Em Busca do Passado
3 Capitulo 3
“Então Salácia, melhor voltarmos logo, afinal já ira anoitecer e não quero ser seu guia na escuridão!”
–Pra que a pressa?
“Ao anoitecer certas criaturas ficam mais ferozes e eu não posso te proteger, por isso é melhor tira-la daqui antes!”
Sem questionar mais Salácia apertou o passo, junto de seu guia fantasmagórico, os poucos minutos que caminharam foram suficientes para que a mata fechada fosse se abrindo aos poucos e a luz do sol entrar por um enorme entrada, sem perceber a garota abriu um sorriso aliviado, ela não sabia quanto tempo exatamente esteve por ali, mas sabia que fora o suficiente para nunca mais desejar entrar.
Ao sentir os raios solares em sua pele Salácia girou feliz, e ao se virar para a floresta viu seu guia com um sorriso nos lábios.
–Obrigado pela ajuda caro fantasma!
“Prefiro alma perdida, criança, mas não há de que, só não volte mais a se aventurar por aqui!”
–Só voltarei se for um caso de extrema importância, e mesmo assim pensarei algumas vezes antes, por tanto não se preocupe!
O fantasma sorriu, enquanto que aos poucos ia desaparecendo. Salácia deu as costas a floresta e deu um longo e forte assobio, para logo enxergar ao longe um cavalo de grande porte vir em sua direção e nos poucos minutos que ele não chegava deu uma olhada em si e arregalou os olhos, sua roupa estava destruída e com um suspiro ela levantou os olhos para o cavalo que estava a sua frente com sua mochila, tirou dela um vestido vermelho vinho, com um corpete negro, rapidamente a garota se trocou e prendeu seu cabelo em um rabo alto, com uma capa negra ela se cobriu. Com extrema delicadeza ela montou em sua égua e cavalgou de volta a praia, onde seus mais novos companheiros lhe esperavam, o sol ia se pondo no horizonte quando ela finalmente pode ver a praia e seus raios sumiam no horizonte quando pode ouvir a cantoria dos homens bêbados.
Salácia pulou da égua e caminhou lentamente em direção a cantoria, só parou um instante para olhar sua égua e se despedir, tirou dela a cela e deu palmadinhas em seu lombo.
–Está livre garota, mas tenho certeza que nos encontraremos novamente!
A égua relinchou e correu de volta para a floresta, com o relincho da égua a cantoria se extinguiu e todos os olhares se dirigiram a ela.
–Quem ousa atrapalhar a farra de meus homens?
Salácia sorriu presunçosa e voltou a caminhar em direção aos homens.
–A pessoa por quem esperavam...Eu!
Os homens se espantaram por ver a garota ali, antes do esperado, por sua vez o homem da cicatriz deu um meio sorriso.
–Conseguiu o que foi combinado?
Tirando de uma dobra bem feita do vestido a garota retirou a pedra lilas e a jogou para o homem.
–Agora faço parte de seus tripulantes, capitão?
Salácia não sorria, sua expressão era seria.
–Eu deveria lhe devolver ao seu pai, princesa, você em meu navio só iria atrapalhar!
–E no que eu atrapalharia?
–Mulheres em navios só servem como distração aos meus homens!
–Para isso você pode muito bem parar na Baía Consales, seus homens encontrariam mulheres melhores do que eu e com certeza mais fáceis de se levar para cama!
–Você também seria fácil de se levar!
–Não se engane capitão, sou boa com a espada e seus homens não seriam loucos de encostar em mim enquanto portar uma!
–Então você não é tão donzela quanto aparenta?
–Não se julga um livro pela capa meu caro capitão, eu posso aparentar ser uma donzela, uma princesa, mas não sou tao fraca como uma de verdade!
–Então qual seu nome princesa?
–Salácia!
Todos os homens que haviam voltado a suas devidas conversas se calaram em um silencio mórbido.
–Como?
A garota suspirou.
–Meu nome, pelo menos agora, é Salácia!
–Porque escolheu esse nome?
–Porque eu acho que seria o que minha mãe colocaria em mim!
–Porque acha isso?
