. E depois, se mostra resignado. – Ok, eu direi que você teve um assunto urgente para resolver, mas preciso que me faça um favor antes – ele diz sério e eu espero. – Quero que você leve Nita para casa, ela está bêbada, e está se descontrolando. – Ele vê minha cara feia e acrescenta: – Eu não posso sair daqui agora, Tobias. E preciso de Carmem aqui, não posso ficar sem acompanhante.
–Pai eu vou colocá-la num táxi...
–Você não vai morrer em dar uma carona.
–Ok... – Respondo já impaciente. Quero ir embora logo.
Viro as costas para o meu pai, à procura da perdição do meu casamento. Se Tris souber que estou saindo com Nita ela vai pensar tudo errado.
Depois de encontrá-la ainda bebendo, ela se joga em cima de mim, rindo igual idiota.
–Tobiaaas!! – Ela grita. – Vai dançar comigo agora, ou eu devo ir perguntar para sua mulherzinha se ela me empresta você?
–Nita, vamos, vou te deixar em casa – digo irritado e afastando seus braços do meu pescoço.
–Ahh nãão... – Ela gira em seus calcanhares. – A festa está muito boa, não vou sair daqui – solta uma gargalhada, pega outra bebida com um garçom que está passando e vira a dose de uma vez. Acho que era tequila, que merda! Nem vi quando os garçons começaram a servir doses.
–Vamos Nita, meu pai pediu para te deixar em casa, eu já estou indo.
–Não quero receber ordens do seu pai – ela diz. Depois se aproxima de mim novamente e sussurra: – Eu gostava dele, mas ele deixou sua mulher me chutar pro lado – ela gesticula dramaticamente e depois limpa a boca com as costas da mão. Borrando o batom vermelho.
Mas que porra! Ela vira as costas, sai andando e pega mais uma bebida.
–Nita!
–O que é Tobias? Se solta – ela se vira para mim e levanta a barra do vestido. Começa a andar de costas, até esbarrar em Carmem. Que estava vindo a nosso encontro.
–Nita vá com o Tobias – ordena Carmem. – Marcus vai se zangar com esse seu comportamento. Nada de escândalo, lembra? Ele te avisou – Carmem lança um olhar de aviso e Nita se endireita.
–Ele deixou isso acontecer comigo, mãe!
–Vá com o Tobias – Carmem sussurra algo no ouvido da Nita, ela sorri e volta seu olhar para mim. Depois entrega a dose de tequila para Carmem e passa por mim, indo em direção à porta.
Graças a Deus não vejo nenhum dos meus amigos quando estou saindo. Não teria como explicar isso sem perder tempo e quero chegar logo em casa.
–Gosto desse carro – Nita sorri e alisa o banco de couro do meu Range Rover Evoque. – E tem seu cheiro aqui.
Eu a ignoro.
Estive muitas vezes na casa do meu pai e várias vezes eu gostei de conversar com a Nita. Ela é mais nova do que eu, tem 19 anos. É muito inteligente, mas já disse que não pretende fazer faculdade, o que é uma pena, acho que ela poderia se dar muito bem. Pelo visto ela tem outros planos. O problema é que ela é muito mimada pela mãe e ao mesmo tempo, Carmem a controla muito.
–Não vai dizer nada? Onde está a sua querida esposa? Está estragando a vida de mais alguém?
–Beatrice não estragou sua vida, Nita. Não exagere, era só um trabalho. Você será capaz de conseguir outro.
–Mas eu queria aquele! – Grita. – Eu poderia estar lá agora, recebendo elogios e convites para novos trabalhos, mas não estou... – Ela cruza os braços e olha para fora do carro.
Alguns minutos depois — dois ou três — Nita pega seu celular e solta uma gargalhada. Depois começa a se mexer no banco. Olho de relance e ela esta tirando o vestido.
–O que você está fazendo?! – Grito.
–Me divertindo – ela responde inocentemente e eu paro o carro rapidamente. Não consigo dirigir com ela seminua do meu lado e também não posso olhar para ela.
–Nita ponha a roupa, por favor – peço, apertando meus olhos e segurando o volante com força.
Ouço o som do banco de couro e sinto sua aproximação. Ela sobe no meu colo e eu dou um sobressalto.
–Tobias você é muito lindo. Eu gostei de você desde a primeira vez que eu te vi, sabia? – ronrona no meu ouvido e segura minha cabeça com as duas mãos. Eu aperto mais os olhos e empurro seus braços. Isso não pode estar acontecendo. – Abra os olhos, eu sei que você vai gostar. Eu posso ser melhor para você. Vou ser boa, vou te apoiar no seu trabalho e não vou te obrigar a aceitar uma mãe que te abandonou – ela ri alto. – Viu? Posso ser melhor do que aquela vaca prenha.
Por que ela está dizendo isso? Como ela sabe sobre a minha mãe? Que merda!
Abro os olhos e me forço a olhar nos seus olhos. Sei que ela esta com os seios a mostra e não quero ver isso. Ela está sorrindo e seu rosto está muito, muito perto. Seu cheiro também é muito bom... Caralho, eu não estou acreditando nisso.
Fecho os olhos de novo e suspiro. Tiro ela de cima de mim, destravo as portas e desço do carro.
–Vista a roupa Nita – ordeno. – Quando você estiver pronta me avise que eu te levo para casa.
Não fico para ver a reação dela. Bato a porta do carro e me recosto nele. Minha cabeça está rodando e eu me sinto muito puto. Estou excitado e isso é uma merda por que eu não quero ter nada com a Nita. Ela é linda e eu estou sem ter nada com a Tris há não sei quanto tempo. Mas não posso. Preciso ir para casa e conversar com a Tris.
Fico 10 minutos esperando e Nita não diz nada de dentro do carro. Resolvo abrir a porta e a vejo dormindo com o vestido cobrindo apenas uma parte dos seios. Ela não vestiu a roupa. Porra!
Entro no carro e dou partida rapidamente.
Quarenta minutos depois eu estou voltando para casa. Nita não acordou e eu tive que entrar e levá-la até seu quarto. Ela ficou dormindo e eu consegui vir embora.
O trajeto até minha casa é um borrão. Faz quase duas horas que a Tris deixou o evento e já é madrugada. Estou preocupado e confuso. Quero resolver tudo com ela, dizer o que está acontecendo e tentar resolver tudo com a ajuda dela, mas tenho medo das consequências que isso pode trazer. Eu não queria envolve-la nisso.
Quando chego em casa, deixo minhas chaves na mesa ao lado da porta e ando em direção as escadas, mas uma luz acesa chama a minha atenção. É a luz da cozinha.
Ando até lá e Anna esta sentada à mesa com uma xícara entre as mãos e o telefone sem fio ao lado. Ela me ouve entrar e levanta a cabeça. Seus olhos estão inchados e úmidos, e ela está nervosa.
–Anna, o que aconteceu? – Pergunto.
Fale com o autor