Em busca de mim
6 Lar doce lar
...
Depois que os garotos saíram, Tori mandou as calouras ficarem ao redor de uma mesa na sala. Sobre ela estavam quatro canivetes, e quatro folhas de um papel bonito com o timbre da Zeta. Meu coração acelerou. Acho que vamos virar Zeta de verdade.
“Calouras, esse foi o nosso último desafio. Agora todas merecem estar aqui. Quero lembrar que uma vez Zeta, não pode voltar atrás. Então? Vocês querem ser um membro permanente da irmandade Zeta Mu?”. Tori olha paras nós quatro, mas sei que ela demorou mais sobre mim.
“Sim”. Christina, Marlene, Myra e eu respondemos com confiança. Ser uma Zeta é o que eu quero.
“Vamos iniciar o nosso juramento. Apesar de parecer bobagem, todas nós Zetas respeitamos este juramento e o levamos para vida. Uma vez Zeta sempre Zeta. A irmandade foi fundada há 80 anos, e desde então celebramos este juramento, o qual é passado de iniciação para iniciação. O que acontecer nessa casa de agora em diante permanece aqui. O que é feito e dito na Zeta fica na Zeta, entendido?”
“Sim”.
“Agora repitam comigo...”.
“Juro por Zeta Mu, que acatarei este juramento e procurarei segui-lo com todas as minhas forças. Prometo seguir os ensinamentos da minha irmã Zeta Mu mais velha, e aprender com ela sobre os maiores desafios da vida. Prometo honrar este pacto ajudado minhas irmãs sempre que necessitarem de socorro. Prometo também lutar pela prosperidade da Zeta Mu, para que outros conheçam nossas vitórias. Estimarei as filhas das Zetas e as acolherei cada vez que venha a este lar. Admitirei novas irmãs sempre que mostrarem respeito, lealdade e coragem por aquilo que acreditados. Prometo festejar como se não houvesse amanhã, porque nós Zetas temos o espírito livre. Agora, com meu sangue selo estas palavras. Uma vez Zeta Mu, sempre Zeta Mu”. Nós quatro cortamos a palma da mão com o canivete como Tori sinalizou e deixamos uma gota de sangue pingar sobre o papel. Estamos meio emocionadas, elas também parecem emocionadas.
“Ok novas Zetas, a temporada dos ‘bixos’ acabou. Na reforma organizei dois quartos que estavam desativados, podem se mudar pra cá. Christina, Molly será sua irmã mais velha. Myra, Lauren será sua irmã mais velha. Marlene, Shauna será sua irmã mais velha e Tris, eu serei sua irmã mais velha”. Tori falou. Lauren é a única que não está aqui. Ela saiu com os Capa Alpha.
“Bem vindas a Zeta Mu”.
Agora faço parte de algum lugar, e é maravilhoso. De repente escuto estouros e papel picado começam a cair do alto. Elas cantam o grito de guerra enquanto nos carregam para fora.
“Somos Zeta Mu, e nada nos afeta. Somos Zeta Mu fique longe sem conversa. Nosso corpo é quente, nosso braço é forte. Cuidado garotos nós seremos sua morte”.
Nos jogaram na piscina e se jogaram também. Agora sou uma Zeta Mu, mal posso acreditar. Christina parece tão boba quanto eu. Olhamos uma para outra e rimos.
Estamos tranquilas na piscina quando Tori começa a falar.
“Garotas, precisamos promover um evento agora que temos dinheiro para investir. E esse tem que ser filantrópico. Precisamos restaurar um pouco da nossa imagem junto a diretoria pra que eles liberem mais verba para as Zetas. Ideias?”. As meninas fazem careta. Minha cabeça começa a funcionar. Eu já tinha pensado nisso, mas não falei nada com Christina e só vai dar certo se ela topar. Olho para ela. Ela vai me matar, mas a ideia é muito boa.
“Eh, eu acho que tenho uma ideia”. As Zetas não estão muito interessadas nessa coisa de caridade, mas Tori as manda calar a boca.
“Diga Tris”.
“Bem, é só uma ideia... e depende de alguns fatores, mas tenho pensado nisso algumas vezes. É diferente, divertido e pode funcionar”. As meninas agora estão mais atentas.
“Certo...”. Olho para Christina mais uma vez, ela deve achar que estou com algum problema porque fica perguntando baixinho ‘o que?’.
