Notas iniciais
Outro Cap meio grogue pra vcs :P

No caminho de volta pra casa, encontrei Lucas. Mas ele passou direito, e nem olhou nos meus olhos. Senti uma dor no peito e algo mais forte dentro de mim me fez chamar seu nome.

– Lucas! – Chamei e comecei a segui-lo – Ei!

Ele não olhou pra mim, e me ignorou. Peguei no braço dele, fazendo-o virar pra mim, e finalmente nossos olhos se encontraram.

– Não vou cair na sua ladainha Tayse – Falou e me olhou nos olhos com raiva. Voltou a caminhar, mas não desisti.

– Lucas! Desculpa tá? – Falei – Mas eu precisava falar aquilo!

Ele parou de caminhar e me olhou nos olhos. Em primeiro momento procurei ternura, mais só encontrei raiva.

– Por que Tayse? – Falou – Por quê?

Abaixei a cabeça procurando as palavras certas. Senti meu coração palpitar rápido.

– Eu precisava acabar com aquilo! Sabe, aqueles olhares... Eu sabia que ia acabar dando em algo a mais e... Eu não podia deixar Lucas! – Falei, e olhei pro céu iluminado de estrelas. – Eu não podia deixar acontecer! Não podia! Não pode acontecer de novo! Mas sabe a pior? Tá acontecendo!

Comecei a chorar, mas continuei:

– Eu tô me apaixonando de novo Lucas! E isso não pode acontecer! Nunca mais! Entende?

Levei minhas mãos à cabeça e senti uma dor horrível, inclusive no peito. A imagem dele, aquele idiota, veio vagando na minha cabeça com tudo.

– Ei Tayse! – Lucas falou, me chamando. Em seguida me segurou pelos braços quando ameacei cair – O que deu em você?

Não ouvi nada. Meus olhos se fecharam por uns segundos, mas logo se abriram de novo. Estávamos sozinhos na rua, por isso Lucas não tinha onde recorrer. Senti ele me pegar no colo e me carregar pra casa dele. A sorveteira ainda estava aberta, e Maria estava lá em baixo.

– Ei! – Ela disse, quando veio em minha direção – Tayse? O que aconteceu? Você tá branca...

Eu ainda estava consciente, e me senti fraca. Meus olhos pareciam pesados, e aquilo não era sono.

– Lucas, Carrega ela lá pra cima – Maria disse e ele me levou sem muito esforço. Fui colocada em um sofá e logo depois vi Lú chegar com um copo D’agua.

Bebi a água e murmurei um pedido de desculpas.

– Você comeu alguma coisa hoje Tayse? – Maria perguntou, como se fosse a mãe mais preocupada do mundo. Pensei bastante e me lembrei de que não havia tomado café. Lembro-me também de ter levado um sanduiche pra escola, mas nem o havia mordido. Lembro-me de ter chegado em casa e saído sem nem ao menos olhar pra cozinha. E depois disso, nada.

Ruborizei e abaixei a cabeça. Maria entendeu isso como um sim, e mandou a Lú preparar um sanduiche com suco. Como uma pessoa pode esquecer de comer?

Lú colocou um sanduiche enorme na minha frente mais não senti vontade de come-lo. Porém, ela insistiu, e fiquei pelo que pareceram horas mastigando. A fraqueza não me queria deixar comer. Contudo, quase na metade do sanduiche minha forças começaram a voltar e comi normalmente. Estava morrendo de vergonha por isso. Olhei em um relógio da parede e vi que já eram dez e sete.

– Acho melhor eu ir – Falei me levantando. Senti uma tontura, mais logo recuperei os sentidos – Desculpa por isso... Prometo que não vai acontecer de novo – Continuei, me direcionando pra Maria e dando-a um abraço – Juro.

– Tudo bem minha filha – Ela retribuiu o abraço – Não precisa vir trabalhar amanhã.

