Em busca da verdade

4 Capítulo 3 Parte 1-2


Outro dia qualquer

Todos levantaram de suas camas e fizeram as mesmas coisas de sempre, como tomar banho, tomar café, e ir à escola ou ao trabalho. Não me senti muito bem, então pedi um remédio para minha mãe.

– Tudo bem querida? – Perguntou meu pai.

– Ah, tudo sim, só estou um pouco zonza, mas eu já tomei remédio.

– Quer que eu te leve à escola? – Isso nem era para se preocupar tanto assim.

– Ah não precisa, já estou melhor. – Mentir não era meu forte, por isso ele logo percebeu.

– Vamos, pegue logo suas coisas que eu a levarei. – Pegou as chaves do carro e sua mala, fomos direto para o carro. – Tchau amor, te vejo no jantar. – Ele se despediu da mamãe com um beijo.

A caminho da escola fiquei o tempo todo olhando pela janela e às vezes olhava para ele dando um sorrisinho de canto de boca. Fazia muito tempo que não saia com meu pai, isso me fez ver como a vida muda e como as coisas acontecem rápido demais. Em um instante somos pequenas com cinco anos sem saber o que fazer da vida, e em outro momento somos adolescentes prestes a ir à faculdade, sem rumo, sem saber o que realmente queremos fazer, antes de tudo acabar em um passe de mágica.

– Hãm... Pai?

– Sim querida. — Ele não podia olhar para mim, pois tinha que prestar atenção no transito.

– É... Eu queria saber... — Estava indecisa se perguntava ou não.

– O que? — Disse ele com cara de preocupado olhando para mim de vez em quando.

– Olha chegamos, depois eu falo com você, até mais pai. — Sai correndo do carro, nem dando tempo do meu pai dizer uma palavra. Acenei e entrei correndo na escola.

Dentro da escola olhei para fora para ver se meu pai já havia ido, peguei minhas coisas que havia derrubado e de mansinho fui indo para fora. Tentei disfarçar, mas Duda acabou me vendo.

– Hei Cáss, não foge de mim não. — Disse Duda.

– Oi... Que foi? — Me fazendo de desentendida, fiquei olhando para os lados torcendo para não fecharem o portão.

– Fala, pra onde você estava indo? – Ergueu a sobrancelha me dando medo.

– Eu? Da onde você tirou isso? — Eu era uma péssima mentirosa e todos sabiam disso. Parecia que só eu que não.

– Fala sério, em plena terça-feira você vai fugir da escola, assim sem mais, sem menos e sem nenhum motivo? – Ela parecia tentar ajudar, e eu era muito teimosa, não dei o braço a torcer.

– Olha Duda, eu só não estou a fim de ficar aqui. E ainda mais hoje, por favor, não faz isso comigo, olha eu não aguento mais isso, estou ficando maluca. Eu prometo que quando você chegar em casa eu te ligo. Ok? — Sem dar tempo para Duda dizer alguma coisa eu já havia ido, e desaparecido atrás da primeira árvore.

A caminho de alguma aventura, minha vontade era ir para casa e ficar dormindo, mas eu não poderia ir, porque meus pais pensavam que eu estava na escola.

Ah... Eu não menti, meu pai me trouxe pra cá e me viu entrar, tecnicamente, a única diferença é que eu não permaneci. Simples assim ou não.

Eu corri o mais rápido que pude sem olhar para traz. Quanto mais longe eu ia mais eu sentia que havia alguém me seguindo. Escondi-me atrás de uma árvore bem alta e grossa — fiquei feliz em saber que a escola protegia aquele lugar contra o desmatamento. Peguei um tronco que estava no chão e fiquei parada. Como aquela mini floresta tinham muitas árvores bem altas e bonitas elas tampavam a luz solar fazendo o lugar ficar um pouco mais escuro e frio, mas isso não era assustador, pelo menos não durante o dia.

Fiquei segurando o tronco pronto para atacar, quando eu ia bater em alguém, esse alguém gritou.

– Hei, sou eu, Bryan lembra? — Disse ele assustado com as mãos para cima.

– Ah, oi — Disse eu eufórica e assustada, ofegante com o coração disparado. Quase acertei a cara dele. Aii meu Deus quase acertei ele. Nossa o que os outros iam pensar de mim? Eu já sou estranha depois dessa ufa...

– Ai. Meu. Deus! – Com a mão no coração quase tive um ataque cardíaco. – Você é louco? – Quase não conseguia fala.

– Você está bem?

– Bem? Serio? – Agora eu já estava voltando ao normal.

– É...? – Sua resposta era incerta.

– Nossa... Não faça mais isso... — Coloquei a mão no coração e joguei o tronco no chão feliz por não ter acertado ele. Por um momento eu quase o abracei, porém continuei firme.

– Eu não deveria ter seguido você desta maneira. — Disse ele passando a mão nos cabelos.

– Rá! Quem diria que eu quase acertei um perseguidor. — Risos soltaram de nós dois.

– Espera... eu? Perseguidor? Que convencida!

– Mas que audácia a sua em, da próxima vez eu te acerto. — Com um tom sarcástico cruzei os braços.

– Você não teria coragem... — Olhei para ele o desafiando. — Teria?

– O que você acha? — Ergui a sobrancelha, comecei a andar.

– Hei, espera, quero ir com você. — Disse ele correndo atrás de mim.