“...Vocês estão vendo esses brincos na minha orelha?”. Elas balançam a cabeça dizendo que sim, mas não entendem nada.
“O que acham deles?”.
“São bonitos”. Elas respondem. Christina está com os olhos esbugalhados olhando para mim.
“Pois é, eu ganhei de presente de Christina, mas isso não é importante para nós. O que interessa é que foi ela que fez com suas próprias mãos...”. Uma coisa inédita aconteceu, Christina ficou vermelha, mas isso não impede que eu veja o que tem escrito na testa dela ‘vou matar você’. Desisto de olhar para ela. As meninas estão admiradas.
“...Então eu pensei, a prata é barata. E se Christina topar fabricar as joias, nós poderíamos fazer um leilão”. As Zetas adoraram a ideia. Elas estão meio eufóricas na verdade. Começam a dar ideias do que poderiam fazer, onde poderia ser, quem iriam chamar. Mas Christina está furiosa comigo. Ela sai da piscina. Vou atrás dela.
“Christina, espere”.
“Você não tinha o direito de fazer isso Tris. Essa não é uma coisa que eu fale por aí, além da minha família só você sabe, daí você tem a brilhante ideia de contar pra todo mundo? Você foi egoísta. Se quiser aparecer, por favor faça isso sem ser as minhas custas”. Respiro fundo e ignoro a última coisa que ouvi da boca dela. Não vou desistir assim.
“Christina, não adianta você tentar fugir de mim, porque não vou desistir de você. Você é a irmã que eu nunca tive. Não fiz isso para magoar você, fiz porque acredito totalmente no seu talento”. Isso parece chama a atenção dela.
“Porque você não falou comigo antes então?”.
“Eu deveria, e quanto a isso não tem desculpa. Eu errei e só posso pedir desculpa, me empolguei na hora. Não apenas pela ideia, mas por você também. É uma oportunidade para você testar se é isso mesmo que quer. Quando você me contou eu nunca te vi mais encantada do que naquele momento. Sei o quanto isso é importante para você. Vamos Christina, você me conhece melhor do que isso. Acha mesmo que estou tentando te convencer por causa das Zetas? Ou pior, por minha causa? Se você não quiser, tudo bem. Mas pense sobre isso. E por favor, não se afaste de mim”. Ela me olha, entorta a boca, respira fundo e me abraça.
“Sua idiota. Eu devia te matar...”. Eu abraço de volta e meio que choramos.
“...Tudo bem. Eu topo. Mas tenho que fazer em casa, não tem condições aqui”. Concordo com a cabeça.
Christina, Myra, Marlene e eu fomos buscar nossas malas na residência. Os quartos das Zetas são divididos em duplas e claro, fiquei com Christina. Meus pensamentos derivam para Four e penso em tudo que aconteceu antes da polícia e todo o resto. Passo pela sala para buscar água na cozinha. Shauna está conversando com Tori.
“Onde está Lauren? Ela não estava no ritual”. Shauna pergunta.
“Ela saiu com os meninos e ficou conversando com Four lá fora. Depois não vi mais”. Tori sorri maliciosamente. Shauna revira os olhos.
“Four não repete garotas”.
“Não sei se Lauren entende isso, ela nunca superou o cara...”. Ok. Não gostei de ouvir isso. Lauren e Four já namoraram? Não posso culpá-la se não conseguiu esquecer, Four não é alguém que se esqueça com facilidade. Sei que não tenho direito de me sentir assim, mas estou... ciumenta. Lauren é tão bonita e milhões de vezes mais interessante. Será que estão juntos agora? Meu humor muda completamente. Hoje foi uma montanha russa. Primeiro paraquedismo, depois polícia, então Caleb, depois polícia de novo. Por fim veio o ritual de passagem das Zetas e claro, com exceção do ritual, Four esteve em todos os outros momentos mexendo com meus hormônios. Melhor dormir, ou mais algum furacão pode acontecer. Deito na cama e observo o meu novo quarto. Christina já adormeceu na outra cama. Não posso deixar de sorrir. Pela primeira vez desde que cheguei nessa cidade me sinto em casa. Lar doce lar.
...
Meu telefone está tocando. Eu sei que está. Tateio em cima do criado mudo até encontrá-lo. Ainda de olhos fechados atendo.
“Alô”.
“Beatrice, em 15 minutos o motorista vai passar para pegá-la na Zeta Mu. Esteja pronta. Seu pai e eu estamos na cidade”.
