Em busca de uma nova vida - 2ª Temporada

31 Há males que vem para o bem


Notas iniciais
Oláá lindas!! Bom, eu fiquei de postar esse capítulo antes, mas não deu. Estou um pouquinho atrasada. Eu reescrevi ele algumas vezes, mas acho que agora ficou bom. Espero que vocês gostem!! Não respondi a todas ainda, mas vou responder daqui a pouco. Beijoos meus amores. E obrigada por todos os comentários! :* ♥

Pessoas gritando por uma ambulância, xingamentos pelo carro que arrancou e fugiu...

Parecia uma cena de filme. Eu não tinha certeza se aquilo era real.

Corri até Evelyn. Minhas mãos tremiam quando me ajoelhei ao lado dela.

Seu corpo caiu no chão de um jeito torto. As pernas dobradas para o lado, o rosto virado de lado. Por sorte, ela estava de barriga para cima. Eu já ouvi falar que não se deve mover alguém acidentado.

Apesar de ter sido arremessada muito longe, ela tinha apenas alguns machucados superficiais. Fora isso, ela parecia inteira.

O pior era por dentro.

—Ela está viva? – Alguém perguntou.

—E... Eu não sei – respondi enquanto colocava o ouvido no peito dela. – Não ouço o coração. – Levei as mãos à minha cabeça, desesperada. – Alguém chama uma ambulância, pelo amor de Deus! – Gritei para o grupo de pessoas que se amontoava ao nosso redor para olhar.

Vendo que ninguém se mexeu, alcancei minha bolsa à procura do meu celular, liguei para a emergência e fui informada que já haviam solicitado ajuda.

Segurei a mão de Evelyn, pedindo a Deus que ela estivesse viva.

—Você é da família? – Uma voz feminina chegou do meu lado esquerdo. Levantei a cabeça e vi uma moça se aproximar. Se ajoelhando, ela começou a examinar Evelyn.

—Sim... – respondi.

—Ok, eu sou Alice, sou médica. Deixe-me ver como ela está... – Me afastei, dando espaço a ela, mas fiquei por perto, observando enquanto ela endireitava o rosto de Evelyn e verificava seus batimentos. Em seguida, ela verificou os membros e retirou seu próprio casaco e cobriu Evelyn.

—Foi você quem chamou ajuda? Precisamos ter ela em uma ambulância logo, sua temperatura está caindo – ela disse.

—N Não – gaguejei –, quando eu liguei me disseram que a ambulância já havia sido chamada – esclareci. E como se adivinhasse nosso pedido silencioso, um som de ambulância chegou aos nossos ouvidos, se aproximando e fazendo uma parada, próximo a nós.

—Ok, fique por perto para passar informações sobre ela.

Alice começou a conversar com os paramédicos, enquanto eles moviam Evelyn para uma maca. Eu tentei ajudar com as poucas informações que eu tinha e de longe vi alguns policiais conversando com algumas pessoas que viram o acidente.

— Você precisa de carona? — Alice perguntou.

—Não, eu vim de carro.

—Eu estou indo com eles na ambulância, te encontro no hospital?

—Sim – murmurei aflita.

Fiquei parada no lugar, enquanto observava a ambulância se distanciar.

—Moça? – Alguém chamou do meu lado. Me virei e vi um policial me encarando. – Você é parente da vítima?

—Sou nora dela – respondi. Ele assentiu.

—Você pode nos dizer se ela tinha problemas com alguém? – Estalei meu pescoço para cima, olhando nos olhos do policial.

—Como? – Perguntei confusa. – O Sr. pensa que foi proposital? O atropelamento?

—Bem, no momento eu só estou reunindo informações, mas a senhora deve imaginar como é estranho alguém ser arremessada com tanta força e não receber nenhuma ajuda de quem atropelou – ele ergueu uma sobrancelha. Como se estivesse me apontando o óbvio.

—Bom, eu não sei de nenhum problema que Evelyn esteja envolvida. Nós não temos tido muito contato. Na verdade, ela acaba de voltar da Espanha com o filho mais novo. Eu só a conheci há pouco tempo. – Ele assentiu de novo.

—Ok, vou encerrar por aqui. Você deve estar querendo ir ao hospital. Me dê seus dados para contato, por favor. Posso precisar falar com você de novo.

Passei minhas informações a ele e comecei a me distanciar enquanto ele fazia anotações em seu caderninho.

—Senhora? – O policial chamou de novo e eu me virei para ele. – Você prefere avisar o restante da família ou quer que eu ligue? – Engoli. Eu estava tão amortecida que tinha me esquecido disso. Preciso achar o Thomas. E preciso avisar o Tobias.

—Não, eu... Eu aviso eles, obrigada – dei meio sorriso e ele sorriu levemente antes de assentir e voltar ao que estava fazendo.

Comecei a andar até o estacionamento onde estava meu carro enquanto pegava meu celular e discava o número do Tobias. Só espero que ele não fique irritado.

