Notas iniciais
Oi pessoas o/ Finalmente consegui postar um capítulo no domingo. Quem tá feliz? Eu estou o/ (Quem mais acha que eu sou um pouco bipolar?) O capítulo ficou até grandinho. Eu não estava exatamente inspirada para escrever, então não sei se o capítulo está bom. Me digam o que acharam, okay? Boa leitura o/

(...e o que nos resta é tentar ser forte e conviver com a dor...)

— Vou tomar um remédio mais forte para dor e um banho. – Kali disse decidida depois de a dor causada pelo movimento brusco ceder um pouco – Até sairmos será tempo suficiente para o remédio fazer efeito. Não se preocupa comigo, okay? É só mais um do tipo de dia que se tornou comum nas nossas vidas, infelizmente.

— Fico triste por te ouvir falando isso, Kah...

— É só a realidade, Rafa.

— Eu sei... Então eu vou pegar um copo com água para você tomar o remédio. Enquanto isso você toma banho.

— Okay.

Rafael saiu do quarto e Kali separou suas roupas, pegou sua toalha que parecia estar com um furo novo e entrou no banheiro. Ligou o chuveiro entrando com cuidado debaixo da água fria. Seu corpo ardia por causa dos arranhões e cortes e podia ver cada novo hematoma em seus braços e pernas. Deixou a água escorrer por suas costas com as mãos apoiadas na parede à sua frente. Suas lágrimas, contidas com tanto esforço na frente de Rafael, ganharam liberdade na privacidade daquele cômodo.

Na cozinha, apoiado à pia, Rafael tentava em vão controlar suas lágrimas que insistiam em cair. Não queria que Kali percebesse seus olhos inchados e se chorasse por mais tempo isso aconteceria. Pegou um copo no armário e encheu de água. Esperou mais alguns minutos até se acalmar e voltou para o quarto de Kali.

Não demorou muito até que Kali terminasse de tomar banho. Ela vestiu sua roupa com cuidado e voltou para o quarto. Rafael já estava com o remédio nas mãos e a entregou assim que ela chegou.

— Vai tomar banho enquanto eu preparo o café. – Kali disse após engolir o remédio.

— Tudo bem.

Kali percebeu os olhos inchados de Rafael, mas preferiu não comentar nada. Ela sabia que Rafael queria ser forte por ela, porém já estava também chegando ao seu limite.

Rafael saiu do quarto e Kali conferiu no relógio de pulso, em cima do criado mudo, ao lado da cama, as horas. Ela tinha 1h40 para fazer o café da manhã e arrumar qualquer coisa fora do lugar antes de sair. Pegou sua mochila e uma blusa de frio com capuz vinho e desceu as escadas sentindo o corpo doer. Colocou a mochila do lado da porta e a blusa de frio em cima da mochila. Colocou água para ferver enquanto cortava ingredientes para sanduíches. Colocou pó de café em um coador de pano e jogou a água já fervida sobre o pó tomando cuidado para não se queimar, já que fazia esforço para segurar o coador sobre a garrafa térmica com o braço que doía. Fechou a garrafa e montou alguns sanduíches. Colocou três deles em uma bolsa e o restante em uma bandeja de plástico sobre a mesa. Pegou uma jarra, encheu de água, colocou pó de suco e açúcar e misturou com cuidado para não aumentar a dor com o movimento. Pegou uma garrafinha e colocou um pouco do suco dentro dela. Tentou levantar a jarra para colocá-la em cima da mesa junto com as outras coisas, mas não conseguiu. Rafael apareceu ao seu lado e pegou a jarra.

— Não te vi chegar. – Kali disse com o tom de voz baixo – Há quanto tempo tá aqui?

— Alguns minutos. Tava te observando para o caso de acontecer um acidente.

— Devia ter aparecido antes.

— Você não ia me deixar ajudar de qualquer forma. – Rafael deu de ombros e colocou a jarra sobre a mesa.

— Quantas horas?

— 7h30min – Rafael respondeu, conferindo o relógio em seu pulso – Não temos muito tempo.

— Vamos antes que fique mais tarde.