“Mã...mãe?...”. Mas ela já desligou a ligação.
“...Ah merda. Ferrou”. Rapidamente me arrumo, quando termino de pentear o cabelo a campainha toca, escuto alguém perguntar por mim. É o motorista. Respiro fundo. Me sinto indo a um tribunal.
Bato na porta do quarto de hotel em Manhattan. Mamãe abre. Sinto vontade de chorar, não tinha me dado conta em quanto senti sua falta. Esperava encontrá-la com um olhar sério e decepcionado, mas ela estava sorrindo e parecia tão emocionada quanto eu. Nos abraçamos por um tempo demorado. Quando me soltou acariciou meu rosto.
“Beatrice, olhe para você. Está tão linda”. Ela me olha de cima em baixo. Estou vestida como uma Zeta, calça jeans skinny, botas, regata branca e jaqueta de couro. A roupa colada evidencia minhas novas curvas. Meu cabelo está solto e tem leves ondas dando um toque rebelde. Me sinto feliz ao ver mamãe tão admirada.
Papai aparece, está em uma ligação, mas não se dirige a mim. Quando terminou finalmente me olha, e não parece feliz.
“Beatrice, sente-se”. Eu esperava uma reação dura do meu pai, mas o fato dele não vir me abraçar me machucou. Fico calada, mamãe senta ao meu lado e isso me alivia um pouco. A vontade de chorar volta, tento me acalmar. Não posso chorar se quero defender o meu ponto. Papai volta a falar.
“Divertiu-se mentido para nós por todo esse tempo? Achou que não descobriríamos?...”. Continuo calada.
“...Seu irmão Caleb me ligou hoje cedo e disse que você é caloura de uma irmandade cheia de delinquentes e como se já não fosse suficiente se envolveu com um marginal. No que você transformou-se Beatrice? Onde foi parar a educação que demos a você? Onde está minha filha, porque essa aqui não é minha filha”. Nossa, isso realmente me desestabilizou. Ele está me renegando? Não tenho estrutura para argumentar. Mamãe se levanta furiosa.
“Andrew, você passou dos limites. E quanto a mim devo entender que era uma delinquente quando nos conhecemos, porque eu era uma Zeta”. Ok. Mamãe soltou uma bomba agora.
“O que? Você foi uma Zeta?”. Pergunto admirada.
“O que há com você Natalie? No lugar de colocar algum juízo na cabeça da sua filha, você a incentiva? E não me venha com essa. Você sabe muito bem o quanto as Zetas podem ser selvagens”.
“Engraçado, não lembro de ninguém reclamar. Pelo contrário”. Papai se serve de uma bebida.
“Isso não é sobre nós e sim sobre Beatrice. E o que me diz quanto ao cara que ela está se envolvendo?”. Os dois me olham. Essa conversa estava muito interessante até eu voltar a ser o alvo.
“Eu não estou envolvida com ninguém”.
“Mas Caleb...”.
“Fiz Caleb acreditar nisso, mas não é verdade...”. Meu pai parece menos aborrecido.
“No entanto não vejo problema nenhum se isso acontecer. Four não é um marginal...”.
“Four? Isso é nome? E sim ele é um delinquente”.
“Papai...”.
“Ele já esteve preso Beatrice. E a acusação foi séria. Ele é perigoso”. Preso? Troco o peso do corpo para o outro pé e cruzo os braços. Ok. Isso me pegou de surpresa. Mas não consigo acreditar que Four seja perigoso.
“Como o Senhor sabe disso?”.
“Caleb me contou, mas não entrou em detalhes”. De uma coisa eu sei, apesar da animosidade entre as fraternidades, Caleb não é um mentiroso.
“Papai, eu o conheço. Ele não é perigoso...”.
“Você o conhece mesmo? Você sabe de onde ele veio ou quais os princípios que aprendeu, se é que ele tem algum? Você não o conhece Beatrice...”. Me sento no sofá derrotada. Isso é verdade, eu não sei nada sobre Four, como posso acreditar tanto nele? Não sei sequer seu nome. No momento não tenho como defendê-lo.
“...Me pergunto se você não aprendeu nada que ensinei. Não confie assim nas pessoas ou elas machucaram você”. Papai me ensinou a não confiar em ninguém fora da família. Acho que isso tem muito a ver com o meio em que vive. É irônico como isso se aplicaria na Delta Pi, mas nas Zetas, aquelas meninas são de verdade. Elas não têm esse tipo de malícia. Talvez Eu esteja enganada, mas e se não estiver? Vou viver de forma superficial apenas para me proteger? Eu não quero isso.