Eu parei de andar e fiz sinal para ele parar. Quando eu me deparei coloquei a mão em sua boca para ele fazer silêncio. Ele ficou surpreso achando que eu estava brincando com ele. A pressão foi subindo quando um coelho saiu de trás de uma árvore me fazendo grita.

– Ahh! – Quase pulei em seu colo.

– Você estava com medo disso? – Ele caçoava de mim.

– Não, seu ridículo, só achei que poderia ser algo mais grave. – Continuei andando.

Ele me pegou pelo braço e puxou-me para perto. Zombando de mim lançou-me e puxou-me de volta como se estivéssemos em uma dança. Rodopiou-se e puxou-me mais uma vez, fazendo-me desequilibrar. Quando eu estava prestes a cair, o puxei comigo e começamos a rolar ladeira abaixo até chegarmos ao parquinho.

Tenho certeza que raspei minha perna em alguma pedra e quase um galho farpado bateu em meu rosto. Mas mesmo assim quando chegamos ao final daquela ladeira eu estava por cima dele e nossos narizes se encontraram quase rolando um beijo. Fiquei envergonhada, levantei me fazendo de desentendida.

– Então... O que faz aqui? Você não deveria estar na escola? — Levantei e limpei minha roupa.

– Eu? Acho que você também deveria estar lá! — Disse ele com aquela cara sínica apontando com o dedo para o local onde tudo começou.

– Isso é assunto meu. – Ao andar comecei a senti minha perna latejando. Olhei para ela e estava toda arranhada sangrando bem pouco. Parei e respirei fundo.

– Bom eu vi você saindo correndo e... — Interrompi sua frase.

– E o que? Pensou em salvar a donzela em perigo ou você é só outro alien perseguidor?

– Outro? Existe um primeiro? – Ele começou a rir.

– Acho que não é da sua conta? – Sorri e me sentei no chão de braços cruzados perto de uma árvore.

– Você poderia ser um pouco mais doce? – Pensando bem...

– Açúcar estar caro. – Sorri.

– Eu só... — Passando as mãos nos cabelos — esquece, desculpa, acho que eu não deveria estar aqui mesmo. – começou a andar me deixando sozinha.

Analisei minha perna, estava horrível, mas eu iria sobreviver pelo menos até eu chegar em casa. Ele caminhava de vagar, creio que queria que eu pedisse para ele ficar. Coloquei minhas mãos em meu rosto bufando. Droga!

– Espere... – Merda, merda. – Me desculpe. Eu só... Fiquei assustada, acho que qualquer um ficaria... E é sempre bom se prevenir. – Permaneci de cabeça baixa passando meus dedos pelos arranhões na minha perna.

– Quem diria que pediria desculpa assim tão fácil? – Ele se gabava.

– E você pensa que sou uma ogra? – Levantei-me limpando minha calça.

– Ah... Você só sabe gritar e berrar. Eu vejo você brigando com todos a sua volta.

– E como você sabe que eu grito e brigo com todo mundo? Anda me espionando por acaso? – Cheguei bem perto dele. Franzi a testa.

– Vai ficar com marca de expressão desse jeito. – Ele colocou o dedo em minha testa pressionando com força. – Por que você nunca sorri ou da risada? Está sempre brava com tudo, como consegue ser tão chata?

Não saberia descrever minha expressão.

Como assim eu nunca dava uma risada? Eu parecia uma foca rindo.

Ele tinha sorte de nunca me ver rindo.

– Como consegue ser tão idiota? – Afastei-me ficando de costas para ele, respirei fundo mais uma vez enquanto observava as árvores e as folhas que caiam. Já estávamos no fim do inverno, o ano passava muito rápido.

Por mais que estávamos no inverno, ainda sim alguns dias fazia calor.

– Lembra-se de ontem? Foi legal não foi? – Permaneci imóvel o escutando enquanto lembrava-me daquela tarde. – Afinal por que estamos gritando um com o outro como se fossemos loucos? – Sorri apesar dos gritos e berros, tudo o que dizia sobre mim era verdade.

– Talvez eu seja como a lua.

– Hu? – Sorri.

– Uma pessoa de fases. – Bateu um vento gelado bagunçando meu cabelo fazendo-me cruzar os braços.

– Que missão difícil. – Virei-me para ele.

– E qual o prêmio final? — Os raios do sol batiam em seus olhos o deixando mais brilhantes.

– Sua confiança... Ou uma viagem só de ida. – Ele começou a rir fazendo-me rir também.

– Não sei se isso será possível. – Continue de braços cruzados.

– Olha... – Ele pensou bem e finalmente disse. – Eu posso tentar. – Soltei uma risada diabólica o deixando assustado.

– Fique a vontade. — Soltei o meu sorriso mais diabólico.

– Desafio aceito. – Ele sorriu.

Começamos a caminhar novamente, escutei um barulho igual a do coelho, porém um pouco mais forte.

– Outro coelho? – Apesar da piada nenhum de nós riu, o que me deixou mais assustada.

Demos um ou dois passos para frente e em questão de segundos vimos um cachorro com a boca cheia de espuma correndo em nossa direção. Começamos a correr para o lado oposto, acabei tropeçando em algo que me fez cair. A única coisa que me lembro, foi à dor imensa em minha perna.

Acordei no hospital assustada. Bryan estava ao meu lado.

Notas finais
E ai pessoal... Para ou continua? Deixe seu comentário sobre o que esta achando :-)