Notas iniciais
Ola pessoas o/ Talvez os proximos capitulos atrasem um pouco. Eu fiquei gripada e nao consegui entregar os capitulos para minha beta, entao nao sei se eu vou te-los em maos a tempo de postar no domingo para voces. O capitulo de semana que vem esta pronto, mas os proximos nao. Algum tempo atras eu comentei aqui que tinha entrado em um grupo de escrita em que cada mes tem um desafio diferente para escrevermos uma one shot. O desafio desse mes eh songfic e eu pretendo participar, entao fiquem de olho por aqui. Tambem vou avisar na minha pagina do face quando postar. Esse capitulo eh importantissimo para a historia, então leam atentamente, ok? Boa leitura o/

(Às vezes é preciso tomar decisões difíceis para continuar vivendo.)

— Eu perdi meus pais muito cedo, – Felipe começou a contar sua história. – e meu irmão cuidou de mim até os meus 15 anos, quando ele foi morto. – Ocultou os abusos que sofria do irmão e o motivo da sua morte. – A justiça me designou um tutor, já que eu não tinha mais nenhuma família. O meu tutor é detetive particular e viu que eu tinha jeito para a coisa. Com 18 anos ele me indicou para um trabalho para a polícia federal. Ele tinha contatos lá. A polícia precisava de alguém que pudesse se passar por um adolescente para se infiltrar em uma quadrilha que aliciava adolescentes para cometerem crimes. Foi meu primeiro trabalho e, como me sai bem, fui efetivado na polícia federal, mesmo sem ter estudado para isso antes. Já estou lá há 5 anos. Meu tutor e meu instrutor na academia de polícia me ensinou tudo o que sei hoje.

— Espera aí! – Rafael interrompeu-o. – Quantos anos você tem?

— Tenho 23.

— 23? – Rafael se surpreendeu. – Não parece. Você se passa facilmente por um garoto de, ao menos, 15 anos.

— E isso me ajuda no meu trabalho.

— Mas o que isso tem a ver comigo e com Kali? Como você veio parar na nossa escola?

— A polícia federal está investigando uma quadrilha de estelionatários e traficantes que atua em todo o Brasil. O nome de Victor Gontcharov surgiu nas investigações.

— Victor Gontcharov? O mesmo Victor que mora em minha casa? – Rafael perguntou, reconhecendo o sobrenome russo.

— Exatamente. A partir daí começamos a investigar a vida dele e das pessoas que convivem com ele.

— Eu e Kali, você quer dizer?

—Bem, como vocês convivem com ele também precisavam ser investigados. Começamos infiltrando um dos nossos na escola onde vocês estudam como professor, mas como vocês são muito quietos era preciso alguém que pudesse interagir com vocês sem levantar suspeitas. Foi quando me chamaram.

—Espera. Você tá dizendo que um dos nossos professores é um detetive disfarçado e que você é outro?

— Sim. É exatamente isso.

— Isso não faz sentindo nenhum! – Rafael levantou-se do sofá, sentindo-se confuso. – Nós não estamos em um filme policial! Que brincadeira é essa?

Rafael sentia que, apesar de parecer loucura, tudo aquilo era verdade. Explicava tudo de estranho que aconteceu nos últimos dias com relação à Felipe. Mas, não queria admitir que acreditava em algo tão surreal.

— É verdade, Rafa. – Isabella disse.

— Você sabia disso? O tempo todo você sabia disso?

Rafael sentiu-se traído. Tinha desabafado com Isabella várias vezes e agora sentia-se exposto.

— Rafael, – Isabella levantou-se também, tentando manter a calma para explicar-lhe o que acontecera. – Quando nós começamos a conversar sobre as coisas que aconteciam na sua vida, eu não sabia sobre nada disso que estava acontecendo. Não sabia de professor infiltrado, nem de investigação sobre Victor.

— Ela descobriu tudo isso há alguns dias, quando contei para ela. – Felipe acrescentou.

