Em breve
3 Boas notícias - Não manda o Charles ir se lascar!
Notas iniciais
Elícia olhava diretamente para Allan, que havia acordado a cerca de uma hora. Encarava-o com aquela cara de quem quer alguma coisa, o que causava estranheza no mais jovem. O que ela poderia querer? Sendo o mais novo da casa, não tinha dinheiro para lhe dar e nem exercia qualquer tipo de autoridade sobre ela, então o que raios seriam? Havia se esquecido de devolver sua história em quadrinhos do Homem de Ferro? Não, devolvera para o seu lugar na semana anterior. Havia pegado mais alguma coisa emprestada? Não, além de suas HQs a irmã não possui nada que desperte algum interesse de sua parte, logo não haveria motivos para tal atitude. Queria suas economias? Ah, é verdade! Não existe economia alguma, seu saldo atual era de apenas dois dólares. Quer saber? Já estava cansado de tentar adivinhar o que se passava na cabeça de Elícia, Allan decidiu que era melhor perguntar.
— Elícia, o que você quer? – foi o mais direto possível
— Eu? – a irmã mais velha se fez de desentendida – Eu não posso admirar a beleza do meu irmão favorito?
— Irmão favorito? Eu? – arqueou a sobrancelha para Elícia, que respondeu afirmativamente com a cabeça – E como fica o Daniel?
— Ele não é meu irmão. – negou o fato (que nem por isso deixou de um fato)- Ele é só a desgraça de dividiu útero comigo.
— Então vocês não são irmãos gêmeos?
— Claro que não! Nós dois somos apenas ex-colegas de útero, eu já te expliquei isso.
Allan suspirou, era difícil ser a única pessoa normal da casa.
— Então você quer que a gente fale mal do Daniel? – questionou
— Na verdade, eu queria te perguntar uma coisa.
E ele não disse? Se Allan ganhasse uma moeda cada vez que acertasse algo sobre sua família, ele poderia finalmente começar a fazer suas economias.
— Pode perguntar o que quiser, Elícia. – se dispôs a ouvir sua irmã
— Eu peguei a mãe e o Daniel falando sobre uma aposta que envolve o Charles e eu... – fez uma breve pausa, mordendo levemente o lábio inferior – Allan, você sabe de alguma coisa? – iria se pronunciar, mas Elícia nem lhe deu uma chance — Eu sei que você sabe! E eu sei que todo mundo dessa casa conta tudo pra você.
Isso era verdade, Allan sabia os segredos de todos da família, o que poderia ser muito útil para ele em alguns momentos. Buscou em sua mente algo sobre a aposta e logo se lembro do que se tratava.
— O Daniel apostou quinhentas pratas que você e o Charles ainda vão namorar. – Allan começou as explicações – Já a mãe apostou o mesmo valor dizendo que não aconteceria nada porque o Charles é gay.
— A mãe acha que o Charles é gay? – a jovem até tentou conter o riso, mas não conseguiu evitar cair na gargalhada – Meu Deus! Isso é muita loucura! E bem a cara dela, eu tenho que reconhecer.
— Você esquece que nossa mãe é louca?
— Pois é, a Dona Gabriele nunca foi um exemplo de normalidade. – estralou as costas e voltou a encarar o irmão logo em seguida – Em todo o caso, eu preciso ligar para o Charles e contar sobre essa aposta.
— Pelo jeito o Daniel vai ficar rico... – Allan murmurou baixinho, mas não baixo o suficiente para que Elícia não ouvisse
— Ninguém vai ganhar essa aposta, pode escrever! Escreve aí!
— Tudo bem, eu não vou discordar de você. – suspirou mais uma vez e encerrou o assunto
Se Daniel e sua mãe fossem como Allan, a casa dos Parks seria um lugar muito mais tranquilo, um ambiente quase habitável para pessoas que possuem a cabeça no lugar.
Elícia não poderia perder mais tempo; pegou o celular e ligou para Charles, mas estava ocupado.
— Ninguém liga para aquele floquinho de neve além de mim. – pensou em voz alta antes de ligar novamente, obtendo o mesmo resultado da tentativa anterior – Que coisa estranha.
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— Charles Williams, por favor.
— É o próprio. Quem está falando?
Aguardava a resposta da pessoa do outro lado da linha. Charles não reconhecera aquela voz, o que torna tudo mais estranho. Será que era engano? Não, qual a chance de um engano cair em uma pessoa que possui exatamente o mesmo nome da que você procura? Pode até ser que aconteça, mas as chances são poucas.
