Em Busca do Passado
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Ela pode ouvir os gritos do pai, mas os ignorou, não se importava em fugir, mas a adrenalina era tana que ela nao se aguentou e acabou por gargalhar alto, nunca havia imaginado que sair do castelo sem permissão ou data para voltar seria tão emocionante. Com destreza ela pulou em cima de sua égua e correu em direção ao seu primeiro destino, a Floresta do fim.
O caminho não era muito longo, apenas alguma horas de cavalgada, horas quais ela passou pensando em como sobreviveria la dentro, como enfrentaria as ratazanas, os espinhos e as diversas provas que a floresta santa impunha.
Ao avistar as primeiras arvores, pediu que Luna parace.
–Vejo você em tres dias!
Anny pegou suas coisas e se virou para a entrada da floresta, ela possuia uma neblina rasteira e era muito escura, devido as copas das arvores nao permitirem que a luz do sol entrasse. A garota não sabia em que direção seguir, por isso resolveu seguir seus insintos, que quase nunca a enganaram.
A pouca luz que havia no começo da floresta ja havia desaparecido e a garota suspirava frustrada.
–Otimo, escuridão total, tem como piorar meu dia?
O som de algo se mexendo as suas costas lhe chamou a atenção e ela olhou para a copa das arvores.
–Sabe, meio que era uma pergunta retorica, não precisava realmente piorar o meu dia!
O guinchar de um rato se pode escutar, Anny se pos a pensar, ela nao possuia uma tocha para amedrotnar o animal e não era louca o suficiente para enfrentalo logo de cara, entao sua unica opção fora correr e foi o que fez, ao avistar um grande galho, com qual quase iria topar, ela o agarrou e impulcionou seu corpo para frente, lhe lançando para um galho mais alto e com uma acrobacia ela o segurou e subiu, agachando-se ela viu um enorme animal passar correndo.
–Legal, não posso ir por terra, pois se nao serei atacada, se for pelas arvores corro o risco de cair e quebrar meu pescoço e ainda tem essa maldita escuridão, o que fazer?
Anny sentou-se no galho e ficou a balançar as pernas enquanto pensava. As horas iam passando e nenhuma ideia surgindo, por fim ela suspirou e jogou-se no chao, pegou um galho mais fino da arvores, rasgou uma parte do seu vestido, pegou um pequeno frasco e despejou tudo na pequena tocha improvisada, ao ver o tecido encharcado, tirou um isqueiro da bota e o acendeu. O obejeto a iluminou em um circulo perfeito, nao se dava para ver muito longe, mas ja era algo.
Um suspiro frustrado saiu da boca da garota e ela olhou ao seu redor.
–Eu vou ficar bem, é tudo por uma boa causa!
Seus passos eram cautelosos e qualquer barulho poderia ser um perigo, e um barulho em especifico lhe chamou a atenção, porem fora tarde demais, quando viu uma enorme ratazana estava em cima de si, com o susto a unica reação que teve foi de cair no chao enquanto segurava a boca enorme da criatura. Colocando um pé na barriga da ratazana, ela pegou impulso e a jogou de encontro com uma arvore, com destreza a garota retirou a espada da bainha e tentou enchergar a ratazana, porem a mesma ja havia sumido no meio dos arbustos. Rapidamente Anny pegou a tocha e se pos a correr uma direção qualquer, porem sem ver exatamente por onde ia nao percebeu uma raiz mais grossa que se elevava por sobre a terra e tropeçou nela o que lhe levou a cair, rolando algumas vezes por fim parar perto de um barranco, onde ao se levantar escorregou e caiu, chegando ao fim do mesmo cheia escoriações.
–Legal, agora eu estou perdida no meio de uma floresta, cheia de machucados e sem luz, o que mais me falta acontecer? E isso é uma pergunta retorica meu pai, nao preciso que piore mais ainda o meu dia!
Frustrada Anny se encostou no barranco, fechou os olhos e decidiu descansar, tinha tempo ainda, apesar de ser perigoso. Logo seus olhos pesavam e ela caia em sono profundo. A garota acordou de supetão ao senitr um frio descer por sua espinha e ao levantar o olhar se deparou com um homem parado a sua frente, de no maximo quarenta anos, vestindo roupas antigas e ele era palido, não, ele era transparente. Ao olhar para o chao a garota notou que ele estava coberto por uma neblina espessa que lhe cobria as pernas.
“O que veio fazer aqui criança? Procurar pela morte?”
Rapidamente Anny levantou os olhos para o homem e se pos em pé.
–Estou em uma missão e não é em busca da minha morte e sim da gruta dos sem nome, preciso de uma pedra de la!
