Notas iniciais
Oi pessoas o/ Eu tenho algo a dizer. Quem me acompanha a mais tempo já deve ter percebido que de vez em quando eu tomo chá de sumiço. Talvez tenham percebido também que isso piorou de um tempo pra cá. Eu tenho um motivo pra isso na verdade. Espero que vocês me entendam. A vida é imprevisível e às vezes ela resolve colocar problemas no nosso caminho que desestruturaram nosso estado de nervos. O que acontece é que no momento eu ando muito irritada e talvez um pouco depressiva. Quando eu estou assim eu costumo escrever muito, mas depois de perder aqueles capitulos do celular eu voltei ao velho papel e caneta. Eu divido meu computador com mais 3 pessoas e quando eu estou mexendo o que eu mais quero é me distrair, jogar meu lol... ver videos, animes, doramas... qualquer coisa que me distraia. Daí eu não escrevo. Admito que também há um pouco de procrastinação da minha parte as vezes, mas eu não vou desistir dessa história, mesmo que eu demore pra postar ok? Eu queria me explicar e aí está Bom leitura ^^

(...às vezes, escrever ajuda)

Isabella e Kali seguiram em silêncio o caminho até a casa da menina. Kali estava perdida em seus pensamentos, olhando para a água que escorria pelo vidro da janela do carro. O caminho não era tão longo, então chegaram rápido na casa. Isabella estacionou o carro e Kali desceu. Abriu a porta de trás para pegar sua mochila, mas Isabela a interrompeu dizendo que a levaria. Kali agradeceu, pegou a chave no bolso da mochila e entrou em casa seguida por Isabella.

A casa mais uma vez estava revirada como se um furacão tivesse passado por ali. Havia roupas pelo chão, copos e pratos sujos em cima dos móveis da sala e da cozinha, cascas de frutas espalhadas por todo lugar. A pia da cozinha estava cheia de louça suja. A jarra de suco estava tombada sobre a mesa e o líquido que saía dela pingava no chão. Kali não esboçou reação. Se limitou a subir as escadas e Isabella a seguiu em silêncio. No andar de cima mais bagunça: roupas espalhadas pelo corredor, água saía de um dos cômodos que estava com a porta fechada. Kali entrou no cômodo e fechou a torneira da pia. Provavelmente Victor havia tampado o ralo da pia e deixado a torneira aberta de propósito. Ela tirou a tampa, olhou para o chão, que estava alagado e percebeu que o ralo ao lado do vaso sanitário e o do boxe também estavam tampados. Abriu-os e saiu do banheiro. O cômodo no fim do corredor também estava revirado. Ignorou-o pegando uma chave em seu bolso e abrindo uma das portas. Pegou um pano de chão que estava ao lado da porta e colocou na entrada do quarto. Secou o pé e entrou.

Isabella observava a menina em silêncio. Estava impressionada com o estado em que a casa se encontrava. Mas Kali não expressava nenhuma reação de surpresa e agia mecanicamente, como se tudo ali estivesse em perfeito estado de normalidade. Ela já devia estar mais que acostumada. Isabella a seguiu entrando no quarto, o único cômodo arrumado que ela viu até aquele momento. Parecia outro mundo ali dentro.

— Pode deixar a mochila aí no chão. – Kali disse, abrindo a porta do guarda roupa – Eu vou trocar de roupa...

— Ah, tá bom. Eu te espero lá embaixo.

Isabella saiu do quarto, fechando a porta. Kali trocou de roupa o mais rápido que a dor em seu corpo permitia. Tinha muito trabalho para fazer. Saiu do quarto e desceu, começaria pela cozinha. Ela foi até a sala pegar as vasilhas que estavam ali espalhadas.

— Em que eu posso ajudar? – Isabella observava a menina, incomodada com a situação.

— Não precisa.

— Essas roupas vão para o cesto de roupa suja ou para a máquina de lavar?

— Não temos máquina de lavar – Kali disse indo para a cozinha e colocando a louça em cima da mesa, pois não havia espaço na pia.

— O que faz com as roupas então? – Isabella a seguiu já com algumas roupas na mão.

— Eu coloco no cesto de roupa e depois lavo no tanque atrás da casa.

— Você lava tudo na mão?

— Sim – Kali começou a lavar a louça, ignorando o chão molhado e sujo.

— Vou te ajudar com a roupa então.

Isabella recolheu a roupa espalhada pela casa colocando no cesto de roupa suja. Depois de pegar tudo nos dois andares foi para fora da casa.

Havia no fundo do quintal um tanque. Ao lado dele havia algo parecido com uma máquina de lavar. Observou a máquina percebendo que estava amassada, como se tivesse levado várias pancadas. Abriu a tampa e jogou as roupas ali. O tanque tinha dois lados: o direito com uma inclinação e o esquerdo apenas uma boca redonda. Procurou uma tampa para o ralo, mas não havia nada ali. Viu apenas uma fatia que parecia feita de chinelo e tinha o tamanho do ralo. Encaixou a "tampa" ali e abriu a torneira para confirmar se aquilo iria funcionar. Funcionou. Colocou água nos dois lados do tanque. Procurou sabão em pó, mas só achou um pedaço de sabão em barra. Viu também uma escova e uma garrafa PET com o que parecia ser amaciante.