– Acompanha ela até em casa Lucas – Lú falou, lançando um olhar malicioso pra nós dois.

– Acho bom mesmo – Maria falou, e quando dei por mim, já estávamos caminhando em silencio pra casa. Senti-me no dever de continuar o que havia começado.

– Desculpa – Murmurei – Eu precisava falar aquilo. Você não entende Lucas... Nunca vai entender...

Terminei mais ele não respondeu. Fitou o horizonte por um tempo, mas por fim disse:

– Tente se por no meu lugar Tayse... As evidencias são claras...

– Eu queria poder contar, mais não posso – Conclui, e parei em frente ao portão da minha casa – Boa noite – Murmurei.

Virei em direção ao portão e nem olhei pra trás uma ultima vez. Entrei em casa e Lívia me entupiu de comida. Depois fui dormir, ainda com a pele formigando, bem onde ele tinha encostado.

– — -

Não tive coragem e forças o suficiente pra ir à escola.

– Por que não vai à escola, se levantou tão cedo? – Meu pai perguntou, quando desceu pra tomar café da manhã e viu uma mesa repleta de coisas. Eu não estava com o uniforme, por isso ele tirou a conclusão de que eu não iria hoje.

– Não estou muito bem... E quero estudar pras provas – Menti – E Lívia, vai vir aqui hoje?

Ele se sentou a mesa e inspirou o cheiro de café.

– Vai – Falou – Só que dessa vez ela disse que ia cozinhar.

Dei um sorriso e imaginei Laura limpando a cozinha depois. Ele também sorriu, pois deve ter imaginado o mesmo que eu.

– Nunca pensou em chamá-la pra vir morar com a gente? – Perguntei, e ele pareceu pensar – Vocês estão se dando bem, e até eu tô gostando dela. Aliás, vocês já estão juntos há quase seis meses e ainda nem brigaram. A casa é grande pai...

– Temos que cogitar essa possibilidade – Falou – Mais vou pensar ainda.

Dei um sorriso animado e beberiquei um pouco do café quente. Senti-o queimar minha boca e coloquei rapidamente no lugar.

– Quente! Quente! – Gritei e meu pai começou a rir. É tão bom faze-lo rir de novo.

– Ei! – Falei – Quero ver se fosse com você.

Ele riu mais um pouco e tomou um pouco de café. Logo depois foi embora e resolvi ligar pra Laura, pedindo-a que não viesse hoje. Fiz todos os serviços de limpeza e quando terminei já era mais de meio dia.

Resolvi aproveitar e tomar um banho longo e demorado. Fiquei pelo que pareceram horas, mais não passaram de quinze minutos. Fiz uma hidratação pesada e depois sequei com o secador.

Pri apareceu aqui em casa com uns deveres pendentes e aproveitei pra contar a historinha da noite passada.

Ela se abanou e por fim disse:

– Eu sei que você estava quase desmaiando e tal – Falou – Mas deu pra sentir os músculos dele?

Comecei a rir e joguei um travesseiro nela com todas as minhas forças. Ela soltou um Ai, mais não parou de rir em nenhum minuto. Ela pra ela ficar preocupada, não me zoando.

Coloquei uma música de fundo bem agitado e começamos a conversar sobre alguma coisa idiota.

Resolvemos fazer pipoca, e ela ficou tão animadinha, que caiu de bunda. Contorci-me de tanto rir da cara dela, mas ela levantou e empinou o nariz.

Queimamos a pipoca, mas comemos assim mesmo. Também assistimos a primeira temporada de The Vampire Diaries (Hahahaha), e ela ficou dizendo o quanto o Damon (Ian alguma coisa) era gostoso. Não consegui negar.

Ficamos assim, conversando que nem duas loucas bêbadas, quando infelizmente ela teve de ir embora. Fiquei sozinha até Lívia chegar e cozinhar o tão esperado e sonhado prato:

Hmmmmmmm... MIOJO.