— Como vocês se conheceram? – Rafael perguntou, tentando ficar calmo e organizar as informações em sua cabeça.

— O tutor do Felipe é meu pai. – Isabella respondeu.

— Quando eu soube que a escola em que me infiltraria é a mesma escola em que Isa trabalha, eu contei toda a situação para ela.

— E você contou tudo o que sabia a ele? – Rafael perguntou em tom de acusação.

— Eu não contei nada, Rafael. – Isabela sentiu-se ofendida, voltando a se sentar.

— Quando eu pedi que ela me desse informações sobre vocês, — Felipe disse. – ela não falou nada além do que qualquer professor falaria. Ela manteve seu segredo. Ainda não entendi muito bem por que ela fez isso, mas ela é boa em guardar segredos como a boa filha de detetive que ela é.

— Eu cumpro minhas promessas, Rafa. – Isabella olhou-o firme. – Eu te prometi que não contaria para ninguém o que você me falou e eu não fiz isso.

Rafael voltou a sentar-se no sofá, abaixando a cabeça e sentindo-se um pouco intimidado pelo olhar de Isabella sobre si. Ele confiava nela e sentiu-se mal por ter duvidado dela.

— Mas ela foi importante para a investigação mesmo assim. Graças a ela você e Kali estão livres de suspeitas. Eu só estou aqui para dar certeza aos meus superiores de que vocês estão acima de qualquer suspeita. Eu confio no julgamento da Isa e ela me disse que vocês são apenas vítimas da situação. Foi esse relatório que entreguei aos meus superiores.

— Por que você tá me contando tudo isso? – Rafael suspirou cansado.

— Eu cheguei nesta semana, mas a investigação já estava avançada. – Felipe explicou. – Eles precisavam de alguém em quem confiassem para lhes dizer que vocês não eram suspeitos. Agora que isso já foi confirmado, eles precisam da sua ajuda.

— Minha ajuda?

— Sim. Nós precisamos que você observe qualquer coisa fora do comum e que você procure pistas que possam nos ajudar.

— Pistas?

— Sim. Algum recibo, algum documento. Alguém suspeito que aparecer. Essa quadrilha não trata nada por telefone ou internet para não serem rastreados. Eles são espertos. Mas deve haver alguma pista em sua casa, talvez no escritório.

— Não... Se ele me pegar é a Kali quem vai sofrer. Eu não posso fazer isso.

— Se algo acontecer nós vamos estar de prontidão para te ajudar. Temos escutas e câmeras escondidas dentro e fora da sua casa.

— Escutas?

— Calma que não colocamos nada no seu quarto ou no quarto da Kali. Só temos escutas na sala, cozinha, quarto da Célia e escritório. Mas o escritório é o menos monitorado porque não conseguimos instalar muito bem as coisas. Seria bom se você conseguisse alguma pista por lá.

— É por isso que você apareceu lá na sexta?

— Sim. É por isso e porque a Isa me mandou um sinal de emergência.

— Eu estava com um ponto no ouvido e recebia instruções dos detetives que estavam vigiando a casa e uma das escutas. – Isabella explicou.

— Aquilo quase me custou meu disfarce. – Felipe disse rindo.

— Você também é detetive? – Rafael perguntou para Isabella.

— Não. Sempre quis ser bióloga mesmo. Mas, como filha de detetive eu aprendi muita coisa. Eu só topei participar dessa loucura porque seria uma forma de ajudar você. Se não fosse por isso não teria entrado nessa.

— Nós também precisamos de você como isca. – Felipe continuou. – Você é o único que pode fazer esse serviço, porque mora junto com Victor.

— Tem mais alguma coisa que eu precise saber? – Rafael perguntou ainda tentando organizar todas aquelas informações em sua cabeça.

— O Sr. Luiz é um detetive aposentado muito importante para a polícia federal. ­– Isabella disse. – Ele também está ajudando.

— Isso é muita informação… – Rafael disse, massageando suas têmporas, sentindo a cabeça doer.

