Notas iniciais
Olha só quem voltou do mundo dos mortos kkkkk Desculpa pela demora meus amores, mas é que eu realmente nao tinha inspiração para escrever, sinto muito mesmo... Espero que gostem do capitulo...

A escuridão a cercava, até que sua visão se acostumou e ela pode distinguir silhuetas a sua volta, eles formavam um circulo e no centro deste um pequeno corpo brincava com uma boneca no meio ignorando todos os que estavam a sua volta, mas escutava tudo o que diziam.

“Ela não deveria existir!”

“Um monstro com sangue real? Isso só pode ser piada!”

“É uma mancha no sangue real!”

“Uma desonra para o nosso reino!”

Lentamente a criança levantou os olhos da boneca e encarou as pessoas a sua volta, fazendo com que os sussurros terminassem e o silencio predominasse, os olhos da garota eram de um azul esverdeado claro, lembravam-lhe vagamente uma agua marinha, mas eles estavam opacos, frios, não havia nem raiva e muito menos ódio, porem eles também não demonstravam nenhum sentimento de carinho para com as pessoas que ali se encontravam, em seu interior ela só se perguntava porque a mãe lhe abandonara naquele ninho de víboras e mais do que nunca ela desejou que sua mãe voltasse e lhe retirasse daquele lugar.

Anny acordou assustada, de seu rosto escorria suor e de seus olhos lagrimas, aquilo não fora meramente um sonho, era uma lembrança de seu primeiro dia naquele lugar, uma risada irônica escapou de seus lábios, aquele lugar nunca poderia ser chamado de lar, era uma prisão de luxo onde seus carcereiros nada mais eram todos os hipócritas da realeza. Ela olhou para seu corpo só para constar que sua roupa grudava em sua pele e que ela necessitava de um banho.

Jogando a coberta de lado ela se levantou e rumou para o banheiro, seu corpo doía até os ossos, com um grunhido ela entrou de baixo do chuveiro com a agua fria, mas a dor continuava ali, mas já não era mais tão física.

Ao se vestir ela ainda pensava em seu sonho, aquela memoria ela havia apagado, ou pensou ter apagado, há muito tempo. Anny ainda remoía aquilo, fora seu primeiro dia no palácio, o aniversario de sua irmã, e lá estava ela, em meio de um bando de hipócritas, ouvindo todas as reclamações e por dentro não entendia metade daquilo.

Sem secar seu cabelo direito ela saiu do banheiro, passou pela sala, pela cozinha e se encaminhou para o quintal dos fundos, de lá ela pegou uma trilha que a levou até uma velha gruta que tinha saída para o oceano. Seus olhos não possuíam brilho algum quando se senta em frente à saída da gruta e ficara a olhar o oceano, suas mãos foram até o a pedra que carregava, o ultimo presente que sua mãe lhe dera, uma corrente com um pendante de uma agua marinha em forma de gota. Anny retirou o colar e olhou para a pedra de forma melancólica.

– Porque todos fazem isso? Porque todos querem me controlar? Porque todos me traem? Isso não é justo, até a senhora me fez isso, você traiu, deu minha mão em casamente para um idiota e simplesmente sumiu? Acho que eu não quero mais lhe achar, acho que irei fazer como à senhora e simplesmente sumir!

Anny segurou firme a pedra entre seus dedos, lagrimas escorriam de seus olhos enquanto fazia menção de jogar aquele colar nas ondas do oceano a sua frente, porem uma mão parara seu punho em meio ao ar e ela olhou assustada para a pessoa.

– O que você pensa que esta fazendo?

– Te impedindo de cometer uma loucura e se arrepender quando for tarde demais!

– E quem disse que eu iria me arrepender de jogar essa coisa no mar?

– Eu e sua consciência, afinal esse pendante fora o ultimo presente que sua mãe lhe dera antes de desaparecer!

– Eu não irei me arrepender Ka-Be... Afinal como infernos eu devo lhe chamar?

– Meu amor, ou minha vida, ou coisa mais linda que eu tenho na vida, mas como você não diria isso nem sob decreto então pode me chamar de Kallel, afinal é assim como todos me conhecem e chamam hoje!

– Então, Kallel, eu não vou me arrepender, essa é a ultima coisa que me liga a uma mulher que simplesmente me abandonou!

