Em Cada Ponta Do Infinito
6 Raiva e bebida se misturam.
Notas iniciais
– Eu nem acredito que você me convenceu a voltar aqui... – falei assim que descemos do carro do pai da Pri, bem em frente do sitio do avô do Math.
– Relaxa Tayse... – ela falou – Essa festa só acontece uma vez por ano!
Ela ficou em silêncio, mas logo depois voltou a falar:
– Tayse, desculpa, eu...
– Menti sobre a doença do Math? – completei antes que ela pudesse terminar – Relaxa, eu já sei.
– Como?
– Em primeiro lugar eu já havia desconfiado desde o inicio, alias você adora inventar umas mentirinhas quando quer me convencer de fazer alguma coisa, e, em segundo, foi só ligar pro Gui, e ele confirmou tudo.
– O Gui é um homem morto. – ela disse, e em seguida ajeitou o cabelo.
Dei de ombros e sorri. Comecei a andar em direção a casa, e, a cada passo que dava, pude ouvir a musica tocando lá dentro, que eu simplesmente amo: Titaniun do David Guetta e Sia.
– Tayse. – ela disse – eu sei que o Math não está doente de verdade, mas eu queria muito, muito mesmo que você o tratasse bem. Vocês combinam e ele gosta tanto de você, que você nem tem ideia.
Parei de andar, porque eu não queria que esse assunto chegasse lá dentro.
– Pri... Se ele gostasse de mim, não ficaria com todas as meninas da escola – Ela tentou me interromper, mas a impedi – E sabe o que ele adora fazer? Ficar com as meninas mais lindas da escola e depois sair se metidando pros amigos incrivelmente e totalmente metidos dele.
– Isso mesmo – ela disse como se eu tivesse acabado de decifrar a charada mais difícil do mundo – ele corre atrás das meninas mais lindas da escola, isso que dizer que você está entre elas!
Revirei os olhos. Ela nunca vai entender.
Vi o Gui saindo de dentro da casa, onde estava acontecendo a festa mais esperada do ano.
– Entende de uma vez Pri, eu não gosto do Math, e nunca vou gostar. Por favor, evita falar disso perto do Gui. – Falei, e vi o Gui chegando e a abraçando-a.
– Tá gatona em Tayse – ele disse e deu um sorriso.
– Como assim você a elogia primeiro? – A Pri falou, soando mais brincalhona do que séria.
– Vou ter muito tempo pra te elogiar depois – Ele disse e começou a beijar o pescoço dela.
– Ei, ei, ei! – Falei, estralando o dedo e chamando a atenção dos dois pra mim. – Seu loiros safados! Por favor, evitem ficar nessa melação perto de mim.
– Quando era com o Marcelo, ninguém falava nada... – Ela disse, e eu simplesmente gelei ao ouvir esse nome.
Meus olhos encheram de lágrimas e minha garganta secou.
– Ai, desculpa Tayse, eu não queria – Ela falou e eu apenas assenti com a cabeça devagar – Tayse, você não pode ficar choramingando toda vez que ouvir esse nome.
– Não estou chorando – Falei, e senti minhas lágrimas secarem na mesma hora. Dei um sorriso falso e comecei a andar em direção a casa. Eles não me seguiram, apenas continuaram lá fora, abraçados.
Entrei e a musica, ainda do David Guetta, atingiu meus ouvidos. Meu coração começou a dançar no mesmo ritmo e tive que me conter pra não entrar na dança e requebrar até o chão. Vários novatos me encararam quando entrei como se quisessem conhecer cada pessoa da nova escola deles. Alguns eu vi hoje, no primeiro dia de aula, outros eu nem se quer sabia que existia.
Vi o Math me encarando do outro lado da sala, e deu um sorriso safado quando viu que eu o vi. Fui em direção ao freezer na cozinha e vi várias opções de bebida. Cerveja, refrigerante, vodca, suco... E, apesar de saber que era um tanto proibido tomar bebida alcóolica aos dezesseis anos, não me contive. Essa seria a primeira vez que eu colocaria um golinho de vodca na garganta. Confesso, eu estava morrendo de raiva pela Pri ter falado aquilo, e, só de ouvir o nome daquele idiota, tive raiva da vida. Uma raiva imensa. Uma raiva que, eu seria capaz de beijar qual quer cara que aparecesse na minha frente agora. E foi nesse momento, que senti alguém pegar na minha cintura. Bebi um gole da bebida, e me segurei pra não engasgar. Olhei pra trás com um sorriso, pra ver quem havia pegado na minha cintura, e dei um sorriso maior ainda quando vi que era o Math.
– Que bom te ver aqui – falei. Ele pareceu estranhar a minha reação, mas também deu um sorriso.
– Sabia que um golinho de vodca te faria bem – ele disse – Por que não bebe um pouco mais?
Dei mais um gole, devagar, tentando ao máximo não engasgar de novo.
– Olha meu amor – ele disse – Porque não senta ali e me espera um pouquinho? – ele apontou pra um sofá no canto da enorme sala – Vai bebendo, que eu vou ali falar com uns amigos e já volto rapidinho tá?
Dei outro sorriso e assenti com a cabeça, enquanto me direcionava ao sofá.
Pude observar de longe ele conversando com uns amigos, e continuei a beber. Quando me dei conta, meu copo já estava vazio. Ele começou a se aproximar de mim novamente e quando se sentou ao meu lado, passou os braços por meu ombro.
– Ei gata, lá atrás tem uma piscina irada, espreguiçadeiras e dá até pra ver as estrelas no céu, o que acha? – ele perguntou, e antes mesmo de eu responder, começou a me levar em direção à porta. Passamos pela varanda e demos a volta na casa, chegando aos fundos e vendo um lugar lindo, e deserto.
Ele me puxou pra uma das espreguiçadeiras e me puxou pra sentar no colo dele.
– Ei gata, você já passou por aquela fase de luto de beijos? – ele falou, e olhou bem pra minha boca – Por que eu tô louquinho pra tirar você dessa fase agora.
Dei um sorriso, e meu coração batia tanto com a música, que senti que nada mais no mundo existia.
Fale com o autor