Em Queda
7 6º
Notas iniciais
ALICE
– Alice! — ouvi Tessa gritar. Levantei-me apressada. Eathan levantou também.
– Meu Deus, você está bem? — perguntou Sarah preocupada parando a minha frente junto com as meninas.
– Estou, estou bem. — assegurei.
– Eathan? — Rose parecia chocada.
– Oi, Rose. — cumprimentou ele gracilmente.
– Eathan? — disseram Tessa e Sarah em uníssono.
– Meninas, esse é o Eathan. — apresentei. — Eathan, essas são Tessa e Sarah.
– Prazer. — disse ele com um pequeno sorriso.
– O prazer é meu. — replicou Tessa.
– O que está fazendo aqui? — perguntei.
– Te salvando. — disse ele com um sorriso. — De novo. Você parece ter uma ímã para acidentes, hein?
– Pois é, esses últimos dias tem sido difíceis. — comentei. — Acho que estou sem sorte.
– Desculpa perguntar, mas o que aconteceu com seu olho? — perguntou Sarah com uma careta.
– Ah, o namorado ciumento de uma amiga me bateu. Nada de mais.
– Ralf fez isso? — Tessa estava chocada.
– Aquele idiota. — resmunguei.
– Não fale assim. — pediu Eathan calmamente. — Ele não fez por mal. Dizem que uma pessoa só sente ciúme quando ama. Ele te deu uma prova de amor.
– É, e te deu um olho roxo. — retruquei.
– Você está sendo má. Não devia julgar tanto o seu namorado.
– Eu estou sendo má? Ele que te bateu e eu que sou má? — exaltei-me.
– Ei, relaxa. — Eathan segurou meus ombros. — Estou só dizendo que o que ele fez não foi tão grave assim. Se quer terminar o namoro, tudo bem, mas não use o que aconteceu ontem como desculpa.
– Eu nem sei mais o que eu quero. — confessei. — Estive pensando no que você disse ontem quando saímos da casa do Kyle.
– Pois então não pense. Eu só falo besteira. — ele abriu um pequeno sorriso. Seus olhos tão escuros quanto a noite me consumiam.
– Na verdade as coisas que você diz tem me ajudado a pensar.
– Esqueça isso, Aly. Você não deve pensar, deve sentir. — ele soltou meus ombros e com uma das mãos prendeu uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Sua mente não consegue ver as coisas com clareza suficiente, mas seu coração consegue.
– Não sei o que estou sentindo. — minha voz saiu quase um sussurro.
– Concentre-se e saberá. — ele deu um suspiro. — Eu preciso ir. — Eathan depositou um beijo na minha testa. Seus lábios mornos transmitiam uma sensação de paz. — Fique bem.
– Obrigada. — agradeci ainda meio avoada.
Eathan lançou um sorriso de lado para todas nós e virou as costas, afastando-se a passos largos.
– Ei! — chamei-o Ele parou onde estava, virando-se para me olhar. — Você tem celular ou para te achar eu preciso estar em perigo? — perguntei-lhe com um sorriso.
– Depende. O que quer comigo?
– Conselhos.
– Não sou um bom amigo.
– Isso eu decido.
– Certo. — ele fez uma careta. — Amanhã às quatro horas na praça perto da sua casa.
– A praça é grande. Como vou te achar?
– Não se preocupe. Eu te acho. — ele virou as costas de novo e voltou a andar. Mas antes de estar longe de mais gritou por sobre o ombro. — Até mais, Aly.
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EATHAN
– Cara, você vai cair. — disse Mason tranquilamente enquanto comia pipoca. Estávamos no cemitério, sentados em uma cripta. Mason me arrastara até ali depois que deixei a Alice.
– Por que acha isso?
– Você ainda pergunta? Você já parou para ver o que está fazendo?
– Mas eu não estou fazendo nada. — disse inocente.
– Claro que não, você só está se apaixonando pela sua protegida. — ironizou ele olhando o saco de pipoca agora vazio.
– Não estou me apaixonando pela Aly. Só estou sendo um amigo.
– Amigo, sei.
– É sério, Mason. O que que tem demais eu ser amigo dela? Eu era amigo do Harry também. — lembrei-o.
– Pois é, e ele está morto e você quase caiu. — retrucou ele amassando o saco de pipoca vazio.
– A minha amizade com ele não teve nada a ver com isso. E eu não vou deixar a Aly morrer, de jeito nenhum. — pontifiquei.