– Não jogue suas magoas em um objeto que a pessoa que mais te ama lhe deu, ela deve ter tido seus motivos para te deixar no palácio!

– Sim, que foi seguir com sua própria vida enquanto deixava o erro do passado com o homem que lhe ajudou a comete-lo!

– Você não é um erro Anny!

– Sim, é isso que eu sou, um maldito de um erro, uma criança que nunca deveria ter existido, uma mancha no sangue!

Kallel sentou-se atrás da garota e passara seus braços entorno dos ombros dela.

– Você não é um erro, não é uma mancha no sangue real e jamais diga que você não deveria ter existido!

Anny segurou os braços do rapaz, mas não os retirou do seu entorno, apenas segurou-lhe firme e recomeçou a chorar.

– Mas é isso o que todos acham!

– Eu não acho isso Anny, nunca achei, e muitos menos sua mãe e seu pai e o resto é resto!

– Kallel...

Anny se agarrou mais aos braços do rapaz enquanto suas lagrimas caiam com muito mais intensidade.

– Shii... Está tudo bem, você vai encontra-la, só você pode!

Os dois ficaram naquela posição por um bom tempo até que Kallel notou que o tempo se fechava, nuvens escuras de chuva cobriam o céu e relâmpagos os cortavam.

– Melhor voltarmos, logo ira cair uma tempestade!

Ao olhar para o rosto da garota vira que ela dormia tranquilamente em meio aos seus baços, ele então a soltara para logo passar seu braço por baixo dos joelhos de e o outro deu apoio às costas da garota a pegando no colo, lentamente ele voltara para a cabana. Mal haviam entrado e a chuva começara cair de forma intensa, ele subira as escadas e a pusera em sua cama, deixando que ela descansasse ali e por fim fora ver a chuva cair pela janela.

A chuva não dava trégua e a menina estava perdida em meio aos seus sonhos, enquanto ele via a chuva cair, perdido em meio as lembranças da época em que fora mais feliz, quando havia sentido o gosto da felicidade.

O quarto estava completamente escuro, raramente era iluminado pela luz que um ou outro raio produzia e finalmente a garota despertara de seu sono, assustada, estava novamente sozinha e lagrimas começaram a se formar em seus olhos.

– Vai ser sempre assim?

Um raio cortou o céu e ela pode ver uma silhueta se erguer em frente à janela, um grito lhe subiu pela garganta, porem morrera em seus lábios, se fosse morrer preferiria fingir que ao menos não temia sua morte.

– O que vai ser sempre assim?

Um suspiro aliviado escapou pelos lábios da garota e lá estava ela novamente a chorar, mas desta vez seus soluços eram audíveis e faziam que seu pequeno corpo tremesse. Com um suspiro cansado Kallel sentou-se ao lado dela e a puxou para os seus braços.

– O que esta acontecendo Anny?

Ela se agarrou a ele igual a um naufrago faz a um bote salva vidas.

– Não quero ficar sozinha, não quero que me abandonem novamente!

Kallel olhou para o teto e acariciou os cabelos dela.

– Você não esta sozinha e ninguém ira lhe abandonar!

Kallel pensara que aquelas palavras acalmaria ela, porem as lagrimas não cessaram, ele parara de acariciar os cabelos dela, para segurar-lhe a mão que agarrava sua blusa.

– Não se preocupe, eu estou aqui, não vou embora, não vou te deixar!

Por um instante ele pensou ter dito a coisa certa, pois a garota havia parado de chorar, porem ela apenas se afastou bruscamente e levantou-se.

– Não, você esta aqui só agora, não vai ficar, vai me deixar novamente, eu não quero isso, já me basta perder pessoas, não quero falsas promessas, eu... eu... eu preciso ficar sozinha!

Anny abraçava a si mesma e saiu em disparada pela chuva, a agua gelada ao entrar em contato com seu pele quente causava-lhe arrepios dolorosos, as lagrimas embaçavam seus olhos e ela já não sabia para onde ia.

Suas pernas estavam machucadas devido a galhos das arvores que lhe arranhavam as pernas, suas forças aos poucos começava a falhar, as lagrimas desciam groças por sua face e se misturavam a agua da chuva, foi quando tudo sumiu e ela sentiu-se em queda livre, seu estomago gelou, a adrenalina subiu e ela pode sentir o choque de seu corpo com a agua, sendo isso a ultima coisa que lembraria. Lentamente ela afundava nas aguas escuras até que seu corpo bateu no fundo e a consciência por fim lhe abandonara.