“E se eu quiser correr o risco? Se machucar faz parte da vida não faz? Existem coisas que você não pode me ensinar, terei que aprender sozinha. Preciso confiar nos meus instintos...”.
“...Eu fui na Delta Pi, mas não me senti bem lá. Aquelas garotas, elas são esnobes e fúteis. Para elas as únicas coisas que importam são dinheiro, status e sobrenome. Você me ensinou melhor do que isso...”. Ele ainda não está feliz, mas sei que está me ouvindo.
“...No mesmo dia conheci as Zetas. Elas são incríveis. Destemidas, aventureiras, e com elas eu realmente me sinto em uma família. Cuidamos umas das outras. Aprendi tanto com elas papai. Gostaria que confiasse mais em mim. O fato de conviver com elas, não significa que eu vá me corromper. Eu sou Beatrice, não sei muito sobre mim, mas tenho um caráter construído. E isso aprendi com vocês. Ele vai me dizer até onde posso ir, o que é certo ou errado. Eu sei que você planejou a minha vida, tentando me manter segura e protegida, mas não sou um personagem de um livro papai. Estou viva, e penso por mim mesma. No momento que saí do seu controle, as coisas mudaram. O que você acha que é o melhor para mim não é mais, porque as várias situações que estou vivendo me pedem comportamentos que fogem as suas regras, no entanto nunca vou agir fora do meu caráter”. E pela primeira vez meu pai está me dando atenção como se eu fosse um igual e não uma criança que ele nega e atropela sua vontade.
Mamãe me olha orgulhosa, mas é estranho. Ela não está surpresa, é como se soubesse que isso ia acontecer. Ainda estou chocada por ela ser uma Zeta. Papai anda de um lado para o outro tranquilamente.
“Vamos jantar”. Ele diz simplesmente e sorri para mim. Eu não sabia o quanto precisava disso. Antes de passar pela porta ele me puxa para um abraço e finalmente tenho paz de novo.
“Senti saudade papai”.
“Eu também Beatrice”.
Para meu desgosto Caleb estava nos esperando no restaurante.
“Então, quando vai para a Delta Pi”. Porque não me surpreende que essa foi a primeira coisa que saiu da boca dele. Papai responde por mim.
“Ela continuará na Zeta, Caleb”. Vejo aquele sorriso tão seguro se transformar em irritação.
“Mas papai...”.
“Caleb, Beatrice já está bem grandinha. Ela pode tomar suas próprias decisões como você faz. Confio nela, da mesma maneira que confio em você”. Senti um pequeno incomodo passar por Caleb quando papai disse isso. Então ele também tinha suas próprias culpas? Bom saber.
“Na verdade você me fez um favor Caleb. Não estava conseguindo mais mentir”. Digo. Ele apenas me olha. Meu irmão não é mais o mesmo, assim como eu. Mas a minha mudança foi positiva, já a dele... Caleb está arrogante, debochado e egoísta. Apesar de tentar esconder, ele mostra em pequenos gestos seu novo caráter. Acho que meus pais também perceberam. Talvez quem esteja realmente com problemas seja Caleb.
Recebo uma mensagem de Christina.
“E aí? O que serviram no jantar? Tris ao molho bolonhesa, ou churrasco de Tris? Vai demorar quanto tempo pra sair? Estamos no Bliss, venha rápido”. Sorrio discretamente. Logo me vem uma ideia na cabeça.
“Papai, daqui uns dias as Zetas vão fazer um evento beneficente. É um leilão de joias em prata. Todo o dinheiro que arrecadarmos será destinado a um orfanato no Brooklyn”. Meu pai se surpreende de maneira positiva.
“Mesmo Beatrice? E como vocês conseguiram as joias?”. Mamãe pergunta.
“Bem, a design é uma Zeta, minha amiga Christina. Lembra que falei dela? Nós compramos a prata e ela está fabricando as joias”. Papai parece orgulhoso e fala.
“Você está nos convidando indiretamente Beatrice? É isso?”.
“Bem, sim, eu adoraria se vocês fossem”.
“Estaremos lá”. Papai está tão satisfeito. Mamãe sorri. Caleb não está muito à vontade entre nós. Olha constantemente o celular e logo diz que precisa ir resolver alguns assuntos. Depois que ele sai, também não demoramos muito.