“Va embora criança, volte pelo caminho em que veio, se continuar aqui o que encontrara sera a morte!”
O fantasma se virou e ia desaparecendo, quando a garota o chamou de volta.
–Por favor, eu preciso chegar a essa gruta, ela é a unica chance de eu chegar na verdade, eu preciso saber o que realmente aconteceu, por favor, me ajude!
“Que verdade busca criança?”
–A verdade escondida no passado, preciso saber o que realmente aconteceu a uma pessoa e isso só poderei encontrar no passado!
“Sua jornada é perigosa demais para uma criança como você!”
–Não sou uma criança indefesa, tenho meus truques!
O homem sorriu de canto.
“Você é corajosa, posso ver isso, mas sair em busca do passado nem sempre é a melhor escolha para descobri-la!”
–Não me importo, preciso chegar ao fundo para conseguir me entender, preciso saber do passado para pensar no futuro!
“Não minha criança, você não precisa, na realidade precisamos nos desapegar do passado e apenas enxergar nosso futuro, mas vejo que você não sabe de nada do seu, por isso e somente por isso irei te ajudar, porem você terá que me jurar uma coisa!”
–O que o senhor quiser!
“Você jamais devera mencionar como chegou até a gruta e o caminho que trilhou!”
–Certo, não irei contar a ninguém sobre quem me ajudou a chegar a gruta e o caminho que leva ate ela!
“Ótimo criança!”
–Como se fossem acreditar que um fantasma me ajudou!
“Acredite, criança, muitas pessoas acreditariam e inventariam de entrar aqui em busca de nossa ajuda e não somos a patrulha salvadora da floresta!”
–Pelo visto vocês não ficam muito feliz em ajudar os vivos!
“Não, não ficamos felizes, só ajudamos quem merece e tem um objetivo aqui, que não seja provar que pode ser corajoso, quando não passa de um imbecil!”
–Certo!
O caminho se seguira em silencio, até que ambos se deparam com uma enorme entrada, ela possuía uma pequena escada esculpida na pedra, que lhe direcionava para baixo.
“Esta ai sua entrada, só espero que você consiga voltar!”
–Eu irei!
“Então a esperarei aqui para lhe levar no caminho de volta!”
–Então você sera meu guia particular?
Anny sorriu para o fantasma que a encarava serio.
“Se vermos por este ponto de vista? Sim, serei, mas espero que não tenha que vê-la novamente por aqui!”
–Te vejo logo, então!
Com um sorriso singelo ela entrou na gruta e começou a descer pela pequena escada de pedras. A cada degrau que descia, mais a escuridão a consumia e a temperatura baixava, um frio descia por sua espinha e uma vontade de correr pra fora dali lhe consumia, até que seus pés se encontraram com água, uma água fria, congelante, mas ela continuou, cada vez mais se afundando, até que estava inteiramente submersa e continuava a submergir, não tentava voltar a superfície e o ar em seus pulmões se acabava.
“O que busca aqui criança?”
“Ook Drack”
“Não, o que realmente busca aqui, neste lugar sagrado e amaldiçoado?”
“Uma oportunidade!”
“Para?”
“Encontrar a verdade!”
“E porque você precisa de minha ajuda para encontrá-la?”
“Eu preciso deixar meu nome e o que ele representa para encontrar essa verdade, e só com sua ajuda posso fazer isso e ainda ter a oportunidade para sair em busca disso”
Anny já não aguentava a falta de ar, seus pulmões pareciam que iam explodir e em um reflexo instintivo ela abriu a boca em busca de ar, erro grave, pois sua boca fora invadida pela água, que ela percebeu ser salgada, descera por sua garganta queimando e começava a alojar-se em seus pulmões.
A morte nunca fora bem vinda a garota, mas ela nunca imaginara que morreria por escolha própria.
“Esqueça criança, sua sina não é morrer na água, onde você e sua espécie pertencem, se acalme e percebera que nem tudo é o que parece ser!”
A garota abrira os olhos e percebeu que seus pulmões e a garganta não queimavam mais e sua necessidade de oxigênio era saciada de alguma forma.
“Mas o que...”
“Assim como sua mãe, você é digna de estar aqui e por isso poderá se desfazer de seu antigo nome e o que lhe prendia aqui, assim como o que lhe dará a chance de conhecer seu passado!”
Uma pedra lilas com uma pequena pedra negra no centro a cortando de forma vertical apareceu em frente a garota, a pedra se parecia com um olho de gato, porem em sua tonalidade lilas.
“Eu não entendo!”