Horas haviam passado e Anny ainda não retornado, Kallel andava de um lado ao outro na sala, enquanto que Gregory apenas olhava para a lareira acesa, mas seus olhos se voltaram para a porta, mas quem esperavam entrar não estava ali, apenas um loiro completamente encharcado.

– Ela ainda não voltou?

– Não!

– O que infernos você fez com ela Kallel?

– Eu não fiz nada!

– Ela não sairia de baixo de uma tempestade por nada!

– Ela estava assustada com algo!

– E você disse algo que piorou a situação?

Kallel olhou para um canto qualquer da sala.

– Provavelmente!

Nathan jogou os braços para cima e se voltou para a porta.

– O que infernos essa garota tem na cabeça?

Gregory pela primeira vez resolveu se pronunciar.

–Muitas coisas, provavelmente!

– Como o que Greg?

Gregory despregou seus olhos das chamas e olhou para os homens presentes na sala.

– Vocês nunca foram abandonados, não sabem o que se passa na cabeça de uma pessoa que já passou por isso!

O loiro e o moreno fecharam suas mãos em punhos e fecharam a expressão.

– Vocês dois sabem como é abandonar uma pessoas, mas não sabe o que a pessoa abandonada passa ou pensa! Eu vou ir cozinhar alguma coisa quente para a pequena e vocês dois passem um pente fino na área ela pode estar com problemas e nós não fazemos ideia!

– Mas olha a chuva...

– Vocês não são feitos de açúcar para derreter com uma pequena chuvinha e outra você já ensopado Nathan, então pare de reclamar e vá atrás da pequena!

O homem gritou na ultima parte e o loiro saiu em disparada pela porta e Kallel seguiu tranquilamente pelo menos trajeto do loiro, mas logo seguira uma trilha diferente.

Tudo a sua volta era somente escuridão, suas roupas e seu cabelo flutuavam em meio a agua negra, com um impulso ela seguiu para a superfície. As gotas de chuva batiam com força na agua e a forçou a procurar um lugar para se abrigar.

Uma caverna nas margens do rio, escondida pela escuridão se fez presente quando um raio cortou o céu e a garota aproveitou a rara oportunidade de claridade e nadou até a entrada da caverna.

A cada passo seu corpo pesava mais, o cansaço físico e mental lhe dominava até que por fim seus joelhos cederam e ela se deixou dominar pela escuridão.

Kallel corria pela mata até que chegara a beira do penhasco e abaixo de si um rio corria tranquilamente, preocupado ele passava a mão por seus cabelos.

– Onde infernos essa garota foi se enfiar?

Esta se virando para procurar por outro caminho, mas um estranho brilho na beira do penhasco chamara sua atenção e ao pega-lo pode constatar que era a corrente que Anny ganhara da mãe. Sem poder fazer nada naquela escuridão e com a correnteza do rio que aumentava devido a chuva ele voltara correndo para a choupana.

– Eu a encontrei!

Kallel entrara com violência, a agua escorria por seu corpo e a raiva lhe subiu a cabeça ao ver Nathan totalmente seco, enxugando os cabelos.

– O sério? Onde ela esta? Porque não a trouxe com você?

– Porque você esta seco?

– Porque eu acabei de sair do banho?

– E porque você tomou um banho?

– Talvez porque eu não queira pegar um resfriado?

– Porque infernos você esta aqui, enxuto, de banho tomado e não lá fora procurando sua amiga de infância?

– Com essa chuva nunca que a encontraria, então resolvi voltar e esperar!

Kallel só faltava pular no pescoço do loiro, mas iria se segurar, pois em parte ele sabia que o outro tinha razão.

Lentamente sua consciência voltava, seus olhos se abriram e ela fitava um teto cheio e estalactites, o som do pingar de gotas de agua preenchia a caverna e por algum motivo a irritava profundamente. Sentindo o ar gélido a sua volta ela se encolheu perto de uma parede e ficou encarando o nada e as memorias iam surgindo.

“Era um dia normal de viajem, não sabia para onde ia, ela olhava para a mulher que andava ao seu lado segurando as rédeas de um enorme cavalo malhado. A mulher possuía longas madeixas loiras platinadas, olhos turquesa, corpo esguio cheio de curvas, uma beleza exótica que a menininha ao seu lado invejava.

