Em Queda
8 7º
Notas iniciais
ALICE
É, eu me acertei com o Ralf. É, eu devia estar exultante. Mas não estou. Alguma coisa mudou nesses últimos dias. Eu ainda gostava do Ralf, porém não era o mesmo "gostar" de antes. Algo estava diferente.
Ralf fez questão de sentar ao meu lado na sala de aula. E eu fazia questão de prestar atenção no professor, assim podia ignorar o Ralf fazendo declarações de amor o tempo todo. Ele nunca fora meloso desse jeito, e agora esse grude todo estava me enlouquecendo.
Quando o sinal do intervalo tocou, Ralf me puxou para ele e me beijou. Depois Kyle chamou-o dizendo que queria conversar. Rose, Tessa, Sarah e eu caminhamos juntas para fora da sala.
– Certo, quer falar do que aconteceu ontem? — perguntou Sarah.
– Como assim?
– Não comentamos nada ontem porque já estava tarde e estávamos cansadas. mas agora não tem desculpa. — disse Tessa séria.
– Você e o Eathan, aquele clima todo... — insinuou Sarah. — O que está rolando entre vocês?
– O quê? Nada, não está rolando nada. De onde tiraram isso? — fiquei surpresa.
– Provavelmente tiramos isso do jeito que vocês ficaram se olhando. — comentou Sarah.
– Olha, não tem nada a ver. Eathan e eu somos só... amigos. — pontifiquei decidida.
– Mas você gosta dele, não é? — perguntou Rose.
– Até você, Rose? Não, eu não gosto dele.
– Então por que você está estranha com o Ralf? — quis saber Tessa.
– Eu não estou estranha com o Ralf. — menti. Eu sabia que estava estranha com ele, mas não podia admitir, principalmente porque eu não sabia o motivo.
– É claro que está. — disse Sarah. — O coitado passou a aula toda de volta de você.
– E você nem aí para ele. — completou Tessa.
– Caramba, como vocês são chatas. — comentei.
– Está assim com ele por causa do encontro com o Eathan hoje a tarde? — perguntou Rose.
– Não, eu já nem lembrava disso. — outra mentira. Claro que eu lembrava. — Olha, será que dá para deixar essa conversa para lá?
– Tudo bem. — concordou Tessa. — Mas só por enquanto.
Maravilha. Isso quer dizer que elas ainda vão querer falar mais disso.
O intervalo foi ótimo. Ralf ficou o tempo todo com o Kyle falando de algo inútil. E as meninas esqueceram (pelo menos momentaneamente) essa história de eu estar gostando do Eathan
Como dizem por aí, tudo que é bom dura pouco. O intervalo acabou e voltamos para sala. As aulas seguintes passaram se arrastando, mas finalmente acabaram. Ralf me acompanhou até em casa. E apesar de ele querer ficar comigo, consegui dispensa-lo.
Preparei o almoço e comi sozinha, como sempre, já que meu pai estava no trabalho. Fiz alguns deveres de casa, vi televisão. Fiquei enrolando até a hora marcada com Eathan. Tomei banho e me arrumei correndo, depois fui para a praça. Como eu havia dito ao Eathan, a praça era grande. Queria saber como ele acharia ali. Várias crianças corriam e rolavam pelo gramado.
Sentei em um banquinho de madeira sob a sombra de uma árvore alta. Eu havia chegado um pouco antes do horário e esperava ansiosa. As quatro horas em ponto senti uma mão tocar meu ombro. Olhei para trás surpresa e vi Eathan. Ele deu um meio sorriso sentando-se ao meu lado.
– Como me achou? — perguntei-lhe.
– Segredo. — respondeu ele com um sorriso de lado.
– Não vai contar? — insisti.
– Se eu contar, deixa de ser segredo.
– Certo. — ri.
– E aí, já se resolveu com o Ralf? — perguntou ele em um tom sem emoção.
– Já, já. Desculpei ele. Estamos bem de novo. — forcei um sorriso.
– Que bom. — disse ele olhando para o nada.
– Você está bem? — perguntei analisando-o.
– Sim, só um pouco preocupado com algumas coisas, mas não é nada importante.
– Algo que eu possa ajudar?
– Infelizmente não.
– Se eu não posso te ajudar, posso pelo menos tentar te animar. — disse decidida. — Vem. — levantei e estendi a mão para ele.
– Aonde? — perguntou curioso. Acho que despertei sua atenção.
– Segredo.
– Ah, fala. — pediu. Ele pegou minha mão e ficou de pé, bem a minha frente, deixando um espaço pequeno entre nós dois.
– Seu eu contar, deixa de ser segredo. — imitei-o
– Certo, Aly. Vamos lá.
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EATHAN
Flashback on
– Hey, Eathan, que bom que veio. Entra. — disse Harry me puxando para dentro do apartamento dele. Seu cabelo alaranjado estava grande e despenteado, pendendo para todos os lados. Seus olhos castanhos estavam circundados por olheiras.
– Noite difícil? — perguntei-lhe, mesmo sabendo a resposta.
