Notas iniciais
Eu sei... Eu sei...Estou demorando demais para postar novos capitulos, mas é que a criatividade nao anda das melhores, mas espero que este capitulo esteja do agrado de vocês e por favor comentem, se nao voces desmotivam essa pobre autora carente de comentarios XD

A agua estava gelada, suas roupas pareciam pesar uma tonelada, mas sua determinação era grande, Kallel nadava contra a correnteza em busca de alguma pista da garota. Foi quando avistou uma caverna e contra todas as recusas de seus músculos, ele nadou para a margem da caverna. A agua escorria por sua roupa e caia de encontro com o chão de pedra, seu cabelo lhe grudava na pele, Kallel estava quase congelando de frio, mas foi ai que viu a garota encostada à parede e completamente desacordada, sangue escorria por um lado da cabeça, seus lábios estavam roxos e havia sombras abaixo de seus olhos.

Com estremo cuidado ele a pegou no colo, ela parecia uma boneca, ignorando todas as riquezas que lhe cercava, sendo que algo em seu interior lhe dizia que aquele lugar não era bom, tinha algo de errado, não era possível uma mera caverna possuir tantas moedas de prata e ouro, assim como joias e pedras preciosas com tanta abundancia e ninguém nunca ter reivindicado tudo aquilo.

Ele caminhava com estremo cuidado pela borda e inconscientemente procurava calor no corpo gelado da garota em seus braços.

– Kallel...

O homem levantou o roso e viu um pontinho escuro acima do penhasco.

– Gregory?

– Mais a frente há uma escada esculpida na parede do penhasco, acho que você consegue subir por ali!

– E porque você não desceu?

Uma alta gargalhada ressoou a volta de Kallel.

– Quis evitar a fadiga!

Kallel bufou irritado e seguiu o caminho que seu subordinado lhe indicou e logo mais a frente pode ver a escada que ele havia mencionado porem a subida seria íngreme e as pedras estavam desgastadas e escorregadias, qualquer erro ele e a garota iriam parar novamente dentro da agua.

Novamente amanhecia e finalmente a ruiva abria seus olhos, que agora já não eram mais verde escuro, agora eram azuis esverdeados, seu corpo estava pesado, mas seu peito já não doía. Presenciar novamente tudo que um dia a feriu pareceu levar consigo toda a dor que causava, se sentia aquecida e totalmente confortável, assustada ela se pôs sentada e pode ver que estava de volta ao seu quarto, rodeada por camadas de cobertas, seu cabelo caia como cascatas de lava a sua volta, não se lembrava de seu cabelo estar tão comprido.

“O que infernos aconteceu comigo?”

A porta do quarto fora aberta e um homem enorme entrou usando um avental e trazendo consigo uma bandeja com algo fumegante.

– Finalmente acordou Salácia, já estávamos ficando preocupados!

Anny piscou os olhos para logo identificar o homem a sua frente como Gregory, um dos tripulantes do Blood Baron, aquele avental estava ridículo naquele homenzarrão.

– Greg você sabe que está ridículo nisso, não é?

O homem fingiu uma cara de magoado.

– Eu aqui, preocupado com você, lhe preparou uma deliciosa sopa e a mal agradecida me diz que estou ridículo? — No final da frase ele não evitou e acabou rindo. — Sim eu sei que estou ridículo, querida, Kallel e Nathan não perderam a oportunidade e já me ridiculizaram o suficiente!

A garota riu junto ao grandão que pusera a bandeja a sua frente.

– Obrigada, Greg, eu estava precisando de algo quente mesmo!

O homem lhe sorriu gentilmente e se levantou.

– Deixarei que você coma em paz e vou dar um jeito naqueles dois imbecis!

Anny já tinha a colher em meio do caminho quando sorriu e murmurou.

– Boa sorte!

– Obrigado, porque vou precisar de muita!

Anny sorriu e começou a comer.

Greg descia a escada enquanto podia ouvir os murmúrios irritadiços dos homens logo abaixo.

– Se aumentarem o tom de voz a garota poderá ouvi-los e eu não vou ficar nada feliz se ela ficar nervosa!

As vozes se calaram e os olhos se voltaram para o homem que descia a escada.

– Ela acordou?

– Como ela esta?

Gregory suspirou.

– Sim ela já esta acordada e aparentemente esta bem!

– Aparentemente?

– Ainda não aprendi a ler sentimentos escondidos, Nathan, não tenho como saber como ela esta se sentindo!

– Eu vou ir vê-la!

Kallel ia passar ao lado do homem, porem este lhe impediu.