– Você já está chamando ela de Aly, Eathan. — comentou. — Eu vi como você olha para ela. Confessa logo que está apaixonado.
– Eu não estou apaixonado! — exaltei-me.
– Certo, não importa. Só não caia por favor. Não quero ficar sozinho. Já perdi a Mary, não posso perder você também, irmão.
– Não se preocupe, não vou cair. — garanti. — E você não perdeu a Mary.
– Claro que perdi. — disse ele triste. — Quase não a vejo mais. Morro de saudade.
– Eu também, Mase. — disse Mary aparecendo atrás de nós. Mason levantou-se e deu um abraço apertado na Mary.
– Oi, Mary. — cumprimentei-a.
– Oi, lindinho. — ela sorriu. — Do que falavam?
– Da queda iminente do Eathan. — disse Mason voltando a se sentar. Mary sentou-se ao lado dele.
– O que você anda fazendo para cair, Eathan? — perguntou ela curiosa.
– Nada. Isso é exagero do Mason. — reclamei.
– Ele está apaixonado pela protegida dele. — contou Mason com um largo sorriso.
– Uau. — exclamou Mary. — Vai cair por amor. Isso é tão romântico. — ela fez biquinho.
– Eu não vou cair! — repeti pela trigésima vez;
– Ei, sabem quem está quase caindo? — perguntou Mary abaixando o tom de voz.
– Quem? Quem? — quis saber Mason curioso.
– Rael. — contou.
– O quê? Por quê?
– O protegido dele foi assassinado. — explicou Mary. — Parece que um sócio do cara o matou.
– E o Rael? — perguntei.
– Eu não sei da história toda. Só o que me contaram é que o Rael era um guardião visível. O protegido dele pediu para ficar a sós com o sócio e pronto, morreu. — disse ela.
– Que bizarro. — comentou Mason.
– Vão expulsa-lo? — quis saber.
– Não sei. Acho que ainda estão decidindo.
– Que bizarro. — repetiu Mason distraído.
– Se eu fosse você ficava esperto, Eathan. — sugeriu Mary.
– Não se preocupe, sei o que estou fazendo. — garanti. Pelo menos eu acho que sei.
– Que bizarro. — disse Mason de novo.
– Cala a boca, Mason! — dissemos Mary e eu ao mesmo tempo.
– Tudo bem, tudo bem. Mas que é bizarro, é.
A noite foi tranquila. Quando voltei para casa da Alice, ela estava dormindo. E felizmente não teve nenhum pesadelo, então pude ficar sossegado. Observei-a dormir. Depois de ouvir Mason falando tanto sobre eu estar apaixonado pela Aly, comecei a pensar se aquilo era verdade ou não. Claro que não é verdade. A Aly é linda, inteligente, charmosa, extremamente teimosa, mas é só a minha protegida. Só. Tudo que eu sentia por ela (preocupação, afeição, carinho) era estritamente profissional. Fiquei mais calmo ao ter certeza que o Mason estava errado.
De manhã, Alice acordou atrasada, para variar. Pelo menos dessa vez era só um pouco atrasada. Ela se arrumou correndo e saiu, terminando de comer um sanduíche. Conseguiu chegar no colégio antes do sinal da entrada tocar. Ralf a estava esperando no portão.
– Bom dia, amor. — disse ele assim que ela se aproximou.
– Oi.
– Ainda está brava comigo? — perguntou ele com aquela cara de cachorro que caiu da mudança.
– Não. — disse ela calmamente. — Eu pensei muito ontem e ...
– E... — incitou ansioso.
– E eu resolvi te desculpar. — disse ela afinal.
– Obrigado, amor. Não sei o que eu faria sem você.
Ralf sorria de orelha a orelha. Alice também ostentava um sorriso, mas não era tão animado quanto o do Ralf. Eles se abraçaram e se beijaram.
– Parabéns, Eathan. — disse Mason parando ao meu lado a alguns metros do casal. — Conseguiu uni-los de novo. Sabe, se você cair mesmo pode virar cupido. — ele riu.
– Maravilha. — respondi-lhe sem animação.
– O que foi? Não gostou de ver o seu amor fazendo as pazes com o namorado, né? Fica assim não, amigo. Aposto que logo logo ela vai terminar com ele para ficar com você.
– Você é louco. — comentei fitando Alice e Ralf se beijarem.
– Um pouco. — ele alargou mais o sorriso. — Só não esqueça de me chamar para ser o padrinho de casamento, hein?
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