Kali pegou a bolsa com seu lanche e Rafael abriu a porta e pegou as mochilas ao lado dela. Entregou a blusa para Kali que a vestiu enquanto saía de casa, fazendo uma careta de dor por causa do movimento.

— Tudo bem?

— Sim.

— O remédio ainda não fez efeito?

Kali deu de ombros se concentrando em andar de forma que seu corpo doesse menos. Ela colocou o capuz da blusa e arrumou o cabelo de forma que escondesse o ferimento em sua testa.

— Vamos ter que ir direto para a escola – Kali disse – Não vai dar tempo de comermos hoje. Desculpa por isso...

— Não peça desculpas por algo que você não tem culpa.

— Mas é por minha culpa que estamos atrasados.

— Não diga isso, por favor. Não é verdade.

Ficaram o restante do caminho em silêncio. Kali andava com dificuldade, por isso chegaram à escola com tempo somente de irem para a sala de aula. Rafael levou Kali até sua sala para que ela não carregasse o peso de sua mochila. Entrou com ela na sala, colocou a mochila onde a irmã sentava e se despediu dela rapidamente. Os alunos da sala estavam acostumados a vê-lo ali, pois sempre que Kali estava machucada ele a levava. Eles ficavam curiosos quanto a isso, mas não perguntavam nada a eles.

Depois de Rafael sair, os outros alunos desviaram sua atenção para o ruivo que entrou na sala e foi direto para o lugar na frente de Kali. Ela estava de cabeça abaixada, encolhida na cadeira, tentando não prestar atenção à dor pelo corpo. O capuz da blusa lhe cobria o rosto e ela não percebeu o garoto até ele lhe dirigir a palavra.

— Bom dia, Kali. – Felipe percebeu Kali esboçar uma pequena reação indecifrável. Pensou que provavelmente ela havia esquecido da sua existência ou que tinha achado que ele já tinha desistido dela. Ele não desistira. Kali o desafiava inconscientemente e isso o deixava curioso.

— Você fez a atividade que o professor de matemática passou ontem? – Kali continuou quieta e Felipe ignorou seu silêncio, pegando seu caderno de matemática na mochila – Exatas não é minha praia... Não consegui responder nenhuma questão. Como alguém consegue entender alguma coisa nesses números?

Felipe ficou algum tempo em silêncio esperando Kali reagir de alguma forma. Alguns minutos se passaram e ela finalmente levantou a cabeça e olhou para Felipe. Ele a estava olhando e quando Kali percebeu isso, alguns instantes depois, abaixou de novo a cabeça, assustada por ter olhado para ele pelo que lhe pareceu uma eternidade.

— O que aconteceu com sua sobrancelha?

— Nada. – Kali respondeu rapidamente, surpreendendo Felipe. Repreendeu-se mentalmente pela reação exagerada, pois ele poderia fazer perguntas.

Felipe não disse nada. Ele estava curioso, mas não faria perguntas. O machucado de Kali parecia que ia sangrar a qualquer momento. Pegou sua mochila e procurou por uma caixinha de curativo adesivo que sua mãe fazia questão que ele carregasse. Pegou um e colocou sobre a mesa de Kali de forma que ela visse. Kali olhou para o curativo sem entender, depois olhou para Felipe que a encarava pensativo.

— É melhor cobrir o machucado. – Ele disse, dando de ombros. Kali encarou por algum tempo o curativo, pensando se era uma boa ideia aceitar a gentileza do garoto – É só um curativo, Kali. Não vai te fazer mal.

— O-obrigada – ela agradeceu, pegando o curativo e abrindo-o.

Ela tirou a proteção da cola do curativo e levantou a mão para localizar o machucado com a ponta dos dedos, mas Felipe segurou sua mão, surpreendendo-a.

— Se você tocar pode infeccionar. – ele se explicou – A ferida ainda está aberta. Eu coloco pra você.

Felipe pegou o curativo de sua mão e esperou alguma reação de rejeição da parte de Kali, mas a menina estava tão surpresa que não reagiu. Felipe colocou o curativo no machucado com cuidado.

— Desculpem o atraso, alunos, – O professor de história entrou na sala e Felipe se virou rapidamente para frente – eu estava resolvendo alguns assuntos...