Entramos no carro.
“Papai, será que pode me deixar em um lugar? É que as meninas estão no Bliss”. Mamãe e papai trocam um sorriso mas não falam nada. Ah meu Deus, eles conhecem o lugar.
O Bliss é um bar bem descontraído, sendo famoso pelo seu chope e competições de sinuca. O ambiente é bem boteco e sempre está lotado. Hoje não seria diferente. Quando entrei vi as Zetas e os Capas perto da sinuca. Four estava lá. Respiro fundo. Lembro da conversa com papai.
“...Ele já esteve preso Beatrice. E a acusação foi séria...”. Não tive tempo para pensar a respeito disso, mas me pegou de surpresa. Talvez ele não goste de regras e cometa algumas contravenções como pular de um prédio privado de paraquedas ou fazer racha, mas não o vejo como um criminoso perigoso. No entanto, não posso negar que isso foi um balde de água fria.
Christina vem me encontrar.
“Eh, parece que não tá faltando nenhum pedaço...”.
“...Deu tudo certo?”.
“Sim”.
“Aleluia, tava com medo de você me abandonar”.
“Vai ser difícil se livrar de mim queridinha”. Sorrimos. Ela olha em direção a sinuca.
“Ah meu Deus, ele está olhando pra você”. Eu sei quem é esse ‘ele’. Mas me faço de tonta.
“Ele quem?”.
“Four”. Finjo desinteresse. Christina me olha desconfiada.
“O que?”. Pergunto a ela.
“Nada...”. Ela sorri maliciosamente.
“...Só acho que ele tá interessado. Ah, finalmente descobri de quem era aquela jaqueta que você andou cheirando. Eu vi quando você tirou hoje de manhã e ele pegou discretamente, apesar de que eu já desconfiava...”. Ok. Queria desesperadamente um buraco para me enfiar. Christina está morrendo de rir as minhas custas. Merda. Ela sabia. Me puxa pelo braço.
“...Não se preocupe, seu segredo está bem guardado comigo. Vamos jogar uma sinuquinha”.
As Zetas estavam escrevendo nomes para sortear. Iam jogar partidas em duplas com os Capas. Estou impressionada, muitos garotos da Capa falaram comigo. Fiquei meio popular entre eles depois dos acontecimentos dessa manhã.
“Tris chegou. Coloque o nome dela também”. Esse foi Zeke falando.
“Você sabe jogar Tris?”. Uriah pergunta.
“Veremos. O que está em jogo?”. Respondo. Eles riem.
“Olha só... a garota sabe brincar”.
“Passei um mês fazendo caridade para as Zetas, agora quero vingança”. Digo. Estão gargalhando agora. Estou muito à vontade entre eles e isso é completamente novo para mim.
“Vamos fazer assim, apenas os quatro primeiros nomes sorteados vão jogar. Um parceiro pode ajudar o outro. A pior dupla vai pagar a conta, a dupla vencedora leva 50% do valor das apostas. Feito?”.
“Feito”. Todos concordam.
Alguém chega do meu lado e me entrega uma cerveja. É Four. Degluto. Quando pego ele bate com a dele na minha garrafa fazendo um brinde. Eu nunca tinha experimento cerveja antes das Zetas, pensei que era horrível. Depois da tequila posso beber qualquer coisa.
“Obrigada”. Falo baixo, apenas para que ele escute. Ele acena levemente com a cabeça. Tori começa o sorteio das duplas.
“Primeiro nome: Lauren. Vamos ver, e ela vai fazer dupla com... Zeke”. Muitos gritos e batidas na mesa.
“Terceiro nome: Four e ele vai jogar com... Tris. Façam suas apostas”. Quase me engasgo com a cerveja. Ok. O destino gosta de brincar comigo. Christina sorri cheia de ideias eu ignoro. Quando olho ao redor, encontro Lauren me observando. Finjo que não percebo, mas aquilo me incomodou. Ela estava fazendo muito isso ultimamente. No fundo, no fundo eu sei o porquê. Apesar de negar, apesar de não ter acontecido nada de fato, essas coincidências entre Four e eu estão se tornando muito frequentes. E Lauren parece não gostar.
Muita gente se aproxima para acompanhar a partida. Vejo dinheiro passando de mão em mão para as apostas. Escuto alguns deixando de apostar em Four por minha causa, outros falando exatamente o contrário, que vão apostar por causa da novata, que sou eu.