— Aqui quem fala é Kylie Hunter. – o homem do outro lado da linha respondeu, reparou que ele possuía um sotaque diferente – Lembra, Charles?
Kylie Hunter era o mesmo que um estranho para Charles, continuou sem saber quem era a pessoa com quem fala.
— Lamento, mas não faço ideia de quem se trate. – o albino tentou ser o mais educado possível
— Ah, que pena. – pareceu um pouco desapontado, será que ele deveria lembrar? — Nos encontramos uma vez há dois ou três na sua faculdade. Lembra agora?
Ele só pode estar de brincadeira, só pode!
— Não, ainda não lembro. – e o que ele poderia dizer? Não lembra mesmo, ora mais.
— Mas eu me lembro muito bem de você, Charles. – continuou – Você ao menos se lembra de ter feito alguma inscrição para intercambio?
— Sim, disso eu me lembro... Espera aí! Como é que você sabe disso?
— Eu sou responsável pelos alunos de intercambio na Austrália e liguei para dar as boas novas.
Um grande sorriso se abriu no rosto do garoto.
— E- EU FUI ACEITO? – não tinha como se controlar, precisava gritar para os quatro cantos do universo
— Exatamente. – Kylie confirmou – Na segunda-feira iremos acertar todos os detalhes, vou passar o endereço via e-mail ou Wattsapp, o que preferir.
— Sim, sim. – não conseguia parar de sorrir – Muito obrigado.
— Ora, o mérito é seu, garoto. Nos vemos na segunda?
— Sim, claro, segunda. É só marcar que eu vou estar lá na hora.
— Espero que sim, gosto de compromisso. – alertou – Tenho de ir agora, aproveite o fim de semana, garoto.
— Claro, pode deixar, obrigado, tchau.
Encerrou a ligação, agora poderia gritar o quanto quisesse.
— EU PASSEI! – berrava como um louco, não se recorda de ter ficado tem animado assim alguma vez em sua vida – MÃE! MÃE! – a chamou
— Que gritaria é essa, Charles? – Luna questionou ao chegar à sala e encontrar seu filho num estado que beirava à euforia
— Mãe, eu passei! EU PASSEI!
— Meu filho, passou o quê? Sua roupa é que não foi.
— Eu fui aceito no intercambio. – se explicou, recuperando o fôlego – Mãe, eu vou para Austrália!
— Parabéns, meu filho. – abraçou seu filho fortemente – Você é mesmo meu orgulho.
“Tenho que contar isso para a Elícia”, Charles pensou. Depois de sua mãe, ela precisava ser a primeira a saber da novidade.
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— Elícia! – Daniel gritou da porta de entrada para a irmã gêmea, que estava deitada na cama, ligando pela milésima vez para Charles – Tem visita pra você!
— Manda ir se lascar! – a jovem foi curta e grossa – Eu estou ocupada!
“Por que ele não atende?”, questionava, “Se ele estiver me ignorando, eu vou meter à louca!”.
— Tudo bem! – o gêmeo gritou em resposta – Eu mando o CHARLES ir se lascar!
Levantou-se da cama com um salto e correu desastradamente até a porta de entrada, parando em frente ao amigo.
— Daniel, você pode ir embora? – pediu ao irmão
— Claro, eu deixo o casal sozinho um pouco. – ele provocou, andando em direção a seu quarto
Daniel: uma pessoa que sabe muito bem como ser desagradável.
Elícia encarou o amigo, sorrindo, mas socando seu braço logo em seguida:
— Charles, eu vou te matar.
— Ei! O que foi que eu fiz? Eu sou inocente. – jurou, e era verdade
— Você não me atendeu. – cruzou os braços e fez bico como uma criança
— Não fica assim. – falou, apertando levemente as bochechas de Elícia – É que eu queria te contar pessoalmente. – fez pausa dramática – Eu fui selecionado para o intercambio na Austrália!
— E eu não falei que você passava? – lembrou – Parabéns, cabeça de neve! Depois vamos encher a cara pra comemorar!
Pulou no pescoço do jovem e o abraçou fortemente, gritando de alegria junto com ele, que nem se incomodou. Normalmente não gostava de contato físico, mas o momento permitia isso.
— Mãe! Eu ganhei a aposta! Cadê minhas quinhentas pratas? – os gritos ecoaram pela casa
— Ganhou nada! Eu ouvi a conversa toda também! A aposta continua!
Charles arqueou a sobrancelha para Elícia:
— Aposta?
— Maluquice do Daniel e da minha mãe, depois eu te conto. – respondeu, logo voltando a comemoração
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