Em breve

2 Dicotomia Parks x Williams - Um garoto e uma garota não podem ser apenas amigos?


Notas iniciais
Ho hey Hoje vamos conhecer nossos amiguinhos (/*-*)/ Elícia quer ser sua amiguinha, Charles não, ele é sem graça. (/*-*)/

Elícia Parks está cavando sua própria cova. Chegar à uma hora dessas? Pleno sábado, ainda por cima? Já podem ir ligando para o serviço funerário.

Pegou as chaves e abriu a porta da frente cuidadosamente. Olhou para tela do seu celular, eram cinco e quarenta da manhã. Qualquer movimento errado poderia lhe matar. Elícia entrou na ponta dos pés, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Sua mãe e seus irmãos odeiam acordar cedo aos finais de semana e a última coisa que ela queria gente gritando consigo. Conseguiu chegar ao sofá da sala de estar sem fazer barulho: a missão estava cumprida. Sentou-se de qualquer jeito e ficou esperando que alguém acordasse para que pudesse tomar o café da manhã, já estava com um pouco de fome.

Eram pouco mais de sete horas da manhã. Ela estranhou o que estava presenciando, será que milagres realmente acontecem?

— Bom dia. – Elícia desejou ao ver dois dos habitantes de sua residência acordados em sua frente

— Você não dormiu em casa. – a mãe, Gabriele, afirmou.

Não, aquilo não soava como uma pergunta, então não era uma pergunta.

“Nossa, nem me minha mãe me deseja mais um bom dia”, pensou ela, “Acho que já está na hora de eu alugar um buraco debaixo da ponte”.

— Não. – confirmou

— Sei... – Daniel, seu irmão gêmeo, lançou-lhe um olhar malicioso – Então onde você dormiu?

— Na casa do Charles.

— HÁ! Eu disse! – o garoto bateu as palmas das mãos, animado. – Pode ir pagando, mãe! Eu ganhei a aposta!

Elícia piscou, não entendendo absolutamente nado do que estava acontecendo.

— Não era pra falar sobre a aposta na frente da Elícia, esqueceu? – Gabriele repreendeu o garoto

Como parecia se tratar de sua vida, a jovem decidiu se manifestar:

— Ok, que raio de aposta é essa?

— Nada não. – sua mãe desviou o olha

Arqueou a sobrancelha esquerda, desconfiada, e se voltou para o irmão:

— Daniel, Daniel... – começou – Que raio de aposta é essa?

— E eu lá tenho que saber? Você que é a interessada aqui.

Revirou os olhos para ele.

— Tudo bem, algum dia eu vou descobrir tudo sobre essa aposta aí, pode escrever. Pode escrever!

— Eu quero ver a sua cara quando descobrir, vou até tirar uma foto!

— Não se eu quebrar seu celular primeiro... Ou os seus dentes.

Daniel é praticamente a versão masculina de Elícia, tanto fisicamente quanto na personalidade. Ambos possuem os mesmos cabelos castanhos claros, os olhos verdes e as maçãs do rosto um tanto cheias. Os gêmeos dividem também a teimosia, a falta de noção e a impulsividade, levando grandes dores de cabeça para Gabriele.

— Vocês dois querem fazer silêncio? – a mãe se meteu, levando o dedo indicador até a ponta dos lábios – O Allan ainda está dormindo, respeitem o seu irmão.

Os gêmeos se entreolharam sem dizer uma palavra e se desculparam logo em seguida.

— Vamos comer? – Gabriele sugeriu

E Elícia agradeceu mentalmente, já estava azul de fome. Por hora deixaria a aposta de lado, pelo bem de seu estômago, mas não desistiria de descobrir sobre a aposta.

— Sim, vamos comer. – concordou, levantando-se e andando até a cozinha – Já ia comer as paredes.

— Você só não come as paredes porque a gente não deixa. – Daniel comentou

— Ah, cala a merda da boca.

XX XX

XX XX

Charles Williams serviu uma xícara de café para a mãe e uma para si mesmo. Sem dizer uma palavra, ele passou o pote de açúcar para a mulher e esperou que ele retornasse. Suas manhãs de sábado sempre eram assim: calmas e silenciosas.

A casa dos Parks é agitada barulhenta, enquanto a dos Williams é calma e silenciosa, afinal, suas famílias são bem diferentes. A garota tem a mãe, o irmão gêmeo (ou desgraça, como o chama vez por outra), e o irmão cinco anos mais novo, Allan. Já ele vive apenas com a mãe, Luna.

É impressionante como os dois amigos são complementarmente o oposto um do outro.

— A Elícia foi para casa muito tarde?

Ele chegou a se engasgar um pouco com o café, por que sua mãe estava querendo saber sobre isso? A amiga já havia passado várias noites no sofá de sua casa, então não deveria nem se preocupar com uma coisa boba dessas.

— Não, ela acabou dormindo aqui. – respondeu pausadamente

— Dormiu onde?

— Mãe. — retomou — Por que esse interrogatório de repente?

“Minha mãe já está pegando as manias da Elícia de tanto que ela fica aqui casa”, Charles pensou, “Duas Elícias? O mundo não está preparado para essa tragédia”.

— Porque eu sou sua mãe. – Luna falou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do universo (o que não deixa de ser, mãe é mãe) — Cada respiração sua me interessa.

— Menos, mãe, bem menos, eu sei que você não é tão protetora assim. – Charles a cortou – E eu já tenho quase vinte anos.

— Você importa que você tenha “quase vinte” ou cem anos, você sempre vai ser meu filho.

— Pois é.

— Agora você pode responder?

Estralou a língua e balançou negativamente a cabeça para mãe antes de falar:

— No sofá. A gente estava vendo um filme muito chato e acabou dormindo.

— Vocês dois juntos? – Luna sorria ironicamente

— Ah, mãe! Fala sério! A gente já cansou de fazer isso!

O albino estava estranhando toda essa agitação, sentia-se na residência dos Parks.

— Mas agora vocês têm quase vinte anos, é diferente.

— Engraçado que há dois minutos você estava me tratando como bebê.

— Você sabe do que eu estou falando. – a mulher concluiu – Vocês não se desgrudam nem por um dia.

Isso não dava para negar. Depois de tanto tempo juntos Charles já não existia sem Elícia, era como “Chris e Greg”.

— É só amizade e você sabe muito bem disso, não vem com essa paranóia agora, mãe.

— Tá bom, não tá mais aqui quem falou.

Terminaram de comer em absoluto silêncio e logo depois arrumaram a cozinha.

Após algum tempo sua mãe teve de sair enquanto Charles ficou em casa sem fazer nada, assim como todo santo sábado.

Não demorou muito para que seu celular tocasse, como todo sábado. Pensou que fosse Elícia ligando para arrastá-lo para algum programa de última hora, mas não era. Olhou para a tela; número desconhecido. Deu de ombros e atendeu.

— Alô?

— Charles Williams, por favor. – a voz do outro lado da linha falou

“Que pessoa direta”.

— É o próprio. Quem tá falando?

Notas finais
Capítulo dedicado a todo mundo que tem um melhor amigo do sexo aposto :) Enfim, querem que eu continue? Beijinhos de luz :*