– Deixe-a sozinha!

– Mas...

– Ela passou por muita coisa, Kallel, é melhor deixa-la!

Kallel bufou irritado e se jogou em uma poltrona ao lado da lareira e Nathan se deitou calmamente no sofá.

Deixando a bandeja de lado Anny se levantou e ficou de frente para a janela do quarto, ela podia ver ao longe a calmaria do oceano, ela podia sentir o gosto do mar em sua boca e a caricia da agua em sua pele, a vontade de voltar para lá lhe parecia uma tortura. Sua respiração embaçou o vidro e a sua mão ao toca-lo pode sentir o frio lhe descer a espinha. O lado de fora ela pode ver uma bola de pelos enroscado no parapeito da sacada, parecia sentir muito frio, delicadamente Anny deslizou o vido da janela e se aproximou furtivamente da bolota, com cuidado ela o recolheu e o levou para dentro.

No banheiro ela encheu a banheira com agua quente fumegante, logo todo o local fora tomado pela fumaça, ela colocou a pequena bola de pelos em cima de um amontoado de roupas sujas, se despiu e entrou na agua, seus músculos relaxavam e sua mente começou a vagar. Ela queria encontrar a mãe, porem não sabia para onde ela havia ido, não possuía pista alguma, queria saber do porque fora abandonada. Seus pensamentos vagavam pelas formas mais absurdas de como se encontrar a mãe, porem nenhuma parecia suficientemente razoável para a tarefa. Seus olhos iam pensando e sua consciência aos poucos se perdia.

“Procure a garota com os olhos do dragão”

Salácia sentou-se abruptamente na banheira totalmente desperta, mas a voz que invadira sua mente desaparecera da mesma forma em que aparecera. Lentamente ela se levantou, seu cabelo lhe cobria boa parte de seu corpo, e a agua lhe escorria pela pele, por fim ela enrolou-se em uma toalha e pegou o pequeno ser e com delicadeza o colocara na banheira. Sentindo-se molhado o bichinho se desenrolou e mergulhou na agua quente, para logo submergir limpo, com seus pelos negros reluzentes, e ela finalmente pode distinguir um pequeno par de asas nas costas dele, seu corpo lhe lembrava a uma pantera em miniatura, e seus olhos eram azuis escuros.

– Eu me lembro de você!

Os olhos do pequeno animal brilharam, então ele pulou para fora da banheira e sacudiu-se, secando-se com o ato. Rindo do ato do animal ela secou-se e colocou um velho blusão.

Ela descia a escada desconfiada, o silencio presente na casa não parecia ser normal, mas ao chegar ao final desta ela pode constatar que não estava sozinha, Kallel esta ali, sentado em frente a lareira, delicadamente ela se pôs ao seu lado.

– Como esta se sentindo?

– Um pouco cansada e dolorida, mas bem!

– Então não deveria ter saído da cama!

Anny deu um meio sorriso e apoiou seu rosto de lado em sua mão, o encarando.

– Eu estou bem Kallel, não precisa ficar tão preocupado!

Finalmente o homem a encarou e suspirou.

– Não tem como eu não me preocupar com você!

Anny voltou seu olhar para as chamas que crepitavam na lareira.

– Onde os outros estão?

– Nathan foi relatar ao rei de que você esta viva e bem e o Gregory foi passar para os marujos as coordenadas para atracar aqui perto, é mais seguro do que na baia onde os soldados do seu pai podem prendê-los!

Anny riu e se recostou no homem, ele por sua vez passou seu braço por sobre os ombros da garota e a aproximou mais.

– Ele realmente seria capaz disso!

Inconscientemente Kallel começou a esfregar o braço da garota.

– Você esta gelada!

Anny deitou sua cabeça no ombro dele e fechou os olhos.

– Você esta quentinho!

– Melhor te levar para o quarto!

– Eu quero ficar aqui mais um pouco!

Kallel segurou a mão que estava repousada em sua perna e acariciou junta por junta, a palma e o pulso da garota. O silencio entre os dois se estendia, mas não era algo particularmente desagradável, era calmante, agradável, ambos desfrutavam de suas presenças. Anny já estava quase adormecida, quando seu nariz raspou de leve no pescoço do homem ao seu lado, de seus lábios um suspiro calmo escapou.

– O que foi?

– Eu nunca havia percebido, mas você tem o cheiro do oceano!

–Eu estou fedendo?

Kallel parou a leve caricia que fazia no pulso e a encarou, um resmungo de desaprovação saiu dos lábios da menina e ela se aconchegou melhor nele.