Kali pensava por que Felipe agiu daquela forma. Ele não fez perguntas, nem algum tipo de piada. Apenas se preocupou com um machucado que nem era tão grande comparado aos outros que ela tinha pelo corpo. Quem era ele afinal?

Sem que ela percebesse o primeiro horário acabou e o professor de matemática entrou na sala dizendo que corrigiria alguns exercícios que os alunos tinham entregado e enquanto isso eles podiam fazer alguma atividade pendente que tivessem. Kali abriu seu caderno no último exercício de matemática. Devido aos acontecimentos do dia anterior não os tinha terminado. Rapidamente terminou e fechou o caderno. Olhou para Felipe que estava com a cabeça apoiada em uma das mãos e parecia ter dificuldade em fazer os exercícios. Kali tocou em seu ombro de leve e ele se virou, olhando-a um pouco surpreso.

— S-se quiser... hum... eu... posso a-ajudar você... com a atividade. – ela disse, olhando para sua mesa e pensando por que estava fazendo aquilo.

— O-obrigado. – Felipe não esperava por isso. Ele se levantou e colocou sua mesa ao lado da de Kali, que se arrependeu na hora de ter oferecido ajuda.

— E-em qual parte você está com dúvidas? – Kali disse após alguns instantes de silêncio constrangedor.

— Basicamente em tudo – Felipe sorriu.

Kali, que olhava para as mãos em cima do colo, deu um sorriso quase imperceptível, o que animou Felipe. Talvez ele conseguisse quebrar o escudo que ela segurava... algum dia.

Kali timidamente tirava as dúvidas de Felipe e ele conseguiu terminar a atividade.

— Você ensina bem. Agora eu consigo entender melhor esses números.

— Bem, pessoal, – O professor levantou de sua mesa com alguns papéis na mão – eu vou chamar os nomes e vocês venham aqui na frente pegar suas atividades. – O professor olhou para a turma e notou Felipe ao lado de Kali, ficando surpreso o suficiente para que o restante da turma percebesse os dois e os olhassem intrigados. O professor continuou. – Algumas notas foram bem ruins. É melhor tomarem cuidado.

O professor começou a dizer os nomes e os alunos levantavam para pegar suas atividades. Quando falou o nome de Kali, ela finalmente se deu conta que se levantar faria seu corpo doer e que ela teria que fazer um esforço para não fazer uma careta de dor na frente de toda a sala. No segundo que demorou para pensar nisso, o professor a chamou novamente e ela se movimentou para levantar, mas Felipe segurou sua mão sem que ninguém notasse, parando seu movimento.

— Eu posso pegar para ela, professor? – Felipe perguntou, já caminhando para a frente da sala. O professor levantou uma sobrancelha.

— Nota máxima, Kali, parabéns. – O professor disse olhando desconfiado para Felipe que voltava para seu lugar ao lado de Kali. Ela estava de cabeça baixa e seu capuz escondia seu rosto, mas ela sentia todos os olhares da turma sobre si.

— Ainda temos alguns minutos de aula, mas eu não vou passar mais nada por hoje. Vocês podem voltar ao que estavam fazendo, mas conversem baixo, por favor, pra não atrapalhar as aulas das outras turmas. – O professor voltou a sentar à sua mesa.

— Por que... – Kali começou a dizer ainda olhando para suas mãos.

— O quê? Não ouvi o que você disse. – Felipe a interrompeu.

— Por que fez isso?

— Fiz o quê? Pegar suas folhas? – Kali fez que sim – Não é nada de especial. Só sei que você está passando por um dia difícil.

— Como... sabe?

— Eu apenas deduzi isso. – Deu de ombros e concluiu orgulhoso – Eu sou um bom observador.

Kali o olhou finalmente, pensando se ele havia deduzido mais alguma coisa. Felipe sorriu como se soubesse o que se passava na cabeça de Kali.

— Não consigo descobrir nada que não tenha me dado as pistas certas.

— O que significa isso?

— Você é inteligente. Vai descobrir.

Notas finais
Se você leu até aqui #obrigada^^