— Rafael, – Felipe disse calmamente. – quando esta investigação terminar, você e a Kali estarão livres. Sua ajuda é importante para o desfecho disso.

— Eu… preciso pensar. – Rafael levantou-se, indo em direção ao quarto onde Kali dormia.

— Ele vai ajudar. – Isabella afirmou depois que Rafael saiu da sala.

— Como sabe?

— Ele faria qualquer coisa pela Kali.

— Espero que você esteja certa.

— Eu sempre estou, maninho. – Isabella disse piscando o olho direito.

— Aish*. Não me chama assim, Isa, sabe que eu não gosto! – Felipe fingiu irritação, fazendo Isabella sorrir.

— O objetivo era te irritar.

— E, com o objetivo de te constranger, – Felipe deu um sorriso brincalhão. – eu te pergunto: qual é sua relação com o Rafael?

— Como isso me constrangeria, Felipe? Ele é meu aluno e meu amigo.

— Sei… Deve ser por isso que seus olhos ficam brilhando perto dele, né?

— O que está querendo insinuar, Felipe? – Isabella sentiu o rosto queimar.

— Você sabe muito bem. Ficou até vermelha!

— Você está enganado. – Isabela disse, ligando a televisão para acabar com o assunto.

— “Eu só topei participar dessa loucura porque seria uma forma de ajudar você.” – Felipe imitou a voz de Isabella. – Você disse “você” e não vocês”. Não estou enganado, você sabe. Eu não descubro nada que não tenha me dado as pistas certas, maninha. – Felipe piscou o olho direito, sorrindo vitorioso.

***

Rafael abriu a porta do quarto, vendo que Kali ainda dormia. Puxou uma cadeira que estava perto da escrivaninha para perto da cama, sentando-se e observando o rosto sereno da irmã.

— O que eu faço? – Perguntou-se em voz baixa.

Lembrou-se do sorriso de Kali quando eram crianças e de como ela era forte e feliz, apesar da morte de seus pais. Lembrou-se de como ela o consolou quando seu pai faleceu, mantendo-se forte enquanto ele desmoronava.

Pensou, então, nos últimos três anos, em como suas vidas mudaram. Olhou para o corpo de Kali, que estava vestido com roupas longas apesar do calor que fazia lá fora. Viu também o machucado em sua sobrancelha, as olheiras e os cabelos sem brilho.

Lembrou-se de algumas horas antes, quando Kali teve um ataque de pânico. O que ele faria se isso acontecesse de novo?

Olhou para a parede à sua frente vendo a mochila de Kali ali. Ela estava aberta e seu diário estava à mostra. Levantou-se, pegando o diário e voltando a se sentar na cadeira, iluminando as páginas com a luz que passava por uma fresta na cortina da janela, começando a ler.

Quando terminou, lágrimas saíam de seus olhos. Uma parte em especial chamou-lhe a atenção, a última coisa que Kali havia escrito:

“Estou me sentindo uma criança agora, que ficou feliz em tomar um sorvete.

Só queria que esse dia não acabasse, porque esse sentimento vai embora junto com ele e não sei se um dia ele volta.

Eu não queria perder isso mais uma vez…”

“Não se preocupe. Eu cuidarei de você.” – Lembrou-se da promessa que fez a ela quando foi morar em sua casa.

— Eu vou cumprir minha promessa, Kah.

Levantou-se decidido, secando as lágrimas com as costas da mão. Se podia fazer alguma coisa para livrar Kali ele faria. Voltou para a sala ainda com o diário em mãos. Segurava-o firme, temendo perder a coragem.

Isabella e Felipe comentavam sobre o que estavam assistindo quando Rafael chegou na sala.

— Eu ajudo vocês. – Disse firmemente. – O que eu tenho que fazer?

Notas finais
*Aish: expressao coreana de indignaçao. Como o nosso "aff". E entao? O que acharam? Se voce leu ate aqui #obrigada^^