Começou a tirar as roupas de dentro da máquina aos poucos, esfregando-as com a escova na parte inclinada do tanque e depois colocando na água do outro lado. Quando acabou, voltou a colocar as roupas na máquina liberando a água do tanque e voltando a abrir a torneira para encher de novo.

Isabella olhou para a água que caía e se distraiu lembrando de sua mãe. Lembrava-se de como ela se sentia cansada e com dores quando lavava as roupas da família e a felicidade dela quando seu pai finalmente pôde dar-lhe uma máquina de lavar. Sorriu, sentindo saudades ao lembrar disso.

Olhou em volta, observando o muro que circundava toda a propriedade, tornando aquele lugar mais sombrio e isolado do mundo exterior. Provavelmente era para isso que ele servia.

Fechou as torneiras, voltando atenção para as roupas. Começou a sentir seus braços e costas reclamarem pelo exercício ao qual seu corpo não estava acostumado. As roupas pareciam não terminar nunca. Tentou entender como Kali fazia todo aquele trabalho. Lembrou de sua reação de total indiferença quando entraram na casa. O quanto ela já teria sofrido para conseguir agir daquele jeito?

Finalmente terminou de lavar ar roupas, torcendo-as e pendurando-as num varal improvisado que atravessava o quintal. Não sabia quanto tempo havia demorado naquele serviço. Estimou umas duas horas. Voltou para dentro da casa e se surpreendeu, agora por tamanha limpeza. Parecia mágica! Como se nada do que viu mais cedo tivesse estado lá em algum momento. Subiu as escadas procurando Kali no andar de cima da casa. O chão já estava seco por lá. A porta no fim do corredor estava fechada e Kali saía de dentro do banheiro com um balde com produtos de limpeza dentro. Ela não usava luvas e aqueles produtos com certeza não a faziam bem. Isabella tirou o balde das mãos da menina, que estava abatida. Sentiu até vergonha de dizer que ajudou em alguma coisa depois de ver o estado em que tudo estava.

— Eu... terminei de lavar as roupas. – falou um pouco sem jeito.

— Obrigada. – Kali sorriu – De verdade.

— Tem mais alguma coisa para fazer?

— Até a roupa secar, não. Mas geralmente eu só a deixo lá fora e passo no dia seguinte de lavar.

— Entendi... Onde eu coloco este balde?

— Tem uma despensa embaixo da escada. Pode colocar lá.

— Ok. Tome um banho e descanse. Você precisa.

Kali fez que sim e Isabella foi guardar o balde. Depois foi até o seu carro e pegou um embrulho, voltando para a casa. Ficou esperando Kali, sentada no último degrau da escada. Pensava em tudo o que aconteceu naquele dia. Era surreal, desumano, incompreensível. Pessoas normais fariam tudo isso para uma menina tão nova? Por quê?

Kali saiu do banheiro, tirando Isabella de seus pensamentos.

— Como você está? – Isabella percebeu os olhos inchados de Kali. Provavelmente havia chorado – Precisa de um remédio?

— Não... eu já tomei. Pode vir aqui. – Kali disse, entrando em seu quarto.

— Eu... tenho um presente para você. – Isabella entrou no quarto e lhe entregou o embrulho.

— Por quê? – Kali estava ansiosa para saber o que era, mas não queria parecer infantil. Fazia muito tempo que não ganhava um presente e esse ela realmente não esperava.

— Eu queria te dar um presente. Queria te alegrar ou pelo menos tirar um pouco da sua dor. Eu não posso fazer muita coisa por você, mas pelo menos isso eu posso te dar. Abra!

— O-obrigada! – Kali murmurou, pegando o presente e abrindo.

Era um embrulho retangular, pensou ser um livro. Sentou-se na cama e descolou a fita adesiva com cuidado para não rasgar o papel. Era uma caixa de madeira clara fechada por um cadeado. Nele havia uma chave em formato de águia com uma corrente que fazia dela um colar. Abriu o cadeado e dentro havia um caderno de capa lilás e com o desenho da águia.

— As águias enxergam longe. Elas tem olhos que alcançam onde nós não podemos ver. Às vezes, pode parecer que não tem esperança de a vida melhorar. Às vezes, a vida é uma merda, na verdade. Mas... talvez nossos olhos apenas não enxerguem o que vem a seguir. E enquanto a vida não melhora, escrever pode aliviar um pouco o peso do coração. Sempre que você puder escrever, escreva. Nem que seja “eu não estou bem hoje”, isso já vai te aliviar... Se mostrar forte pode acabar com o nosso coração. Usar algo como um diário pode até parecer meio bobo no começo, mas é um santo remédio... Não sei se eu consegui expressar direito o que eu queria dizer, eu não sou muito boa com isso.

— Obrigada! – Kali a interrompeu e a abraçou.

Notas finais
Me digam se esse capitulo tiver ficado um pouco cansativo ou sei lá... não gostei muito dele... Se você leu até aqui #obrigada^^