– Para onde vamos mama?

– Para um lugar onde você esteja em segurança!

A sua frente um vilarejo aparecia e um enorme palácio se erguia, mas para onde quer que olhasse não se podia ver o oceano.

– Vamos ficar longe do mar?

Os olhos da menininha brilhavam de tristeza e a mulher suspirou tristemente.

– Infelizmente para sua segurança não vai poder mais ficar perto do oceano!

– Mas mãe...

– Me perdoe querida, mas vai ser melhor assim!

Ela desistira facilmente, mas não esqueceria jamais do seu lar. Elas passaram pelo vilarejo e pararam em frente ao palácio onde um homem que utilizava roupas magnificas e uma coroa lhe esperava. A pequena olhou para a mãe e viu um brilho diferente em seu olhar, mesclado com um pouco de tristeza que ela tentava a todo custo esconder.

–Obrigada por poder ficar com ela Henry!

– Ela também é minha filha Lorel!

A mulher olhou para baixo e suspirou.

– Eu sei!

A pequena olhou da mãe para aquele homem que se dizia seu pai e por algum motivo não gostara daquilo. Henry sorrira para a pequena e se abaixara lhe abrindo os braços para receber um abraço que ela não lhe daria.

– Seja bem vinda querida, esse será seu novo lar!

A ruivinha encarou a mãe, que desta vez se abaixara na altura da filha.

– Desculpa querida, mas você terá de viver aqui com o seu pai por algum tempo!

– Mas e a senhora?

– Irei para algum lugar para lhe deixar protegida!

– Mas mama...

– Me perdoe querida!

A mulher se levantou, lançou um ultimo olhar para o homem, montara em seu cavalo e partira, a pequena fizera menção de correr atrás da mulher, porem o homem lhe impedira segurando-a pelos ombros.

– MAMA!

As lagrimas escorriam pelos olhos da garota enquanto a imagem de sua mãe lhe deixando permanecia em sua mente, mas logo outra memoria vinha a tona, a mesma de seu pesadelo.

Chegara bem no dia do aniversario de três anos de sua irmã, usava um vestidinho simples verde agua, que destacava seus cabelos rubros e olhos azuis esverdeados. Brincava em um canto com sua velha boneca de pano, companheira de todas as horas, enquanto podia sentir todos os olhares e ouvir todos os murmúrios sobre sua pessoa.

Ao longe ela podia ver seu pai dançando feliz com a rainha, no meio de muitas crianças estava uma garota loirinha, que parecia ser feita de porcelana, com um suspiro triste ela se levantou e ia caminhando para fora do salão, mas fora barrada por um soldado.

– Onde pensa que vai senhorita?

Os olhos vítreos da garota se voltou para os castanhos do homem e ele pode vislumbrar um olhar sem presença de sentimentos.

– Para o meu aposento!

– A festa ainda esta só no começo!

– E eu já estou farta dela, posso sair agora ou terei que continuar respondendo suas perguntas!

– Va se divertir com as outras crianças!

O homem parecia irredutível e a menina já perdia sua paciência e acabou por chutar-lhe a canela e correr de volta para o seu quarto.

Suor escoria por sua face junto de suas lagrimas, cada vez mais ela se aprofundava em suas memorias mais desagradáveis, cada vez se perdia mais em seu passado doloroso eu quanto mais profundo mergulhava mais improvável seria seu resgate.

Os três se encontravam a beira do penhasco, observando a corredeira que passava por ali.

– Será que ela foi levada pela correnteza?

– Ela é uma ótima nadadora creio q conseguiria nadar até a margem!

Kallel encarou os dois e suspirou.

– Vocês descem o penhasco, eu vou ver onde ela foi parar!

Os dois encararam o moreno, abismados.

– Como você vai fazer isso?

Kallel deu um sorriso de canto com cara de quem iria aprontar e passou o pendante da garota por seu pescoço.

– Seguindo seus passos!

– Kallel você não vai...

Sem ouvir o resto da frase de seu amigo ele pulou.

– Pular!

Nathan viu quando ele atingiu a agua.

– Seu capitão é louco, essa queda poderia matar alguém!

Gregory suspirou.

– Se fosse a mulher que você amou a vida inteira creio que faria o mesmo!

Dando as costas para o loiro ele foi em busca de uma forma de descer.