– Não, é um cheiro agradável, acolhedor e calmante, algo como raios solares e maresia, faz com que eu me lembre do oceano e essa dor passe!

Anny havia aberto os olhos e encarava os olhos verdes intensos do homem a sua frente, que não lhe lembrava em nada o garotinho que vinha brincar com ela quando menor. Por sua vez, Kallel se perdia nos olhos azuis esverdeados da garota, que lhe lembravam dum oceano de aguas cristalinas, ela ainda era a mesma garota doce que havia conhecido em seu passado, apenas havia crescido e criado uma armadura para se proteger. Inconscientemente ele levou sua mão até o rosto da garota e acariciou lhe a bochecha. Anny fechou os olhos e aproveitou a caricia, a mão áspera, por causa de calos causados pelos trabalhos no navio, não a incomodava lhe dava apenas mais um prazer e um suspiro satisfeito escapou por seus lábios, ela se preparava para dizer algo quando ela sentiu seus lábios serem pressionados pelos os do garoto. Os pelos do seu corpo se arrepiaram quando sentiu a língua dele lhe pedindo passagem, cuja qual ela deu sem nem pestanejar. Ela se inclinou mais para ele, seus corpos agora estavam colados Kallel desceu seu braço para a cintura dela e sua mão fora para as madeixas rubras. Anny apenas o puxava pela camisa.

O beijo antes leve se tornava algo mais quente, como se ambos esperassem aquilo por muito tempo, a pressão dos corpos aumentava, a temperatura subia e lentamente Kallel a deitava no chão e ficava por cima dela, mas antes que as coisas fossem por outros caminhos e os dois se perdessem passos foram ouvidos assim como altas risadas, arfantes e queimando de desejo os dois se separaram.

– Eles chegaram!

–Sim!

Os dois se encaravam e sorriram cumplices antes de se separarem.

– Não é hora para isso Kallel!

Anny se levantou e se ia para a escada, mas olhou por cima do ombro e viu Kallel sorrindo maliciosamente.

– Foi você quem provocou!

A ruiva revirou os olhos e continuou a subir.

– Claro que foi!

A conversa na sala estava alta e Anny não conseguia pegar no sono, toda aquela calmaria que sentira junto de Kallel havia se perdido e ela só conseguia se lembrar da sensação de ter seus lábios grudados nos dele, a euforia a tomava, bufando enraivecida ela colocou uma camisa branca, um corset vinho com a costura em linha negra, uma calça escura e uma bota de cano longo, seus cabelos foram presos em um rabo alto e ela deixou seu mais novo companheiro adormecido em cima de um travesseiro para novamente se aventurar no andar térreo da casa.

A sala havia sido tomada por homens cheios de testosterona, no centro Kallel, Nathan, Greogry e Andros jogavam baralho, da cozinha um som horripilante vinha uma mistura de gemidos de dores e gritos eufóricos, com uma sobrancelha arqueada Anny se recostou no batente da porta e observou os homens, se um deles acendesse o que fosse, um cigarro ou um charuto a coisa ia ficar preta ali dentro.

Bufando irritada por estar sendo totalmente ignorada Anny se jogou nas costas do Greg e observou suas cartas.

– O que estão jogando?

– Canastra!

– Quais as duplas?

– Andros e Nathan, eu e Kallel?

Anny soltou uma risadinha, olhou para todos na mesma e evitou os olhos de Kallel.

– Vão perder e feio!

–Por quê?

–Porque o Nathan só rouba e o Andros, que eu já vi jogando, vive trapaceando, enquanto que você e o Kallel só jogam de forma justa!

– Como é que é?

Kallel a obrigou a olhar-lhe depois desta.

– Quando se joga cartas, muito mais do que encarar suas cartas você deveria prestar atenção aos jogadores, alguns deles são trapaceiros!

Anny se desencostou do Greg e caminhou para a porta da choupana.

O sol nascia no horizonte e enquanto o céu se tingia de azul a garota respirava fundo para logo soltar a voz, era como se sua voz atraísse o sol, como se ela estivesse fazendo com que ele nascesse.

Todos os homens presentes na casa foram ver a garota, logo se impressionaram com a imagem dela a beira do precipício, os braços abertos, o vento balançando seus cabelos e os raios solares os tornavam doces chamas, ninguém parecia estar se tornando um escravo da garota, apenas sentiam a melodia e a melancolia nela contida, ao fim do canto ela se virou para eles sorrindo docemente.

– Que tal zarparmos, o mar nos chama!