Em Cada Ponta Do Infinito
5 Sopro no coração.
Notas iniciais
Assim que cheguei em casa, vi o Math sentado na frente do meu portão, na calçada. Eu vim o caminho todo tentando esquecer o acontecimento ocorrido depois da escola, mas era impossível... Até me recusei a responder todas as milhares mensagens da Pri... Mensagens do tipo:
O que aconteceu?
Porque não me esperou?
Ficou brava com alguma coisa?
Não me diz que você ficou com dó da nojenta!
Ai que ódio Tayse... Me liga...
Posso passar na sua casa mais tarde?
Argh, to nem ai... Vô passar de qual quer jeito.
Ok, eu não devia ficar recusando as mensagens da minha melhor amiga da vida toda, eu até pensei em responder, mas quando vi, o Math já estava na minha frente.
– Que é? – Perguntei, fazendo a voz mais arrogante que pude.
– Tá brava comigo?
Cara, esse garoto é realmente um retardado.
– Math, por que não me dá licença e me deixa entrar em casa? – Falei.
– Tá entendi... Você tá mesmo brava né?
Revirei os olhos. Esse garoto é realmente um idiota retardado! Em que segundo do dia eu não estou brava com ele?
– Pode me dar licença agora? – Perguntei, mesmo sabendo que ele não faria isso.
– Desculpa meu amor... – Ele falou e colocou a mão no meu rosto.
– De onde você tirou isso Math? – Falei, tirando a mão dele do meu rosto com violência – Nunca mais ouse me chamar de Amor.
– Por que o Marcelo podia e eu não?
Revirei os olhos.
– Vai embora seu estrupício... Não tá vendo que tá estragando meu dia?
– Poxa Tayse, nem no seu aniversario você me trata bem?
– O aniversário é meu, não seu. Por que eu iria te tratar bem seu imbecil?
Ele ficou em silencio e pensativo.
– Vou dar outra festa de inicio de ano lá naquela pousada do meu avô – Ele falou, depois de um tempo, e, antes que eu o interrompesse, continuou – Eu sei, que você provavelmente não vai... tudo bem, você nunca vai mas... Eu queria que você fosse hoje, tenho meus motivos... – Ele abaixou a cabeça, como se ele estivesse triste ou com alguma doença. E, sinceramente isso me assustou.
– Você não tá doente... Está?
Ele não respondeu e eu realmente acreditei,
– Você vai? – Ele perguntou – Eu anunciei a festa no radio da escola Tayse, assim que você veio correndo pra cá. – Ele colocou as duas mãos no bolso da frente e continuou com a cabeça baixa.
– É claro que ela vai – A Pri falou, surgindo bem atrás de mim.
– Não vou não.
– Vai sim.
– Não! Sua idiota.
– Tayse, por favor – O Math falou – Eu amo você.
– Cala a boca. Você é muito nômade pra dizer que ama alguém.
– Tayse! Ela vai sim. – A Pri falou.
– Argh, eu tenho vida tá? E eu que mando nela. E nem adianta insistir, eu não vou.
Empurrei o Math com força da minha frente e abri o portão.
– Vai entrar ou vai ficar? – Perguntei pra Pri.
Ela sussurrou mais uma vez no ouvido do Math que eu vou sim e entrou, fechando o portão atrás de si.
– Você é doida Tayse? – Ela falou – É a melhor festa do ano.
– E única – falei – Mas mesmo assim, eu não vou. Vai sozinha, com o Gui... – Comecei a subir a escada pro meu quarto e ela veio atrás de mim.
– Mas Tayse...
– Ele tá doente? Tipo, alguma doença mortal? – Perguntei, e como sei que a resposta é não, continuei – Se ele estiver com alguma coisa do tipo, eu vou.
Ela abaixou a cabeça.
– Tayse, você não percebeu como ele anda abatido ultimamente?
Revirei os olhos. Como vou saber se não o vejo desde as férias?
– Tayse... – ela continuou – é sopro no coração.
Sentei na minha cama e comecei a folhear uma revista da Capricho.
– ah, sério? – Falei, ironicamente – Tão abatido que sussurrou no meu ouvido hoje que sou gostosa. Faça-me o favor né Pri!
Ela sentou na beirada da minha cama e logo depois se jogou nela. Ela estava com uma cara triste, daquelas bem verdadeiras, que eu realmente acreditei. Será que eles combinaram isso?
– Pri, é serio mesmo? – Perguntei, e passei a mao nos cabelos loiros dela.
Ela começou a chorar e eu vi que a parada era séria.
– O Gui está arrasado. Por isso que ele não subiu com a gente depois do intervalo... O Math nem queria que eu te contasse.
Fiquei séria e pensativa. Eu nem se quer sei o que é sopro no coração... Que droga é isso? Eu sei, tenho dezesseis anos e não sei que tipo de doença é essa, mas pelo nome deve ser bem grave.
– Vai Tayse... Eu imploro.
Assenti de leve com a cabeça e concordei em ir.
– Tudo bem... – Falei, depois de um tempo – Só que eu não vou aceitar beijar ele só por causa disso. E ai dele, se vier me chamar de amor...
Ela enxugou as lágrimas e deu um sorriso.
– Posso escolher sua roupa?
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