“Tudo isso que você passou criança, o frio, o sentimento de medo, se induzir a um afogamento e esse questionário, fora tudo uma prova, prova de que se você era ou não digna de abandonar seu nome e conseguir uma Ook Drack!”
Os pés da garota finalmente tocaram o fundo da gruta e em suas mãos repousava a pequena pedra.
“Eu ainda não consigo entender, porque eu não me afoguei, porque eu não me importo de estar aqui no fundo e porque eu sou digna dessa pedra!”
“Você não se afogar ou não se importar por estar a metros de distancia da superfície vem do legado que sua mãe deixou e você é digna pois seu objetivo é digno e o coração puro!”
“Legado?”
“Sim, agora esta na hora de voltar, você precisa partir, sua hora finalmente chegou!”
Finalmente Anny sentiu seu corpo flutuar, em direção a superfície e logo ela estava acima da água, caminhando sob a água em direção a escada de pedra com seu corpo encharcado pingando água.
O caminho pareceu mais curto do que na descida e ao chegar finalmente a superfície se sentiu estranhamente tentada a voltar para a água, como se seu corpo precisasse daquilo.
“Você realmente conseguiu!”
Anny sorriu de canto e encarou o velho fantasma de forma presunçosa.
–Eu disse que conseguia!
O homem sorriu amarelo e se virou.
“Lhe mostrarei o caminho de volta, mas não irei ajudar com os obstáculos!”
–Consegui fugir de uma ratazana de fogo, acho que dou conta do resto!
“Você quem sabe criança!”
O caminho fora feito em completo silencio, até que a garota para e olha para a copa das arvores.
–Porque o senhor esta preso aqui?
“Porque morri tentando fazer o que acabara de fazer, mas infelizmente as ratazanas me pegaram primeiro!”
–Mas porque você veio?
“Quando era vivo errei muito, queria me redimir e deixar meu passado para trás, consegui afinal, mas não da maneira que gostaria!”
Anny tentou voltar a andar, mas suas pernas estavam presas e ela arregalou os olhos.
–Tenho um problema!
O fantasma sorriu.
“E como pretende sair dele?”
A garota respirou fundo, desespero só lhe prejudicaria naquele momento, mas sozinha não iria conseguir sair daquela enrascada.
–Você realmente não pode me ajudar?
“Infelizmente querida, não sou material, por isso não posso tocar na matéria!”
Bufando irritada a garota pegou um cipo que caia preguiçosamente ao seu lado e com toda a força que possuía tentou puxar seu corpo para cima, mas parecia que sua força não venceria a da areia que lhe puxava para baixo. Com raiva a garota travou o maxilar e praguejava baixinho, até que sentiu parte de sua perna se soltar, o problema agora era que sua força era pouca e não sabia o quanto conseguiria se sustentar. Respirou fundo e se puxou novamente, agora só faltava soltar seus pés, o que não deveria ser difícil. Somente uma fina camada de areia a impedia, mas seus braços já tremiam e suas mãos doíam, lagrimas começavam a se formar em seus olhos, bufou irritada e com mais um solavanco seus pés penderam no ar, usando seu peso ela começou a balançar o cipó e se jogou ao lado do fantasma, rolando e se chocando contra o tronco de uma arvore.
“Você está bem criança?”
Irritada Anny o lançou um olhar mortal, que o mataria se já não houvesse morrido.
–Oh, claro que estou, só esfolei minhas mãos, torci meu pulso direito, comi um pouco de terra e provavelmente causei uma contusão nas minhas costas, mas fora isso, estou maravilhosamente bem!
O fantasma sorriu descaradamente.
“Que bom, porque devemos continuar, logo chegaremos a saída!”
Furiosa a garota se colocou em pé e observou o estrago em suas roupas.
–Maravilha, não vejo a hora de sair desse fim de mundo!
O fantasma riu e balançou a cabeça de forma negativa.
“Crianças... E então, você já escolheu seu nome?”
–Como?
“Anny Rosalina Del'Voi não existe mais, então você precisa de um novo nome!”
–Você esta certo, preciso de um novo nome, um que não tenha nada haver com minha antiga vida, um nome antigo, um nome que minha mãe me daria!
“Alguma ideia?”
Anny olhou para as copas e fechou os olhos, se concentrando no som que o vento trazia consigo, uma leve brisa passou por si, mexendo em seus cabelos e carregando o cheiro do oceano. Ela respirou fundo, sentia-se revigorada, o som das ondas batendo na encosta e uma musica baixa, quase mistica chegava a seus ouvidos como um chamado, ao abrir os olhos um sorriso se formou em seus lábios.
–Salácia!
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