Não tenho como localizar o Thomas, no entanto. Não tenho ideia de onde eles estão morando ou a escola onde Thomas estuda.

Saí dos meus pensamentos quando a voz rouca do Tobias respondeu do outro lado da linha:

—Tris?

—Tobias – respondi baixinho. Respirei fundo para continuar, mas ele falou antes de mim.

—Você está bem Tris? Eu estou a caminho de casa.

—Tobias, escute – pedi. – Eu sei que você não quer ter nada a ver com ela, mas acho que você deve saber. Eu estou a caminho do hospital. A Evelyn foi atropelada.

Silêncio.

—Só estou te ligando por que achei que você deveria saber.

—Ela está muito machucada?— Ele perguntou hesitante.

—Eu ainda não sei – suspirei. Aliviada por ele não estar brigando. – Ela ainda estava inconsciente quando a ambulância a levou.

Silêncio de novo.

—Avise a Anna, por favor. Eu vou ficar no hospital com ela. Preciso localizar o Thomas também, não tenho ideia de onde ele está. Só Evelyn sabe. Ele vai ficar assustado e... – De repente a linha fez o som de discagem e percebi que Tobias havia desligado.

Apertei os olhos e respirei fundo antes de entrar no meu carro e dirigir até o hospital.

**

Horas mais tarde eu ainda estava na sala de espera com Alice, a moça que prestou os primeiros socorros a Evelyn. Ela se recusou a ir embora. Parecia preocupada. Apesar de tentar me tranquilizar, dizendo que o estado de Evelyn era estável e com sorte, ela iria acordar logo.

Eu precisava ir para casa, ver como Tobias estava e ver Sophia, mas eu estava presa na cadeira da sala de espera. Algo me dizendo que eu deveria ficar ali e ter certeza que Evelyn ficaria bem. Thomas era minha outra preocupação. Quando amanhecesse, o que eu faria? Ele não teria notícias da mãe dele.

Som de passos me fizeram levantar a cabeça e fiquei surpresa quando vi Tobias entrar na sala de espera.

Seus cabelos estavam uma enorme bagunça, seus olhos cansados e a postura tensa.

Ele provavelmente passou horas puxando os cabelos com as mãos. Ou alguém esteve puxando os cabelos dele. Será que foi por isso que ele só chegou agora?

Imagens dele e Nita começaram a se formam em minha mente e eu me recusei a pensar nisso agora.

Além disso, ele parecia... Perturbado.

Levantei de onde eu estava sentada e observei enquanto ele andava e parava na minha frente.

—Oi – eu disse.

—Oi – ele respondeu.

Eu não sabia bem o que dizer para ele. Perguntar como ele estava parecia ridículo, então tentei ir pelo caminho mais simples e dar as informações que ele queria, mas estava com medo de perguntar.

—Ela ainda esta sendo examinada e pelo que eu soube, ainda está inconsciente – disse a ele. – Mas esta instável – adicionei. Uma tentativa fraca de amenizar a preocupação que eu vi se formar em seus olhos.

—Bom... – Ele respondeu e se virou para se sentar ao meu lado. Alice olhou com curiosidade e eu comecei a ficar sem graça por não apresenta-los.

—Essa é Alice, ela é médica e foi quem deu os primeiros socorros a Evelyn – eu disse. Tobias se virou para olhar a moça sentada ao meu lado esquerdo, duas cadeiras depois de mim. Ele fez um cumprimento com a cabeça. Ela devolveu o aceno e ele se voltou para mim de novo.

Caímos em um silêncio estranho, típico de hospitais. Tobias não me perguntou por que eu estava com Evelyn, eu estava começando a me sentir mal. Aquela sensação de precisar explicar algo a alguém, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, uma mulher vestindo uma roupa do hospital entrou na sala.

—Familiares de Evelyn Johnson? – Perguntou a mulher. Me levantei e tentei ignorar o fato de que Tobias se manteve sentado.

—Sim? – Eu disse. – Sou nora dela. – Percebi Tobias se remexer na cadeira.

—Sou a Dra. Cameron – ela sorriu e começou a folhear os papéis em sua prancheta. – A Evelyn esta estável. Nós a mantivemos sedada enquanto realizávamos alguns exames, mas o efeito já deve estar passando, então ela deve acordar logo.

—Qual a extensão dos danos doutora? – Perguntou Alice. Não tinha percebido que ela estava de pé ao meu lado agora.

—Ela quebrou uma perna – respondeu a doutora. – Além disso, ela teve uma concussão cerebral. Estamos aguardando que...

—No nosso idioma doutora, por favor – Tobias disse ao meu lado, ainda sentado. Me virei para olhá-lo e ele levantou o olhar para a mim. Ele tinha um olhar irritado, mas não me intimidei. Devolvi um olhar ‘fique quieto’ para ele e me virei para a doutora com um sorriso de desculpas. Ela pigarreou.