–Porque foi o nome que o oceano me trouxe!
–Você conhece a origem desse nome?
–Origem?
O homem suspirou e indicou um local para a garota se sentar, com um suspiro ela acatou a ordem não dita do homem.
–Salácia é uma nereide, filha da ninfa Dóris com o deus Nereu, ela foi prometida por seus pais ao deus Poseidon, mas não querendo se casar se escondeu no mais profundo do oceano um local conhecido apenas por sua mãe, mas acabou cedendo as investidas de Poseidon e assim se tornou rainha dos mares!
–Isso é só uma estória!
–Mas dizem que de tempos em tempos, para saírem do marasmo os dois assumem ou renascem como humanos, para que possam se encontrar e voltar a ficarem juntos novamente, por isso normalmente as pessoas evitam que seus filhos se chamem como os deuses e evitem que tragedias lhe aflijam!
–Sinto muito capitão, mas não acredito em nada disso e creio que é melhor o senhor também não acreditar em velhas estórias!
–Toda estória tem um fundo de verdade!
–Creio que o dessa deveria ser o amor, não o renascimento de deuses!
O homem suspirou, viu que não conseguiria convencer a garota e sem escolha se deu por vencido.
–Está certo, então Salácia, seja bem vinda a bordo do Bloody Baron!
–Obrigado capitão, mas senhor, qual seria seu nome?
–Sou Kallel!
–Então quando partimos capitão Kallel?
–Assim que os sol nascer!
Salácia suspirou e se virou para os outros tripulantes.
–Porque não voltam a sua antiga cantoria embriagada e desafinada, estava mais divertido na hora em que eu cheguei!
Os homens levantaram suas canecas e voltaram para suas diversões, a garota apenas suspirou e recostou-se na pedra em que sentava e começou a mexer na areia, seu olhar se perdeu no oceano e em como as ondas se quebravam perto da praia, nem percebeu quando seus olhos começaram se fechar e o sono a lhe dominar.
A claridade incomodava seus olhos, lhe obrigando a acordar, nada feliz ela abriu os olhos e viu vários homens esparramados por todos os cantos, canecas caídas e muitos homens de bocas abertas babando, a cena seria cômica se o som de cascos não houvesse atraído sua atenção e a lembrança dos homens de seu pai saindo para vasculhar a área para achar os piratas voltou a mente. Em um pulo ela se pôs em pé e se virou, deu de cara com um Kallel adormecido encostado a uma pedra, sem perder tempo a garota se pôs a balançá-lo.
–Vamos, Kallel, seu desgraçado, acorda!
–É capitão para você!
–Pouco me importa, se é capitão, bucaneiro, ou seja la mais o que, só quero que você acorde e coloque todos os seus malditos tripulantes a bordo!
–Porque?
–Guardas reais!
Em um pulo o homem se levantou gritando ordens, os homens não tiveram tempo de mais nada além de voltar para o navio e o colocar para navegar. Enquanto se afastavam da encosta Salácia viu homens em armaduras chegarem no acampamento dos tripulantes do Bloody Baron e suspirou aliviada por não estarem lá.
–Você foi rápida com o aviso Salácia!
A garota riu e se virou para um homem loiro de olhos verdes e pele bronzeada, seus torso estava a ser exibido e uma cicatriz lhe cobria a barriga.
–Minha liberdade estava em jogo, não iria arrisca-la!
–Sou John!
–Muito prazer John, creio que minha apresentação seja dispensável, não?
–Sim, todos ouvimos seu nome ontem!
–Que bom, me poupa saliva!
Os olhos da garota abandonaram o rapaz e se puseram no oceano a sua frente, se encantou com a beleza da imensidão azul e esqueceu-se do homem ao seu lado.
–É lindo não?
A garota sorriu, fechou os olhos e sentiu o cheiro do oceano.
–Lindo!
O sorriso que ela exibia era tão tranquilo, que não lembrava ao homem a garota que havia visto na praia na noite anterior.
–John volte para dentro e ajude o Andros na cozinha!
–Sim capitão!
–E Salácia, largue de vadiagem e ajude a limpar o convés!
