Em Manhattan.
Em Manhattan.

Em Manhattan.

Mudar de país agora não estava nos planos, definitivamente não estava. Era isso que eu pensava enquanto via Londres ficar pequenininha pela janela do avião. Mas, pelo menos ainda, eu não estava triste ou saudosa, a ansiedade por uma vida completamente nova era maior. Mudar de país não foi uma escolha, mas atravessar o atlântico para ir morar com meu pai em Manhattan talvez tenha sido.
Meu pai era um fotógrafo americano que terminava sua graduação em Londres. Minha mãe era uma alemã recém-formada no ensino médio que tinha tirado um semestre para dar a volta ao mundo. Ele emendou a graduação num mestrado, ela nunca explorou mais do que os solos britânicos naquela viagem: os dois se conheceram. Ela virou professora de História e ele fotógrafo do The Sun e naquele apartamento na casa 15 de Alma Square, que eles compraram por ser estrategicamente a rua paralela a Abbey Road, eu nasci.
Elleonor Howeds Batchlor. Elleonor oficialmente por conta da minha avó por parte de pai e secretamente por causa de Eleonor Rigby, sim meus pais me deram o nome de uma das músicas mais tristes dos Beatles. Mas essa era eu: Oficialmente inglesa nascida e criada em Londres, metade americana passando as férias de verão em Manhattan e metade alemã passando as férias de inverno e primavera em Munique.
Quando eu tinha 12 anos meus pais se separaram. Mas não foi aquela separação de novela, choro, luto, cachorro para um lado crianças para o outro. Foi uma separação tranquila, amigável, e juro que os dois são muito amigos até hoje. Meu pai voltou pra Manhattan porque conseguiu um emprego no“ The New York Observer” e minha mãe virou curadora da área de Egiptologia da “The National Galery”. Eu segui meus estudos na Escola Internacional de Londres até maio, quando tudo mudou.
Minha mãe recebeu um convite para uma bolsa de doutorado no Cairo, dois anos. Eu mesma falei pra ela aceitar, era uma oportunidade incrível. Mas isso significava que eu teria que me despedir da Inglaterra de algum jeito. Eu tinha 3 opções: ou eu ia para o Egito com a minha mãe, ou eu ia fazer meu último ano da escola em Munique morando com a minha avó, ou eu me mudava para Manhattan para morar com o meu pai. E cá estou eu na poltrona 27E de um avião saindo de Heathrow com destino ao JFK.
Pronta para uma vida nova? Talvez.
Classificação 14+
Romance
Sputnik perdido em Saturno

Sinopse

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Sputnik perdido em Saturno


Classificação 14+
Tags: Romance
Livro em andamento
Publicado em 8 de abr. de 2016, 00:44
Atualizado em 24 de jun. de 2016, 01:01
4764 palavras

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