Four me conduz até a sinuca, com a mão nas minhas costas. É impressão minha ou hoje ele está realmente tentando se aproximar mais? Primeiro a cerveja, agora isso?
Ele me olha.
“Você sabe jogar?”.
“O suficiente”.
“O suficiente pra que?”.
“Para ganhar é claro”. Ele abre um sorriso bonito. Não posso fazer nada, sorrio de volta. Espero que ele não perceba o quanto me deixa boba. Ele tira a jaqueta e não colabora com o meu crescente nervosismo. Faço o mesmo, a jaqueta imobiliza os meus braços. Após mais um sorteio Tori diz que Four e eu começaremos.
As bolas são posicionadas.
Four me diz para começar. Ok. Acho que ele quer observar como jogo. E é exatamente isso que ele faz, enquanto se encosta na mesa vizinha, com os braços cruzados e bebendo cerveja. Observa como posiciono o meu corpo e o taco. Mas se não me engano, ele está observando outra coisa também, a minha bunda. Reviro os olhos, mas estou envaidecida. No lugar de mudar a posição, me empino mais. No momento não me reconheço, deve ser efeito da cerveja já. O jogo começa. Acerto a bola branca tacadeira que está posicionada entre a marrom e a amarela, nas bolas vermelhas, apenas defendendo a tacada. Não posso encaçapar uma bola na primeira jogada. É a vez de Lauren que mata uma bola vermelha logo de cara. Ela sorri presunçosa para mim e olha para Four que não a olha de volta. Seus olhos estão em mim. Ela conseguiu atiçar ainda mais meu espírito competitivo.
A cada encaçapada muitos gritam comemorando outros vaiam chateados. Estava quente, prendo o cabelo em um coque. Four segue os meus movimentos. Os olhos dele estão com um brilho diferente, acho que está um pouco alcoolizado. Continuou a beber enquanto jogamos. Eventualmente, quando mudamos de posição nos esbarramos e acontece uma coisa louca comigo, parece choque. Não sei se ele sente o mesmo. Vez ou outra, ele me toca para corrigir algum pequeno detalhe que sei que fará grande diferença no final. Apesar de ter feito isso muitas vezes, cada vez que sentia suas mãos em mim meu corpo se agitava.
Nunca pensei enquanto jogava com papai e Caleb que um jogo de sinuca poderia ser tão sensual.
Após matar a última bola vermelha, Four encaçapa em seguida a bola preta para alcançar uma maior pontuação. A partir daqui o jogo começou a esquentar de verdade e continuou excitante até agora, próximo de terminar. Eu estava ligada. As vezes Four me oferecia a cerveja dele e eu aceitava. Não era hora de pensar no quanto aquilo parecia íntimo.
Essa era uma das últimas tacadas. Zeke usou a sua jogada na bola livre para deixar Four em sinuca. A posição é extremamente difícil. Four passou bastante giz no taco para que ele não espirre. Em seguida bateu na bola de sinuca no canto superior direito e ela fez uma curva. Lauren se posicionou e fez mais uma jogada, mas não conseguiu matar a bola. Ela estava bastante aborrecida. Acho que não esperava que eu fosse uma adversária a ser levada em consideração.
É minha vez e não sei se vou conseguir. Four viu minha insegurança e se aproximou por trás de mim, posicionou meus quadris, depois pegou na minha mão e juntos posicionamos o taco na vertical. Essa proximidade não foi uma boa ideia, é a jogada mais importante e ele aqui tão colado me desestrutura. Ele percebeu e sussurrou no meu ouvido.
“Relaxe Tris, foque no jogo. Não gosto de perder. Podemos cuidar disso depois”. Ele disse enquanto retirava lentamente a mão do taco para não mexer na posição. Respirei fundo e fiz o que ele mandou. Depois pensaria ‘nisso’. Isso significa que terá um depois? Ok, Pare já com isso. Foco. Eu também não quero perder. Essa poderá ser a tacada nos dará a vitória se eu acertar. Em um segundo prensei a bola branca sobre a mesa e ela atingiu a bola azul que rolou até o buraco. Estava terminado. Vencemos. Four me jogou por cima do ombro e saiu comemorando pelo bar. Eu não conseguia parar de rir. Ele me ajudou a descer, deslizei pelo corpo dele até que pisei no chão. Ele sussurrou no meu ouvido.
“Vamos dar uma volta Tris”.
“Ok”. Olha aí as borboletas novamente.
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