–Já estou indo Kallel!
–É capitão!
A garota se virou para o homem que estava no timão e sorriu matreira, porem não respondeu ao homem, apenas pegou um esfregão e começou a sua tarefa, ao termina-la viu alguns homens duelando e foi assistir, se sentou em um enorme barril e olhou a luta de um homem de cabelos brancos, olhos negros, e porte atlético, apesar de algumas rugas em seu rosto denunciarem já ser um homem de idade, o outro oponente era um homem magricelo, de cabelos ruivos cumpridos e olhos castanhos, ainda não possuía cicatrizes e pouca experiencia com uma espada, o que indicava que não havia muito tempo que havia se juntado a tripulação. A garota se aproximou do ouvido de um homem ao seu lado, ele possuía a pele morena, cabelos e olhos negros e feição pouco amigável.
–Quem são eles?
–O de idade é Juan e o ruivo é Lucian!
–Faz pouco tempo que o Lucian se juntou?
–Duas semanas!
Se afastando um pouco Salácia suspirou.
–Certo!
–Você também terá que lutar com algum pirata hoje!
–Vou?
O homem se virou para ela e sorriu.
–Todos os novos tripulantes passam por isso, para que saibamos se não sera só um inútil em nosso navio!
–Tem alguma ideia de quem irei enfrentar?
–O capitão ainda não escolheu, parece estar se decidindo ainda!
–Obrigado grandão!
O homem riu gravemente com o apelido dado pela garota.
–Sou Gregory!
A menina riu jovialmente, atraindo um pouco a atenção de quem estava a sua volta.
–Sou Salácia a única mulher da tripulação do Bloody Baron!
–Deveria tomar cuidado Salácia, homens tendem a ficar perigosos quando estão em abstinência!
A garota sorriu de canto e ergueu uma sobrancelha.
–Também sei ficar perigosa quando provocada, grandão!
–Então esta certo, pequena!
A atenção da garota se voltou para a luta que chegava ao seu fim, com o senhor com nenhum fio de cabelo bagunçado ou uma única gota de suor aparecendo, enquanto o jovem se encontrava de joelhos, com pequenos cortes superficiais, o cabelo todo bagunçado e escorrendo suor.
–Foi uma boa luta Lucian, agora vá cuidar dos ferimentos e descansar, amanha Juan começara com seu treinamento!
–Sim, capitão!
O homem se levantou e se encaminhou para dentro da cabine, indo para o fundo do navio.
–Salácia, venha, você é a próxima!
Salácia pulou do barril e se encaminhou tranquilamente para perto do homem.
–Quem irei enfrentar Kallel?
–É capitão!
–Tanto faz, quem é o meu oponente!
–Galadriel!
Um homem alto, vestindo uma camisa de linho branca, um brinco na orelha esquerda, com uma terrível tatuagem de algum monstro marinho na cara, de olhos azuis claros e cabelos loiros se aproximou, sua pele era levemente bronzeada e suas feições eram serias.
–Senhor!
–Você já sabe o que deve fazer Galadriel!
–Sim senhor!
Sem prestar atenção, Salácia começou a prender seu cabelo em um coque alto e suspirou ao termino desta tarefa.
–Prazer Galadriel!
–Não ira dizer isso daqui a pouco!
–Você ainda não é meu pior pesadelo, garanto!
Galadriel desembainhou sua jian, uma espada de dois gumes, e começou a gira-la em torno da mão. Salácia apenas revirou os olhos e desembainhou sua rapieira, feita sobre medida para si por ordem de seu mestre.
–Não pegue leve com ela, Galadriel!
–Pode deixar senhor!
Kallel se virou e ia saindo, quando ouviu Salácia lhe chamando.
–Kallel!
–O que foi?
–Não vai me dar nenhuma instrução?
O homem sorriu diabolicamente.
–Faça seu melhor e tente não ser acertada na face, iria estragar um rosto tão fofo!
Salácia copiou o sorriso do capitão.
–Irei fazer meu melhor sim, pode deixar, não sairei daqui com um único arranhão!
Kallel deu as costas para a garota e acenou-lhe.
–Boa sorte então!
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