—O que eu quis dizer é que ela bateu forte com a cabeça e isso causou um trauma, lesionando algumas áreas do cérebro. Isso pode trazer algumas sequelas, mas nós só saberemos com certeza quando ela acordar – cruzando os braços a frente do corpo, a doutora suspirou. – Fiquem tranquilos. Ela está estável agora e nós a estamos observando. Se houver algum agravamento, estaremos preparados para lidar. E se tudo ocorrer como esperamos, ela pode acordar e ir para casa em dois dias.

Dito isso, a doutora sorriu e se afastou.

—Obrigada – eu disse a ela, pouco antes dela desaparecer pela porta.

Me virei para o Tobias e ele deu de ombros.

—O quê? Eu odeio esses termos médicos – ele disse. – Eu acho que eles falam assim para nos deixar irritados, porque eles sabem que não entendemos nada do que eles dizem.

Alice bufou ao meu lado. Olhei para ela e ela estava nos olhando e rindo.

—Eles não falam desse jeito para te irritar – ela disse. – Você apenas tem que entender que eles passam várias horas por dia falando dessa forma. Estamos em um hospital, afinal de contas.

Tobias deu de ombros e eu fiquei no meio, observando a pequena discussão dos dois.

—Se eles vão ter que explicar o que significa cada coisa, seria mais fácil dizer claramente logo de uma vez.

Alice riu de novo.

—Você é o que? – ela deu uma boa olhada nele e juntou as sobrancelhas, tentando adivinhar no que ele trabalha. – Barman?

Tobias tinha trocado seu terno habitual por uma calça jeans e uma camiseta preta de manga comprida. Suspirei pensando que ele poderia ficar lindo até de estopa. E pelo olhar curioso de Alice, ela também pensou a mesma coisa que eu.

Ele olhou para ela e sorriu. Aquele maldito sorriso.

—Você pensa que está me ofendendo? Eu seria um barman com muito orgulho, se fosse o caso.

—Não! – Ela se apressou em dizer. — Eu só estou supondo, vendo que você se veste de forma casual e fala como se nunca tivesse entrado em um hospital antes – tentou explicar.

—Barmans não frequentam hospitais? – Ele balançou a sobrancelha para ela e ela soltou uma risada alta, tapando a boca em seguida.

—Você me pegou – ela disse sorrindo.

Me remexi no meu assento, incomodada com a súbita mudança de humor de Tobias e sua interação animada com Alice.

Eles ficaram em silêncio e eu peguei meu celular para ligar para casa.

—E então? – Alice pressionou. – O que você faz de tão interessante?

Tobias hesitou, mas respondeu:

—Sou diretor administrativo – ele respondeu com um tom amargo.

—Ah. – Ela deve ter percebido que ele não queria falar mais, porque finalmente calou a boca.

Liguei para casa e conversei um pouco com Anna. Ela me disse para ficar tranquila e que a Sophia já estava dormindo. Já passava das 02:00.

Desliguei a chamada e comecei a esfregar os braços, sentindo frio.

Saber que Evelyn está estável me fez começar a relaxar um pouco. Agora só falta encontrar o Thomas e trazê-lo para cá, mas preciso que a Evelyn acorde para isso.

—Você está com frio? – Tobias perguntou. Me virei e o vi me observando com a testa franzida.

—Um pouco – respondi. Eu ainda vestia meu vestido branco de alças finas. Apenas do casaquinho sem mangas do conjunto cobria meus braços, mas ele ia só até o cotovelo.

—Quer ir para casa? Você pode trocar de roupa e eu te trago de volta – ele sugeriu. Sorri internamente com sua preocupação.

—Eu estou bem, acho que vou esperar mais um pouco. Preciso falar com a Evelyn quando ela acordar. Tenho até o amanhecer para achar o Thomas – sussurrei. – Além disso, eu estou de carro – dei de ombros e ele assentiu.

—Bom, eu já vou indo – Alice disse, me fazendo desviar meu olhar de Tobias.

—Alice, obrigada por tudo – eu disse. Ela sorriu e me deu um pequeno abraço.

—Posso deixar meu número com você? Gostaria de saber quando ela acordar.

—Claro.

Anotei o número de Alice e ela sorriu antes de se despedir de nós e sair.

Quando me virei para sentar, Tobias estava me observando, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça.

Me sentei ao lado dele e ele passou o braço por cima do meu ombro. Olhei para ele e ele deu meio sorriso.

—Já que você não quer ir embora, eu posso pelo menos me oferecer para te aquecer? Não quero você batendo os dentes. – Eu ri e revirei os olhos. Mas aceitei e me recostei no peito dele. Senti todo meu cansaço se desvanecer e meus músculos agradeceram o calor que me envolveu.

Pareceu certo assim.

Eu estava em casa.

Notas finais
Gostaram?? :D Qro muitos comentários!!!