– Na verdade foi uma noite ótima. — respondeu ele com um largo sorriso enquanto entravamos no quarto. — A Isa passou a noite aqui. Entende?
– Claro. — a cama dele ainda estava desarrumada. Ainda bem que tive o bom senso de deixar ele e a namorada sozinhos.
– Mas e você, o que fez ontem a noite? — perguntou ele sentando na cama bagunçada.
– Nada. — dei de ombros. — Saí com uns amigos.
– Aí, eu e a Isa marcamos de nos encontrar na casa dela daqui a pouco para ver um filme, ela disse que ia chamar uma amiga dela. Vamos?
– Vamos? Quer que eu vá para casa da Isa com você para quê?
– Para fazer companhia para essa amiga da Isa. Fiquei sabendo que ela é maior gatinha. — comentou ele com um sorriso cafajeste.
– Não, não. Definitivamente não é uma boa ideia. — pontifiquei.
– Ah, vai ser legar, Eathan. Vamos lá. — insistiu.
– Sem chance, Harry.
– Se eu chegar lá sem ninguém para ficar com essa garota, a Isa vai me matar. — reclamou.
– Chama o Max ou o Jeff. — sugeri.
– Não dá. Já liguei para eles. Max viajou e Jeff vai sair com a prima. — contou. — Por favor, Eathan. Quebra essa para mim. — implorou ele.
– Tá, tudo bem. — sei que vou me arrepender.
– Valeu! Vou me arrumar para gente ir.
Ele saiu correndo do quarto, me deixando sozinho. Pude ouvi-lo cantarolando ao longe. Sentei-me perto da janela (o lugar menos bagunçado do quarto) para espera-lo. Uns vinte minutos depois voltou ele trajando tênis all star branco (sujo), bermuda jeans e uma camiseta vermelha, sem manga. O cabelo continuava uma zona.
– Vamos logo, as meninas devem estar nos esperando. — disse ele.
– Certo.
Ele não parava de falar, contando tudo sobre a noite dele com a Isa. Realmente eu não precisava de tanta informação assim. Saímos do apartamento e pegamos o elevador, um ato de preguiça já que o Harry morava no segundo andar.
– Merda, esqueci meu celular. — resmungou ele quando chegamos ao hall de entrada. — Vai lá em cima pegar para mim, Eathan. — pediu.
– Por que não vai você?
– Porque eu vou chamar o táxi. Agora vai, rápido. — ele jogou a chave do apartamento para mim e saiu do prédio.
Sem querer esperar o elevador, subi as escadas correndo. Entrei no apartamento, peguei o celular que estava sobre o sofá e saí. Desci as escadas pulando vários degraus de uma vez. Quando cheguei ao hall ouvi barulho de freada de carro. Saí do prédio correndo e encontrei Harry caído no chão, sangrando. Havia um carro amassado a alguns metros e sangue por todo lado. Corri até o Harry, ajoelhando-me ao seu lado.
– Cuidado ao atravessar a rua. — sussurrou ele sem força tentando sorrir.
E depois acabou. Não pude salvá-lo. Não pude ajuda-lo, nem sequer protege-lo. Não estava lá quando ele precisou. Falhei. Falhei com ele e comigo mesmo. Naquele instante quase pude me sentir caindo, como se já houvessem arrancado-me as asas. Minhas mãos estavam sujas com o sangue dele. Senti alguém tocar meu ombro.
– É tarde demais. — disse a voz ressoante do Gate.
– Ele morreu, Gate. — sussurrei. — Morreu.
– Eu sei, Eathan. Agora precisamos ir. — anunciou. Levantei-me lentamente ficando ao seu lado, mas sem desviar os olhos do corpo estendido do Harry.
– O que acontece agora? — perguntei-lhe com a voz fraca.
– O de sempre. — respondeu impassível.
– Vou cair, não é? Sei que vou, afinal a culpa foi minha.
– Não pense nisso agora. É tarde para se culpar e cedo para se preocupar. Venha. — disse ele me puxando para longe da cena toda.
– Me desculpe, Harry. — murmurei antes de deixar tudo para trás.
Flashback off
– É a nossa vez, Eathan. — chamou Alice tirando-me dos meus devaneios. Estávamos em um parque de diversões, na fila da montanha russa.
– Tudo bem. — disse seguindo-a até o carrinho. Sentamos em um dos últimos.
– Só tem um problema. — anunciou ela meio tensa.
– O que é? — quis saber preocupado.
– Tenho medo de altura. — disse ela envergonhada. Eu ri.
– Por que inventou de vir aqui então? — perguntei-lhe.
– Porque gosto daqui, mesmo tendo medo. — ri de novo. Ela enrubesceu. — Para de rir.
– Tudo bem. Escuta, não tem com que se preocupar, tá? Nada de ruim vai te acontecer. — prometi.
– Obrigada. — ela deu um lindo sorriso. Parecia uma criança genuinamente confortável e confiante.
Assim que o carrinho começou a se mover pelo trilho, ela segurou minha
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